Caos
Andromeda
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 02/07/19 07:49
Gênero(s): Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 52seg a 1min
Apreciadores: 2
Comentários: 3
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Usuários que Visualizaram: 4
Palavras: 140
[Texto Divulgado] "Os meninos e o poeta." Posso até nem ser aquilo tudo como autor, nem é mesmo o pretendido, não obstante, tomar um cafézinho com o poeta é uma honra que vou levar dessa divertida existência.
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Allegory of love, Bronzino.

Capítulo Único Caos

A carne apodrecida se definhava, ele estava se desfazendo e, abaixo dos seus dedos desesperados, o pequeno rastejar dos animais sob sua pele o fazia se sentir nojento, repugnante.

Alimentava os animais com a própria carniça, restando-lhe apenas a carcaça vazia a qual tanto repudiava.

Odiava-se, principalmente, pelo que havia feito – e não sabia como lidar. Era tão difícil se enxergar e perdoar, quando tudo que vinha à sua frente, era a figura sem vida e repulsiva, que berrava-lhe o quão nojento ele era.

"Nojento, podre, imundo. Eu te odeio, eu te odeio. Você é um monstro, eu te odeio." a voz gritou rancorosa.

As lágrimas enchiam-lhe o rosto e o ambiente se tornava sufocante. Tudo lhe sufocava, na verdade. As pessoas, o dever, o futuro, o passado. A corda. E, com um pequeno suspiro angustiado, a voz se calou.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Às vezes eu me culpo demais.

Apreciadores (2)
Comentários (3)
Postado 02/07/19 11:02

Uma obra deveras interessante e de grande profundidade. Tbm sou assim.

Me culpo por muitas coisas, me sinto inutil e pequeno diante de tantas pessoas boas.

Postado 03/07/19 00:19

Às vezes, tudo que você precisa fazer é lembrar que humanamente cometer erros é normal. E que tudo bem, culpar-se muitas vezes é inevitável, mas você merece todas as chances para recomeçar.

Essa obra me lembrou dois casos: a série Dark e uma crise existencial.

Ambas perpassam o suicídio. Que em uma, tem como propósito permitir o progresso de uma história (o que na vida real, espero que ninguém veja como opção). E a segunda como a libertação de tudo que for mundano. Mas, que no final, a pessoa fica presa no limbo. O que aparentemente é pior do que estar de fato morto ou vivo-morto.

O que quero dizer é que é uma obra muito densa e, ao mesmo tempo que traz admiração e fascínio, traz preocupação. Tanto perante ao eu lírico quanto ao autor/autora da obra.

Te parabenizo com todo o meu ser, porque é uma baita obra. Mas desejo também todo o meu sentimento de esperança e paz de espírito. <3

Postado 11/07/19 20:14

A leitura é agoniante e essa tensão é crescente conforme o clímax se aproxima. Apesar de ser um conto pequeno em estrutura, o tema abordado é imenso. Tamanha é a grandeza que todo o sofrimento é palpável, pois é possibilitado ao leitor, sentir e refletir sobre cada palavra presente nesta obra.

O narrador pode ser qualquer um, pois estes sentimentos não escolhem a dedo quem abater. Ele só chega, sorrateiro. Quando menos se espera, ele explode, devastando tudo e todos ao redor. É como guardar uma bomba relógio no peito e esperar que ela não exploda. É como criar um monstro e esperar que ele não se volte contra você. O final sempre é trágico para aqueles que são consumidos, de fato.

No entanto, nós não estamos sozinhos. Sempre há de nos rodear alguém importante, fundamental, que impede que a chama da vida se apague na nossa alma.

Essa obra define bem o que alguém com esses pensamentos passa e descreve com clareza e intensidade, o que é ser consumido pela solidão. Obrigada por compartilhar conosco uma obra desta estigma e por representar tão bem, mesmo que em poucas palavras, este enorme caos.

Meus parabéns ♥♥♥