Asimilasyon
Andromeda
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 31/10/20 05:24
Avaliação: 9.3
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 5
Comentários: 6
Total de Visualizações: 384
Usuários que Visualizaram: 11
Palavras: 501
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso Macabro - Monstro" Te convidamos a olhar debaixo da cama e nos contar qual monstro está escondido aí. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

by the bed - jakub schikaneder tive essa ideia ouvindo she past away - asimilasyon e espero que gostem. texto feito para o concurso e unicamente postado aqui.

Capítulo Único Asimilasyon

Desde os dezessete anos Marina não sabia o que era sobriedade, vivia jogada no mundo das drogas e, quando não usava, surtava em casos de extrema psicose. Não usava para escapar de traumas — apenas porque queria esquecer das cobranças tão injustas de seus pais sobre seus estudos — e, por mais que se culpasse pelo uso, nunca deixou de fazê-lo. Com o tempo, a droga deixou de ser um estigma quando passou a sentir livre das amarras ao provar mais e mais.

Usava para se divertir, se distrair e, principalmente, para dormir e relaxar. Hoje não tinha sido diferente — no entanto, seria.

Eram exatas três da manhã quando Marina acordou num súbito, tão assustada que sequer sentia o coração bater, apenas focando na falta de ar — e tudo piorou quando ela notou estar tendo paralisia do sono. A ansiedade a consumiu, nada restou a focar a não ser na voz que pensou ouvir. Odiava quando isso acontecia, porque apesar de jurar ser apenas ilusões provocadas pelo doce, ela ainda podia acreditar que via um homem, que sempre odiou, parado na janela do quarto, a observando enquanto dormia.

Leandro era seu nome: um homem esguio, de pele pálida e extremamente magro. Ele vivia em seu enlaço, a seguindo nas vielas desertas, no escuro da noite solitária de Recife. Caso não, ele a espreitava em festas e até mesmo na faculdade. E, por mais que Mariana fosse gentil com todos, a paranóia sobre aquele homem esquisito persistia em sua mente, então sempre negou as envestidas sobre si. E nunca esteve errada.

No entanto, sonhar com seus olhos apáticos sempre a trouxe arrepios. Sonhar com seus toques invasivos a faziam tremer e, por mais que agora quisesse gritar, não pôde fazê-lo. Era como na infância: estava congelada pelo medo que sentia do monstro que tinha embaixo da cama, mas agora tinha medo do monstro que estava ao seu lado. Quis respirar fundo quando sentiu um sopro frio em sua nuca e sussurros incessantes, entretanto nada a horrorizou mais do que os toques rudes em seu corpo desfalecido; nunca tinha sentido isso antes, nunca o tinha feito.

O que pareceu uma eternidade para Marina poderia ser resumido em míseros minutos de desespero. Quando ela finalmente se viu livre das amarras de sua mente, levantou-se num pulo ligeiro. Olhou para o lado de sua cama: vazio. Sua janela: vazia. Não havia nada além das provas de sua psicose exagerada — e de suas paranoias sem fundamentos.

Marina se ajoelha, aliviada como nunca sentiu antes, com as lágrimas banhando sua face. Mas então ela olhou abaixo de sua cama, numa curiosidade inesperada, vinda de suas lembranças infantis. Encontrou-se nua, banhada em sangue, com Leandro também manchado, possuindo seu corpo já mórbido. Tamanha monstruosidade a quebra e Marina o encara com ódio, soltando um grito silencioso que parte de sua alma, agora desonrada.

Mas, na visão doentia de Leandro, eles eram um só. E não seria a sombra do que um dia foi Marina que o faria mudar de ideia.

❖❖❖
Apreciadores (5)
Comentários (6)
Postado 31/10/20 05:34

Já dei bastante feedback pessoalmente mas só queria reforçar que amo tua mente e ela é genial, só isso.

Postado 08/11/20 02:41

A paralisia do sono é muito angustiante. Felizmente nunca passei por isso, mas pelo que vejo em relatos e filmes é assustador pra caramba. Imagina você ver tudo a sua volta e não conseguir se mexer ou gritar? A experiência por si é medonha, e ouvindo o relato da nossa narradora temos a certeza do quão instável psicologicamente é para quem a vivencia.

Confesso que esse final me deixou um pouco confusa. Será que ela morreu e não se deu conta devido aos traumas de despertar e sempre vê-lo ao seu lado? Seria seu espírito se dando conta do que aconteceu? Me fez assimilar com a série A Maldição da Mansão Bly, onde conta a história da moça sem rosto. Talvez seu espírito não tenha se dado conta do que estava ocorrendo, e só nesse rompante percebeu a realidade do que outrora era sua vida.

É bem perturbador.

Parabéns pela obra e muito obrigada pela participação ♡

Postado 14/11/20 09:38

Ta aí uma coisa para eu ter pavor: Paralisia do sono. Na faculdade, eu dividia o quarto com uma menina e uma certa noite ela teve esse terror. Eu me assustei só com o estado em que ela ficou, não quero nem imaginar/passar o que ela viveu. Deve ser realmente uma sensação tenebrosa.

Confesso que fiquei realmente confusa acerca do final do texto. Não consegui captar a mensagem que você quis passar, mas imaginei algo como um ciclo vicioso e infinito. Como se o pesadelo sempre fosse engolir ela. Não sei bem como explicar.

Parabéns!

Postado 02/01/21 22:01

A sua escrita me encanta sempre, mesmo quando o texto é o mais mórbido possível. Esse texto me deixou arrepiada e assustada, pois a imersão que as palavras proporcionam são intensas! Adorei isso!

Obrigada por compartilhar conosco!

Parabéns, Andromeda ♥

Postado 22/08/21 02:54

Escrever esse texto foi como me jogar de cabeça num vazio. Não sabia como descrever tudo de modo assustador, então fico feliz que tenha dado certo, de um jeito ou de outro.

Muito obrigada, Sabrina.

Postado 09/06/21 03:22

Adorei! obrigado.

Postado 22/08/21 02:53

Fico feliz que tenha gostado!

Postado 13/10/21 14:38

Medonhamente encantador~~

A forma como construiu a personagem para fazer o leitor acreditar que tudo por ela vivido viria das drogas que usava e mesmo como desenvolveu o episódio da paralisia, foi fantástico, mas o melhor fico para o final quando você quebra o alívio de ter acordado daquele pesadelo... Perfeito!

Agradeço que tem compartilhado sua obra, foi um prazer ler! Adorei~

Assinado uma pequena vampira, <3

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