A Musa de Tinta (Em Andamento)
6 de Janeiro
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 12/09/20 21:29
Editado: 13/09/20 17:16
Qtd. de Capítulos: 4
Cap. Postado: 13/09/20 17:13
Cap. Editado: 13/09/20 17:15
Avaliação: 9.68
Tempo de Leitura: 6min a 8min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
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Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 1007
[Texto Divulgado] "Vai e vem pelo tempo II " Pelo tempo ele viaja em todas as dores refazendo uma análise
Não recomendado para menores de dezoito anos
A Musa de Tinta
Notas de Cabeçalho

Aviso de gatilho:

Se você é sensível a temas como abuso sexual, linguagem explícita e descrição de cenas violentas, por gentileza, encontre um texto mais amistoso para ler.

E aos demais seres-humanos - ou não -, desejo uma boa leitura!

Capítulo 4 Pura

Quatro anos mais tarde...

"Feliz Aniversário, querida Beatrice!" - ele a acordou com um longo beijo nos lábios, Amelie então, se envolveu em seus beijos e arfava... Arfava, queria-o entre as pernas, queria-o dentro do coração, aqueles olhos caramelados, aqueles cabelos enrolados como cachos de uvas... Queria-o...

"Ó, meu doce, doce Steven, entre dentro de mim, te imploro..." - ela estava tão imersa no prazer do sonho, que ousou deixar aquele nome escapar...

"QUEM É STEVEN?" - Merle, com seus quase dois metros de altura, arrebentou a porta do quarto da menina, que havia acabado de sonhar com um homem misterioso, cuja a aparência, ela não sabia descrever, só se lembrava dos olhos... Aqueles olhos amarelados, como calda de torta...

"QUEM É STEVEN???" - ele indagou aos urros mais uma vez, e então, ela finalmente se deu por conta de que estava em sua cama, mais um dia havia se iniciado, e seu carrasco estava bem ali... Com uma tora de madeira em mãos.

Ela estava confusa... Sonhou que estava nua com aquele outro ser humano... Afinal, ela só tinha doze anos, não era...? Ainda era uma criança, pelos livros que ela lia, crianças gostavam de brincar de boneca e bola... Mas ela, ela queria aquele tal Steven dos sonhos.

Se sentiu impura demais.

Ele veio marchando em sua direção, e cuspindo em sua face sem perceber, apertou seu rosto sensível com o indicador e o polegar da mão esquerda:

"Quem, diabos é Steven? Você saiu de casa???" - ele apertava cada vez mais o rostinho dela.

"Eu não sei... Foi apenas um sonho, senhor..." - ela não conseguia olhar naqueles olhos dele, aqueles olhos eram frios demais, duros demais, ela se sentia despida sempre que pousava nos olhos dele, como se ele pudesse tirar tudo dela.

"Que palavras eram aquelas que você estava dizendo???" - ele soltou o rosto dela e começou a investigar o quarto todo, dentro do baú... Não, nada. Dentro do closet... Nada também... Atrás das cortinas... Apenas aranhas.

"Senhor... Não há ninguém aqui, foi apenas um sonho... Esta pessoa está apenas dentro de minha mente, eu nem sei quem ele é...!" - ela implorou.

"Você só tem doze anos! Não deveria pensar desta forma!" - antes de adentrar o quarto da menina, tal um furação, ele estava ouvindo por detrás da porta todo o monólogo do sonho de Amelie, ouvia tudo, pulsando... Se imaginando ser o tal Steven, mas não... Não, ele não podia se tocar... Ela era divina demais para que ele a desvirtuasse, mesmo em pensamento, então ficava ouvindo... Aquela não era a primeira vez que ela havia sonhado com o Steven.

Todas as manhãs ele fingia sair e se escondia no jardim para observá-la em segredo. Conferir se ela era mesmo obediente e, para sua decepção, ela era. Sempre que atendia à porta, se vestia de preto, com um véu que lhe cobria a face por completo. Era a medida de segurança, para que não tentassem roubar seu anjo.

O homem do leite, dos ovos, o açougueiro, o verdureiro, o boticário, o comerciante de telas, de tintas, de mármore, barro, argila... Todos eles, não estavam autorizados a vê-la, ela teria de vestir um véu, apenas indicar aonde os homens deveriam deixar as encomendas, entregar-lhes o dinheiro e mostrar-lhes a saída, trancando a porta logo em seguida.

Ela sempre era tão obediente, que ela nunca podia colocar em prática seu plano de "castigá-la" que havia arquitetado para situações parecidas.

Mas agora... Agora ela merecia ser castigada, aonde diabos ela tinha aprendido a falar como adulta? Como quem aparentava ter dormido com vinte homens diferentes? Maldita, traidora.

Cansado de procurar pelo homem invisível dos sonhos de Amelie, ele desfiu um tapa em sua face, ela fitou-o incrédula... Afinal, ela era a princesa! Como ele ousa?

"Mas... Eu sou da realeza... És meu protetor, por que está fazendo isso comigo???"

Ó, habilidoso Merle, ela é mesmo parte de suas obras... Interpreta muito bem o papel que lhe fora escrito.

"Até mesmo princesas devem pagar com sangue, por crimes cometidos contra a Coroa." - ele respondeu de forma sombria.

"S-sangue...?" - ela gelou.

Ele tirou as luvas, olhou para ela com olhos mortais e ela paralisou.

Ele enfiou a mão por debaixo de sua saia - apenas para checar se...

Amelie não sabia o que sentir, já lera isso em livros antes... Ele estava checando se ela ainda era pura... Não entendia o que pureza tinha haver com o local que sai urina, menstruação e bebês - ela sentiu a estocada da grossura de um dedo, inutilmente tentando adentrar suas intimidades, ela respirava pesado, seu peito ardia, ela tremulou, estava paralisada, aquela ação era repugnante, ele estava retalhando-na com os dedos... Ela não conseguia respirar, estava hiperventilando agora; mas ele... Aquele demônio ainda não tinha desistido.

Com o coração duro como era, ele continuou sua missão de fazê-la pagar com sangue, mas penetrava-lhe os dedos e tirava-os... Nada de sangue, e fez isso repetidas vezes... Nada de sangue.

"Ordinária..." - proferiu entredentes após alguns minutos de silêncio mortal.

Ele a havia machucado sua... vagina - ela susussurrou em pensamento esta palavra proibida - doía muito. Ardia, como se tivesse cortado, ela nunca havia tocado ali, e então, sem que ela tivesse controle sobre a situação, seu tio fez primeiro.

Agora ela não queria nunca mais sonhar, nunca mais ver a face dele. Mas era impossível.

"Ordinária, como pôde me trair?" - ele olhou para ela, aparentando estar visivelmente de coração partido, apontava, com o indicador da mão esquerda, para sua outra mão, dando destaque aos dedos indicador e médio, molhados, fétidos.

"O que eu fiz?" - ela não compreendia, ainda parcialmente congelada, em choque.

"Não há sangue..." - os olhos dele saltavam das órbitas, com desprezo.

"Com quem foi? Qual é o nome dele?" - ele implorou num misto de ódio e súplica.

"Eu não entendo o que o senhor está me dizendo..." - ela, já descongelada do estado de choque.

"A senhorita irá pagar pelas suas mentiras.

Deste dia em diante, todos os quadros que ele pintou dela, retratavam uma menina triste, não mais uma princesa, um anjo, apenas uma menina sem alma.

❖❖❖
Notas de Rodapé

...

Agradeço por lerem mais um capítulo.

Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 13/09/20 19:38

Quanta tristeza! Quanta violência...

Pobre criança que nem sabia o que acontecia...

Como seria sua vida de agora em diante???

Parabéns pelo texto, cada dia melhor e mais pungente!

Postado 15/09/20 00:45

Xandra Candra de Israel, Deus e os profetas maiores... QUE ÓDIO!

Que capítulo intenso, Ana! Me agonizou o peito, devo estar vermelha de tamanha raiva, se antes não ia com a cara de Merle, agora então o quero morto!

Sinto pela pobre Amelie, até quando ela irá sofrer nas mãos desse monstro??

Parabéns pelo capítulo, foi excelente! Estou ansiosa pelo próximo!

Beijos!

:)

Postado 16/09/20 19:51

Meu Deus, que horror...

Esse Merlim é doentio... Como ele pôde fazer isso com ela?

Doze aninhos, e ele querendo ver se saía sangue...

Essa violência partiu meu coração...

Parabéns pela incrível obra, senhorita 6 <3

Espero ansiosa por mais capítulos <3

Abraços <3

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