O Sorrateiro
6 de Janeiro
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 04/10/18 11:36
Editado: 21/10/18 22:41
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 5min a 6min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 115
Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 808
[Texto Divulgado] "Posso Morrer Amanhã " Uma breve reflexão sobre a vida, afinal, ao final seremos todos plaquinhas.
Não recomendado para menores de doze anos
Notas de Cabeçalho

Me inspirei em um monte de músicas pra isso.

"My Dreams Dictate my Reality" - SOKO

"Churchyard" - AURORA

"Amelia" - SKOTT

Capítulo Único O Sorrateiro

"Eu apenas ouço gente morrendo", foi o que Crystal disse à grande figura esguia e negra que insistia em olhá-la de cima à baixo, mesmo naquele momento.

A criatura, com seus olhos vermelhos apenas continuou fitando a jovem, como se fosse a coisinha mais engraçada que já vira em toda a vida.

Com suas mãos lamacentas e esguias, a criatura pegou a menina pela cintura e começou a chacoalhá-la.

"Pare por favor!", ela tentava gritar em vão.

Não sabia se sentia mais medo da morte ou da lama fétida e ardida que engolia seu corpo aos poucos.

"POR FAVOR!", tentava insistir para a criatura que não conseguia ouvir uma só palavra. Estava entretida brincando com seu novo brinquedo... Uma menina magrela, loirinha com gritos agudos demais.

A criatura pensou quanto a humana poderia custar... Duas almas? Meia alma?

"EU NÃO PERTENÇO AO CEMITÉRIO! POR FAVOR ME SOLTE", a menina fazia força, chorando como nunca antes na vida.

A Lua alaranjada, com um grande arco iluminado à sua volta, iluminava as árvores secas do cemitério que pareciam ter vida e serem cúmplices de cada movimento.

Crystal não sabia mesmo aonde tinha se metido... Jamais foi de acreditar em histórias, entrou no cemitério às 03h09 da manhã apenas para curtir com a galera, desafiar a natureza... Como ela saberia?

"Quando você ouvir gritos, fuja!", foi o que seu namorado aconselhou no meio da roda de bebuns.

"Por quê?!", eles indagaram.

"Os gritos são as pessoas morrendo, este cemitério é diferente, ele é um portal para um tipo de onipresença, quando vocês ouvirem pessoas gritando, corram o mais rápido possível, saiam do cemitério, vocês saberão que vão ter ido longe demais, estarão escutando pessoas do mundo todo morrendo e suas almas estarão à caminho deste cemitério, se a criatura achar vocês, vai pensar que estão mortos, e então, não vai ter mais volta", ele disse com os olhos arregalados de pavor, falou tão sério que Crystal tremeu.

"Não tem jeito de escapar se a coisa nos encontrar?", indagou uma menina do grupo.

"Tentem fazer ela perceber que vocês não pertencem ao cemitério".

Dadas as ordens, cada um dos oito jovens, brilhantemente se separaram naquele cemitério florestal enorme.

Crystal estava bêbada e sozinha.

Começou então a gritar "SORRATEIRO! SORRATEIRO!"

Chamou uma, duas, sete, quatorze, vinte vezes pelo nome que a fazia querer rir.

A menina então percebeu que estava completamente só, enjaulada por inúmeras estátuas antigas, repletas de plantas agarradas a elas.

Foi então que ela ouviu o primeiro grito.

"Que engraçado pessoal!", ela atirou uma pedra no meio das árvores.

E depois, mais outros gritos seguiram o primeiro... Logo tornaram-se lamúrias, urros de terror, gritos tempestuosos... Ela começou a se sentir mal... Começou a ficar tonta.

Crystal... Crystal...

Ela ouvia ao fundo seus amigos chamando por ela.

"Imbecis, me drogaram", mas não... Não era droga... Era o Sorrateiro chegando, e ela estava tão tonta e sua cabeça doía tanto, que ela apenas caiu de joelhos no chão lamacento e apagou.

O ápice chegou.

O silêncio mortal.

Nem vento. Nem cheiro, nem cor.

Era como se ela estivesse dentro de uma bolha isolada do mundo.

Crystal não estava de olhos abertos, mas podia ser os vultos passando... Suas vozes estavam abafadas, até começarem a ficar cada vez mais altas e estrondosas.

"ERIK!!!", ela gritava por seu namorado "AMOR SOCORRO!"

Ele nem estava mais lá, ele estava na cidade, tentando convencer a polícia de que a história dele não era um trote.

"ERIKKKKK!!!", ela urrava em vão enquanto a voz das almas a ensurdecia.

De repente, o chão tremeu. Uma vez... E de novo, e de novo.

Crystal abriu os olhos e se deparou com uma GIGANTESCA VISÃO.

Era ele.

O Sorrateiro.

"Venham... Almas...", e milhões de espectros adentraram ele.

"Há algo errado...", sua voz estrondosa afirmou.

Foi quando a criatura se deparou com Crystal, mijada e cagada num canto do cemitério.

"Uma alma amedrontada... Não tenha medo, você não vai sentir mais nada...", o Sorrateiro explicou gentilmente.

"EU NÃO PERTENÇO AO CEMITÉRIO!", ela chorava e implorava.

"Pertence sim... Agora sim..."

"Não, eu não pertenço!"

Crystal juntou suas forças e começou a correr às cegas, tudo o que via era a Lua e os olhos vermelhos da criatura tão alta quanto o céu.

"Você pode correr, mas não chegará muito longe... Alminha tola..."

O Sorrateiro iniciou sua diversão noturna... Sabia que ela era humana, era tão raro achar um humano vivo! Ele brincou de pega-pega, ela corria um quilômetro, ele a derrubava com um passo.

A menina estava exausta, não tinha mais pra onde correr. As vozes deixaram ela surda. Ela não parava de gritar, mesmo sem ter certeza de que sua voz estava audível.

"EU NÃO PERTENÇO AO CEMITÉRIO, APENAS OUÇO GENTE MORRENDO!"

"Acho que você vale umas três almas...", o Sorrateiro sorriu.

Pegou-a em suas enormes mãos lamacentas e a engoliu.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigada por brincarem de pega-pega comigo.

Apreciadores (3)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 21/10/18 19:52

Tenho que dizer que o ínicio fez-me lembrar da famosa frase do menininho do filme Sexto Sentindo, "Eu vejo gente morta..."; AHHAHHAH.

Contudo, a parte mais cômica foi quando "a criatura se deparou com Crystal, mijada e cagada"; tive que rir da situação. Tamanho despero da garota para chegar a tal situação, HAHAHHA.

Devo dizer que não poupei ao criar uma imagem para a criatura brincalhona e lamacenta, um belo monstro do cemitério.

Existem alguns poucos errinhos ao longo da história, o que mais deixou-me confusa foi "[...] foi o que eu seu namorado aconselhou no meio da roda de bebuns."; visto que mudaria o narrador da obra.

Agradeço por compartilhar sua obra e por tão belo monstro.

<3

Postado 21/10/18 22:39

NOSSA, OBRIGADA POR ME AVISAR HAHAHAHA

Essa parte do "eu seu namorado" foi apenas um erro de digitação, o teclado deve ter "corrigido" a frase, como sempre, da forma mais improvável possível, como os corretores amam fazer.

Esse monstro do cemitério é um fofinho, adoraria ser amiga dele, obrigada por apreciar a obra e por me avisar do errinho ❤

Postado 21/10/18 23:12

Por nada, fico feliz em ajudar de alguma forma.

Seria um encanto conhece-lo, se bem que o conheci por suas palavras...

<3

Postado 08/10/18 08:17

Ah. Que texto interessante. A sensação da morte. O fim. O desespero. O cenário. Tudo maravilhosamente escrito

Postado 11/10/18 00:20

Que bom que gostou! ❤❤❤

Postado 10/10/18 07:49

Hahaha, nada melhor para começar a celebrar o mês do Halloween por aqui. Muito bom, parabéns!

PS: Vê se escreve algo similar para o desafio também ;)

Postado 11/10/18 00:21

Obrigada! Irei escrever sim! ❤❤❤

Outras obras de 6 de Janeiro

Outras obras do gênero Drama

Outras obras do gênero Sobrenatural

Outras obras do gênero Suspense

Outras obras do gênero Terror ou Horror