OtherLife
Alien
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 13/04/17 00:23
Gênero(s): Drama LGBT Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 1
Comentários: 1
Total de Visualizações: 120
Usuários que Visualizaram: 7
Palavras: 425
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

Entrando agorinha só pra postar.

Escrito ao som de canções aleatórias da minha playlist emo...

Para variar, talvez eu tenha fugido do tema no princípio :D mas como eu postaria igual, resolvi ariscar, já que acabei não participando dos últimos desafios.

Capítulo Único OtherLife

A cena poderia se assemelhar a de um filme, mas não. Nenhuma ficção consegue ser tão real.

É de manhã, cedo. O rapaz acorda com os gritos do pai e senta na cama, esfregando os olhos e sentindo o choque do piso gelado em seus pés. A cabeça dele lateja de dor.

Ele fede. Não toma banho há três dias e os dentes, já nem lembra mais da última vez em que escovou.

Veste qualquer coisa que já havia usado em dias anteriores e que estava jogado no chão. Se olha no espelho e sente o breve choque rotineiro: o de não entender o que vê no espelho. Não sabe mais quem é.

Pega a mochila da escola e sai de casa como em todas as manhãs. Ruma inicialmente para lugares aleatórios e distantes, como em todas as manhãs.

No celular, mensagem da melhor amiga.

"Michelle vc nao vem pra escola???"

Ele chuta uma pedra e arremessa o celular no bolso. O aparelho parece lhe queimar. Michelle com dois L's.

Desde quando ele odeia esse nome? Na semana passada ele odiava Michael.

Nunca sabe ao certo quem é. Só sabe o que quer. E quando chega ao térreo do esqueleto do prédio nunca entregue por uma imobiliária, sua mente se esvazia de vez.

Só sente. Dor física. Aonde por coincidência está, seu coração.

Os olhos marejam. Ele observa a cidade enquanto aperta as mãos uma na outra. Tem medo daquilo. Tem medo de tudo.

Um dependente químico aparece e ele quase pula de medo devido ao susto. A mulher descabelada e maltrapilha caminha ligeiro até o canto inferior como se ele não existe.

Tira um isqueiro de algum lugar e acende a pedra, e então Michael definitivamente não existe mais para ela.

Ele suspira e olha para a rua movimentada que passa a oito andares abaixo de si. Treme.

Não sobraria nada se ele se jogasse. Nenhuma decepção alheia, nenhuma dor. Mas, como sempre, ele lembra que Vitória só tem a ele. Sua única amiga, que acha que ele irá embora com ela para cursarem a universidade.

Michael sabe que isso dificilmente vai acontecer, mas as belezas da grande OtherLife, firmam seus pés no chão.

E naquela terça-feira, no terceiro dia consecutivo da semana, ele novamente se acovarda e não salta do prédio.

Porém, no dia seguinte, tudo vai pelos ares, de qualquer maneira.

Após convulsionar por longos minutos depois de tanto apanhar do pai, o jovem acaba parando embaixo da terra. Vergonhosamente, pelas mãos de terceiros, como no fundo ele sempre soube que aconteceria.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Quis escrever algo sobre o pior lado dela... alimentar fé no impossível.

Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 04/06/17 10:30

Isso é triste, ele se "acovardar" e não pular, por amor a uma amiga, e acabar sendo tragado pela violência familiar... Gostei do texto, tem um clima bem cinzento.