O Que Será de Ti
Diablair
Tipo: Lírico
Postado: 08/02/21 00:06
Editado: 08/02/21 00:08
Gênero(s): Poema Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 2
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Palavras: 342
[Texto Divulgado] "Escrevendo O Rei de Amarelo" Uma professora de Literatura e Escrita Criativa decide trazer para a realidade uma peça fictícia que deixa seus leitores loucos. O que poderia dar errado?
Não recomendado para menores de dez anos
Notas de Cabeçalho

Se deseja ler algo agradável ou afins, melhor cair fora. Volte para seu mundo, pois isto aqui é coisa do meu.

Sem edição (exceto para colocar a maldita capa).

Em caso de erros, bem... Um a mais a essa altura do campeonato não faz diferença, certo? Ignore ele(s) ou o texto todo, tanto faz.

Capítulo Único O Que Será de Ti

O que será de ti agora

Que percebeste quão grande

É a mediocridade

De tua própria existência

E quanto tempo levaste

Para te dar conta do quinhão

De tuas falhas e omissões

E do quanto isso refletiria

Na vida de outrem

Além da tua própria?

O que será de ti agora

Que a ampulheta parece rachada

E a areia agora escoa

Feito a sangria desatada

Em teu mal formado coração

Em franca decomposição?

O que será de ti agora

Com aquela velha ideação

Flertando intensa e convincente

Como um diabólico sussurro

De uma amante excitada

Ao pé de seu ouvido

O tempo todo?

(Falta muito ou pouco?)

O que será de ti agora

Que o mundo lá fora

E o existente dentro de ti

Se tornam um só inferno

E tua alma afunda

Ainda que tenhas ajuda

Pois no fundo sabes

(Bem no fundo... Sabes)

Que toda a culpa

Das fezes, agruras e penúria

É tão e somente tua?

O que será de ti agora

Ciente que tua existência

Simboliza um desperdício colossal

Cujo ponto final

Parece só anteceder

A mais do mesmo

Ou até menos

Porém igual

Ao que foi desde o começo?

O que será de ti agora

Que se avizinha a hora

De ir embora

E talvez ir além

Ou quem sabe aquém

Até que não reste mais nada

Nem ninguém

Aliás, o que sobrou de ti, afinal?

Resta algo?

Digo, que seja válido?

Que valha ser salvo?

Será? Mesmo depois

De tanto tempo

No lixo jogado?

De (se) causar tanto sofrimento

E todas as decepções

A quem nunca mereceu

Da sua parte tais traições

(Incluindo tua própria pessoa)?

Quando será

Que enfim haverá

Algum acerto em toda

Essa história mal contada

No livro sem capa

Que escreveste com a bunda

E em letras garrafais

E quase todas fecais

A tua história de fracassos

O teu conto do vigário

Sem graça, sem resultados

Como estes versos

(Como todo o resto)

Um completo auto escárnio?

Quem sabe sob sete palmos...

Quem sabe?

Quem sabe.

O que será de ti agora?

❖❖❖
Notas de Rodapé

Haha.

Apreciadores (3)
Comentários (2)
Comentário Favorito
Postado 14/02/21 12:46

Muita dor e autodepreciação, deveras...

Contudo é preciso compreender que para todos os fatos da vida há outros lados da história.

Somos responsáveis pela parte que nos cabe, mas o outro é responsável pela parte que lhe toca...

Falamos coisas que por vezes magoam, sim, infelizmente! Todavia do outro lado há a predisposição para compreensão positiva ou negativa e sobre isso, meu caro, não temos poder algum.

De repente foi mesmo uma tormenta numa tampinha de garrafa! Acalma teu coração! Há outros dias, outros tempos, outras histórias... Sobre nós repousa a imagem divina corrompida, isto é fato, somos propensos para o mal e o mal por vezes escolhemos, mas também há coisas boas...

No decorrer da estrada, ao longo do caminho, tocamos e somos tocados, ajudamos e somos ajudados, o problema é que a nossa tendência é focar só nos desacertos!

Se durou dias, meses ou anos é porque havia algo bom, de fato, mas tudo tem seu tempo, prazo de validade e duração e nem tudo, por melhor que seja, é por toda a vida...

Minimizei os erros, maximize os acertos e permita-se viver: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", já dizia o saudoso Fernando Pessoa, e é por aí.

Você viveu, fez o que julgou melhor naquele momento, por um tempo deu certo e depois acabou. A vida é assim e tudo bem. Não somos deuses e não temos o poder e nem a capacidade de controlar tudo...

Espero que você encontre a paz e a esperança de dias melhores...

E desculpe o textão, me empolguei...

Sobre o poema, está perfeito e muito bem escrito, transparece realmente a dor...

Que toda dor vire paz e amor, Diablair! Abraços fraternos!

Postado 14/02/21 16:25

Srta Sonja... Que pessoa gentil e iluminada, que espírito grandioso e acolhedor és... Bem sei, uma vez mais, o porquê da Huldra ser tão abençoada...

Muito obrigado pelo alento de suas palavras; embora as intenções, os fatos e, principalmente, os erros e omissões acerca de tudo isso lhe sejam desconhecidas, ainda assim a senhorita não julgou ou condenou, mas tão somente buscou acalmar e confortar uma alma atormentada pelo fracasso existencial com o bálsamo de suas palavras e dessa luz imensa irradiada pela sua alma e coração mais que acolhedores...

Muitíssimo obrigado, de todo o restante de meu coração. Gratíssimo.. Gratíssimo...

Postado 16/02/21 20:38

Após o comentário da senhorita Monise, creio ser absolutamente impossível comentar algo digno de nota... Mas aqui vou eu...

Imagino o quanto você vai querer me transpassar com uma faca agora, mas tenho que dizer, ocorreu uma identificação total entre mim e esse poema, mesmo eu sabendo que no fundo, infelizmente, o significado dele seja bem outro, exatamente o significado que faz eu mesma querer transpassar uma faca em meu pescoço...

A única coisa que posso tentar dizer é que o livro tem a capa mais linda de todas, e ele foi escrito com a mais bela mão, em uma letra tão bonita, com as histórias da vida, que apesar de todos os pesares, são o que são, e são eternamente bonitas... E você nunca deveria duvidar disso, nem por um único instante, Diablair...

Atensiosamente, uma criatura que não merece perdão,

Meiling...

Postado 16/02/21 21:03 Editado 17/02/21 00:34

Ledo engano em múltimas frentes, Srta Meiling... A maioria esmagadora estes versos com total certeza não correspondem ao que imagino que a senhorita imaginou (Satã, isso pareceu uma interação entre o Kira e o L, wtf) e, portanto seu feedback, embora deveras gentil, está de certo modo incorreto e não me fez/fará desejar tal transpassar em sua pessoa/carne...

Mas, permita-me um singelo, porém imprecindível adendo: embora a maioria esmagadora do livro foi/seja um fracasso feio e desprezível, houve um ou outro trecho/capítulo digno de nota, e um deles foi indescritivelmente belo, muito mais do que o autor jamais imaginaria que pudesse ser concebido daquela forma.

E o autor jamais teria escrito ele sozinho e nem com uma pessoa qualquer, mas somente com uma, dentre todas as demais neste mundo. E, contra todas as possibilidades, ele a encontrou e ambos não só escreveram como também fizeram história. E a isso o autor é imensamente grato, de tudo o que lhe resta de coração.

Ainda que a vida tenha inserido um ponto final (embora o autor veja como reticências) nesta história.

Ademais, muitíssimo obrigado pelo feedback tão cálido e intenso, Srta Meiling (que, achando ou não que não merece perdão, sempre o teve/terá)! Gratíssimo, gratíssimo!