Paraíso (Em Andamento)
Dissociado
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 21/08/17 16:32
Editado: 21/08/17 16:36
Qtd. de Capítulos: 1
Cap. Postado: 21/08/17 16:32
Cap. Editado: 21/08/17 16:36
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 5min a 7min
Apreciadores: 4
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Palavras: 867
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Paraíso
Notas de Cabeçalho

E lá vamos nós...

Capítulo 1 Ver

Antônio estacionou a viatura à borda do matagal. Havia outros três carros policiais ali, bem como um pequeno sedan dos bombeiros. As sirenes estavam todas ligadas, mas sem emitir qualquer barulho. O lugar todo estava quieto demais, pensou ele, mais sonolento do que gostaria de parecer diante dos outros agentes.

Quando saiu do carro, um jovem colega veio imediatamente o receber. Antônio bem que tentou manter alguma postura, mas seu cansaço era demasiado até para isso. Curvado de dor nas costas, com olheiras inchadas e mais pálido que um pano de defunto, ele apenas olhou bem para o policial que viera até ele, sem dizer qualquer coisa. O outro era falante, de costume, mas naquele momento também não dizia palavra.

O silêncio se quebrou apenas após alguns segundos:

— O que aconteceu? — perguntou Antônio, com voz seca.

— Muita… coisa.

Antônio não pôde não reparar na expressão meio abatida, meio assustada do outro. Qualquer coisa naquele instante o deixou apreensivo. Além do mais, o jovem era a única pessoa que ele via naquele lugar. Onde estavam os demais?

— Pra que tantas viaturas? — prosseguiu o veterano.

— Vocês precisam… ver.

— Mas…

Antônio cortou sua própria fala, como se pensando em algo, depois prosseguiu:

— Vocês chamaram todo mundo apenas pra ver?

Havia um tanto de raiva em sua voz; mas outro olhar para seu colega substituiu a irritação por qualquer frio na barriga que ele próprio não soube e nem tentou explicar.

— A PM¹ chegou aqui… ligou pra nós… foi isso. Ninguém entendeu nada na hora. Mas depois…

— Depois…?

— Você precisa ver. Se chegar mais alguém eu venho buscar depois… Todo mundo tem que ver isso…

Antônio não respondeu. O outro também não disse mais coisa.

Seguindo seu colega mata adentro, Antônio demorou cerca de dois minutos para ver aquilo que tanto precisava ser visto.

Todos os outros, policiais e bombeiros, estavam ali, naquela espécie de clareira. A madrugada era escura, mas várias lanternas haviam sido cuidadosamente postas no solo para iluminar o local. Alguns agentes estavam agachados entre as árvores, outros desviando o olhar. Apenas dois verdadeiramente encaravam a coisa.

Quando Antônio finalmente entendeu do que se tratava, seu corpo inteiro tremeu. Ele ficou qualquer tempo parado, os pés como que fincados por pregos nas folhas secas e úmidas. Ninguém ousou dizer nada naquele instante.

— Meu Deus… — balbuciou ele depois.

Havia uma velha árvore retorcida no centro daquela clareira. No galho mais protuberante, meio corpo humano jazia pendurado por uma corda comum. Era uma moça, aparentemente. Mais do que isso era difícil deduzir daquela distância. O corpo da menina havia sido estraçalhado na altura do umbigo, de onde pendiam intestinos, carne, gordura, a cervical com seus nervos desfiados e outros restos de órgãos. Ela estava nua.

Antônio ainda demorou algum tempo ali parado, apenas olhando.

Uma náusea tomou conta de si, mas ainda assim era difícil não olhar, não querer olhar.

— A coisa é bem recente, Antônio — disse uma voz às suas costas.

O velho policial olhou para trás. Muito próximo a si estava seu amigo de corporação, um policial ao menos vinte quilos mais gordo do que ele, mais grisalho, de barba espessa e fisionomia normalmente bonachona. Não havia nada de bonachão nele naquele instante, porém.

— Que merda é essa, Vicente…

— Só Deus sabe…

Antônio finalmente deu alguns passos adiante.

Os seios da menina também haviam sido dilacerados. Antônio, sem saber exatamente o que pensar, decidiu consigo mesmo que era como se algum cão de grande porte houvesse os devorado pela metade.

Aparentemente, o rosto dela permanecia intacto, bem como seus cabelos negros e lisos, cortados na altura dos ombros, que naquela hora encobriam quase completamente sua fisionomia. Antônio precisou chegar mais perto para confirmar.

— Mas por quê…? Meu Deus… — sussurrou de si para si.

Aproximando-se mais, ele terminou por notar o último “detalhe” da coisa toda. Aos pés da árvore, como se delicadamente sentada, estava a parte inferior do corpo da moça. Antônio não pode deixar de notar que as pernas da vítima estavam extremamente limpas, mesmo reluzentes: sob a luz das lanternas, sua pele branca deixava escapar qualquer luz que simplesmente não parecia pertencer àquele lugar.

O ferimento na altura do umbigo, diferente daquele da parte superior do corpo, aparentava ser alguma espécie de corte, sem nada saltando de seu interior, mas Antônio não quis chegar ainda mais perto para confirmar.

— O IML² já tá chegando? — perguntou para Vicente, retornando mais ao início da clareira.

— Deve estar, eu nem lembro agora… Ligaram pra todo mundo. Desculpa te atrapalhar no plantão. Eles queriam que todo mundo pudesse ver isso, eu não sei bem…

— Tudo bem. Agora não podemos fazer mais nada… Alguma identificação?

— O pessoal vasculhou a área. Não achou nada. Nem roupas, nem documentos, nem a porra de um carro… Olha. Essa porra de lugar… Não pode ter sido aqui… Alguém trouxe ela pra cá…

Antônio suspirou.

— É bem possível…

Nessa hora, do fundo da mata chegaram dois homens acompanhados do mesmo agente que havia guiado Antônio. Era o IML.

E velho policial olhou mais uma vez para o corpo da vítima, e depois se meteu a caminhar para fora da clareira.

Apenas Vicente reparou nele se retirando.

Antônio ficou sentado em sua viatura até o dia nascer.

❖❖❖
Notas de Rodapé

¹ Polícia Militar.

² Instituto Médico Legal.

Apreciadores (4)
Comentários (3)
Postado 22/08/17 17:36 Editado 24/08/17 00:35

SATAN! FINALMENTE O MESTRE/IRMÃO REGRESSOU COM AS LONG FICS! OBRIGADO, LÚCIFER!

Olha, eu estou muito hell fired up com esse início tão brutal e misterioso! O clima da obra me lembrou bastante o mesmo de Uzimaki, logo minhas expectativas estão mais eelevdas que nunca! Belíssimo pontapé iniciak, Sr Pablo! Que prossiga todo o terror/horror em sua mais entusiasmática faceta!

Bravíssimo! Gratíssimo! E prepare-se para ser cobrado por continuações imediatas e frequentes!

Atenciosamente,

Um ser que adora chafurdar nas tripas alheias até a PM chegar, Diablair.

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Postado 04/12/17 00:37

Cara, gostei bastante. Estou curiosa para ver como vai se desenvolver e digo que esse romance tá prometendo muito!

Você escreve muito bem, aproveitando!

<3

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Postado 05/12/17 15:43

Obrigado.

Espero um dia encontrar vontade/inspiração para continuar.

Postado 08/02/18 11:51

Que capituca sensacional. O suspense presente na narrativa é excêntrico, quase palpável.

Ansiosa para o que vem por aí, parabéns ❤

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