Uma conversa entre a vida e a morte
Izzy Reis
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 26/03/16 15:42
Editado: 26/03/16 15:42
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 6
Comentários: 4
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Palavras: 681
[Texto Divulgado] "réquiem for me" estou me dirigindo a várias pessoas nesta passagem. todas elas de mãos dadas comigo no espelho. 
Não recomendado para menores de doze anos
Notas de Cabeçalho

Texto para o desafio quinzenal "Felicidade Mórbida", espero que gostem!

Capítulo Único Uma conversa entre a vida e a morte

- Morte, grande amiga! – Saudou Vida.

- Vida, a quanto tempo! – respondeu a Morte, reservada.

As duas se olharam no limite do Existir, uma linha tênue que separava seus dois mundos. Não podiam tocar-se ou cruzar a linha, então sentaram-se a mesa estrategicamente posta no meio. Com a morte ainda em seu mundo sombrio e a Vida em seu lugar alegre.

Morte estica sua mão esquelética para um bule de chá em cima da mesa e serve a bebida quente em duas xícaras, tomando cuidado para não transpor a linha enquanto servia a amiga.

- Faz muito tempo mesmo velha amiga. Nossas rotinas estão mais atarefadas do que nunca!

- Muitas pessoas nascendo e morrendo, eu suponho... – disse morte com os lábios inexistentes na xícara.

- Realmente, o mundo está feio, muitas guerras, fome, doenças... Mas imagino que isso seja noticias boas para você...

A Morte eleva seu olhar sábio á Vida.

- Eu não tenho prazer em ser a Ceifadora cara amiga, não é exatamente o trabalho mais bem visto pelos seres desse mundo...

A Vida reflete seu olhar melancólico com empatia.

- Ainda ei de entender por que os seres me amam e odeiam você...

A Morte sorri, o que era incrível ser feito na ausência completa de dentes.

- Porque você, cara amiga, é uma linda mentira, e eu, uma horrorosa verdade.

- Explique-se cara amiga, e por favor, use de suas belas palavras.

A Morte levanta de sua cadeira e começa a vaguear por seu lado do mundo, mórbido e moribundo era aquele lado da linha que a pertencia, arrastando seu manto puído pela terra.. Tudo do lado Mortal definhava, as plantas, as arvores e até mesmo o próprio solo. Seu mundo era povoado por dor e sofrimento, por almas que acabaram de morrer e não sabiam lidar com o fato.

Um extremo injusto se comparado com o lado da Vida a centímetros de distancia, que borbulhava em vida e cores, onde os passarinhos cantavam, e as almas recém-nascidas mal podiam esperar para descer a terra.

- Nós nascemos juntas, vivemos lado a lado desde de os primórdios do Existir. Pois onde há Vida, há Morte. E vice-versa.

- Mas sempre eu fui a odiada e você a adorada. Por que eu represento o fim, e você, o começo.

- Enquanto eu sou constante e chata, você é a promessa de algo novo e inédito.

- Você representa possibilidade e futuro, e eu consigo ser o extremo oposto disso.

A Morte encerra seu monologo com um floreio triste e volta a se sentar a mesa com a velha amiga Vida, agora era a vez dela.

A vida se levanta e copia os gestos da velha parceira, vagueando por seu mundo perfeito enquanto fala.

- Mas a morte nada mais é que um fim inevitável?

- Todo ser que passa por mim, sabe que vai morrer. Se há algo verdadeiro e justo, é você amiga. Você é o que me faz soar importante, sem você, o que eu seria? Se o que eu sou agora é ser o seu oposto, que nome dariam a um existir sem morte?

- Imagino que sem você, eu não passaria de uma maldição.

- Os seres não souberam agregar os sentimentos á nós, agregam o positivo a mim e o negativo a você, eles mentem para si mesmos.

- O amor por exemplo, no fim do verdadeiro amor, existe a morte, pois só amando sabendo que no fim há morte, que há verdadeiro amor.

- Para a mente bem estruturada, a morte é o verdadeiro começo, e eu, o verdadeiro fim.

A Vida volta a seu lugar na cadeira com a estima de ter feito os olhos sua velha cara amiga brilharem com sentimento.

- Cara amiga Vida, suas palavras sempre ei de me emocionar.

- Cara amiga Morte, á você, eu devo tudo.

As duas encerram o encontro com um brinde atrasado de suas xícaras de chá. Seus encontros sempre eram breves, já que o mundo nunca era escasso de seres nascendo e morrendo que lhe delegavam trabalho.

- Adeus cara amiga – saudou a vida – A mais horrorosa das verdades!

- Adeus cara amiga – despediu-se a morte já se afastando – A mais bela mentira!

❖❖❖
Notas de Rodapé

Eu acabei adorando como esse texto ficou, e espero que você gostem também!

Apreciadores (6)
Comentários (4)
Postado 27/03/16 21:21

SAI DAÍ, LACREEEEEEEEEEEEEEE

Postado 28/03/16 00:45

Valew, quase compensa eu ter perdido :(

No proximo eu vou caprichar mais então!

Postado 29/03/16 02:27

Apesar de ter fugido um pouco o tema, eu gostei de ver alguém se inspirar com o mesmo e levá-lo para uma direção diferente e inesperada.

E, na minha opinião, as duas falas finais são onde está a principal genialidade do texto. Todos sabemos que a morte é uma horrorosa verdade, mas a bela mentira que é a vida é o que é mais difícil de aceitar hehe

Parabéns, e obrigado por sempre trazer ótimos textos para o site :)

Postado 31/03/16 01:05

Eu só vou começar dizendo duas coisas: LACRE ABSOLUTO.

Meu pai, que texto lindo foi esse? Eu poderia imaginar mil e uma coisas para esse desafio, mas nunca imaginei que um escritor pudesse redigir a conversação entre a Vida e a Morte de um modo como você o fez. É como presenciar essa conversa, mais do que isso, esse texto tem uma magia enorme em cada palavra. Simplesmente magnífico!

Apenas deixo a dica da breve revisão. Há palavras na qual não tiverem acentuação adequada, mas nada que estrague o texto. Agora sério, guria, que criatividade absurda foi essa? Mais do que isso, que argumentos belíssimos e irrefutáveis foram essas que a Dona Morte nos deu? Eu simplesmente amei a combinação de tudo, e como você as tratou em um equilíbrio perfeito.

E reformulando a fala da Vida, é como ela diz; sem a morte não há algo, ou motivo, para a vida ser formulada, e sem a vida, não há existência para ter a morte. Uma precisa da outra, uma é a metade da outra. E ressaltando o melhor argumento que eu vi: os humanos de fato não souberam agregar os sentimentos as duas, mentindo e se iludindo sobre as uma ser positiva e a outra negativa, quando na verdade, ambas carregam isso em sua existência.

A única coisa que senti falta foi de mais motivos. Sim, esse texto enquadra-se no tema proposto, mas não do modo como deveria. Essa visão que você trouxe é extraordinária, no entanto, o que foi pedido era apenas uma faceta: a da morte. Aqui você as equilibrou, é como se apenas amenizasse o que é de fato morrer, e não de tê-la como uma amiga, uma salvação, uma felicidade em encontrá-la.

Mas o texto em si é brilhante, e só tenho elogios quanto a isso. Admiro a sua criatividade, e a maneira como soube tão bem conduzir esse enredo. Meus parabéns pelo excelente trabalho!

Postado 19/04/16 16:27

Que coisa mais linda, perfeita, em todo os momentos, jogando na nossa cara a conversa real entre as duas, que perfeito. E lacrou <3

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