Ninguém
Sabrina Ternura
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 17/01/18 16:53
Editado: 17/01/18 16:54
Gênero(s): Drama
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 5
Comentários: 3
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Palavras: 218
[Texto Divulgado] "O olhar de Jurema" Jurema, uma brasileira comum, tem seu dia a dia e sua reflexão sobre sua vida narrada neste conto, que visa mostrar uma breve descrição do brasileiro em geral.
Não recomendado para menores de dez anos
Capítulo Único Ninguém

Vejo os fragmentos de meus sonhos sumindo na escuridão de minha dor. Me perco na imensidão vazia de meu pensar. Afogo-me nas pesadas lágrimas que caem e inundam o que antes, era meu mundo. Sinto o respirar aflito que ultrapassa meus lábios mortos, demonstrando assim, a mais pura agonia de ser atormentada por demônios que jamais se calam. Nem mesmo o escaldante Sol consegue transmitir calor para minha pele fria.

Contudo, quando os olhos alheios me encontram, vêem o reflexo perfeito da felicidade. Anos de sofrimento mudo ensinaram-me que mentir sobre a real natureza de seu âmago, é a melhor forma de escapar dos julgamentos. No fim, permaneço sendo o que desde o princípio fui: uma mentira.

— De fora para dentro deve-se conhecer alguém. - Meus tormentos dizem.

Todavia, alguém já encarou o abismo que tenho na alma? Ninguém quis se aprofundar, pois bastava apenas que um sorriso estivesse em meus lábios - o restante não era importante. Ninguém nunca me entendeu, porque não quiseram me ouvir explicar. Tornei-me invisível, assim como os resquícios de minha angustiante solidão. Por isso, fui me envenenando com a esperança de uma realidade falsa e morri todas às vezes que sorri por promessas que nunca se cumpriram.

De fora para dentro deve-se conhecer alguém, porém não se pode conhecer um ser que tornou-se ninguém.

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Apreciadores (5)
Comentários (3)
Postado 17/01/18 22:52

Pq será q imaginei uma White Walker no primeiro parágrafo? Vai saber....

Anyway, nunca saberemos de fato o q se esconde na alma de outrem, pois nem a escuridão de nossa própria alma nos é totalmente conhecida...

Belo texto :)

Postado 18/01/18 00:18 Editado 18/01/18 00:19

Acho que é porque eu, literalmente, descrevi uma kkkkkkk

Acho que depende muito do ponto de vista. No texto, por exemplo, a narradora deixa explícito que isso não ocorre, pois, aqueles que estão ao seu redor, não se interessam por isso.

Obrigada ❤

Postado 28/01/18 18:11

E aqui nós podemos ver a Brina pela qual eu sou mais apaixonada. (A Brina Tortura é maravilhosa também, mas a Brina Tristeza é tão poética e incrível.)

Nesse primeiro parágrafo eu me perdi lindamente imaginando a situação. Talvez eu gostei exageradamente de ver a dor dos outros, mesmo que estes achem que são ninguém. Sei que isso é ruim, mas fazer o que se eu acho bonito? #corre

Ok, estou falando muita coisa sem noção e sinistra. Desculpe. Sempre fico empolgada quando vejo que você postou um drama. Drama é vida e feito por você é mais vida ainda.

Parabéns! *3*

Postado 31/01/18 00:32

Obrigada ❤

Postado 04/07/18 22:03

O sorriso nem sempre é o reflexo da alma, ele simplesmente demonstra aquilo que queremos que seja explícito; uma perfeita manipulação do teatro que se torna a vida daquele que vive nas sombras, por detrás de diversas máscaras. E o olhar? Ah, esse sim tem o poder de demonstrar mais do que milhares de palavras... Porém são raros aqueles que prestam a mínima atenção ou captam um pedido de socorro mudo.

Ninguém jamais conhecerá nem metade das trevas que há no âmago de cada um; o peso nas costas que cada um carrega. Apenas veem o supérfluo, o falso... Simplesmente o vazio. E é triste quando a alma já se encontra na beira de um precipício, quando a única certeza é que somos nada e nem ninguém.

Como o(a) narrador(a) mesmo diz: uma mentira.