Outro Eu
Ouroboros
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 27/07/18 15:31
Editado: 27/07/18 21:56
Gênero(s): Cotidiano Crônica Drama
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 4
Total de Visualizações: 96
Usuários que Visualizaram: 8
Palavras: 246
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso de Contos, Poemas e Roteiros - Rotina" A proposta do concurso é escrever uma obra utilizando do tema rotina em qualquer ou quaisquer gêneros que assim se faça interessante. Ver mais sobre o concurso!
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Olá, pessoal!

Aqui temos um pequeno texto para o concurso ''Rotina''. Optei por trazer algo um pouco mais intismista e subjetivo. Estamos lendo um relato de alguém que provavelmente está na beira de um colpaso. Talvez sofra de depressão, não sei. É algo a ser refletido. Mas quis mostrar mais sobre os efeitos e as consequências de uma rotina tão estressante de forma implícita. Espero que tenham entrado na cabeça do eu-lírico assim como entrei! Abraços!

Capítulo Único Outro Eu

Acordo. Meus pulmões voltam a funcionar plenamente. Posso suspirar, retornar para o meu próprio corpo por alguns segundos. Mas sei que é questão de tempo até vestir a carcaça do outro eu e começar tudo novamente. Já não me recordo da última vez em que dormi despreocupado. As manchas escuras já circundam a região dos meus olhos, elas crescem desgovernadamente; sem rumo algum. Você simplesmente sente seu corpo ser paralisado, domado por uma angústia massacrante.

Já tentei correr, fugir de tudo e de todos. Se eu pudesse, até fugiria do mundo algum dia. Mas sempre retorno à estaca zero, limitado e inibido. Quero gritar, bradar contra minha raiva, minha infelicidade. A busca pelo prazer momentâneo deixou de ser apenas algo utópico, todos tentam maquiar suas decepções, seus demônios...Nem sempre da melhor maneira, é verdade.

Por isso, meu corpo é apenas uma marionete controlada por cordas tão finais aos olhos desgastados. Elas me guiam, mas também me derrubam, afogam-me em sentimentos incompreensíveis. Sinto um instinto nervoso pulsar em minhas veias. Tenham cuidado; há algo muito mais profundo em meus olhos, algo que luto todos os dias para abafá-lo.

Em certos momentos, posso senti-lo vir à tona, deixando marcas por onde passa. E em um estralar de dedos, vejo-me novamente caminhando em uma estrada interminável, perdido em meus pensamentos novamente. Arrastem-me para casa, é só o que peço. Eu não estou vivo... nós não estamos vivos. Apenas sobrevivemos a cada dia.

Acordo. Aqui vou eu mais uma vez.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (4)
Postado 27/07/18 20:42

Excelente o se. Um texto. Um texto fácil de ler e que apresenta um conteúdo muito interessante, discutindo a percepção que temos do nosso corpo e os significados que damos para este (bem, pelo menos entendi por aí). Parabéns.

Postado 27/07/18 21:57

Obrigado pelo comentário e pelas palavras, guri! Vejo mais como um pedido de socorro abafado de alguém já esgotado com um cotidiano tão estressante e impedoso. É como se a linha do limite já tivesse sido ultrapassada há tempos. Abraços!

Postado 03/08/18 22:24

Seu texto está 10! Escreves muito bem e achei muito interessante a sua abordagem um tanto pessimista, um tanto realista, ao tema. Tenho certeza que muitos leitores já se viram com pensamentos similares aos representados no texto.

Boa sorte no concurso!

Postado 12/08/18 20:17

Obrigada por participar do concurso!

Seu texto abordou o que eu particularmente esperava ver: textos sombrios. Gostei do seu modo de mostrar a personagem transitando à beira da loucura que a rotina lhe impõe. Deu pra sentir todo o incômodo e amargura que a personagem vinha sentido, todo o cansaço acumulado, todo incômodo. Acho que fiquei cansada por ele.

De pontos negativos só tenho a dizer que algumas frases poderiam ser maiores e que há algum erro de gramática.

No mais, tá muito bom! Parabéns!

Postado 17/08/18 22:36

Esse final meio que fala muito. Não estamos vivendo. Apenas sobrevivendo. Gostei muito do texto. Acho que cada palavra traz consigo um peso, uma carga pessimista que define bem o que alguém perdido como o personagem está sentindo.