Nosso inerte amor
Mariana Heloise
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 03/11/20 00:41
Editado: 12/11/20 16:10
Gênero(s): Drama LGBT Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 5min a 7min
Apreciadores: 2
Comentários: 1
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Palavras: 847
[Texto Divulgado] "Iminnar" Tudo o que ela precisa é completar o treinamento e se provar, para si mesma e o fantástico mundo que lhe cerca.
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Olá pessoa, esse texto é para o desafio de novembro do OPMP, onde o tema foi dualidade, onde foram sorteados alguns opostos, fiquei com o Movimento x Inercia, não sei se soube "brincar" com o tema, mas espero que sim.

Para não variar é uma história bad então aproveitem e chorem um pouquinho. ~

Capítulo Único Nosso inerte amor

Lado Um – Inercia

Cristina

Nossos sentimentos foram iguais por muito tempo, então nosso amor estava parado, concreto, imutável. Assim como no princípio da primeira lei de Newton, nossas forças estavam iguais, então nosso amor estava em inercia. Mas um dia, sem explicações, sua força diminuiu, se moveu e nosso amor entrou em movimento.

Um dia seus sorrisos pararam, seus braços ficaram desconfortáveis, seu cheiro mudou, suas palavras dóceis transformaram-se em palavras indiferentes, seus beijos se acabaram. Pareceu que todos os “eu te amo” foram apenas palavras vagas. A cada pequeno ato de distanciamento, maior era a diferença entre nossas forças, a inercia se acabou, o movimento tomou seu lugar. Quando isso aconteceu meu peito doeu como nunca havia doido antes. Eu ainda podia escutar sua voz dizendo “eu gosto de você” quando se declarou num dia chuvoso e demos nosso primeiro beijo. Assim como ainda podia sentir a palpitação do meu coração após tais dizeres deixarem seus lábios. Escutar tais palavras me deixou tão feliz que eu poderia morrer, quem diria que cinco anos depois, tudo se acabaria.

Eu sempre soube que te amei muito antes de você me amar, mas isso não me impedia de sofrer com a sua partida. Sem forças para continuar, o estado de inercia que um dia pertenceu ao nosso amor, hoje pertencia ao meu corpo, pois a força que me movia era você.

Me pergunto como alguém parte assim, após anos vivendo um amor verdadeiro, um amor que superou muitas coisas. As chances estavam contra nós, duas jovens solitárias, vivendo suas vidas sem proposito, sem forças, inertes em um mundo preto e branco, pressionadas a se casarem, a construir famílias. Todavia, quando nos encontramos, o mundo preto e branco tornou-se colorido e as forças que nos prendiam a vidas solitárias, nos uniram em um inerte amor. Quando você me deixou, achei que tivesse se cansado disso e que havia partido em busca de algum amor que estivesse em movimento. Contudo, o que mais me doeu foi saber, apenas meses depois, que o seu abandono não foi por falta de amor, mas para não me machucar.

Lado Dois – Movimento

Sophia

Nossos sentimentos foram iguais por muito tempo, então nosso amor estava parado, concreto, imutável. Assim como no princípio da primeira lei de Newton, nossas forças estavam iguais, então nosso amor estava em inercia. Mas um dia, devido ao caos em meu interior diminui minha força, a movi e nosso amor entrou em movimento.

Um dia tive que parar meus sorrisos, meus braços tornaram-se desconfortáveis devido a dor, parei de usar o perfume que você me deu, não conseguia mais te dizer palavras dóceis então elas transformaram-se em palavras indiferentes, meus lábios racharam-se, meu hálito estava ruim então meus beijos se acabaram. Eu sei que você achou que todos os que “eu te amo” haviam sido apenas palavras vagas, mas juro que não foram, juro que foram ditos com todos os sentimentos que tive por você. Sei que a cada pequeno ato de distanciamento, maior era a diferença entre nossas forças, que a inercia se acabou, que o movimento tomou seu lugar, mas foi necessário. Quando isso aconteceu meu peito doeu como nunca havia doido antes. Eu ainda podia lembrar da sua expressão de assombro e felicidade quando eu disse “eu gosto de você” num dia chuvoso. Assim como ainda podia sentir a palpitação do meu coração quando demos o primeiro beijo após tais dizeres deixarem meus lábios. Saber que você me amava me deixou tão feliz que eu poderia morrer, quem diria que cinco anos depois, eu teria que acabar com tudo.

Eu sempre soube que você me amou muito antes de eu te amar, isso me fazia sofrer ainda mais a cada ato que fiz antes da minha partida. Sem forças para continuar, o estado de inercia que um dia pertenceu ao nosso amor, hoje pertencia ao meu corpo, pois a força que me movia era você, mas eu não podia deixar você saber disso, você não merecia isso.

Minha maior dor, foi ter que partir após anos vivendo um amor verdadeiro, um amor que superou muitas coisas. As chances estavam contra nós, duas jovens solitárias, vivendo suas vidas sem proposito, sem forças, inertes em um mundo preto e branco, pressionadas a se casarem, a construir famílias. Todavia, quando nos encontramos, o mundo preto e branco tornou-se colorido e as forças que nos prendiam a vidas solitárias, nos uniram em um inerte amor. Quando deixei você, pensei que estaria preservando esse amor, achei que minha partida era o melhor para você, pois eu não estaria mais em movimento, sei que sempre vimos nosso amor como algo inerte, mas na verdade, ele sempre esteve em movimento, a única coisa inerte agora seria o meu corpo, enterrado em um cemitério qualquer, após uma doença me abater. Preferi te fazer me odiar, do que me ver assim, pois eu te amei demais para te fazer sofrer essa dor comigo, eu precisava que você continuasse em movimento, para que eu pudesse permanecer em inercia. Por isso, continue a viver, por mim, por nosso inerte amor.

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Apreciadores (2)
Comentários (1)
Postado 03/01/21 22:27

A intensidade que transbordou dessa obra é sem igual. Terminei a leitura com lágrimas nos olhos... Suas palavras me emocionaram demais.

Obrigada por compartilhar conosco!

​Parabéns, Mariana ♥

Postado 07/01/21 19:17

Obrigada pelas palavras motivadoras!! <3

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