Academia da Carnificina (Terminado)
Julih Co-Autores Ozymandias
Hlodyn
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 02/10/16 03:45
Editado: 23/09/17 19:05
Qtd. de Capítulos: 6
Cap. Postado: 27/12/16 16:19
Cap. Editado: 23/09/17 19:05
Avaliação: 9.82
Tempo de Leitura: 24min a 32min
Apreciadores: 8
Comentários: 4
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Palavras: 3878
[Texto Divulgado] "a dança" sabe-se lá quanto vinho tomamos naquele quarto, de repente tu ligaste o rádio, colocou a musica lenta e pediu para que eu pegasse sua mão, e eu o fiz. dançamos desajeitados, rindo como tolos, nem sabíamos direito os passos, mas tudo bem, só nós estávamos lá, e estávamos felizes. era o que valia.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Academia da Carnificina
Notas de Cabeçalho

Lamentamos imensamente a demora para postar este capítulo, mas devido às dificuldades de tempo dos organizadores nos últimos meses e a complexidade que esperávamos da resolução da história, acabamos demorando bastante para terminá-lo com o nível de qualidade esperado.

Mas antes tarde do que nunca, e esperamos que divirtam-se com a leitura!

Capítulo Final Carnificina

Dia 22 de Agosto. Noite de Lua Cheia. 19h.

Uma moça de pele pálida e cabelo tão escuro quanto a penumbra daquela noite encontrava-se no refeitório da Academia respirando ofegante com um olhar um tanto desesperado. Ela enfaixava seu braço esquerdo que possuía um profundo corte que começava em seu ombro e ia quase até o cotovelo, mais comprido que sua própria mão.

Após tratar do ferimento de risco, Flávia correu até a cozinha e começou a abrir rapidamente as gavetas ao lado do armário, deixando um rastro de sangue por onde passava. A garota já estava mais para lá do que para cá, mas não desistiria de sua vida tão cedo. Ao encontrar onde todos os utensílios culinários eram guardados, ela apalmou um punhado de facas e começou a checar uma a uma.

— Não, não, não... — suspirava ela, olhando cada instrumento com atenção por alguns segundos antes de atirá-lo no chão em frustração. — Hum… Talvez…

Flávia pegou a faca que observava no momento e passou a lâmina em sua língua. Sentiu o gosto por alguns segundos, e logo sorriu ao perceber que era exatamente o que estava procurando. Tomou posse da arma e foi andando em direção à saída da cozinha, quando sentiu uma dor forte na cintura.

— Droga… — pensou ela, levantando a camiseta ensanguentada e contemplando um outro grande corte em sua barriga. — Eu tenho que fazer algo sobre isso antes que vire um problema.

A moça olhou ao seu redor e logo notou que estava próxima de um fogão. Sem pensar duas vezes, Flávia abriu o gás, acendeu a chama e esquentou a larga lâmina da faca que segurava. Após aquecê-la, levou a arma até seu ferimento, cauterizando-o. Após morder os lábios para o gemido da excruciante dor, a moça guardou a faca no coldre da cintura e retirou-se do refeitório. Seus olhos carregavam uma raiva perigosa.

❖❖❖

19h30.

Manoel, Giordano, Gustavo, Pedro, Beatriz e Pamela encontravam-se no pátio discutindo sobre os últimos assassinatos.

— Será que o lobisomem atacou de novo? — questionou Beatriz.

— Não há dúvidas — disse Gustavo. — E considerando que Flávia e Lucia sumiram da enfermaria, provavelmente uma delas é a culpada.

— Obviamente que a Flávia não é, Gustavo — continuou Pamela. — Visto que ela foi a primeira atacada.

— E ela não poderia ter fingido o ataque? — perguntou Manoel.

— E como alguém conseguiria fingir um ataque daquela forma? — Pedro discordou.

— Uma coisa é certa, — disse Giordano — acho pouco provável que a mesma pessoa tenha cometido os dois assassinatos. Ambos foram sob circunstâncias bem diferentes, não acham?

— Realmente — disse Manoel, cabisbaixo e ainda triste pela morte de sua amiga Alícia. — O corpo de Alice parece ter sofrido um corte limpo, enquanto o da Fernanda foi destroçado. Sem falar de que acho pouco provável que o lobisomem conseguiria executar um ataque nos dormitórios e outro na sala de aula praticamente ao mesmo tempo, sem ser visto.

— Eu estava lá e posso garantir que o ataque em Fernanda foi feito pelo lobisomem — disse Beatriz.

— E quanto ao outro ataque, o que tem a dizer, Pedro? — questionou Pamela.

— O que? — Pedro reagiu, confuso. — Eu, eu… Eu não sei. Eu não estava lá.

— Não é muito estranho… — disse Gustavo. — As circunstâncias desses assassinatos. Manoel, Pamela e Giordano estavam comigo no momento que ouvimos os gritos, então eles estão limpos, mas a princípio não podemos confiar plenamente nem no que diz Pedro, nem no que diz Beatriz.

— Não, não creio que o senhor Pedro poderia… — Manoel começou a pensar. — Poderia… Poderia!?

— Ei, ei ei… Vamos com calma aí — disse Pedro. — Gente, eu sou da paz, lembra? Fui sempre eu que separei as brigas aqui e tudo mais. E eu estava afim da Alícia, eu jamais faria algo assim com ela. E não tenho nada a ver com o que aconteceu com a Fernanda.

— Isso é exatamente o que você gostaria que a gente pensasse sobre você caso estivesse planejando cometer um assassinato — completou Beatriz.

— Ei, quem é você para dizer isso? — Pedro questionou e começou a ficar nervoso. — Foi você quem assassinou a Rakkiel naquela ocasião!

— Isso é hora para sair apontando dedos assim? — questionou Giordano. — Você parece estar ficando muito afobado para alguém que diz não ter culpa nenhuma, Pedro.

— Eu… — Manoel começava a pensar a respeito de tudo e respirar fundo.

Ele olhava a sua volta, tentando entender o que estava acontecendo e não sabia mais em quem podia confiar. Beatriz claramente não hesitara em matar no passado, mas Rakkiel era a assassina, portanto estava certo, e quanto a Gustavo, e a maneira como matou Vitória antes que a mesma tivesse a chance de se defender? Será que alguém ali realmente era confiável? Será que não seria melhor matar todos de uma vez?

— Pedro, você lembra porque nos dividimos em grupos para procurar a Vitória hoje? — perguntou Gustavo.

— Para, para… — balbuciou o acusado. — Para podermos proteger uns aos outros e não corrermos riscos…

— Então porque você deixaria a Alícia sozinha? — questionou Pamela.

— Eu, eu… Eu queria buscar um CD no meu quarto, só que acabei me distraindo e…

— Acho que já está mais que claro que tem algo de errado nessa história — afirmou Beatriz.

— Não, gente! Eu sei que errei, eu não devia ter deixado ela sozinha, mas eu queria apenas....

— Chega! — gritou Manoel, dando um soco no rosto de Pedro. — Eu não aguento mais essa palhaçada! — deu outro soco. — A Alícia era uma boa pessoa, porra! ELA — mais um — ERA — outro — UMA BOA PESSOA!! — O rapaz continuou socando o outro, que começava a sangrar. — ASSASSINO OU NÃO, É SUA CULPA QUE ELA MORREU! VOCÊ NÃO DEVIA TER DEIXADO ELA SOZINHA!

Manoel distribuía socos com extrema intensidade em Pedro, este que fora pego totalmente de surpresa, que não parecia conseguir sequer reagir. De repente Manoel pegou um forte impulso com seu braço direito e colocou toda a sua força e todo o ódio e frustração que guardava dentro de si num murro certeiro no nariz do rapaz — que antes já estava quebrado. Ao atingi-lo com tamanha potência, seu crânio estourou e sua cabeça abriu. Manoel levantou-se devagar respirando ofegante. De suas mãos (feridas pela brutalidade do próprio ataque) pingavam secreções do que sobrou do crânio do rapaz misturadas com o próprio sangue...

— Estamos resolvidos aqui — disse Manoel, sacudindo as mãos ensanguentadas, enquanto os outros observavam completamente pasmos. — Vamos encontrar as outras duas.

❖❖❖

19h45.

Após deixar o refeitório, Flávia se dirigiu até a quadra de esportes, onde se deparou com o corpo de Vitória atirado no chão em frente aos vestiários. Ela tinha marcas arroxeadas em seu pescoço e a morena logo percebeu que a causa da morte era asfixia. Flávia continuou a vasculhar o cadáver por alguns minutos a procura de algum tipo de arma que ela pudesse utilizar, uma vez que Vitória fora quem conseguiu um revólver e ameaçou atirar na professora Júlia anteriormente.

Apesar de não encontrar nenhuma arma, Flávia reparou em um pequeno volume no pescoço da falecida. Rapidamente utilizou sua faca para cortar um pedaço da pele fora, e do corte conseguiu extrair um pequeno chip. Muitos se surpreenderiam com tal descoberta, mas Flávia olhou para baixo e colocou a mão na testa, numa expressão de decepção e culpa.

Continuando a procurar pelos pertences de Vitória, ela logo encontrou em um de seus bolsos um papel cuidadosamente dobrado que, ao ser aberto, revelava uma série de anotações feitas pela loira. Com a pele pálida e a visão ligeiramente turva dada a perda exacerbada de sangue, a moça lia tudo atentamente da maneira que podia, encantada e ao mesmo tempo indignada com a quantidade de informações ali escritas.

— Eu preciso encontrar os outros… — disse ela, ao se colocar de pé novamente — antes que seja tarde demais. — Sentiu suas pernas estremecerem, mas continuou em frente.

Flávia virou-se em direção à Academia na intenção de voltar correndo e procurar os demais, mas se deparou com algo terrivelmente assustador a encarando. O monstro, coberto de pelos negros, tinha cerca de dois metros de altura, e exibia os caninos apesar de estar com a boca fechada. Uma curta cauda, comparado ao seu tamanho completo, surgia ao final de sua coluna vertebral.

Flávia suspirou.

— Sabia que nos encontraríamos de novo — falou a moça de cabelos escuros apertando firmemente a faca em sua mão e encarando a criatura —, mas não imaginei que seria tão cedo, Lucia.

A criatura abriu a mandíbula numa espécie de sorriso macabro emitindo um urro de intimidação. Flávia pôs-se a frente em posição de defesa. A lobisomem salivava de excitação. Uma batalha ainda mais sanguinolenta estava prestes a começar.

❖❖❖

19h59.

Giordano, Gustavo, Beatriz e Pamela caminhavam lentamente logo atrás de Manoel. Todos estavam perplexos com a cena que haviam acabado de presenciar. Ninguém ousava falar sobre o ocorrido, mas Beatriz e Gustavo cochichavam baixo sobre a força que Manoel tinha — até então oculta pelo seu jeito quieto.

— Quem iria imaginar… — disse Gustavo.

— Ouvi em algum lugar que não se brinca com o ódio de uma pessoa. Especialmente se tiver amor envolvido — complementou Beatriz.

O grupo estava prestes a deixar o pátio quando um uivo extremamente alto ecoou pelos quatro cantos da Academia.

— Parece que está vindo da quadra de esporte! — Giordano apontou.

— Vamos até lá! — disse Pamela.

— Esperem! Não entrem lá ainda! — impediu Manoel, em alto tom. — Ei, Giordano, vamos comigo até a sala de ferramentas procurar algo para nos defendermos.

— Certo — concordou o rapaz. — Vocês ouviram o que ele disse! Não entrem até eu e ele chegarmos!

Giordano correu ao lado de Manoel, até chegarem ofegantes na sala de ferramentas. Os dois rapazes remexeram nas gavetas e armários do aposento, à procura de tudo que pudessem usar como arma contra a fera.

— Que porra! Nada realmente cortante nessas malditas caixas! — Manoel expressou-se frustrado.

— Procure naquela caixa ali — apontou Giordano. — Parece que é a única que não foi verificada.

Manoel fez como lhe foi dito. De costas para Giordano ele abria com as mãos a caixa de papelão e procurava aflito qualquer coisa que pudesse ser usado como arma.

— Não adianta. Só tem redes e bolas murchas nessa merda!

— Manoel… — Giordano chamou baixo.

O mesmo se levantou e quando olhou para trás foi surpreendido com uma facada entre suas costelas. Tossiu sangue e caiu de joelhos agonizando de dor. Olhou nos olhos de Giordano e disse:

— Era você esse tempo todo! — Manoel esforçava-se para dizer aquelas palavras. — Meu instinto dizia que você não era quem fingia ser… — Sua frase foi interrompida quando ele vomitou uma enorme quantidade de sangue.

— Você devia ter acreditado nele, portanto — Giordano sorriu debochado. — Continue vomitando — aplicou um chute no ferimento, derrubando-o no chão com extrema facilidade — até todas as coisas podres dentro de você saírem — Giordano pisou em sua mão enquanto gargalhava observando Manoel expelir todo o sangue que a hemorragia do ferimento lhe causou. — Parece que nem satã vai te ajudar agora.

— Vá se foder! — Manoel com a voz entrecortada reuniu suas últimas forças.

— Que boca suja! E você demora a morrer, hein? — Giordano abaixou, segurou a testa de Manoel e expôs seu pescoço. — Últimas palavras?

— Vá se…

Antes que ele pudesse terminar, Giordano fez um corte paralelo a traqueia, lançou fora a faca e enfiou os dedos no ferimento. Manoel quis se debater, mas havia perdido tanto sangue que só lhe restavam forças para desejar que aquilo tudo terminasse rápido.

— Encontrei — Giordano sorriu satisfeito e ao agarrar a traqueia do rapaz, pisou no peito de Manoel e arrancou-lhe as vísceras.

Ao terminar, desfez-se e tomou de volta a faca que havia jogado no chão. Limpou o excesso de sangue na calça e saiu do cômodo, sem se esquecer de fechar a porta.

❖❖❖

20h17.

Na quadra de esportes, Flávia encontrou grandes dificuldades para defender-se da fera enraivecida. Por ser um lugar amplo, era difícil esconder-se e esquivar-se.

— Maldita! Lucia, não faça isso! — Flávia gritava na vã tentativa de trazer alguma humanidade à tona.

E como era esperado, nada acontecia. As palavras da humana só serviam para progressivamente tornar a lobisomem cada vez mais violenta. Repentinamente ela rosnou, pôs-se de quatro e correu em direção à Flávia, que estava prestes a ser encurralada. A mesma sentia-se demasiadamente fraca e mal aguentava correr. Seu sangue escorria do ferimento no braço.

— Isso tem que acabar logo! — Flávia disse para si mesma forçando-se a pensar numa solução que a salvasse de ser completamente despedaçada.

Foi então que avistou o banheiro masculino. Não pensou duas vezes e correu em direção ao mesmo. Lucia veio logo atrás pisando forte. Sua saliva escorria pela quadra inteira demonstrando que sua raiva e fome já tinham atingido o limite. Flávia retirou sua camisa e esfregou a mesma no próprio corpo e braço e após encharcar, largou sobre o primeiro box do banheiro e escondeu-se no terceiro.

— Espero que isso a engane — pensou enquanto tentava respirar baixo.

A lobisomem com uma simples passada arrancou a porta de metal e urrou em desagrado. Parecia extremamente irritada com todo aquele jogo. Como Flávia pensou, ela foi diretamente para o local, atraída para o cheiro da camisa. Flávia ouvia as passadas pesadas e lentas da lobisomem insatisfeita. Abaixou-se devagar e lançou a lixeira por cima chamando a atenção da fera para o box à direita dela. Perigosamente perto. Assim que a fera correu em direção ao barulho, ela abriu a porta do compartimento e gritando, reunindo suas últimas forças, saltou sobre a criatura com sua faca de prata, aplicando um golpe certeiro sobre a nuca.

A fera debateu-se de dor caindo logo em seguida, destruindo a pia e tudo mais que estava perto com sua queda. Flávia respirou profundamente aliviada. Cansada, fraca e preocupada, ela tremia lado a lado do corpo desfalecido de Lucia, esta que lentamente tomava a forma de humana outra vez.

— Ainda… Ainda há o que ser feito — Flávia, com esforço, se levantou e saiu.

❖❖❖

20h32.

— Ora, isso é bem… Que palavra uso? — Giordano disse pensativo ao notar o estado lastimável que a pobre moça se encontrava — incomum?

— Giordano… — suspirou Flávia ao avistar o rapaz, próximo da entrada da sala de ferramentas. — Eu imaginei que foi a sua risada alta que ouvi vindo daqui. Esse… Esse sangue é seu?

— Ah, isso? Não é meu, felizmente — Giordano olhava para a moça com uma expressão divertida.

Flávia mudou sua postura.

— Abre a porta e entra na sala de frente pra mim — disse a moça, com voz autoritária. — Se você fizer qualquer coisa eu vou acertar essa faca no meio dos seus olhos — Flávia empunhava a faca com um olhar determinado.

— Ei, calma, que violência. Pra quê isso? — Levantou as mãos em sinal de rendição.

— Agora! Não vou falar de novo!

Giordano virou-se de lado e lentamente abriu a porta fazendo como lhe fora ordenado. Assim que o fez, Flávia retorceu o rosto ao notar o forte odor de sangue fresco.

— Continue entrando devagar. Encoste as costas na parede! — Flávia ordenou enquanto caminhava manca e ofegante para dentro. — Maldito! Você o matou! — exclamou a garota ao perceber o estado do corpo de Manoel dentro da sala. — As anotações da Vitória estavam certas! Você é um assassino! Você matou o…

— O que está acontecendo aqui? — disse Pamela, que acabara de entrar no local junto de Gustavo e Beatriz.

— Mantenha-se longe dele, Pam! — Flávia se pôs na frente da amiga. — Ele é o assassino que estávamos procurando!

— Você procurava por um assassino? — perguntou Beatriz.

— Sim — concordou ela, ainda apontando a arma branca para o rapaz que sorria despreocupado. — Eu, na verdade, nunca fui uma aluna daqui. Sou uma agente que foi enviada por uma companhia de segurança privada, com o objetivo de procurar um assassino que supostamente estava infiltrado aqui.

— Como assim? Que tipo de assassino? — perguntou Gustavo.

— Um assassino anônimo — continuou a explicar. — Uma pessoa desconhecida que tem grande capacidade de manipulação e disfarce de aparência. Alguém que pode parecer muito mais novo ou mais velho do que realmente é.

— Tem certeza, Flávia? — questionou Pamela. — Como alguém assim passaria impune!?

— A pessoa em questão não costuma matar com as próprias mãos, com raras exceções. Ela geralmente cria situações que incentivam terceiros a matar uns aos outros. O que parece exatamente com o que tem acontecido por aqui — Flávia fez uma pausa, sem parar de encarar Giordano. — Todas as dicas apontam para ele e a prova é o corpo de Manoel! — Sua voz falhou ao dizer seu nome.

Giordano, embora amplamente acusado, não esboçou reação nenhuma, apenas observava o quarteto na sua frente.

— E ele nem mesmo se dá ao trabalho de se defender… — concordou Pamela, com uma voz fria.

— Vitória era outra agente, e graças às suas anotações, consegui descobrir a verdadeira identidade de Giordano — Flávia apontou a faca diretamente para o acusado, que continuava a apenas olhá-la. — Renda-se!

— Está bem — concordou o rapaz, sorrindo. — Bom trabalho com seu monólogo bem trabalhado, senhorita… Flávia. Se esse é realmente seu nome.

Giordano começou a bater palmas lentamente.

— É isso. Sou assassino mesmo. Parabéns! Matei o carinha aqui — disse ele, apontando com deboche para o corpo desfalecido de Manoel. —Também ajudei a coordenar as demais “desgraças” que ocorreram por aqui — terminando de falar, pisou na cabeça do morto com um olhar orgulhoso.

— Isso tudo vai acabar agora. Nem que eu morra, mas se eu sobreviver, esse será meu último conto. — Flávia disse, seriamente.

— Você não vai sobreviver, mas pode deixar que eu vou escrever sobre isso tudo. Vou até contar os detalhes sobre sua morte e a do Manoel. Inclusive o pentagrama que eu desenhei no peito dele — Giordano riu apontando para a ferida no corpo do rapaz.

— Filho da puta! — Flávia tremia de fraqueza e raiva.

— Vou contar sobre a Fernanda que, tomada por inveja, e pelo meu incentivo, foi matar o Francisco. Aliás, fui eu que sugeri que ele fosse para a sala de concursos encontrá-la aquela manhã, e o ingênuo foi de cara para a própria morte! — Gargalhou. — Foi realmente divertido! Eu fiz de tudo para que a Beatriz conseguisse matar o Domus, planejei tudo antes e depois foi apenas ficar bêbado para não me incriminarem. Usei de Kyou, que tinha comentado com Vitória sobre querer apagar as luzes, para provocar todo o escândalo!

— Você é horrível! — Pamela disse, encarando-o assustada.

— Mapeei todo o colégio para ajudar Gustavo a roubar a arma — Flávia olhou na direção de Gustavo —, que foi responsável por acertar Lucia. A nossa querida Vitória foi apenas uma inocente no plano que pagou por tudo que vocês acreditaram! — Giordano riu. — Sabe, acho que o único assassinato em que eu e os meus companheiros não somos culpados foi o de nosso querido diretor.

— Você não vai escapar! — Flávia deu o primeiro passo para correr em sua direção, pronta para matá-lo.

Porém, antes da garota completar o movimento, um estampido foi ouvido. Flávia gritou ao sentir sua perna esquerda ser baleada. Caiu no chão segurando o ferimento, tentando salvar o resto de sangue que lhe sobrava.

— Achei que fosse fingir para sempre — Gustavo falou despreocupado.

Ao olhar para trás, Flávia viu Pamela segurando o revólver de Vitória, com um olhar falso de desculpas.

— Pa-pa-pam… — gaguejou a garota. — Como assim?

A assassina tentou atirar novamente, ao perceber que a arma estava sem munição.

— Poxa, Gustavo! — exclamou ela. — Precisava ter gastado três tiros na Lucia? Assim fica difícil de eu me divertir!

Gustavo rapidamente buscou um pouco de munição extra em seu bolso e entregou para a garota, que logo recarregou a arma, enquanto Flávia observava em choque, com lágrimas no rosto.

— Pam… Eu não entendo.

Pamela deu mais um tiro, dessa vez na outra perna da garota.

— Sinto muito, amiga — disse ela. — Neste jogo da vida, alguns são feitos para ganhar, e outros….

A assassina chegou próxima da agente, que chorava no chão de joelhos, apontou o revólver para sua cabeça, e puxou o cão da arma.

— Outros só estão aqui para perder.

Um estrondo se ouviu quando a cabeça de Flávia se estilhaçou pelo lugar. Os assassinos apenas assistiam a cena com um sorriso no rosto.

— Parece que seu rosto está sujo — disse Giordano, percebendo a face ensanguentada da garota e se aproximando. — Deixa que eu limpo para você — falou ele ao lamber o sangue de Flávia da bochecha da assassina, pouco antes de beijar seus lábios.

❖❖❖

Ao final do semestre, os alunos sobreviventes, Beatriz, Gustavo, Pamela e Giordano, vão para casa. Joice e Júlia acenam para eles, enquanto os quatro se dirigem ao ônibus. Lá dentro, todos estão comemorando seu sucesso e saudando seu líder. Porém, após o ônibus acelerar, todos podem ver um espectro na entrada da Academia, onde a diretora e professora estavam poucos minutos antes. O espírito do diretor, Daniel Lima, acena para os alunos, desejando um bom retorno.

Horas após a saída dos assassinos, Joice está na secretaria, assinando alguns papeis e termos. Júlia entra e começa a conversar com a mesma, calmamente.

— Então, o que achou desse semestre? — diz a professora que, agora, completava seu sexto mês no local.

— Estou preocupada com a reputação da escola. E se, a partir de agora, chegarem apenas assassinos e psicopatas? — a diretora reflete, olhando a colega. — Começamos com dezesseis alunos e terminamos com quatro. Tenho a leve impressão de que algo de errado está acontecendo por aqui.

— Faz até lembrar os velhos tempos, não é mesmo? — disse Júlia calmamente, fitando a diretora.

— Pois é, algo assim não acontecia por aqui desde que… Desde que… — Joice começa a encarar Júlia e lembrar-se de seu passado. — Como você sabe disso!?

— Ora, eu...

— O massacre de 2003 não está em nenhum registro da escola e nunca foi divulgado! — exclama a diretora, defensiva.

— Exatamente… — continuou a mais nova. — E olha, aquele pessoal era manipulável, mas dessa vez… Foi mais fácil do que eu imaginava.

— Não é possível… — Joice imediatamente se levanta e tenta ir até a porta que leva ao corredor, mas Júlia a bloqueia. — Você não faria.

— Faria. — Júlia se aproximou calmamente de Joice. — Assim como fiz. — Após completar a frase, deu um tiro na coxa da diretora.

— Por quê?! — Joice gritou, apertando sua perna, perto do local onde levou o tiro. — Nós nunca fizemos nada para você!

— Você quem pensa. — Júlia empurrou a diretora para um canto da sala, para então dar um tiro no ombro da mesma. — Você realmente gosta de se fingir, não é?

— Eu não te entendo. Eu nunca te fiz nada! — A diretora exclamou. — Nós podemos resolver isso de outro modo!

— Não há modos para o que você me fez. — Júlia colocou a ponta da arma encostada na testa de Joice. — Você sabe o que fez com Sara Belle, não sabe?

— Não é possível.

— Às vezes, é. — Com o final da frase, ouviu-se apenas um estampido da arma, que silenciou Joice Paz, para sempre.

Corria um rumor de que as aparições fantasmagóricas na Academia surgiam para os assassinados cujos culpados não foram devidamente punidos. Neste momento, a figura que acenava, o primeiro diretor, desapareceu.

Com a Academia toda para si, Júlia sentou na mesa da diretora. Colocou o urso Diabin, que havia buscado no quarto de Manoel, sobre a mesa, como sua nova decoração. Em seguida, abriu a primeira gaveta de Joice, onde encontrou o caderno que pertencia a Kyou. Após arrancar algumas páginas e guardá-las em seu bolso, a moça queimou o resto. Pegou seu celular e mandou uma mensagem para Giordano, agradecendo a colaboração de seus quatro novos prodígios.

No próximo ano, a Academia teria uma nova diretora.

❖❖❖
Notas de Rodapé

É isso! O Daniel logo postará um tópico no fórum com as resoluções detalhadas de todos os casos e a divulgação de todas as pistas oficiais e falsas, para os que estão interessados em saberem mais.

Esta experiência foi trabalhosa, mas também muito divertida. Esperamos que todos entendam que foi a primeira vez que realizamos um projeto desse naipe na academia e que a tendência é que os próximos serão conduzidos de uma forma mais consistente e organizada. Agradecemos a compreensão pelos atrasos e a dedicação de todos que participaram!

A Academia da Carnificina voltará em breve >:)

Desejamos a todos um feliz fim de ano e um próspero 2017!

PS: Sobre a morte do Manoel - Feita pela Joice.

PS²: Eu sou o plot twist disso tudo.

Apreciadores (8)
Comentários (4)
Postado 27/12/16 19:05

Eu ganhei uma faca! Eu fiz coisas maravilhosas com essa faca. Os assassinos podem até ter sobrevivido, mas esse capítulo foi meu! Dois bjs pra vocês! Morri, mas morri feliz. u__u

Postado 27/12/16 20:32

pokasaspoaksaopk Que bom! :D

Postado 27/12/16 19:13

Sem dúvida toda a espera por um final valeu a pena! Foi bem emocionante ler toda essa carnificina descrita de um jeito tão brutal.

Queria dizer que foi uma honra trabalhar junto com o Giordano, a Pamela, a Beatriz e a Fernanda e mandar todas as pessoas de bem para a forca <3 quase fomos pegos algumas vezes, mas não contavam com nossa astúcia :v

Foi muito divertido também participar de um jogo assim com todos os outros, espero que no ano que vem tenha algum evento parecido com esse. Realmente, foi incrível o modo que os mistérios se desenrolaram ao passar dos capítulos.

Gostaria de saber mais sobre aquela mulher que foi citada nas pistas do assassinato do Daniel.

Enfim, parabéns aos organizadores por essa história <3

Postado 27/12/16 20:33

Nada, estamos honrados! <3

Postado 27/12/16 22:07

Eu realmente estou estupefato com tamanha qualidade e competência com a qual esta ímpar esta obra foi conduzida rumo a esta conclusão tão brutal e insana! Os escritores até utilizaram algumas coisas do lado de fora da "caixa" para a resolução dos eventos! Foi um final muito digno e justo (no sentido de que foram levadas a cabo as consequências das ações/omissões/erros de todos os jogadores envolvidos).

Eu fui particular e publicamente "trollado" na obra, mas sei que foi uma demonstração doentia de afeto por parte dos organizadores desta trabalhosa e excelsa empreitada, ato do qual tanto reclamei mas também reconheço como brincadeira e agradeço. Aproveitando o ensejo, meu mais sinceros, profundos e entusiasmados parabéns e obrigado à Jovem Poder por ter conduzido pessoal e brilhantemente o meu grotesco extermínio por parte do calhorda descarado do Sr Giordano! Meu fim foi um espetáculo sem igual em termos de narração, descrição e diálogos! AVE JOY! DIABLAIR ET SALUTANT!

Por fim, foi uma honra participar tanto do jogo quanto dos acalorados debates no fórum; peço desculpas pelos erros de julgamento da minha parte e agradecer por ter sido ouvido e respondido pelos demais, que tanto me ensinaram! Gratíssimo a todos!

Uma vez mais, parabéns a todos os envolvidos neste projeto sem precedentes! Os autores mandaram muito bem e concluíram tudo de um modo muito satisfatório e empolgante! Absolutamente admirável o trabalho realizado aqui!

Bom, é isso.

Atenciosamente,

Um ser que só se fodeu, errou e no fim morreu miseravelmente, mas se divertiu pra caralho assim mesmo, Diablair.

Postado 27/12/16 23:24

Que comentário mais bacana, Diab! :D

Obrigada!

Postado 27/12/16 23:45

O prazer foi todo nosso. Que bom que te agradou e divertiu. A intenção foi somente essa. Perdão se exagerei nas trolladas e tals... Mas é isso. Valeu pelo comentário foda <3

Postado 28/12/16 01:14

Se não me trollasse, nom seria tu...

Postado 27/12/16 23:44

Somos foda. Sim ou claro? :3

Postado 28/12/16 00:11

OBVIAMENTE!

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