Depois que Você Partiu
Sabrina Ternura
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 27/08/17 17:05
Editado: 27/08/17 17:09
Gênero(s): Drama Romântico
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 3min a 5min
Apreciadores: 6
Comentários: 5
Total de Visualizações: 151
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Palavras: 618
[Texto Divulgado] "Um Pouco de Mim" Nascendo com o peso de uma grande responsabilidade que passaria na sua vida, junto com a paz sendo limitada á tanto trabalho à se fazer.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Depois que Você Partiu

Não gosto de imaginar como o mundo pode ser sem você. Meus pulmões trancam, o ar se esvaí e meus olhos transbordam rios por cogitar a hipótese de não vê-lo por uma última vez, antes que tudo ao nosso redor se reduza a pó. Porém, isto não é algo que podemos prever, não é mesmo? Se isso fosse possível, você estaria aqui comigo.

Se você estivesse lendo isto, com certeza diria: “Não seja pessimista. Não me faça ir antes de eu te dar todos os motivos para ficar" e eu ficaria calada, pois saberia que era verdade. Você sempre combateu de frente a minha visão negativa sobre as coisas. Você foi o único que aguentou minha escuridão e eu sinto muito por isso. Sinto muito por te fazer carregar um peso que não lhe pertencia. Porém, você me ensinou algo muito valioso: não importa o quão pesado seja o nosso fardo, ele se torna mais leve quando alguém nos ajuda a carregá-lo. Você ficaria orgulhoso se eu te falasse que quando o assunto é você, tudo se torna mais amável? Você ficaria feliz em saber que, mesmo depois de sua partida, vejo o lado bom da vida?

Nunca vou saber os motivos pelos quais o universo te tirou de mim. Só digo que ele perdeu a constelação mais brilhante e bela que fui capaz de admirar. Nós éramos de lados tão opostos, mas isso não te impediu de lutar por mim. Quando pensei que a morte me levaria embora, você apareceu e me deu todos as razões para permanecer. Você foi e sempre será a maior razão para minha ida não ter sido concluída. Nem todas as palavras seriam capazes de descrever o tamanho de minha gratidão, pois, se as coisas tivessem sido diferentes, eu jamais te conheceria e não teria noção de que poderia ser a felicidade de alguém. Obrigado por me mostrar o quão adorável posso ser. Obrigado por ter sido a melhor parte de mim.

Você se foi, mas deixou uma história. A nossa história. De fato, eu gostaria de ter mais tempo com você, porém os vestígios de nossos momentos sempre estarão em minhas memórias. Não me arrependo de ficar acordada vendo filme com você até tarde num domingo e acordar cedo na segunda. Não me arrependo de ter ficado resfriada, quando tomei a maior chuva só para levar no seu trabalho a blusa de frio que você esqueceu. Não me arrependo de ter sofrido no passado, pois cada resquício de dor traçou meu caminho até você. Não me arrependo de ter te amado. Não me arrependo de nada, quando o assunto é você.

Por incrível que pareça, não me sinto sozinha. Lembra quando eu falava que sem você nada faria sentido? Nessa época, eu realmente não conseguia ver além e não fazia ideia de que nossa filha seria parecida com você. Quando penso que o mundo vai cair sobre meus ombros, os olhos dela me encontram e o peso se torna mais suportável. Quando vejo nossas fotos e meus olhos começam a lacrimejar, ela me pergunta sobre o momento, eu começo a contar sobre as histórias que tive com você e acabo não tendo tempo para chorar, somente sorrir. Quando penso que o universo me traiu e tirou de mim o meu amor, ouço a voz dela me alcançando e entendo que ela é uma extensão sua para me guiar nos momentos de perdição.

Não gosto de imaginar como o mundo pode ser sem você, mas me alegro em ter tido a oportunidade de tê-lo conhecido ao seu lado. Os anos podem ter passado desde que você partiu, porém eu ainda amo você com todo amor que tenho e que nem imagino possuir.

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Apreciadores (6)
Comentários (5)
Comentário Favorito
Postado 27/08/17 21:30

Têm textos que nos fazem chorar devido a autora conseguir o feito de emocionar com descrições e sensibilidade, já outros nos fazem chorar por nos remeter a algo que dói, seja ameno ou demasiado. O teu texto tem um pouco dos dois. Não é ruim, longe disso, esse fato só demonstra algo que sempre digo e que você já deve saber: o quão bela e maravilhosa é a tua escrita. A emoção está contida em cada frase, em cada trecho, assim como é possível sentir daqui a tristeza da narradora, assim como um alívio no peito em certos momentos.

É uma mistura de sensações magníficas.

Esta obra, em especial, mexeu bastante comigo. Não apenas pelo seu conteúdo, mas recentemente perdi uma pessoa especial demais na minha vida: minha avó. Então quando terminei de ler, não sabia mais diferenciar meu rosto das minhas lágrimas. É triste, ao mesmo tempo que é lindo.

A única certeza que levamos dessa vida é justamente aquilo que mais nos faz sofrer: a morte. É inevitável, cruel e sempre despreparado. E tua obra remete bem este lembrete, ao mesmo tempo que com uma construção de frases lindas faz o leitor sorrir, porque mesmo com o teor triste cercando tudo, conhecemos a história linda desses dois, e o pequeno pedaço que ele deixou nesse mundo.

E esse final? Ah, é algo que vai estar guardado para sempre comigo. Parabéns, Brina. Esse foi um dos melhores textos que já li aqui! ♡

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Postado 28/08/17 16:55

Primeiro, gostaria de apresentar minhas sinceras condolências pela sua perda. É difícil perder alguém importante para nós e conviver com a perda parece ser ainda mais complicado, mas devemos sempre lembrar dos momentos especiais que passamos ao lado dessa pessoa amada, pois assim, ela permanecerá viva em nossos corações. Desejo melhoras e conforto ao seu coração e de seus familiares, Pãozinho da Fofura.

Agradeço pelo comentário lindo e compreensivo, sempre é bom ler tuas análises sobre a obra. Me desculpe pelas lágrimas, juro que não era a intenção rs.

Postado 28/08/17 14:06

Todo esse drama me encanta. As palavras foram colocadas tão magnificamente que chega a ser possível senti-las. Eu realmente não sou tão boa em expressar o que sinto quando leio algo fora da minha zona de conforto, então irei me resumir a te parabenizar por esse belo texto. Você definitivamente é uma das melhores autoras que a Academia Carinhosa/Chorosa já viu.

Parabéns!

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Postado 28/08/17 16:59

Me surpreendo muito quando encontro você em textos dramáticos, porém românticos. Me alegra demasiadamente saber que você sentiu todo o sentimento envolvendo a história e acima de tudo, que tenha gostado.

Agradeço muito por receber elogios positivos de uma das autoras que mais admiro neste site. Obrigada, Flávia das Facas!

Postado 28/08/17 14:09

Queria entender como a Sabrina consegue ser extremamente fofa num texto e em outro é o capeta em forma cute! Muita habilidade e talento mesmo. Você escreve muito bem, sério. Suas palavras hora melancólicas e hora malvadas são ditas e expressadas no tempo e do jeito correto!

Parabéns!

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Postado 28/08/17 17:02

Acredite, Joy, eu me pergunto a mesma fucking coisa. Porém já é de conhecimento público sobre minhas três personalidades distintas, então acredito que vocês já tenham se acostumado com isso rs. Perdoem a mudança de personalidade constante e não desistam de mim!

Agradeço muito pelo comentário e elogios, Joy!

Postado 10/09/17 09:31

Olá mocinha Sabrina!

Esse final, foi simplesmente sensacional!! Eu não estava esperando por aquilo... Achei tão completamente lindo...

"Nessa época, eu realmente não conseguia ver além e não fazia ideia de que nossa filha seria parecida com você." - Essa frase quebrou minha alma e partiu meu coração... Filhos são criaturinhas tão especiais, e é tão lindo e mágico o modo como a criança se parece ou com a mãe, ou com o pai, ou com os dois ao mesmo tempo!

Para mim a vida é cheia de mistérios, e a aparência dos filhos é um desses mistérios que me fascinam! No caso do seu texto, é intensamente triste... e imensamente bonito...

A senhorita gosta de Harry Potter? Esse seu texto me fez ficar pensando na possibilidade de o Snape ter tido uma filha com a Lilian... e então a menina ser muito parecida com o pai, com cabelos pretos...Ou então a menina ser muito parecida com a mãe, com cabelos ruivos...

Enfim, no mais, tudo completamente tudo nesse texto me fascinou!! Desde as primeiras palavras, que foram tão horrivelmente tristes... Até o desenrolar do texto que foi tão incrivelmente lindo... Até as últimas palavras, que foram tão intensamente profundas... <3

Mocinha Ternura <3

A senhorita é uma autora maravilhosa!!! *--*

Um grande abraço para você!! <3

Meiling!!

Postado 10/09/17 15:24

Srta. Meiling, enche-me de alegria em te encontrar aqui no cantinho da Ternura! A sua analogia da obra com HP não poderia ter sido melhor. Pode ser vista dessa forma também e de muitas outras. E sim, filhos são uma dádiva. Mesmo que eu não tenha planos para ter ainda, imagino meus pirralhos correndo pela casa e se divertindo.

Agradeço imensamente pelo comentário e por ter gostado da obra!

Postado 06/12/17 00:55

Depois de ler este texto, me lembrei do peso dos caixões. Sabe, acredito que nada nesta Terra maldita pesa tanto ou mais do que eles, especialmente quando é uma das pessoas que lhe são especiais que está ali dentro. Já carreguei por mim e por alguns de meus raros amigos e sei bem o quanto a dor da perda destroça qualquer um quando ela se importava com quem está carregando/sendo carregado(a).

E quando a cova finalmente é fechada, a consciência de que outro buraco foi aberto para sempre lhe toma de assalto. Conviver com a dor e a saudade que isso traz não é fácil. Nunca será. Todavia, mesmo com todo o sofrimento, desolação e incertezas inerentes ao tema, sua obra também demonstra que algum alento pode vir a existir (afortunados aqueles que possuem esta chance). É um texto bastante profundo e dotado de uma carga emocional tremenda.

Por sorte, minha Doença me imuniza dos efeitos comuns a este tipo de leitura, amplificados por uma narrativa impecável e impactante, a despeito da suavidade com a qual tão tétrica realidade (a mortalidade humana e suas consequências) foi exposta. Contudo, isso não me impede de lembrar nem tampouco de reconhecer a qualidade da obra.

Meus parabéns, Srta Tristeza... É um belíssimo trabalho!

Atenciosamente,

Um ser que sabe como é, Diablair.

Postado 09/12/17 01:16

A gente só sente o peso da vida, quando a amargura da morte nos toca a alma e nos marca eternamente.

Ainda bem que você é imune a esse tipo de coisa. É muito ruim ver que eu faço uma galera ficar triste com as melações românticas que escrevo e eles se esquecem de ficar tristes por causa de obras como essa, que trazem uma imensa carga emocional.

Obrigada, meu estimado amigo!