A Musa de Tinta (Em Andamento)
6 de Janeiro
Usuários Acompanhando
Tipo: Romance ou Novela
Postado: 12/09/20 21:29
Editado: 13/09/20 17:16
Qtd. de Capítulos: 4
Cap. Postado: 13/09/20 15:55
Cap. Editado: 13/09/20 17:15
Avaliação: 9.68
Tempo de Leitura: 5min a 6min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 50
Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 802
[Texto Divulgado] "De Flor a dor, enfim a liberdade!" Romance erótico em 12 capítulos, contextualizado entre 1578 a 1583 aproximadamente. Período este das turbulências na luta pela sucessão real de Portugal, cujo rei morrera sem deixar herdeiros ao trono. Numa investida do duque de Alba em formar uma aliança com a Alemanha através do casamento de seu primogênito com a filha do duque de Baviera, Katrina descobre o amor e todo fogo da paixão.
Não recomendado para menores de dezoito anos
A Musa de Tinta
Notas de Cabeçalho

Aviso de gatilho:

Se você é sensível a temas como abuso sexual, linguagem explícita e descrição de cenas violentas, por gentileza, encontre um texto mais amistoso para ler.

E aos demais seres-humanos - ou não -, desejo uma boa leitura!

Capítulo 3 Crescendo

Com o passar dos anos, a menina até chegou a se esquecer de que algum dia, desembarcara em Londres com seus pais, afinal, se passaram tantos anos e, o Tio Merle e ela mudaram tantas vezes de apartamento, que seu passado se parecia mais com um sonho longínquo.

No começo, não foi fácil para o pintor convencê-la, foram tantas noites de berros, choros, pirraças, destruição em massa de quadros, esculturas, ameaças de pular da sacada, ameaças de chamar a polícia...

Naquele peito de canarinho, ela queria tanto ver a mamãe e o papai - que nunca mais apareceram... Mas os vestidos de todas as cores vieram, e o pintor a vestia todos os dias como um anjo, vendeu várias preciosidades do inventário da família para comprar aqueles vestidos para ela, apenas para vender a ideia de que aquela, sempre fora a vida de Beatrice, que agora, se chamava Amelie.

À medida que os dias, semanas e meses corriam, ele a ensinou a ler e a escrever em inglês, apagando de vez o italiano daquela cabecinha, apresentou mundos extraordinários, histórias mirabolantes, aventuras no mar, na terra, nos ares, no espaço... Ensinou-a pintura, música, a cozinhar, a cuidar das finanças da casa, a fazer pequenos retoques nas obras de arte, ir ao mercado, tocas piano... Dia após dia, ele a criava para ser uma adulta muito funcional.

E sempre que ela parecia estar se lembrando de sua vida passada, ele apagava qualquer vestígio... "Olhe só Amelie, eu te pintei neste quadro, te esculpi em mármore, fiz esta música inspirado em sua beleza..." - era a chave mestra dele.

A menina então, encantava-se com este mundo ilusório.

Quando Amelie completou oito anos - desde a época que ele a encontrara naquela noite fria - finalmente o irmão mais velho de Merle, e herdeiro da fortuna dos pais, faleceu, deixando enfim, todo aquele gordo dinheiro da família Süskind só para ele. Logo os advogados bateram à porta, anunciando o glorioso futuro que ele teria.

Merle e Amelie, se mudaram então, para a mansão em Leeds, ele retornou à cidade como um deus, que logo pintou capelas e igrejas, palácios e castelos, a arte agora, era apenas um passatempo, pois o dinheiro da herança dos pais e do irmão, era o suficiente para até mesmo Amelie, criar pelo menos mais duas gerações sem qualquer preocupação.

Mas, o que ele queria, era glória, não apenas ser um simples burguês, cujo os pais haviam sido comerciantes, a palavra comerciante, lhe causava asco.

Ele queria ser reconhecido como o deus das artes, e por esta razão, esculpia e pintava secretamente o rosto de Amelie em cada uma de suas obras - sua marca registrada; mestre Merle, vendia em cada canto da Inglaterra sua arte, seu dinheiro brotava como feijão em plantações.

Amelie, nem sabia de sua fama, pois só ficava em casa, desde que seu tio voltou a se tornar parte da burguesia e a participar de tantas festas, coquetéis e viagens, proibiu-a agressivamente de sair porta à fora. Ela era preciosa demais, mais preciosa que tempeiros, que tinta escarlate e violeta, mais preciosa que tecidos importados da Arábia, mais preciosa que todo o dinheiro dele.

"Mas... Como irei comprar comida, leite, materiais de trabalho... Como encomendarei livros, tio?" - ela implorou de joelhos para seu algoz.

"Somos nobres, querida Amelie, antes já éramos ricos, mas agora, somos ainda mais importantes e requisitados e a senhorita... É ainda mais importante que eu... És a princesa, esqueceu-se? Por estas razões, querida, te ensinei tudo que sei, sou seu tutor e regi esta orquestra que é a sua vida, para que nada dê errado... Você está destinada aos palácios, um dia, você será rainha!" - ele gesticulava no ar, como se pintasse uma constelação inteira.

"E de que importa ser assim importante... Qual conexão isto faz com eu não poder mais sair de casa?" - lágrimas cristalinas desciam por seus olhos como cachoeiras abençoadas.

Ele não pode responder, observou aquela cena de sua musa, como a própria Mãe de Deus... A inspiração brotou de sua alma e ele gritou:

"Fique bem aonde está! Não se mova um centímetro!" - ele ele bateu os pés no chão, ela já sabia o que lhe sucederia.

O homem alto, agora com cabelos e barba um pouco grisalhos, correu de um lado para o outro, pegou uma flor murcha, alguns tecidos translúcidos, encaixou-os nas mãos e demais membros da menina, parou diante de sua criação e suspirou - uma lágrima de orgulho brotou de seus olhos.

"Não se mova... Não se mova..." - ele sussurrou como se o mais ínfimo barulho pudesse fazê-la desmoronar como uma montanha de gelo.

"Vai ser escultura... Ou pintura..." - ela não conseguia parar de chorar, só de se imaginar ficar ali prostrada naquela posição por seis, oito, doze horas...

"Só Deus sabe, minha princesa..."

Ele colocou o avental, e começou a criar.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigada por lerem mais um capítulo.

Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 13/09/20 19:30

A parte boa foi ter sido bem cuidada, instruída e não ter crescido nas ruas ou morrido miseravelmente, mas mesmo assim, imagino seu coraçãozinho sempre indagando sobre seus pais...

Que duro para a criança ter que passar por tudo isso, horas parada, sem poder viver suas emoções com naturalidade...

Pelo menos quando eram pobres havia liberdade, agora, enclausurada!

Só fico a me perguntar: Onde isso vai dar?!

Postado 15/09/20 00:38

Minha desconfiança em relação ao tio Merle continua maior do que tudo! Ele é um imenso mistério, não sei se devo o agradecer por tê-la tirado das ruas ou odiá-lo por usurpá-la e lhe tirar a liberdade...

Penso no que será do futuro da pobre Beatrice, perdeu os pais, a identidade, a liberdade... por caprichos de um ser desconhecido...

AAA Ana, como você me fez pensar com esse capítulo hahaha

Parabéns! Impecável como sempre!

Estou indo ansiosa para o próximo!!

Beijos!!

:)

Postado 16/09/20 19:32

Fiquei me perguntando se essa atitude de manter ela presa foi porque ninguém podia saber da existência da menina, ou se foi por algum tipo de ciúmes maníaco e enlouquecido de não querer mais ninguém olhando para a sua musa...

E fiquei imaginando também que, se ele pinta o rosto dela em todas as pinturas, isso significa que todas as mulheres nuas que ele pinta tem o rosto dela também... Quero matar esse cara...

Essa história está maravilhosa demais, igual a autora <3

Um grande abraço <3

Outras obras de 6 de Janeiro

Outras obras do gênero Ação

Outras obras do gênero Crítica

Outras obras do gênero Drama

Outras obras do gênero Erótico ou Adulto