Comida aos pombos
Jorge Miranda
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 17/07/18 23:42
Gênero(s): Suspense
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 1
Comentários: 1
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Palavras: 468
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Livre para todos os públicos
Capítulo Único Comida aos pombos

O homem sentou-se naquele banco de praça com uma leveza e graciosidade que lembrava um pouco os pombos que regularmente vinham comer na mão das pessoas.

Sua cabeça estava repleta de pensamentos dispersos e sombrios. Suas pernas estavam cruzadas de maneira displicente como se governassem a si próprias. Tirou do bolso um maço de cigarros já meio amassado e acendeu um. Fumou um cigarro até a metade e jogou-o fora.

O céu estava cinzento. Sua mente está cinzenta, mas este encontra-se calmo. Sim, ele está estranhamente calmo e descontraído para alguém que acabara de matar uma pessoa.

“Daqui há algumas horas vão descobrir que eu a matei”, pensava isso enquanto observava uma senhora passar de mãos dadas com dois garotinhos sardentos. “O que será que vai acontecer comigo? Eu não tenho culpa se a estrangulei e estou aqui sentado neste banco de praça. ”, esses pensamentos assolavam sua mente enquanto observava um dos garotos sardentos soltar-se da senhora e pular dentro do chafariz da praça.

Pensava na manchete do jornal enquanto acendia outro cigarro: MARIDO MATA ESPOSA E DEPOIS VAI DAR DE COMER AOS POMBOS NA PRAÇA. Amanhã as pessoas dirão coisas como “meu Deus, não é possível, eles viviam um para o outro” ou então “eu sabia que ele não prestava mesmo”.

Estava nesses pensamentos quando passou uma carrocinha de pipoca e um rapaz comprou um saco para si e para uma moça que estava ao seu lado. O homem sentado no banco da praça olhou-os, viu que o rapaz era mais baixo que a moça, deu uma tragada no cigarro e jogou-o fora ainda pela metade.

O homem no banco da praça achou que a tarde estava passando muito lentamente. “Quando eu era garoto não existiam tantas praças assim, mas, em compensação, nós tínhamos mais áreas para brincar”. “Hoje as pessoas parecem ter menos lugares onde passear e brincar ao ar livre”.

Seus pensamentos flutuavam evitando que ele encarasse o que havia cometido. Aproveitou para acender um outro cigarro. “ A culpa é dessa urbanização desenfreada que engole todos os espaços verdes. É só prédio e mais prédio”

Estava imerso nesses pensamentos (já tinha conjecturado sobre reflorestamento e uma possível volta das pessoas para a natureza) quando foi interpelado rispidamente por dois policiais.

- O senhor é ...? Que mora na rua ... número ...?

Mediante a resposta positiva do homem no banco da praça um dos policiais falou:

- O senhor está sendo acusado de ter assassinado sua esposa. Levante-se. O senhor vai conosco até a delegacia.

O homem sentado no banco da praça olhou para os dois policiais de maneira um tanto quanto triste. Observou que agora os dois garotinhos sardentos corriam com a senhora atrás deles. Deu uma longa tragada em seu cigarro e jogou-o fora ainda pela metade. Levantou-se em seguida e foi embora com os policiais.

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Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 03/08/18 22:34

Curti sua ideia para o texto, e és um bom escritor. Gostei de como descreveras o ambiente e as emoções dos personagens - ficou bem claro que o protagonista é um tanto psicopático e que não parece ter muitas emoções. Senti fala de um algo a mais no final, uma surpresa, um ato inesperado, etc.

Postado 05/08/18 23:58

Salve, amigo! Esse conto foi escrito há mais de vinte anos atrás. Pensei em um final inesperado também mas depois vi que meu objetivo de fato era que ele se entregasse tranquilamente (bem condizente com a frieza de matar e ir dar coida aos pombos em uma praça). Mas acredito sim que um final inesperado poderia melhora ela. Amigo em breve postarei um conto chamado O IPÊ AO POR DO SOL que acredito que seu comentários serão com certeza (mais uma vez) muito enriquecedores. Um fore abraço em você.