Teta dos Santos Enganado da Treta Beija Mexidos.
Belatity
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 29/05/17 22:30
Gênero(s): Comédia
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 7min46seg
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Palavras: 1010
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso de Contos – Otimismo" Esse concurso tem como objetivo o desenvolvimento de contos que narrem em prosa uma situação em que o otimismo prevalece. Ver mais sobre o concurso!
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Teta dos Santos Enganado da Treta Beija Mexidos.

3 x 1.

Este era o placar do jogo. Estávamos perdendo, e perdendo feio.

Passei o primeiro tempo e já estava há 15 minutos do segundo, no banco, esperando a minha oportunidade. Ficar aguardando ali, era como se meus pés estivessem concretados no chão.

Já havia xingado meu técnico de tudo quanto é palavrão que eu conhecia em pensamento, mas parecia que ele havia sofrido amnésia, pois, simplesmente, o velhote, se esqueceu da minha existência.

— Vamos, seu careca pançudo! Me obrigou a ser um santo por meses! Me coloca em campo! — murmurei baixo.

Definitivamente, eu não podiria ficar de fora daquele jogo. Não com dois olheiros ali, analisando tudo para levar dois ou três jogadores para os times da sub17. Eu não poderia perder essa oportunidade. Meu corpo formigava, como se estivesse me dando um sinal para jogar. Era a minha hora.

4 x 1.

Bufei com as mãos na boca, a torcida rival já estava chamando nosso goleiro de frangolino. Só para ajudar eu conhecia o dono do gol, era o Douglas. Douglas Vacilão Fura Olho, o atual da minha ex, Pamela Piranha Traíra.

O idiota mandou beijo para ela na pequena arquibancada e quando passou por mim me encarou com uma piscadela e um sorriso debochado.

Como eu queria arrancar aquele sorriso na porrada! A sorte dele era que eu estava proibido de brigar. Jorge, meu técnico ou, o careca pançudo, disse que se eu tivesse uma terceira suspensão na escola ou me envolvesse em alguma confusão, eu estaria fora do desse jogo e praticamente seria desligado do time, e isso eu não deixaria acontecer.

— Droga, Fabrício! Está com manteiga nas chuteiras?! — o técnico gritou desesperado. O zagueiro tinha escorregado. Vi que respirou profundamente quando resolveu chamar seu melhor jogador. — Vamos, Thiago! Levanta esse traseiro e vai aquecer.

Assenti me levantando, finalmente.

Minutos depois eu já estava em campo. Eu não queria simplesmente fazer gol, queria mostrar minhas habilidades.Dominar a bola era fácil, queria dar um show.

Eu tinha ensaiado aquela jogada há semanas, precisava executar; precisava quebrar o Douglas em um belo drible e de brinde impressionar os olheiros. E foi o que eu fiz.

Um belo carrinho para recuperar a bola, um chapeuzinho aqui, uma pedalada ali e...

— Gol!

Voltei para o meu campo radiante, olhei para os olheiros e vi um meio sorriso em um deles, enquanto escrevia alguma coisa na prancheta. Sorri satisfeito, me preparando para mostrar minhas outras artimanhas.

Meus olhos sem querer estacionaram por alguns segundos em Pamela. Argh! Eu ainda sentia alguma coisa por ela. Chacoalhei minha cabeça e foquei no que era mais importante. Logo voltei a ativa. Felipe me passou a bola, eu dominei ela no peito e segui. Três caras colaram em mim.

— Ladrão!

— Passa, "Teta"! — ouvi a minha esquerda. — Livre, passa! — gritaram a minha direita.

Eu não atendi. Fugi dos adversários, e novamente o "Papai" marcou gol.

A maioria do meu time veio me cumprimentar. Bruninho, meu melhor amigo, veio ao meu encontro. Abri os braços pensando que iria comemorar comigo, mas não.

— Qual é, Tiago! — Me deu um empurrão. — Se vai jogar sozinho, nem precisa ter os 11 jogadores, Toca a merda da bola.

— Desculpa! Eu me empolguei!

— Não é só você que quer uma vaga na sub17.

Ouvir aquilo do meu melhor amigo me deixou constrangido. Olhei para os olheiros. Será que precisava somente fazer gol, ou ser fome zero poderia ser um ponto negativo?! É! Estava na hora de aproveitar os 10 últimos minutos.para trabalhar em equipe.

Evitei, com muito sacrifício driblar até o gol, passei a bola para meus amigos e pimba! A roda gigante girou. Bruno marcou dois e Fabrício fez o último.

4 x 6.

Vencemos!

Desta vez recebi o cumprimento do meu parceiro.

— E aí! Doeu passar a bola, fominha?! — perguntou ele com um largo sorriso pegando firme na minha mão.

— Cala essa boca.

Seguimos abraçados para o vestiário. Ali nosso técnico nos parabenizou e após alguns minutos de algazarra, ele nos mandou para chuveiro.

Tomando aquele banho gelado, eu fiquei sonhando com o que eu diria na minha primeira entrevista, que atriz famosa eu conheceria primeiro, e como agradeceria quando ganhasse o prêmio de melhor jogador do mundo. Minha mente viajou.

Minutos depois, eu e os caras. saímos dali a procura do técnico. Quando o achamos, o velho, para a minha tristeza, estava sozinho.

— E os olheiros, técnico?! Pensei que viriam falar com a gente.

Nessa hora eu senti vontade de socar aquele gordo. Ele sorriu e começou a rir.

— Não tinha olheiro, filho. Foi a única saída que encontrei pra você não caçar confusão em campo, mas, sim, fazer um belo trabalho.

— Tá de sacanagem, técnico!

— Cada um usa as armas que tem, Teta — falou me dando alguns tapinhas de consolação. — Pense no lado bom, você acabou com o seu desafeto da melhor forma possível. — Paralisei. — Agora vão comer alguma coisa. O ônibus sairá em meia hora.

Ele saiu do nosso campo de visão satisfeito com a picaretagem que fez. O time se dispersou. Uns riam, outros murmuravam. Eu fique ali por mais alguns minutos.

— Eu ouvi certo?! — Bruno falou de braços cruzados. — Não eram olheiros?!

Virei enraivecido para o meu melhor amigo e perguntei:

— Mano, o que vale mais a pena: — Pagar de corno ofendido e ir peitar o Douglas, nesse exato momento ou levar um bom tempo de suspensão por agredir o técnico??

O Bruno realmente parou para pensar. Quando iria responder, Matias, o goleiro nos chamou:

— Ei, Teta! Tem umas garotas ali querendo um autógrafo seu — falou meio desacreditado. — Estão querendo até o seu, Brunão.

Olhei para onde ele apontava e vi três garotas gatas. Sorri de canto e sem tirar os olhos das meninas sugeri para Bruno:

— Garotas, e... depois uma dúzia de ovos do carro do Técnico?!

Bruno riu baixo e melhorou:

— Garotas, e... depois metade dos ovos no carro do técnico, três na bolsa da Pâmela e três no armário do Douglas.

Preciso dizer quem ganhou?!

Sorri tocando na mão dele, caminhando, em seguida, até o nosso primeiro, de muitos, fã Club.

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Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 15/06/17 14:13

O seu texto é muito bom. Foi bem divertido de ler. Esse técnico talvez mereça cada ovo desperdiçado em seu carro. Isso não se faz! Como ele pode brincar assim com o futuro dessas crianças? Eu apoio até uma farinha depois do ovo, só para ficar mais complicado de limpar! u_u

Eu só achei que faltou evidenciar um pouco mais a questão do otimismo do moço. Mas isso é opinião minha, ok?

Parabéns e boa sorte! :)

Postado 16/06/17 00:26

Hehehe técnico sacana ;)

Partiu... fazer um bolo no carro dele, Brasil! Kkkk

Opinião lida e respeitada.

Boa sorte pra você também.

Acho que meu texto será desclassificado por conta da bendita Tag, mas estamos aí... firme e forte para os próximos concursos.

Bjus migues

Postado 16/06/17 14:33

'Simbora fazer um bolo de carro... Ou um carro de bolo? Ah, tanto faz! Vamos fazer bolo!!!!!