Maremotos (Terminado)
Alien
Usuários Acompanhando
Tipo: Romance ou Novela
Postado: 13/09/17 16:27
Editado: 13/09/17 18:54
Qtd. de Capítulos: 17
Cap. Postado: 13/09/17 18:47
Avaliação: 9.76
Tempo de Leitura: 5min a 6min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 59
Usuários que Visualizaram: 4
Palavras: 808
[Texto Divulgado] "Universo" "Ela é arte, é emoção A poesia em que estou imerso." É a razão pela qual escrevo
Não recomendado para menores de catorze anos
Maremotos
Capítulo 13 Capítulo 13

Sexta feira a noite, primeira semana do segundo bimestre do meu curso.

A aula já estava terminando, depois de um período agradável de estudo com um dos professores mais bem conceituados da instituição. Mas independente de como rolava a aula, o pensamento dos alunos era quase um só: sair rapidamente daquela sala para ir a uma das festas mais badaladas da região, que só acontecia uma vez por ano e bem nessa época. O negócio parecia tão maneiro e com atrações para todos os gostos, que até eu resolvera ir junto com alguns colegas mais chegados. E mesmo que uma sensação de estranheza me dominasse, chutei-a para o canto da minha mente e fui; fazia tempo que eu não saia.

Eu vestia roupas um pouquinho menos desleixadas que o normal, mas sem fugir do meu estilo "jogado". Talita até havia debochado que eu ficava bonitinho bem vestido, que estava parecendo um vocalista de banda de rock, tirando a "cara de bebê", e então ela apertou minha bochecha esquerda e saiu de volta para o quarto. Irritado, eu a mandara ir para algum lugar feio enquanto ouvia a minha mãe rir alto na cozinha. Bufei pegando a mochila e gritando tchau, mas aí ela me mandou esperar e veio até mim. Beijou minha bochecha dizendo “Se cuida filho, não bebe demais e qualquer coisa liga que teu pai te busca”. Só resmunguei que sim e saí.

Meu colega Marcos tinha uma BMW preta que havia ganhado de presente do pai quando fizera dezoito anos. Ele dirigia bem e andava numa velocidade até bem razoável para uma rodovia, me fazendo ter certeza de que o conselho de minha mãe não precisaria ser aplicado; ele dissera que se por acaso bebesse, não seria muito e que já era acostumado com a bebida. Eu não via problema algum em alguém que bebesse pouco, para mim a raiz do problema “acidentes de trânsito” era a alta velocidade, então fui de boas e nem me importei quando meu celular descarregou. Curti a festa, dancei, fiquei com algumas meninas só por ficar e bebi um pouco, o suficiente para ficar alegrinho.

Depois de algum tempo os caras que haviam vindo comigo se dispersaram pelo local aberto, me deixando sozinho perto de uma garota que estava parada com outra menina, as duas bebendo apenas refrigerante. Elas pareciam ter a minha idade e conversavam alegremente, mesmo que a morena (uma loira e uma morena) parecesse meio incomodada em alguns momentos e olhasse pra mim frequentemente. Mas isso não impediu que a loira deixasse ela sozinha, assim que um cara a chamou para dançar. Resolvi então me aproximar da garota e puxar assunto. A primeira coisa que ela fez quando cheguei mais perto, foi abrir um grande sorriso.

Parecia que nunca tinha existido Luiza nenhuma na minha vida. A conversa fluía animadamente sobre tudo quanto é coisa; um assunto ia puxando o outro e logo nós estávamos rindo o tempo todo e… flertando? Sim, rolava entre nós uma química incrível, eu estava super interessado e ela parecia estar também. Ninguém tinha vergonha de nada, ninguém fazia joguinhos.

Quando a gente resolveu ir dançar um pouco, não foi surpresa nenhuma que ao ficarmos bem próximos, nos beijamos. Espontâneo, natural por parte dos dois. Como se em nossas boca tivesse um ímã uma para a outra. E por dentro, meu coração acelerava a ponto de eu pensar que poderia ter um ataque cardíaco.

Nos afastamos rindo levemente e mordiscando um o lábio do outro até que alguém atrás de mim puxou meu braço. Era Marcos, quase caindo de bêbado e dizendo que íamos embora. Revirei os olhos e quando ele se virou para voltar por onde tinha vindo, dei um beijo rápido em Kelly e saí atrás dele pela multidão. Ela já tinha me adicionado no Facebook e conversaríamos por lá mais tarde.

Radiante e esperançoso, senti tudo isso sumir quando chegamos ao estacionamento: os outros dois estavam igual a Marcos. Acabou que, mesmo não tendo carteira de habilitação, quem iria dirigir era eu. Que só sabia porque meu pai havia me ensinado há um tempo atrás.

O trânsito não era lá muito movimentado às quatro horas da manhã. Mas o percurso que fazíamos era conhecido por “estrada da morte” e tinha pouca sinalização. Os três caroneiros falavam alto, aumentavam o som, faziam literalmente uma zorra dentro do veículo. Mas a única coisa que realmente desviou minha atenção da estrada foi uma voz feminina sussurrando “você gostou dela… você não gosta mais de mim...você me esqueceu, Thiago…”.

Atônito, comecei a olhar para todos os lados do carro, mas eu só via os outros três. E aí um último sussurro choroso se fez ouvir: “ mas eu ainda quero que você fique comigo, você me prometeu!”.

E aí eu só ouvi a buzina e os gritos quando um clarão me cegou.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 14/09/17 23:29

E o máximo de presente que eu ganhei foi uma viagem para outra cidade... BMW.... Quase chorável!

Alguém me fala o que o Thi tem na cabeça? Olha o nome da estrada mano! Quando você ouve um nome desses, não passa por lá nem a pé, imagina de carro, sem ter carta! Esse mano estava querendo se matar logo! Só pode. --'

#ad01 - 098/154

Postado 17/11/17 14:05

Chorável mesmo :( dá uma invejinha ashauhsashusahu

Pois é, alguém psicologicamente doente ou um bêbado... complicado .-.

Postado 30/11/17 16:22 Editado 30/11/17 16:23

Quando ele disse que ia sair e chutou os pensamentos em relação a Luiza para longe, senti que ia dar merda. Acho que é errado fazer isso com a namorada viva, mas com ela morta e totalmente obcecada pelos atos do guri, com certeza não era algo que iria ter um fim muito agradável.

E o final do capítulo tá aí para mostrar o quão ciumenta a guria pode ser.

Lendo isso, aprendi que dirigir com os amigos bêbados no carro, sendo que você não tem carteira, não é a coisa mais perigosa a fazer. E que provocar indiretamente sua namoradinha virtual que já se foi é como pisar numa mina terrestre.

Parabéns pelo capítulo.

Postado 03/12/17 15:10

É no mínimo ingênuo achar que era só não pensar...

Olha, no caso dele eu preferia que a pessoa realmente dirigisse com os amigos hahah.

Obrigada!

Postado 05/12/17 20:26

QUANDO TÁ TUDO NUMA BOA... BUM! F*DE TUDO DE NOVO

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

*Por que você faz assim comigo? Parece querer me machucar...*

Não deu nem tempo de eu shippar ele com a Kelly, e do nada... Clarão.

Que baque!

Parabéns, por essa ninguém esperava aaaaa