Garraduende (Em Andamento)
Sabrina Ternura
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Tipo: Roteiro (Longo)
Postado: 09/10/20 02:52
Editado: 16/01/21 12:04
Qtd. de Capítulos: 17
Cap. Postado: 29/12/20 22:35
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 11min a 15min
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Palavras: 1827
[Texto Divulgado] "Seis e Dezesseis." Sobre a culpa inexplicável que eu carrego dentro do peito, culpa por algo que não sei o que possa ser, culpa por existir, culpa por ser assim. Me desculpe, não deu para resistir.
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Garraduende
Sétima Cena (Parte 3) Terna Bondade

SÉTIMA CENA (PARTE 3): INCONSCIENTE DA TERNURA - TEMPO CONGELADO

A jovem Ternura caminha descalça por um imenso e belo jardim. Ela olha ao redor encantada e, conforme anda, flores brotam em baixo de seus pés. Ao ver uma grande árvore no meio do jardim, ela sorriu.

TERNURA (sussurrando): Foi aqui que eu nasci…

VOZ DESCONHECIDA: Sim, foi ali que Diablair a encontrou.

Ternura olha para trás e, ao ver quem era, começou a chorar e correu na direção da mulher que era igual a ela.

TERNURA (chorando): Mamãe...

DEUSA (sorrindo): Você cresceu tanto… Sempre me impressiono como o tempo passa rápido.

TERNURA (bufando): Você sempre diz isso, mas eu não cresci nadinha.

DEUSA (rindo): Não estou falando do seu tamanho, querida. Estou falando do seu coração.

[A pequena Ternura sorri. Ambas passam a caminhar em direção à grande Àrvore das Maldições do Bem e do Mal, localizada no centro do Jardim da Deusa. Tanto a Deusa, quanto a Ternura deixam um rastro de flores conforme andam. Todos os animais do jardim acompanham a mulher e a pequena menina. Chegando na Àrvore, ambas se sentam.]

TERNURA: Por que estou aqui, Mamãe?

DEUSA (suspirando): Você é a mais nova, mas ainda assim é a mais direta, não é mesmo?

TERNURA: Bom, eu nunca fui boa com metáforas.

DEUSA: Algo que não puxou de mim, certamente… Bom, você está aqui para me fazer companhia, enquanto suas irmãs estão tendo batalhas internas.

TERNURA (arqueando a sobrancelha): Algum motivo especial para eu não estar em uma batalha interna, também?

DEUSA: Acredito que a luta que elas estão tendo, você já travou muitos anos atrás… com Diablair, só que de uma maneira diferente…

[Ternura encara o chão, mas seu olhar está vazio e distante. A Deusa se aproxima e coloca a mão nos cabelos ondulados e castanhos da pequena Ternura]

DEUSA: Sei que não foi fácil e que…

TERNURA (sussurrando): Sabe? Você não tem noção nenhuma do que eu passei…

DEUSA: Tenho, pois senti em meu coração todas as suas dores, medos e frustrações. Eu sentiria na pele, mas, como você bem sabe, sou só um espírito agora.

[Ternura permanece calada. Os pássaros cantam nas árvores ao redor e o vento sopra, levando as folhas para longe]

TERNURA: Eu senti você por perto o tempo inteiro, mas ainda assim me senti muito sozinha…

DEUSA: É assim que eu me sinto o tempo inteiro, tanto em relação a você e suas irmãs, quanto em relação aos meus seguidores.

[Ternura arregala os olhos]

DEUSA: Ternura, você simboliza a gentileza da natureza que nos permite viver em seu meio. Você é o instrumento pelo qual o homem descobre o significado da gratidão em existir. Entretanto, justamente por você ser tão boa, você é a mais subjugada. Você se esforçou para ser forte, quando ninguém enxergou força em você. As pessoas insistem em confundir ternura com fragilidade e esquecem de ver que por trás disso existe uma força da natureza imparável. Agora você entende porque sua forma original é a de uma criança? Você é uma garotinha, mas ninguém, nem mesmo suas irmãs, aguentariam o treinamento sombrio que você teve. Não digo isso para menosprezá-las, mas, sim, porque cada uma de vocês é especial de uma maneira diferente. Vocês três possuem forças diferentes...

TERNURA: Agora que a senhora explicou isso, realmente faz sentido… Mas eu não esperava que Tristeza e Tortura pudessem ficar mais fortes. Digo, elas já são tão poderosas...

DEUSA: Bom, não é como se elas fossem aprender um poder misterioso novo, é mais o que elas vão conseguir por meio dessas batalhas internas…

TERNURA: Acho que não estou entendendo, mamãe…

DEUSA: Você se lembra do artefato que ganhou após seu treinamento?

TERNURA: Sim, eu o chamei de Frasco da Bondade. Após meu treinamento, eu o reduzi e transformei-o neste pingente.

[Ternura mostra o pingente com cordão de ouro que sustentava um pequeno frasco com água dentro]

DEUSA (sorrindo): Não, criança, eu o chamei assim. Esse artefato foi oferecido para conter o meu sangue no altar de separação. Foi através dele que você nasceu. A água dentro do frasco foi o meu sangue.

TERNURA (incrédula): O sangue se tornará água e a água gerará vida¹.

DEUSA: Exatamente… Você está começando a se lembrar.

[Ternura coloca as pequenas mãos nos olhos, tentando absorver a enxurrada de lembranças do dia em que a Deusa separou sua alma em três partes.]

DEUSA: Agora você entende o porquê consegue mudar de forma agora?

TERNURA: Sim, realmente... Mas não consigo ficar na minha segunda forma por muito tempo. Apesar do treinamento que tive e dos estudos que fiz, não encontrei uma solução para isso… É como se o tempo passasse e eu nunca crescesse de verdade…

DEUSA (rindo): Uma alma velha em um corpo jovem.

TERNURA (bufando): Olha só quem fala: a Deusa de 3 milênios de idade.

[A Deusa inclina a cabeça para trás e solta uma risada alta. Ternura sorri com a reação da mãe. Após se recompor, a Deusa coloca carinhosamente o dedo indicador no nariz de Ternura]

DEUSA: Minha pequena Ternura, eu amo todas as suas formas, mas já está na hora de você começar a crescer como os outros. Você já é muito forte, mas foi necessário esse tempo de provação para que você entendesse que: não importa o tamanho do seu corpo, se a sua alma é grande.

[A Deusa se levanta e caminha até o lago. Ternura a segue.]

TERNURA: Mas eu não sei como me manter em minha segunda forma permanentemente.

DEUSA: Querida, tem certeza que não sabe? Alguns minutos atrás você havia dito a resposta.

[Ternura permanece calada e com o semblante confuso por algum tempo. Após alguns minutos, ela arregala os olhos]

TERNURA: O sangue se tornará água e a água gerará vida!!!!

[A Deusa sorri para a Ternura, que está desrosqueando o Frasco da Bondade]

TERNURA: Não acredito que a resposta estava, literalmente, embaixo do meu nariz o tempo inteiro.

DEUSA (rindo): Definitivamente você não é boa com metáforas.

[Ternura encara o conteúdo do Frasco da Bondade]

TERNURA: À sua saúde, Mamãe.

[Ternura bebe a água dentro do Frasco da Bondade. Após fazê-lo, ela pisca e encara o próprio corpo, buscando mudanças]

DEUSA (rindo): Você precisa acordar para ver sua última forma.

TERNURA: Então esse é o meu último momento como pequena Ternura…

DEUSA (cobrindo a boca com a mão para abafar a risada): Bom, você ainda vai continuar sendo a mais nova e mais baixa que suas irmãs.

TERNURA: Para uma Deusa de 100 milênios de idade, você tem um senso de humor sem igual, não é?

[A Deusa se aproxima de Ternura e a abraça]

DEUSA: Parece que o nosso tempo juntas terminou… Saiba que eu tenho muito orgulho de você e das suas irmãs. Vocês três são as melhores partes do meu coração.

[Os olhinhos de Ternura ficam marejados]

TERNURA: Eu não quero c-c-c-chorar, porque hoje é meu aniversári-i-i-o de verdade e eu finalmente vou crescer… Ma-a-a-a-s…

[Ternura está aos prantos. A Deusa continua abraçada com ela, enquanto acaricia seus cabelos castanhos]

DEUSA: Está na hora de você voltar para as suas irmãs, minha pequenina Ternura.

TERNURA: Mas eu não quero… Não quero abandonar você… Não quero te deixar sozinha, porque eu te amo tanto…

DEUSA (sorrindo): Como eu me sentiria sozinha, sendo que você e suas irmãs sempre estão em meu coração?

VOZ DE FUNDO: Antes que a pequena Ternura pudesse responder, seus olhos se abriram e duas figuras idênticas a ela estavam encarando-a. Era possível ouvir estrondos do lado de fora, mas Ternura só conseguia ouvir as batidas aceleradas do próprio coração. Tristeza e Tortura sorriam para Ternura.

TERNURA: Irmãs… Tristeza, você está sorrindo!!!!

TRISTEZA (sorrindo): Sim, aprendi muitas coisas em minha batalha.

TORTURA (cruzando os braços): E você andou viajando no tempo para estar com toda essa cara de adulta?

[Ternura se levanta abruptamente e corre na direção do espelho. Ao ver seu novo eu, a garota fica com os olhos marejados. Tristeza e Tortura se aproximam, ambas com o semblante mais maduro, como se os minutos que houvessem passado enquanto estavam desacordadas, tivessem durado anos. Ternura toca o próprio rosto, encantada com sua aparência]

TERNURA: Eu sou tão… tão… tão…

TORTURA (apertando as bochechas de Ternura): Bonita?

TRISTEZA: O tempo lhe foi generoso, minha irmã.

TORTURA: Não tanto quanto foi comigo. Olhem só o tamanho desses peitos!

[Tristeza e Ternura riem, mas um estrondo do lado de fora da sala quebra o encanto do momento]

TRISTEZA: Nossa família está lutando para nos proteger. É o que a chuva do lado de fora me diz.

TERNURA: A chuva?

TORTURA: A sonambula dominou completamente a água.

[Ternura bate palmas, orgulhosa da irmã. Tristeza fica corada. Tortura caminha em direção a garrafa dos 7 Ventos e a segura]

TORTURA: Eis aqui o nosso plano: vamos prender o Duende aqui dentro.

TERNURA: Mas como? Ele não vai entrar aí de boa vontade.

TORTURA (bufando): Sim, é claro. Precisamos lutar contra ele. O que quero dizer é que essa garrafa possui os 7 Ventos de Éolo, quando tirarmos a tampa, esses ventos irão puxar para dentro do recipiente tudo o que estiver na frente. Acredito que tudo em um raio de 1000 quilômetros pode ser sugado.

TERNURA: Mas pessoas inocentes podem acabar morrendo por causa disso.

TRISTEZA: Sim, mas nós temos um plano para não permitir que isso aconteça.

TORTURA: Nós três vamos criar uma barreira. Não foram somente os nossos corpos que cresceram, mas também os nossos espíritos e, automaticamente, os nossos poderes.

TERNURA: Ainda assim, alguém teria que ficar dentro da barreira para abrir a garrafa.

TORTURA: Sim, eu ficarei.

TERNURA (gritando): O QUE?

[Tristeza coloca uma das mãos no ombro de Ternura.]

TRISTEZA: Ela é a única que pode fazer isso.

TERNURA: Mas ela pode morrer, Tristeza!

TORTURA: Assim como posso reviver. É meu trabalho proteger vocês e minha família. Além disso, eu não pretendo morrer.

[Ternura arqueia as sobrancelhas]

TERNURA: E como você pretende se manter presa dentro de uma barreira segurando uma garrafa para prender um duende maluco, enquanto luta com ele?

[Tortura sorri sombriamente.]

TORTURA: Usando um clone.

[Ternura fica boquiaberta. Tristeza ri]

TRISTEZA: Vamos confiar em nossa irmã mais velha, Ternura.

[Ternura coloca uma das mãos na testa, demonstrando preocupação, mas solta um suspiro de rendição. Ela se aproxima de Tortura.]

TERNURA: Se você morrer, eu juro que te mato.

TRISTEZA: Não acho que ela vai morrer nessa altura do campeonato, principalmente agora que ela pode, finalmente, reproduzir e não é somente dos clones que eu estou falando.

[Ternura cora]

TORTURA: Ironia não lhe cai bem, Tristeza.

TERNURA: Já chega! Vamos sair, encontrar aquele duende maligno e salvar a nossa família.

VOZ DE FUNDO: As trigêmeas se viraram no exato momento em que a porta voou para o outro lado da sala. Passando por dentro da nuvem de fumaça da explosão, Rumpelstiltskin ri e caminha para dentro do cômodo. A verdadeira batalha começaria agora.

FIM DA SÉTIMA CENA (PARTE 3)

❖❖❖
Notas de Rodapé

¹ Frase do meu outro roteiro, Gênese, no qual se tem a origem da Trindade do Apocalipse.

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Postado 31/12/20 21:05 Editado 05/01/21 14:53

Pelo ardor de Lúcifer, que capítulo (in)tenso foi esse? Primeiro e novamente, senti todo o peso da responsabilidade que tenho para honrar a narrativa feita pela autora acerca dos eventos envolvendo Ternura quando a mesma tinha seis anos. Depois, veio este incrível encontro entre a infante e sua Divina Mãe, descrito e conduzido com uma beleza e carga emocional ímpares. E por fim, a Trindade do Apocalipse finalmente desperta (em N aspectos) e se reúne para confrontar o vilanesco duende de nome infernal russo!

Assim eu não aguento, quero muito ver o que ocorreu durante a luta da família contra os dez mil, bem como o embate final das irmã contra o maligno e poderoso oponente que as quer destruir!

Mas, calma... Voltemos à nossa querida Ternura por ora. Eu não sei se fico feliz ou entristecido pelo fato dela finalmente ficar crescida, a imagem mental que tenho dela é um tanto indelével agora... Mas, como isso faz parte da progressão da personagem, creio que terei de me conformar com essa nova forma da Ternura (bem como a das demais, oh Hell...).

Eu fico boquiaberto com o grau de profundidade que a autora consegue atingir ao abordar cada uma das irmãs, isso é algo tão prazeroso de se constatar que dá gosto ler cada nova adição feita à obra! Meus mais agraciados e impressionados parabéns por toda essa qualidade narrativa e descritiva (ainda mais levando em conta que é um roteiro), talentosa e imparável soBrina!

Atenciosamente,

um ser que quer MUITO saber como e porquê DIABOS esse duende pensou ser páreo para a Trindade do Apocalipse (e como, em nome do Santíssimo Satã, ele conseguiu entrar no cômodo!), Diablair.

Postado 07/01/21 19:35

A Ternura sempre vai ser a ternurinha kkkk. Aliás, uma curiosidade: um dos poderes da Ternura é poder controlar sua forma. Isto é: ela vai conseguir voltar a ser pequena, mas esse capítulo meio que foi um aniversário para ela e as outras. É que seria muito estranho elas não crescerem depois de tanto tempo.

Fico muito feliz que esteja gostando. No próximo capítulo teremos, sim, os acontecimentos mais esperados dessa obra, mas essa autora só o fará quando um certo alguém atualizar uma certa obra......... COF COF COFFFF!

Obrigada pela presença e comentário, Tio Diab ♥

Postado 13/01/21 01:05

Calma que eu preciso respirar. Acho que esse foi um dos capítulos mais intensos que você já escreveu. O tio Diab realmente fez um ótimo trabalho com a Ternurinha, mas ele bem que poderia ter ensinado as ironias para ela, né?

Se a Imperatriz tivesse um tempinho, certamente ela abriria a porta ou gritaria da janela: Bonito! Muito bonito! A gente se matando aqui e vocês olhando peitos! Saiam do espelho e venham acabar com essa porcaria de duende antes que eu me irrite e saia jogando faca em todo mundo!!

[ou algo assim]

Eu realmente preciso saber o que vai acontecer daqui para frente. Já imagino Tortura tendo filhos... Primeiro presente da Imperatriz vai ser um celular para os afilhados! MALDITOS!

Postado 15/01/21 23:06

Aulas de ironia não estavam no cronograma de machadadas do Diablair KKKKKKKK.

Se esse roteiro tivesse um making off, com certeza essa cena da Imperatriz na janela entraria KKKKKKKKK. Sobre o celular para os afilhados: não vou comentar nada.

Obrigada pela presença e comentário, Flavinha ♥

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