Academia da Carnificina (Terminado)
Julih Co-Autores Ozymandias
Hlodyn
Usuários Acompanhando
Tipo: Romance ou Novela
Postado: 02/10/16 03:45
Editado: 23/09/17 19:05
Qtd. de Capítulos: 6
Cap. Postado: 21/10/16 00:27
Cap. Editado: 21/10/16 14:48
Avaliação: 9.82
Tempo de Leitura: 21min a 28min
Apreciadores: 10
Comentários: 6
Total de Visualizações: 476
Usuários que Visualizaram: 22
Palavras: 3374
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de dezoito anos
Academia da Carnificina
Notas de Cabeçalho

Olá! Esse capítulo foi escrito na maior parte por Daniel Lima, revisado por ele, eu e Joice Paz! Nós nos aplicamos bastante nesse, então espero que vocês se divirtam bastante, apesar do tamanho.

Capítulo 3 Estouro de Fúria

Dia 14 de Agosto, Lua Crescente.

Ao pôr do sol do dia após o assassinato, Domus foi enterrado. Os demais alunos e professoras ofereceram-lhe um funeral digno, apesar das brigas e confusões causadas pelo rapaz antes de sua morte. Como sempre, alguns debocharam da maneira como o rapaz chegara ao fim, mas a maioria ainda pregou respeito ao falecido.

Na noite do mesmo dia, os alunos reuniram-se no pátio, com o objetivo de, mais uma vez, punir o culpado pelo assassinato. Uma única cadeira encontrava-se sobre o palco, com cintos para prender os braços do criminoso. A professora Júlia esperava ao lado, com uma seringa em mãos. Manoel e Giordano trouxeram o culpado, que estava com os braços amarrados nas costas, apesar de não estar amordaçado.

— Vocês sabem que eu não sou o assassino! — exclamou Kyou. — Analisem minhas anotações, valorizem minhas palavras, por favor!

— Ninguém vai te escutar agora — comentou Fernanda.

— Deviam ter calado a boca dele! — Flávia falou em alto tom — Ninguém tem uma fita crepe aí?

— Não, vocês não estão entendendo! Isto é um grande engano! Eu sei quem são todos os assassinos! Eu sei de tudo!

— Você não sabe de nada, Kyou — disse Pamela, calma. — E mesmo sem saber nada, não hesitou em sair apontando dedos para todo mundo quando as suspeitas recém começaram a surgir.

Kyou continuava relutando, tentando escapar dos que o carregavam, mas nada adiantava. A cada segundo que passava, a sua inevitável morte parecia estar chegando mais perto, e nesse ponto, o destino já havia sido aceito pelo mesmo. O rapaz foi rapidamente preso à cadeira, e a professora Júlia, que tinha experiência com Química antes de juntar-se à Academia, começou a preparar o conteúdo da injeção. Em coro, os alunos gritavam “Vingança! Vingança!”.

— É uma pena ter que acabar com você assim… Você até que é bonitinho — disse a professora, encarando o rapaz enquanto os alunos a vaiavam. — Caramba, não dá nem para ter paixõezinhas até a morte, hoje em dia? — riu ela enquanto procurava uma veia do rapaz, que no momento refletia sobre sua vida. Será que ele era como eles? Será que ele merecia estar ali?

Um tiro se ouviu em meio à multidão. Os alunos assustaram-se, enquanto a única acadêmica que não estava presente na ocasião apareceu com um revólver em mãos. Vitória andava por entre os poucos alunos enquanto os mesmos afastavam-se dela. A arma estava apontada diretamente para Júlia.

— Cansei de ficar sem fazer nada enquanto vocês tocam o terror neste colégio — disse a moça, aproximando-se. — Tenho certeza que a situação não teria chegado a este ponto se o diretor ainda estivesse por aqui.

Os demais alunos a encararam.

— Vocês não percebem!? Desde que essas duas doidas assumiram — continuou ela, apontando para Joice e Júlia, que se encontravam sobre o palco —, nossos amigos e colegas estão morrendo um após o outro! Primeiro o Allan, que era um grande cozinheiro e fazia ótimas refeições todos os dias, depois o Lecrivain, que sempre nos alegrava com suas piadas soberbas, a Rakkiel, com seu jeito feliz e atrapalhado, o Domus, que apesar de tudo não parecia ter intenções ruins, e agora o Kyou! Não podemos admitir isso!

Hahahaha… — riu Joice. — Você realmente não sabe do que está falando, não é mesmo? Não percebe que tudo que tem acontecido são os desejos da maioria?

— Só porque é o desejo da maioria, não quer dizer que eles estejam certos — Comentou Gustavo, se aproximando de Vitória.

— Neste mundo não temos muitas alternativas — interrompeu Júlia. — Se não seguirmos a vontade da maioria, estaremos sujeitos à vontade de um ou outro, que tomaria conta como líder. No fim das contas, a democracia pode não ser perfeita, mas é a melhor alternativa que temos.

— E se a maioria estiver errada!? — questionou Vitória.

— Onde será que ela conseguiu essa arma? — perguntou Alícia em meio aos demais.

— Eu sabia que ela era assassina também — disse Manoel, do palco.

— Calma aí, gente — Gustavo falou ao lado de Vitória —, eu não sei se o Kyou é um assassino. Existem razões para crermos que sim, mas talvez estejamos nos precipitando. E o fato da Vitória defendê-lo também não torna ela culpada de imediato.

— Mas ter uma arma de fogo é outra história — Beatriz comentou.

— Vitória… — suspirou Kyou, que já não tinha mais vida nos olhos. — Obrigado pela tentativa, mas nós já perdemos. Eu já perdi — Júlia tocava com a agulha nele.

— NÃO!! — exclamou desesperada Vitória, puxando o cão do revólver e preparando-se para atirar! — DEIXEM ELE! PAREM COM ESSA MATANÇA OU SOU EU QUEM VAI MATAR TODO MUNDO AQ…

Antes que pudesse terminar a frase ou atirar com o revólver, o corpo de Vitória se estremeceu de supetão, e a arma foi ao chão. Ela logo caiu, de joelhos. Em pé ao seu lado, Gustavo possuía uma arma de choque em mãos.

— Obrigado por controlar a situação, Gustavo — disse Júlia, terminando de injetar o líquido em Kyou, que em pouco tempo já estava desacordado, enquanto o conteúdo fazia efeito em seu corpo, causando paralisia em alguns órgãos.

— Foi o mínimo que eu podia fazer para impedir mais desgraça — disse o garoto, guardando a arma de choque no bolso e virando as costas. — Não fui a favor de matar o Kyou, mas a votação deve ser seguida para manter a ordem.

Gustavo foi caminhando, de saída do pátio. Kyou já estava morto, e Vitória desacordada. Muitas pessoas ainda não sabiam como reagir com tudo que estava acontecendo, mas uma aluna agiu rapidamente.

Kallyandra, que quase se escondia em meio aos demais, aproveitou o fato de que ninguém deu muita bola para a arma que havia caído no chão e correu até ela.

— Ei! Olhem o que ela está fazendo! — disse Lucia, reparando no que acontecia, enquanto Kallyandra rapidamente apossava-se do revólver.

— Alguém pare ela! — exclamou Pedro, que não estava perto o suficiente para tomar uma ação imediata.

— Vejo vocês todos no inferno — disse Kally segurando o revólver, enquanto Flávia e Pamela se aproximavam para impedi-la de fazer alguma bobagem. Mas foi tarde demais.

A garota segurou a arma, apontou direto para a própria cabeça e deu um tiro. Parte de seu olho direito voou no rosto de Pamela, e Flávia, banhada de sangue, rapidamente tomou posse da arma, enquanto o corpo sem vida de Kally perecia ao chão. Júlia e Joice desceram do palco.

— Deixe isso com a gente — comentou a diretora, pedindo a arma para Flávia, que a entregou. — Antes que cause mais problemas indesejados.

— Pelo jeito temos mais limpeza para fazer — suspirou Júlia. — Ah, quanto trabalho…

— E o que vão fazer com essa aí? — perguntou Beatriz, olhando para Vitória, que ainda estava inconsciente.

— Pois é… — disse Pamela. — Depois do que aconteceu, não podemos deixá-la à vontade por aí. Ela é um risco para todos.

— Já sei o que fazer — falou Júlia, calmamente. — Manoel e Giordano, me ajudem aqui.

Os dois rapazes levaram a moça a um lugar designado por Júlia, e os alunos retornaram para os seus aposentos.

Pelos próximos sete dias, não houve mais nenhum ataque na Academia.

❖❖❖

Dia 21 de Agosto, Lua Cheia.

9h da manhã. Numa sala escura, uma moça de cerca de um metro e sessenta se encontrava acorrentada à parede. Lágrimas escorriam de seus olhos, enquanto sangue escorria de sua boca. Sobre uma mesa próxima à porta de entrada, encontravam-se alicates de vários tipos, facas, baldes de água e ácido, um saco plástico, entre vários outros aparatos.

A sala era conhecida como “Sala de Ferramentas”, uma área da Academia que era apenas utilizada nos tempos em que uma reforma precisava ser realizada na escola, mas no momento, tinha uma utilidade diferente. A sala servia de cárcere e local de tortura de Vitória, desde que a mesma apontara uma arma para a professora Júlia durante o julgamento de Kyou.

Enquanto a moça de luzes louras respirava ofegante, a porta se abriu, e por ela entrou Lucia.

— Bom dia — disse a morena, fechando a porta.

— Ah… — suspirou Vitória — Então hoje é a sua vez?

— Sim… Sinto muito… Mas então, como os outros te trataram até então?

— Muito bem, eu diria — Revirou os olhos. — Giordano foi o primeiro — disse, com raiva. — Ele rasgou as costas da minha blusa e jogou ácido em mim. Queimou como o inferno. E ainda por cima, me enroscou em arame farpado e fez eu tentar me libertar, a cada movimento eu ficava mais e mais presa. — Sua voz começava a soar melancólica.

— Eu nunca mais vou sair com aquele cara, por isso. — Lucia comentou, olhando com pesar para os machucados nos braços da outra garota, se fechando aos poucos.

— Depois dele veio o Manoel. — Ela estremeceu ao lembrar. — Acho que ele combinou com o Giordano, porque ambos usaram arame farpado. Ele até se prestou a enrolar um pouco no meu pescoço, como se fosse uma daquelas gargantilhas.

— Eu… — A outra garota olhou para o pescoço da torturada, e foi até a mesa pegar álcool e algum tipo de pano para limpar os ferimentos. — Irei cuidar disso para você.

— Isso não vai me salvar. Depois, ele ainda jogou álcool em mim e, creio eu, só não acendeu um fósforo e jogou em mim porque não tinha. — Vitória rangeu os dentes. — Depois disso, a Pamela me arrancou algumas unhas. Como ela usou o alicate, nenhuma saiu por completo e agora acho que estão infectadas, para melhorar meu quadro.

— Ninguém deveria fazer algo do tipo com você… — A morena suspirou preocupada.

— A Flávia veio um dia depois e arrancou dois dos meus molares. Um deles quebrou e sinto ele me cortar a cada palavra que eu falo. E ela ainda cortou um pedaço da minha orelha fora, se quiser ver.

Lucia se aproximou calmamente de Vitória e tirou o cabelo da frente da orelha esquerda, que apresentava um vazio onde deveria ser o lóbulo e a escafa. Um grito de espanto foi suprido pelas mãos que rapidamente levou à boca, ao ver que o machucado até mesmo ainda tinha sangue.

— Alícia foi a única pessoa boa… — A garota com luzes suspirou. — Ela me ofereceu água, limpou meus ferimentos e retirou qualquer coisa que pudesse ainda estar na minha pele. Ela até mesmo me deu o seu casaco, este, que estou vestindo no momento.

— E ontem… — continuou Lucia. — Como o Gustavo te tratou?

— Quando ele chegou, eu esperava que ia sofrer de verdade. Mas surpreendentemente, ele não me torturou, só fui forçada a ouvir os pedidos de desculpa falsos dele. Ele ficou observando as peculiaridades da sala, tocando as paredes, e fuçando nas ferramentas, enquanto dizia que não imaginava que eu acabaria assim, mas que tinha que fazer alguma coisa para impedir que eu atirasse em alguém.

— É, talvez fosse isso mesmo. Todos estranhamos a sua atitude.

— Estranharam a minha atitude!? — questionou ela, em alto tom. — E que tal estranhar o fato de que desde que começamos essa semestre estamos matando e agora torturando nossos colegas!?

— Pois é — comentou Lucia. — A diretora Joice e a professora Júlia parecem ter uns interesses estranhos por violência.

— Alguém deveria fazer alguma coisa a respeito. Enfrentá-las!

— Enfrentar de frente é burrice. Foi o que você tentou fazer, e olha como terminou — a morena apontou para os ferimentos de Vitória.

— É… Isso é verdade. Mas temos que agir de alguma forma.

— Bom, talvez já estejamos agindo.

— Como assim?

Lucia aproximou a boca do ouvido de Vitória, e ficou cochichando por alguns minutos. A moça presa exibiu um leve sorriso pela primeira vez em sete dias, e a outra distanciou-se. Lucia fuçou em algumas gavetas, juntou alguns aparatos da sala, e guardou-os em seus bolsos, e em seguida dirigiu-se até a porta.

— Meu trabalho aqui está feito — disse ela. — Estamos combinadas, então?

— Sim, combinado. Até amanhã, Lucia.

❖❖❖

Eram cerca de dez horas da noite. No céu uma lua cheia adornava o céu escuro sem nuvens. O tempo estava fresco, uma brisa lenta passeava pela Academia. Seria um prelúdio do que estava por vir?

— Ai, que arrepio, Pam — Flávia disse aquecendo os próprios braços enquanto caminhava lado a lado da moça.

— Realmente. — Ela concordou olhando para os lados.

Continuaram sua caminhada tranquilamente conversando despreocupadas. Uma hora depois, Pamela avisou que já estava com sono e que iria para seu quarto dormir; Flávia, entretanto, preferiu aproveitar a noite agradável no lugar que estavam, no pátio. Após se despedirem, ficou sentada no banquinho admirando aquele satélite natural tão galante.

— Noites escuras assim me deixam tão inspirada! — Tirou o telefone do bolso. — Preciso terminar meu conto de terror! — Animada, Flávia digitava freneticamente em seu celular.

Estava tão distraída entre as linhas sanguinárias de seu conto de psicopata que não percebeu uma enorme criatura se esgueirar lentamente entre a escuridão. Quando foi perceber a movimentação estranha, a silhueta assombrosa estava atrás dela a pouquíssimos centímetros de encostar na mesma. Flávia sorriu imaginando que Pamela novamente a surpreenderia com brincadeiras de assustar. Virou o rosto debochada pronta para agarrar a amiga a pegando em sua própria armadilha, porém, seu sorriso murchou ao perceber o que realmente se tratava.

Seu celular veio ao chão e, junto com ele, lágrimas de desespero. Ela bem que tentou gritar, mas o feroz lobisomem abruptamente agarrou sua garganta interrompendo qualquer chance dela pedir por socorro.

Apertou ainda mais o pescoço da pobre moça e logo em seguida lançou-a ao chão com tamanha violência que parte de sua cabeça estatelou-se ao encontrar o mesmo. A moça perdeu sua consciência instantaneamente e por sorte a criatura feroz parou por ali. Era meia noite quando um agudo e ensurdecedor uivo foi ouvido por todos que estavam acordados.

❖❖❖

Dia 22 de Agosto.

9 horas da manhã. Joice estava trabalhando na secretaria, enquanto Júlia estava prestes a começar a aula. Dessa vez, os únicos alunos que se encontravam sentados em seus lugares no horário eram Manoel, Pedro, Alícia e Beatriz. Fernanda, Giordano, Gustavo e Lucia não estavam presentes. Flávia descansava na enfermaria da Academia, sob os cuidados da amiga Pamela, desde que a mesma havia encontrado-a ferida no pátio. Os alunos cochichavam sobre diversas coisas.

— Gente, vocês tem alguma ideia do que pode ter atacado a Flávia? — perguntou Manoel.

— Vai saber… — disse Pedro. — Mas o estrago foi feio, não parecia coisa de gente.

— Independente do que seja — mencionou Beatriz —, ela se mostrou dura na queda. Com ferimentos daquele nível, muitos teriam morrido de cara.

— Só sei que faz dias que não consigo dormir — disse Alícia. — Depois de todas as pessoas que já morreram aqui, o que estamos fazendo com a Vitória, o suicídio da Kally… Não sei como vocês estão conseguindo lidar.

— Às vezes você precisa simplesmente encontrar alguém em quem confiar — disse Pedro —, apostar tudo na pessoa, e torcer para que tenha escolhido certo.

— Por isso que eu tenho o meu Diabin — completou Manoel. — E alguns poucos amigos...

— Pessoal… — interrompeu Beatriz — Amanhã é a minha “vez” de ir lá com a Vitória. Precisamos mesmo torturá-la?

— Eu não o fiz — respondeu Alícia. — Não ligo para o que essas professoras loucas dizem, não vou participar disso.

— Eu ainda não tive minha chance — disse Pedro. — E você, Manu?

— Ah, eu fiz né gente — falou Manoel, dando de ombros. — Vai que eu não fizesse e daí depois sobrava pra mim. Antes ela do que eu. E também, não foi estranho ela ter uma arma aqui esse tempo todo?

— É, realmente foi — completou Beatriz.

De repente, um alto estouro se ouviu. Ele parecia ter vindo da sala de concursos. Tomados pela curiosidade do que havia ocorrido, os quatro alunos correram em direção à sala, assim como a diretora Joice e a professora Júlia. Chegando lá, tudo estava uma bagunça.

Alguns troféus estavam caídos no chão, papéis pegavam fogo e uma das estantes estava completamente destroçada. Parecia que uma bomba de raio pequeno havia atingido o local.

— Esse semestre está cada vez mais interessante — disse Joice tossindo baixo. — Assassinatos, execuções, suicídio, ataques de monstros, e agora… Uma bomba? Como diabos alguém fez isso aqui?

— Meu deus! — exclamou Pedro. — Precisamos fazer algo a respeito disso!

— Ei, vocês! Tomem cuidado! Continuem onde estão. — Joice disse e continuou a caminhar. — Júlia, precisamos verificar se ainda tem algum explosivo.

— Sim. Ah, eu juro que quem fez isso vai pagar caro.

— Com certeza vai. — Joice completou.

No canto da sala, os quatro curiosos jovens cochichavam enquanto olhavam em busca de qualquer coisa na sala. Não ousavam desobedecer a diretora, mas eram curiosos demais para sair dali.

— Essa escola é um hospício! — Alícia disse.

— Por que diabos iam fazer isso? Justo aqui? — Manoel comentou.

— Certamente obra de algum invejoso. — Beatriz se expressou.

— Eu só quero voltar para minha casa. — Alícia chorou.

Depois de vasculharem o máximo que podiam, as duas mulheres que regiam a Academia saíram do recinto destruído na companhia dos adolescentes.

— Não encontramos nada, não se preocupem. — Júlia disse.

— Se vocês tiverem qualquer pista do autor dessa barbárie têm que me dizer. — Joice enfatizou — Isso não ficará impune. — E saiu acompanhada de Júlia.

❖❖❖

11 horas da manhã. Lucia corria ofegante até o final do Corredor da Pegação. Tinha um ferimento no nariz tapado por um curativo e, dado o esforço da corrida, o mesmo tinha aberto. A moça sentiu sangue sair, mas apenas inspirou e continuou a correr até o lugar onde se encontrava uma figura que não podia se identificar. Ela se aproximou da pessoa e, contrariando o propósito do local, iniciou uma conversa com certa distância.

— Fez sua parte do combinado? — A figura perguntou, discretamente, conferindo o local algumas vezes para se certificar de que estavam sozinhos.

— Sim! — A morena concordou com a cabeça. — Agora que isso está feito, precisamos começar a conversar sobre…

A frase foi interrompida no meio, já que um som de tiro pode ser ouvido, além do arfar da morena baleada.

— O quê!? — Exclamou, se ajoelhando no chão, com as mãos sobre o ferimento. — Onde foi que você conseguiu essa…

E novamente, a frase foi interceptada no seu meio, quando outro estouro remetente a um tiro pode ser ouvido. A atingida caiu no chão, sem conseguir mais se apoiar nos joelhos.

— Ah, então era isso. — Suspirou, enquanto falava com dificuldade. — Era só esse seu objetivo, só isso que você queria, e eu fui ingênua em acreditar que…

Um terceiro tiro foi escutado. A frase foi interrompida, mas já não podia se escutar ou ver os movimentos de Lucia. A garota estava no chão, caída, enquanto sangrava após os três tiros. A figura com a qual conversava anteriormente se retirou, sem deixar rastros.

Os poucos alunos que escutaram com clareza o som, foram chamar os restantes para verificar o ocorrido. Reunidos, foram correndo para a direção da Quadra de Esportes, onde se dividiram para procurar quem fora atingido.

Após vários minutos de procura, Fernanda, Pamela e Pedro acharam Lucia caída no chão, aparentemente sem vida. Os três, reunidos, começaram a gritar para todos virem vê-la. Rapidamente, o restante encontrou Lucia e ficaram igualmente pasmos. Pamela já estava chorando antes mesmo dos outros chegarem. Podia-se notar em Giordano, Alícia e Pedro olhos marejados. A cena era triste demais. Demasiado sangue escorria da cabeça e barriga da pobre moça. O que um dia era seu belo rosto agora resumia-se a um punhado de sangue e ferimentos. Beatriz se aproximou do corpo, para se certificar de que não havia mais esperanças. Manoel, Fernanda e Gustavo observavam em silêncio.

— Alunos! — Joice e Júlia chegaram ofegantes, com a última gritando. — Acabei de voltar da Sala de Ferramentes e… a Vitória não está mais lá.

— Mas, eu não sei como aconteceu. — Joice recuperou o fôlego. — A chave ficava na secretaria e eu mantinha-a trancada sempre que terminava o trabalho. — Explicou.

— Será que você não a deixou desprotegida em algum momento? — Perguntou Manoel.

— É. — Perguntou Gustavo. — Como com o acontecimento de hoje mais cedo.

— Ah… Não! — Suspirou Joice.

— Vocês se esqueceram do mais importante aqui? — Gritou Giordano. — Vejam como Lucia está! — Após o comentário, Beatriz se aprontou a checá-la.

— Não sinto pulso. Acho que ela morreu. — Beatriz balançou a cabeça em negação. Instantaneamente pode-se ouvir o soluçar desesperado de Alícia.

— Outra vez! Outra vez! Outra pessoa inocente morre nessa porcaria de escola! — Alícia jogada ao chão chorava desolada.

Todos olharam para baixo em reverência. Beatriz preparava-se para se levantar quando repentinamente ela e os outros escutaram uma respiração profunda. Surpresos olharam para o chão quando uma inspiração desesperada foi ouvida.

Lucia abriu seus olhos.

❖❖❖
Notas de Rodapé

A discussão nesse capítulo será diferente e será postada mais tarde. O link se encontrará disponível aqui assim que estiver pronto.

Nota da Júlia: Eu tô morrendo de sono e sem celular. É bom que não me floodem por nada, muito menos por atrasar. :D Os outros tão dormindo já (mentira, só a Joice .qq)

Nota da Júlia²: O Kyou era o único personagem estiloso .qqqq

Apreciadores (10)
Comentários (6)
Postado 21/10/16 01:15

QUE TEXTO MAGNÍFICO FOI ESSE?! Tão de parabéns, gente, que obra!

É o apocalipse!

Postado 21/10/16 01:28

Ficamos muito felizes porque nosso couro foi arrancado nessa <3

Postado 21/10/16 09:46 Editado 21/10/16 09:57

Hey!

No meio dessa matança e tortura toda, nem sei mais se é válido encontrar os cinco assassinos. Todo mundo tem, de certa forma, culpa no cartório.

Certo mesmo seria ir atrás do frouxo desse lobisomem haha.

Enfim, continuarei acompanhando.

Postado 21/10/16 11:29

É uma merda acompanhar sem dar pitaco.

Postado 21/10/16 23:19

Lecrivain

Fui informado que só podemos dar pitacos com nossos amigos.

Como grande parte dos meus amigos não estão acompanhando...o jeito é parar de acompanhar também hehe

Postado 21/10/16 23:34

Deêm pitacos nos grupos! :D

Postado 22/10/16 10:57

Triste mesmo, Destiny... Tô de olho nesses assassinos safadinhos que ficam atuando muito bem, por sinal, mas não posso intervir :c

Mas, ao menos você tem amigos, Destiny, pense nisso... hahahaha... #deprê

Postado 22/10/16 17:22

Vai lá falar com seus amigos do lado de fora, vai... SHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAGAHAHAHAHAHAHAHAHHA!

Postado 22/10/16 17:39

Pois é. Fiquei até mesmo na dúvida se deveria excluir o comentário kkkkk. Fica a decisão ae para staff

Postado 22/10/16 18:08

Reunam-se, vocês mortos, e discutam. :D

Postado 22/10/16 21:14

Poxa gente, não foi isso que eu quis dizer. Podem discutir com quem quiser, contanto que não seja no tópico. Se os assassinos mataram uma pessoa, é porque não querem mais a participação dele, de alguma forma, por alguma razão. Se a pessoa ainda fica falando lá, é meio injusto com eles, e incoerente com o propósito do jogo.

Além disso, pode causar confusão para os outros participantes sobre quem ainda está vivo e pode votar e quem não pode mais, etc.

Postado 21/10/16 11:57

Daí eu estou de boa escrevendo o próximo best-seller e os autores decidem colocar um bicho sinistro atrás de mim, me fazer chorar e ainda tacam o celular no chão... Gente! Quanta violência com a minha pessoa. Falando em violência, amei a parte da tortura! Ficou muito show!!!!

Capítulo maravilhoso!

Postado 21/10/16 23:16

UHAUHAUAUAHUAUHAUHAUHA

Ficamos muito felizes <3

Postado 21/10/16 14:28

Agora as coisas ficaram bem mais interessantes, de fato. E eu não vou morrer até que consiga lutar, enfrentar e destinguir todos esses mistéiros e, no fim, honrar meu nome. Caso contrário, irei morrer o honrando. Haha'

Adorei o capítulo, vocês (Dan, Joi e Ju) são demais! <3 Mas, uma pergunta, onde está o tópico de discussão?

Postado 21/10/16 23:31

Ahauhauha, esse capítulo ficou bem dark, hein ahuuahauha

Brigadinha <3

Postado 22/10/16 00:30

Complexo, empolgante, surpreendente e revelador. Estes foram os adjetivos que me vieram à mente após a primeira leitura do capítulo. A melhoria em relação aos predecessores em N aspectos é notável e quero novamente agradecer e parabenizar aos autores por todo esse empenho e cuidado para nos provem de um texto e um gameplay muito bons!

Eu só achei esse/a Lobisomem/ma muito bonzinho/a. Para algo que demorou tanto para aparecer, deveria no mínimo arrancar um pedaço da vítima e comer na frente dela. Ou fazer um estrago maior. Especialmente na moça... "#some."

No mais, meus sinceros parabéns e agradecimento! Bravíssimo! Bravíssimo!

Atenciosamente,

Um ser que vaga pelas noite de lua cheia, Diablair.

Postado 22/10/16 16:12

OS COMENTÁRIOS GRANDES VOLTARAM, ALL HEIL SATAN!

:D

Agradecemos.

Postado 25/10/16 14:18

MINHA GENTE O QUE FOI ISSO? SEI NEM O QUE SENTIR AQUI. FICOU MARAVILHOSO, MAS NÃO TÔ SURPRESA PORQUE VOCÊS SÃO DEMAIS MESMO

Postado 25/10/16 16:18

BRIGADONA <3