Leve-me
Andréia Kmita
Tipo: Lírico
Postado: 10/11/18 21:57
Editado: 10/11/18 22:16
Gênero(s): Poema
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 206
Usuários que Visualizaram: 4
Palavras: 246
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Livre para todos os públicos
Capítulo Único Leve-me

Aqui, deitada nesse vazio

percebo sua ausência maniqueísta

no ar, nada direciona estas vistas sofistas,

nem tão pouco o fluxo do pensamento,

nada se move… nothing more.

nem paredes, quadros, vasos, lugares, nem você.

Sua escassez coabita nos centímetros do presente,

nas quinas do teto onde desfaleço os dias a desejar-te

estática, inerte, se me movo me perco no mortório jacente

e perco você. Sinto no âmago terrível abscesso,

talvez seja amor... A dor não me causa náuseas do tempo.

Vago, vago, vago, metros quadrados sem precisar das horas,

embriagada pelo torpor dos olhos, tudo, tudo… Tudo é tocavelmente

seu, o som da minha respiração, noites e dias, infinitamente

seu… O som querendo entrar, o vento batendo nas janelas,

a paralisia dos órgãos, a minha essência morbidamente evidente.

Sinto sua falta em todos os momentos lúcidos e deturpados,

nos refrões das melancolias mais tenebrosas, Chopin nocturne

é meu vizinho mais próximo, lado a lado com meus afetos.

Toca…. toca e me toca mais uma vez, estou morrendo aos poucos,

noite após noite, no negrume cúbico do espaço ainda sinto você.

É na loucura insana que nos encontramos

em corpo e alma frente aos delitos e gritos rabiscados

em meus versos. Regresso, regresso, outrora amante,

mas não há mão que me ampare nisso

senão a sua, leve-me contigo

em breve senão nesse instante!

Estou entrando em ataraxia profunda,

absoluta quietude da alma, abatida, sem pedaços,

sem o afago dos beijos e seus abraços,

hiberno jaz no agora.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 16/02/19 18:44

O que foi isso... Como eu não havia lido este poema ainda? Muito obrigada por essa obra maravilhosa. Eu terei de relê-la muitas vezes! Estou fascinada

Postado 24/03/19 11:03

Desculpe a demora, estava a escrever dois roteiros de cinema. Fico feliz que possamos compartilhar aqui nossos escritos, e agradeço imensamente suas palavras.

Postado 28/02/19 23:35

Que soco na cara este poema. Os versos são intensos, profundos e extremamente belos, mesmo com uma tristeza peculiar que beira a saudade e a melancolia.

Obrigada por compartilhar conosco. É uma obra digna de palmas.

Meus parabéns ♥

Postado 24/03/19 11:05

Desculpe a demora Sabrina Ternura, estava focada em roteiros de cinema. Mas cá estou, para lhe agradecer palavras, estas das quais nos inundam a alma de verdades todas... Obrigada por partilhar dos seus, eu os lerei certamente.

Postado 26/03/19 19:40

Por mais que o texto inteiro seja feito no intuito de demonstrar o quanto o eu lírico está em paralisia e desalento, esse trecho "É na loucura insana que nos encontramos / em corpo e alma frente aos delitos e gritos rabiscados". Só me confirma o que senti durante a leitura inteira: angústia, inquietude, surtos, tudo que seja sinônimo de desequilíbrio.

Tudo que sentimos quando perdemos parte do que acreditamos ser nossa. Um amor, um objeto, um ente querido.

Enfim, ótimo texto, meus parabéns!!!

Postado 07/04/19 13:13

É isso, sempre depositamos fé noutros, de certa forma, somos atingidos desde pequenos detalhes a grandes avalanches. Olhe a sua volta, não espere nada, o maior dom que Deus nos deu é fazer de nos seu braço forte, erguemo-nos na grande maioria das vezes, aprendemos na grande maioria das vezes e seguimos em frente, regressar nunca foi uma opção inda em plena jovialidade. Pensemos na humanidade, no Ser coletivo, pois o indivíduo não é nada sem a experiência....

Grande abraço!