A verdadeira história
G Y Murakami
Tipo: Lírico
Postado: 20/11/17 20:30
Editado: 20/11/17 20:35
Gênero(s): Cotidiano Drama Poema
Avaliação: 9.9
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 5
Comentários: 5
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Palavras: 241
[Texto Divulgado] "Escorpiana" Intensidade, esse é o seu nome. Aquela que sussurra, que grita e que demostra o quanto o amar é importante.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único A verdadeira história

“Eu queria ouvir uma história, mamãe!”

Sorri, ao ver a ingenuidade,

da criança sem maldade,

esperando por um conto de fadas

que de bom não tinha nada.

Querida de mãe, como hei de explicar?

A verdade é que não existe final feliz,

nem amor puro, nem magia

tudo isso é uma mentira!

Não! Não chore meu bem,

eu só queria lhe desiludir

Fazer-lhe realmente feliz

como não faço com ninguém mais

Não, Anjinho, não chore!

Quero te mostrar o que de fato existe!

Não podes viver nesse mundo de ilusão.

Use sua razão em questão!

E não a imaginação.

Não chore, Amor, não chore!

O mundo é feito disso,

não se pode mudar

o que quero te mostrar:

pode existir felicidade,

mas também há crueldade.

Não, querida, não fique assim!

Não posso mentir para ti,

Não há verdadeiro final,

Nem essa luta entre o bem e o mal.

Volte a sorrir, volte a sorrir.

Perdoe-me se sou fria,

Só quero provar que há mentira

E, às vezes, te fazer pensar

que o mundo é só alegria

torna-se uma grande hipocrisia.

Não chore mais meu bem,

sofrimento existe e persegue

aqueles que como ninguém dizem ser bons

e também aqueles que a maioria pensam serem maus

Volte a falar, volte a falar!

Peça o que quiser,

mas pare de chorar!

Não quero lhe fazer sofrer.

Peça, peça!

“Eu queria ouvir uma história, mamãe.

Uma história feliz...

Minta pra mim, minta pra mim!”.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Escrevi esse poema aos 12 anos. Eu pensava que a vida deveria ser descrita assim: com sinceridade, objetividade... Tudo para que no futuro não tivéssemos a ilusão de que não teríamos obstáculos entre o ponto de partida e nossas metas.

Mas, hoje em dia, penso que condicionar uma criança a isso seria cruel.

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Comentários (5)
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Postado 25/11/17 22:28

Ah, a inocência infantil é algo fantástico, no meu ver. Acredito que é realmente necessário que elas tenham conhecimento antecipado sobre o mal que há no mundo, mas elas sempre devem entender que pode existir verdade em suas ações.

Tenho um irmãozinho danado de esperto que parece saber mais da vida do que eu mesma. Ele tem 5 anos. Certa vez, ele me perguntou, se amor era quando duas pessoas faziam carinho uma na outra. Respondi que sim, pois não era uma interpretação errada, só não estava completa. Minha mãe sempre me disse que a melhor maneira de contar à uma criança sobre os dois lados do mundo, é deixando ela ter seu próprio ponto de vista dele, tendo como base as nossas ações (ou seja, os mais velhos devem ser um bom exemplo para os menores).

O eu-lírico neste poema é um poço de verdade. Não existe rodeios, pois tudo é direto e reto. A realidade dói, mas é necessária. Ninguém nos prepara para os impactos da vida e muito menos para as pegadinhas do destino. Ou somos avisados com antecedência sobre como o mundo pode ser cruel, ou vivemos na pele o que ele pode oferecer.

Novamente, uma obra maravilhosa e que trás uma grande reflexão para o leitor. Parabéns, srta.Murakami.

Postado 28/11/17 20:30

Hoje em dia concordo plenamente com sua interpretação sobre deixar tudo ao seu tempo. Quando escrevi, eu só pensava no lado bom de crescer sem ilusões. Mas, fato, é bom ter alguma ilusão ao longo da vida.

Mais uma vez, muito obrigada! :D

Postado 20/11/17 21:14

E pensar que mesmo as crianças por inúmeras vezes tem que vivenciar na própria pele a realidade da verdadeira história...

O texto é realmente atroz, tanto per si quanto pela mensagem que esbofeteia-nos a face. E vou além, embora euprefira/considere bem mais adequado guardar meus sentimentos/pensamsntos misantropos e niilistas para mim mesmo.

Excelsa criação, Srta Murakami. Por ele se vê que, desde a mais tenra idade, a senhorita já mostrava a que veio! Belíssima reflexão/crítica!

Atenciosamente,

Um ser da verdadeira história, Diablair.

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Postado 20/11/17 22:33

Caro Diablair,

Mais uma vez, obrigada pela análise criteriosa do meu texto. Fico feliz de ter alcançado uma interpretação como a sua.

Att,

Giuliana Murakami.

Postado 26/11/17 14:30

"Deixe-a ser criança enquanto pode."

Ao menos ao meu ver é melhor deixar a criança se iludir. A fase inocente dura pouco para ser cortada prematuramente pela sinceridade do mundo. Elas não precisam saber que a Bela Adormecida acabou sendo estuprada e engravidou de gêmeas. Essa parte pode ficar para uma idade onde a mente já saiba que o mundo da fantasia é exatamente isso: Uma máscara criada para esconder a crueldade do mundo.

Eu realmente concordo com isso de não existir final feliz, pelo simples motivo de que o único final que realmente existe é a morte. Tudo bem que ela pode ser feliz para alguns, mas ainda assim não chega perto do "e viveram felizes para sempre" que sempre ouvíamos no final da historinha contada para nos fazer dormir.

Sua obra é incrível. Parabéns!

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Postado 28/11/17 20:28

Muito obrigada, Yvi.

Quando escrevi, eu realmente me imaginava sendo curta e reta sobre as verdades por trás dos pontos finais dos contos de fadas, mas a bem da verdade, hoje em dia, quisera eu voltar a ser criança e ter continuado a ser privilegiada pela ingenuidade.^-^

Postado 08/12/17 21:02

Ainda bem que você esclareceu que tinha apenas 12 anos quando escreveu! HAHAHA, o texto não deixa de ser ótimo, e visto pela idade que tinha, digo mais: Excelente!

E concordo, seria crueldade dizer isso a uma criança. Como agradeço á minha mãe por ter me poupado de toda a maldade que havia dentro de minha própria casa e ter me deixado ser a criança mais boba que eu pude ser! Para tudo tem uma hora, e na maioria das vezes, as crianças é que precisam dar conselhos aos adultos.

Parabéns pelo texto!

Postado 11/12/17 11:36

Hahaha antes de postar fiquei em dúvida se deveria alertar, mas dada a simplicidade do poema e alguns errinhos típicos de tenra idade, eu precisei me respaldar em evitar péssimas primeiras impressões.

A inocência é doce, mas também assusta. Eu ainda fico no dilema acerca dessa "imposição racional" sobre as crianças. Livrá-las do mal humano é importante, mas a infância é permeada de ingenuidade e doçura, seria cruel. Podemos esclarecer esses pontos através de fábulas, mas a mãe do poema não estava com paciência para leituras hahaha.

Postado 11/12/17 16:09

Com 12 anos a gente tende a ficar mais grosseirão. HAHAHAHA

Mas mesmo assim, ótima obra! <3

Postado 06/03/19 11:26

Fiquei dividido ao ler os comentários, se por um lado, acredito que apresentar a realidade, nua e crua, trará crescimento para a criança, ensinará a mesma a ser forte desde cedo... por outro, também acho justo proteger a inocência o máximo possível... qual seria a maneira correta de agir?

Questões morais a parte, achei um ótimo texto, concordei com cada palavra dele...