Cores (Amores)
Lucas Bazani
Tipo: Lírico
Postado: 14/09/17 22:22
Gênero(s): Romântico
Avaliação: 8.93
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 2
Comentários: 3
Total de Visualizações: 54
Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 433
[Texto Divulgado] "Os momentos que precedem" Quando o ar gelar, o piso ranger e seu coração disparar, não se preocupe, caro amigo!
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Cores (Amores)

No princípio, era um mundo apático

Sem vida, acromático

Até que pude ver, com fascínio

A primeira cor

O florescer de um sentimento

Sem dúvidas, era o tal do amor

Quer coloriu cada pedaço

Até então, irrelevante em minha vida

Com seu lindo amarelo, tão radiante!

E fez-me sentir verdadeiramente vivo

Contudo, fora tão breve

O feixe de luz que atravessou meu caminho

Alegrando e divertindo

Como a mais pura amizade!

E minha caminhada logo voltou a ser escura

Acompanhada da desolação

De voltar à indiferença

Mas eram apenas os primeiros passos

Da longa caminhada que viria a percorrer

E não muito adiante conheci mais uma cor

O rosa, apaixonante e afável

Como poderia ter imaginado,

Que existiriam outras cores?

E antes que pudesse processar

Meu mundo já estava colorido novamente

E durou, como se nunca fosse acabar

Até que um dia, se foi

E mais uma vez, caminhei sozinho

À procura de cores para meu mundo

Com receio e perseverança

E num momento de desatenção

Lá estava, mais uma cor!

Deveria eu me arriscar mais uma vez?

Apesar do mais racional “Não”, foi o coração quem decidiu

Se entregar mais uma vez

À admirável púrpura

Incerta, misteriosa e cativante

Que, como as demais, partiu sem adeus

Desolado, lutei contra as cores

Convenci-me de que eram perda de tempo

Que não voltariam a me desapontar

Que jamais as veria novamente

Mas elas continuaram a aparecer

Um vermelho intenso como o fogo

Um pálido e complexo azul, melancólico

Me destruindo inúmeras vezes

Até que me conformo com um cinza indiferente

Pois esse não viria a me destruir!

Mas sua tamanha passividade

Parecia ser pior que a solidão

Que abracei, desistindo por vez de todas as cores

Fechei meus olhos, aos prantos

Ah, vida, por que fora tão cruel comigo?

E ela, ironicamente respondeu

Colocando em minha frente a mais brilhosa luz

Que me fez abrir os olhos mais uma vez

Para seu esplendor inigualável

Ofuscou todas as demais cores que já havia visto

Sua luz era branca, e eu pude ver

Que continha todas as outras

E algumas que eu nem mesmo conhecia

Diante de várias estrelas, você, meu amor

Era uma constelação inteira

E eu soube, que era você

Que me guiaria até o fim de minha jornada

E as mais duras batalhas

Atravessei com um sorriso no rosto

Ao seu lado, o céu pude alcançar sem esforços

Meus pés já não estavam no chão há muito tempo

E, sem medo de cair

Vivi, sem limites

Nesse mundo cheio de cores

Como se não o conhecesse de outro modo

Tão magnífico e infinito!

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigado por ler até aqui! Esse texto ficou (bem) mais longo do que eu esperava e eu o escrevi com o intuito de aliviar alguns sentimentos e quem sabe emocionar alguém haha

Ficarei muito feliz com qualquer comentário/crítica/sugestão

^-^

Apreciadores (2)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 14/11/17 16:17

Olá moço Lucas!!

Esse seu poema foi extremamente lindo!

Sua metáfora de as cores representarem pessoas foi maravilhosa! *-*

E mais maravilhoso ainda, foi o modo como você interpretou cada uma das cores que passaram pela vida do eu-lírico...

Foi bem triste para mim... A cada cor que você ia descrevendo, uma pessoa que já passou pela minha vida me vinha à mente...

O amarelo radiante... que ofusca qualquer tristeza.

O doce rosa... que transborda sentimentos.

O misterioso púrpura... que nos fascina.

O vermelho intenso... que nos enlouquece.

O lindo azul... tão bonito... tão triste.

Todas as cores machucam... algumas mais do que as outras. Mas sempre ferem, pois se não ferissem, não seriam cores...

O branco, calmo e tranquilo... também irá nos machucar, mas é um machucado bom, que ao mesmo tempo que fere, também cura. Um ao outro. Um com o outro. Um no outro.

Enfim, esse seu poema simplesmente me encantou...

E realmente, "Diante de várias estrelas, você, meu amor / Era uma constelação inteira" , foi uma das frases mais lindas, e mais tocantes que eu já li... <3

Parabéns por esse texto incrível!!!

Um grande abraço, Meiling!! *-*

Postado 15/09/17 16:06

No começo da leitura, o eu-lírico parece ser um receptáculo vazio, buscando por algo que possa lhe preencher. Neste caso, algo para ver. As cores que aparecem, lhe enchem com sentimentos e, antes dele ter a chance de transbordar, elas partem como uma momentânea brisa de verão. Porém, no fim, ele encontra uma cor ofuscante, repleta de vida e que, não somente o transborda, como também o completa.

Acredito que essas cores são pessoas. Às vezes, elas nos trazem bons sentimentos, mas partem antes de nós compreendermos o significado dos mesmos. No entanto, sempre terá aquela pessoa que cativará cada centímetro de nosso peito e expulsando toda e qualquer escuridão.

"[...] Diante de várias estrelas, você, meu amor/ Era uma constelação inteira.", achei esses dois versos uma gracinha!

Meus parabéns pela obra. Sr.Lucas!

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Postado 13/11/17 05:35

Tomarei a liberdade de tornar boa parte da interpretação da Srta Ternura a minha, exceto pela parte do "gracinha" (Diablair aqui) e pelo final: para mim, no final o eu-lírico se encontrou com a alvura da Morte. Afinal, quem mais nos guia para o fim da jornada, para (talvez) um outro mundo? Um menos hostil, menos decepcionante, menos... Cinzento?

Embora eu não tenha inclinação por este tipo de leitura (muitíssimo mais leve e otimista do que as que realmente consumo), este final me fez refletir sobre outra coisa que prefiro não comentar para não me delongar ainda mais.

Parabéns, Sr Lucas!

Atenciosamente,

Um ser escurecido, Diablair.

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