Arco e flecha (Em Andamento)
Nayara Cristine
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 11/09/17 10:42
Editado: 07/12/17 22:44
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 11/09/17 10:42
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 10min a 14min
Apreciadores: 4
Comentários: 4
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Palavras: 1707
[Texto Divulgado] "A noiva" Com uma taça em mãos e olhar voraz, se flagrava confortável por não ter alguém ao seu lado prometendo o que não é capaz de cumprir. Observava a concentração do pianista, as velas agora já derretidas na bancada e o sorriso que iluminava o belo rosto da noiva.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Arco e flecha
Notas de Cabeçalho

Essa história foi meu projeto do nanowrimo do ano passado. Também está sendo postada no wattpad.

como não coube a sinopse completa no campo dela, vou jogar aqui:

Sinopse:

Se por um acaso você caiu aqui de paraquedas, saia enquanto é tempo. Não estou de brincadeira e nem quero ver crianças chorando e fracos se chocando com o que vou contar.

Essa é minha história, e sim eu sou aquele que assustou e ainda vai assustar a todos vocês.

Meus objetivos são apenas mostrar o quanto isso que se chama de humanidade é podre e efêmera e que um simples homem munido de sua melhor arma pode acabar com tudo num piscar de olhos.

Para aqueles que chegaram sabendo do que se trata, sejam bem-vindos, mas não esperem ver nessas páginas qualquer indicio daquilo que os jornais insistiam em dizer, pois eu sou melhor do que descreviam e vocês todos vão poder ver.

Letra por letra, palavra por palavra, conheçam a minha história e clamem a Pelor por um pouco de piedade, pois eu já estou ao lado de Gruumsh e não vou perdoar ninguém que não respeitar a minha genialidade.

Avisos:

Contém cenas fortes de violência, relacionamentos abusivos, linguagem imprópria, lgbtq+fobia, mutilação, tortura, estupro, sexo.

O narrador é o antagonista, portanto eu como autora não concordo com nada do que ele faz ou fala, porém, uso disso como uma crítica social.

Prólogo A vida que escolhi porque me deixaram sem opções

A vida é uma coisa meio complicada. Talvez até mesmo sádica ou irônica, e todos nós sabemos disso, querendo ou não. Existem nela grandes variações de tempo, grandes variações de pessoas e modos de se viver, mas muitas vezes ela é única e simplesmente o sopro de algo que nos mantém vivos.

Dizem que esse algo é deus, outros tantos dizem que esse algo é o tempo e existem aqueles que afirmam que a vida é a química, a biologia e a física do mundo se envolvendo; dançando de um modo terno uma valsa que ninguém mais pode ver, só elas.

Creio que talvez por isso eu seja marcado desde cedo por minhas percepções que a vida é uma mistura louca de tudo e nada, de sentimentos, verdades e erros.

Sim, de erros.

E esses são o porquê desta minha história.

Erros tão certos que parecem incertos ou tão incertos que se tornam certos. Marcas de um mundo que se impõe ferozmente àqueles que devem seguir um rumo, uma direção.

É como uma máquina sempre precisa. Um relógio suíço, talvez, que nos marca, que nos fere e nos faz rodar os ponteiros de nossas falhas concepções, sendo constantemente igualados aos nossos erros; as marcas daquilo que esperam de nós.

Aquilo que esperam da vida.

Eu errei — e muito — e minha vida hoje é marcada por esses erros. Mas juro, errei tentando acertar. Foi tentando fazer o certo que estou hoje aqui a me lamentar.

Talvez por me considerarem louco agora ignorem meus acertos e minha genialidade. Talvez por terem a certeza que minha vida já não vale merda nenhuma tenham a certeza que o que fiz foi por uma razão muito específica, e que nada e nem mesmo ninguém vai poder mudar.

O passado torna-se imutável, isso é claro, é uma lei da natureza. Não podemos voltar no tempo e consertá-lo, não podemos mudá-lo; basta aceitar cada coisa, cada evento e aprender com ele, talvez melhorar num futuro se ainda há esperanças.

Mas eu não as tenho mais.

As perdi deliberadamente quando tudo que sonhei, quando tudo que abstive foi jogado na minha cara. Doeu como uma tapa, sofri como um condenado. E de fato estava.

Condenado a morrer.

Condenado a não ter a chance de aprender com os erros do passado para almejar um futuro, condenado a simplesmente deixar de existir sem ter nenhuma de minhas marcas na história.

E por ser um mísero ninguém, uma sombra vazia que perdeu a alma, eu deixe-me seduzir por meus desejos mais sádicos.

A vida é um pouco irônica, e talvez um pouco sádica.

Eu apenas aprendi com ela e usei cada pequeno aprendizado para melhorar, ou simplesmente para — talvez — aceitar que meu passado pode ter, sim, uma solução que o futuro que me foi retirado agora tem um brilho a mais e — finalmente — a minha marca.

Mudei meu presente, com gosto e com um prazer que jamais imaginei que pudesse sentir!

Humanos são capazes de guardar tamanho prazer?

Me surpreendi por tudo que encontrei. E, nesse caminho louco de aventuras perdidas e de um presente a ser transformado, eu mudei a vida.

Eu era uma criança normal, sabe? Cresci com muito amor e carinho dos meus pais. Esses eram dois malucos por jogos de rpg de mesa e cartas colecionáveis, eu apenas segui o fluxo e acabei aprendendo por tabela.

Papai me ensinou tudo que eu precisava saber sobre rpg, mais precisamente sobre Dungeons & Dragons, me mostrando que haviam outras opções de mundo fora a que nós estávamos acostumados a viver. Sempre gostei disso, e meio que essa realidade paralela fazia parte da minha vida.

Nunca fui cristão, mas rezava ao deus Gruumsh todas as noites; gostava da forma com que ele odiava os elfos e seguia em seu modo caótico mal. Também não me importava com isso, já que o pouco contato que eu tinha com outras crianças era no parquinho, afinal, eu ainda era muito pequeno.

Todos os nossos parentes diziam que papai era um louco por me ensinar desde sempre essas coisas e que futuramente isso me faria mal, contudo ele estava pouco se importando, brincando comigo de Senhor dos Anéis enquanto os outros continuavam a jogar bola ou a correr pelo parque sem nenhum sentindo ou direção.

Com isso meu amor por arco e flecha nasceu.

Talvez por acreditar que Legolas era o melhor personagem e o mais incrível que eu poderia conhecer, ou simplesmente porque gostaria de me imaginar atirando flechas precisas a todos aqueles que se tornavam meus inimigos.

Legolas era meu exemplo, era aquilo que eu queria ser quando crescer, e não hesitei em dizer isso para toda e qualquer pessoa que me perguntasse. Afinal, eu ainda era uma criança inocente.

O problema é que na escola isso não era muito aceito, nem pelos professores e muito menos pelos alunos.

Achavam que eu era lunático e que a culpa disso era a educação de meus pais. Meus colegas me achavam louco.

E talvez eles tivessem razão.

Mas a culpa nunca foi da educação que tive ou da forma que aprendi a ver a vida. A culpa foi da maldita vida que insistia em querer me moldar, das malditas pessoas que insistiam em me tornam um robô igual elas próprias, da maldita sociedade que exigia de mim mais do que eu poderia dar.

Na época e hoje em dia.

A questão era que não ser cristão, ter como herói favorito o Legolas e não gostar de Homem-Aranha me fazia a criança mais errada que qualquer pessoa poderia conhecer.

Ah, qual é!

Quem estava errado não era eu não; eram eles, que insistiam em me tornar algo que eu nunca fui, e mesmo que meus pais nunca tivessem me influenciado a tal coisa, eu ainda seria a mesma criança.

Okay, talvez não.

Talvez, se eu tivesse sido criado em um lar cristão, com ensinamentos da bíblia e não do pandemônio, eu tivesse sido alguém pior.

Afinal, esses matam aqueles que não são iguais, aqueles que não se adequam, aqueles que são como eu.

Ou os sufocam até que não haja mais solução e seus psicológicos estejam um grande vidro quebrado e distorcido de uma realidade impura e sem sentido.

E ver isso não é muito difícil, nunca foi e nem nunca será.

Todas as guerras humanas foram causadas por um deus. Por esse deus e por outros que se comportam tal como.

Pelo menos no universo de jogos medievais eu tinha a chance de pegar meu arco e flecha e acabar com os causadores da guerra — dependendo de meu nível, até mesmo acabar com um deus.

Mas no mundo real isso era inviável e impossível.

Mesmo que eu quisesse, mesmo que tentasse e tentasse, eu não conseguia fazer um amigo sequer. Todos me ignoravam, mesmo que eu me esforçasse e fingisse que era um menino muito bom que não pensava em como acabar com cada um deles com uma flecha muito bem afiada no crânio.

Eu era uma criança completamente saudável e normal, com seus desejos de criança, mesmo que meus pedidos de brinquedos fossem um arco e flecha.

Mas meus pais não o negaram, tampouco estranharam tal coisa. Eu era o pequeno Legolas de papai afinal das contas; e quando ele me matriculou nas aulas de tiro ao alvo com aquele equipamento eu tive a certeza que tinha a melhor família do mundo.

Sabe, eu era uma criança meio fora do peso. Mesmo que comesse nas horas certas, mesmo que mamãe se esforçasse para me manter saudável — e isso junto com todo o meu jeitinho especial de ser —, fazia com que até mesmo as crianças do clube de arco e flecha me odiassem.

Na escola eu nunca tive amigos. Tive alguns malditos colegas, mas isso eu vou contar pouco a pouco, e talvez assim vocês entendam o porquê de eu estar aqui hoje falando tudo isso para um júri, mesmo que meus advogados estejam revirando os olhos. Clara, eu posso ver, querida.

Eu é pouco me fudendo. Não tem vida para mim; ser preso ou não, de nada mudará minha vida. Agora, vocês saberem minha história e contemplarem o quanto eu sou um cara que teve motivos e usou deles para exercer uma certa genialidade.

Acho que os senhores estão um pouco cansados, mas antes de qualquer coisa, saibam que tudo que falo é real. Não tenho a mínima intenção de mentir, e podem comprovar. Olhem em meus olhos, juro por Pelor que tudo que digo é real.

Pelor é o — filho da puta do — deus mais bonzinho de Dungeons & Dragons. Ter um paladino dele é travar toda e qualquer missão, mas para preservar sua honra e seus ensinamentos, esse pune toda e qualquer pessoa que usa seu nome em vão, ou que comente algum crime, sendo assim cruel com seu povo.

Ele me lembra algo, sabem? Vocês me fizeram jurar na maldita bíblia de vocês, mas eu, como bom moço que sou, juro agora na minha. Juro por deus, que é tão semelhante em seus defeitos aos de vocês, que nada que sair da minha boca será uma mentira. Juro que tudo que eu falar vai ser real, que cada pedaço que eu lembrar — e, acreditem, eu vou me esforçar para lembrar os detalhes mais sórdidos — serão única e exclusivamente verdadeiros.

Porque a minha morte é certa, mas eu não quero que ela venha com a fúria de Pelor. Não tenho o nível exigido para enfrentá-lo e muito menos para peitar tal situação.

Então não me julguem ou olhem mal, tampouco me condenem. E, por Tiamat, não me façam jurar nesse livro que mais parece uma colcha de retalhos de frases e histórias sortidas de vocês.

Respeitem-me, afinal é de mim, das minhas memórias, que vocês precisam.

E como um ser sábio que eu sei que eu sou, se curvem a cada pedaço de genialidade que vou compartilhar convosco, afinal nenhum de vocês conseguiu me pegar. Fui eu que me entreguei, para que fique gravados em todos os jornais, em todos os altos e na mente dessa humanidade efêmera que eu sou aquele que os assustou, que eu sou aquele que os matou, que eu sou aquele que nada teme e que que faria tudo mais uma vez.

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Apreciadores (4)
Comentários (4)
Postado 28/11/17 08:44

Caramba... Esse prólogo por si só já daria um texto.

Olha, fiquei de boca aberta. Bah... No começo, achei que não ia me interessar muito, até pelos gêneros, mas conforme fui lendo, minha opinião foi mudando. Agora sinto um pesar de não ter continuação.

O texto está muito bem escrito. O português está ótimo, a narrativa tá um pouco massante, mas prende com mestria o leitor, a estrutura tá agradável.

O enredo parece muito promissor. Acho bacana textos com antagonistas narradores e transtornados. É muito complicado escrever um texto assim, pois a história pode ficar "forçada". Acho que não seria o melhor caso.

Gostei muito! Parabéns!

Postado 07/12/17 01:59

eu nem sei como te responder, desculpe. Tu é tipo um cara que manja aqui e eu sou eu -q

Tu realmente gostou? Sério? aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

olha, eu coloquei muitas tags por aviso, já que Jackson ainda vai fazer muita merda por aí, mas não se limite aos gêneros -q

Obrigada por ter gostado <3

Tá bem escrito? Eu sou péssima revisando mdls

A narrativa começa cansativa, mas juro -- se eu mentir aqui me perdoa -- que melhora. Ela cresce com o personagem, era um dos meus objetivos?

Eu gosto muito deste enredo, de verdade. Eu gosto de antagonistas narradores, apesar de ter sofrido pra caramba pra escrever isso, Jackson passava de meu bb para um desgraçado em paragráfos e isso me consumiu o nano inteiro de 2016.

Obrigada, nos vemos <3

Postado 06/12/17 14:07

Fiquei triste por não ter continuação. Esse início deixou um gostinho de quero mais muito forte.

Maravilhoso! Parabéns!

Postado 07/12/17 02:00

Tem continuação sim aaaaaaaaaaaaaaaaa eu não sabia que a AC tinha voltado e calhou com o fim do meu semestre, me perdoe.

Obrigada pelo apoio <3

Postado 08/12/17 00:51

Amém!!!

Postado 20/02/18 00:31

Que início incrível. Tenho certeza que a obra vai seguir com a mesma qualidade que começou. Minha expectativa está grande!

Parabéns ❤

Postado 22/07/18 23:05

Que pena que não tem continuação Aaaa! Eu estava na esperança dos outros capítulos serem continuação, mas não... Enfim, que master piece! Tão bem escrito... Os cenários ficam tão claros na minha mente, parece que estou lá! Ficou incrível, o último parágrafo, foi sem dúvidas um dos melhores, toda a poesia da destruição que o envolve, toda a auto suficiência do narrador nas últimas frases... Juro que me arrepiei, é o tipo de obra que as passagens se gravam na mente! Parabéns! Estou torcendo por uma possível continuação Aaa ❤

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