O Sr. Morpavão
oFadadoNathan
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 11/08/16 21:44
Editado: 11/08/16 21:44
Gênero(s): Cotidiano Crônica
Avaliação: 9.33
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 8
Comentários: 5
Total de Visualizações: 346
Usuários que Visualizaram: 13
Palavras: 209
[Texto Divulgado] "O olhar de Jurema" Jurema, uma brasileira comum, tem seu dia a dia e sua reflexão sobre sua vida narrada neste conto, que visa mostrar uma breve descrição do brasileiro em geral.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único O Sr. Morpavão

Nota dois: Não dormir muito.

Não existiam folgas para o Sr. Morpavão, ele trabalhava todo dia, verificava se cheques eram falsos ou não todo dia, derrubava café na mesa todo dia, lavava e limpava a sua caneca todo dia, sacudia suas orelhas todo dia, mas não dormia nenhuma noite. O velho passava a semana inteira com olheiras chatas e puxadas para baixo, eram muito feias. Em seu escritório frio e pequeno, sem janelas e com uma porta, o Morpavão constantemente via mãos penduradas em braços negros e magros saindo pelas quatro paredes, era medonho e acontecia todo dia em horário de meia noite. No centésimo aniversario do velho, foram pendurados balões no teto e colocadas nove mesas por todo o andar do prédio que ele trabalhava, foi uma festança, porém Morpavão não pode se levantar da cadeira do seu escritório, com essa idade o velho estava muito fraco, mal conseguia se mexer, porém ele estava muito feliz com o celebrar. Foi no fim da festa, em horário de meia noite, que as mãos e os braços negros começaram a sair das paredes, o Sr. Morpavão estava cansado devido à longa festa, ele fechou os olhos e o escuro o pegou pelo peito.

Ele era uma criança junto do fim.

❖❖❖
Apreciadores (8)
Comentários (5)
Postado 11/08/16 22:39

Gostei bastante. A repetição do cotidiano ficou bem nítida e o final contrastante com todo o restante soa até como um alívio para a mesmice.

Postado 11/08/16 23:11

Obrigado!

Postado 11/08/16 22:44

Sem querer tirar a atenção do conto, visto que o mesmo muito me agradou pela sua atmosfera cansada e monocromática, mas é você quem faz as capas? Se sim, parabéns! Muito originais :)

Postado 11/08/16 23:09

Sim, sou eu que desenho as capas. Fico muito feliz que tenha gostado delas, muito mesmo.

Postado 12/08/16 16:57

Eu gostei muito da escrita e da história, mas acho que se estivesse estendido um pouco mais teria sido mais interessante! Parabéns! (Eu também gostei bastante da capa, você desenha muito bem)

Postado 12/08/16 19:19

Valeu mesmo, cara! O texto foi curto porque, geralmente, quando eu alongo as minhas historias, os leitores não conseguem chegar até o final '-'. Eles se cansam. kkk

Postado 24/11/17 04:52

Ah, a rotina: sina maldita que tente a tirar o brilho e a graça de qualquer coisa que façamos e vivenciamos pelo simples fato de repetí-la...

Originalidade e criatividade, pelo que pude notar, serão a rotina que me aguardam na leitura dos textos do senhor. A começar pelas famigeradad capas, passando pela denomminação dos protagonista e seguindo finalmente para os contos!

Este texto passa uma sensação de um marasmo vivido pelo personagem de uma forma tão inexorável que beira à mecanização do pobre indivíduo. E, para mim, esta acabou sendo a principal mensagem: o Homem se transformando em um robô que segue um roteiro pré-determinado a tal ponto que viver passa a se limitar à rotina.

Até que a Morte venha e puxe o plugue, encerrando a estagnação de vez.

Excelente!

Atenciosamente,

Um ser rotineiro, Diablair.

#ad01-125/188

Postado 13/02/18 01:35

Caralho, genialidade total. A crítica por trás de cada palavra e a essência da morte a espreita a todo momento, é simplesmente perfeita! Tudo sensacional nessa obra! Parabéns ❤