About digital love letters
VM Cavecchia
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 16/02/21 22:35
Editado: 18/02/21 20:08
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 18min a 24min
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Palavras: 2944
[Texto Divulgado] "Escrevendo O Rei de Amarelo" Uma professora de Literatura e Escrita Criativa decide trazer para a realidade uma peça fictícia que deixa seus leitores loucos. O que poderia dar errado?
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

Meu primeiro conto original, espero que seja o inicio de muitos.

P.S.: conto escrito ao som de we fall in love in october da Marie Ulven,sintam-se a vontade para ouvir durante a leitura.

Capítulo Único About digital love letters

O tique-taque do relógio acima da porta parecia mais alto do que de costume, como se me acusasse de ousar permanecer acordada após a meia noite. Aumentei o volume dos fones, tentando com sucesso abafá-lo, enquanto continuava mexendo meu chocolate-quente para engrossar — sabia que se ousasse fazer café a essa altura da madrugada, minha mãe daria um jeito de vir até aqui só para me bater com a garrafa térmica.

Sair de casa era a coisa que eu mais desejava, menos em momentos como aquele quando a solidão me cercava e tudo parecia mais intenso no silêncio. Sinceramente daria qualquer coisa para ter alguém com quem dividir minhas madrugadas melancólicas, onde minha única companheira era a insônia.

Talvez todo esse clima pesado de isolamento social estivesse piorando minha carência sazonal.

A voz doce de Marie Ulven me tirou da sombra da auto-piedade, apenas para me jogar num nível abaixo do fundo do poço ao tempo em que cantava sobre se apaixonar em outubro. Ri de mim mesma, sentindo minha atenção se voltando para o aparelho celular dentro do bolso do meu moletom esfarrapado e um leve comichão em minhas mãos tornava tentador ignorar a bebida fervente no fogão, apenas para abrir aquela maldita conversa.

Esse era o meu problema com músicas sobre o amor, elas costumavam me levar sempre ao mesmo ponto ultimamente.

Suspirando pela enésima vez, despejei o conteúdo fervente na minha caneca favorita no formato do rosto de Jack, o rei do horror e como a cozinha me parecia abafada demais, o que certamente fazia sentido já que o apartamento todo se assemelhava a uma lata de sardinha pomposa, me direcionei até a varanda. Pelo menos a vista fazia morar nesse cubículo valer a pena. E mesmo que Londrina não tivesse o clima mais limpo de uma cidade medianamente grande, ainda era possível ver alguns pontilhados reluzentes entre as nuvens espessas de poluição.

We fell in love in October and that’s why I love fall… — Minha voz não era tão melódica quanto a de Marie, afinal meu tom era um desarmonioso mezzo soprano mal trabalhado que depois de tanto café fazia parecer com que minhas cordas vocais clamassem socorro todas as santas vezes que ousava cantar. — Looking at the staaar, admiring from afaaaar! — Momentos como esse me fazem desejar um cigarro, ainda que todo meu contato com tabaco tivesse sido estabelecido por tabela.

Pesquei meu celular e cedi aos impulsos de me afogar em paranoias, pois nosso último contato fora a duas semanas atrás e minha pessoa já havia se acabado em teorizar que o motivo da demora de receber algo era culpa da última mensagem que havia mandado.

Eu havia respondido uma das suas últimas fotos postadas, onde só aparecia sua mão esticada para o céu numa composição quase inteiramente em preto e branco, tirando apenas o pequeno fio vermelho que pendida em seu pulso, amarrado no seu dedo mindinho. A legenda dizia “Oh baby, where are u?”. Minha mensagem fora uma imagem semelhante, díspar no fato de que eu desistira de achar um barbante que combinasse com o dela, então apenas pintei um com tinta acrílica. A legenda era um retorno direto a sua, onde se lia “just waiting 4 u”.

— Pelo amor de Lilith, onde foi que eu me meti? — Indaguei em voz alta sem destinatário aparente, mas que pelo visto acertou em cheio um serzinho intrometido, guardião do resto da minha baixa sanidade. Plutão era um gatinho vira lata que insistia em aparecer na minha varanda desde o dia em que me mudei, talvez instigado pelo carinho que eu sempre dirigia a ele ou as inúmeras latas de atum das quais o presenteei. Numa tarde, antes do crepúsculo poente, o bichinho se achou no direito de invadir meus domínios, pegando-o para si sem qualquer contrariedade da minha parte.

Duas almas abandonadas num mundo grande demais, nós só meio que combinamos desde o primeiro contato.

— Bem-vindo ao mundo dos vivos! — Brinquei ao sentar no parapeito, usando a tela de segurança como apoio para as costas. E por favor, fiquem tranquilos que aquilo era seguro - não totalmente - mas nunca houve o menor sinal que o arame trançado cederia sob meu peso. E como se o tivesse convidado, ele pulou no meu colo em busca de atenção e carinho, mas se deixou logo distrair com os vapores espiralados que exalavam da caneca em minhas mãos. — Não é pra você, se quer saber… — Adverti, tomando um gole da mistura abundantemente doce e refletindo no quanto teria sido melhor ter usado dois frades ao invés de toddy.

Como se reler nossas mensagens não fosse o suficiente, decidi stalkear um pouco do seu perfil também, me sentindo extremamente admirada a cada uma das obras que se apresentava diante de mim novamente. Era incrível como eu conseguia enxergar pequenas parcelas do mundo através dos seus olhos, pois ela era capaz de fazer mágica usando apenas uma câmera e momentos propícios de paisagens contra o sol.

Continuei nisso até chegar ao meu trabalho favorito, uma imagem em que ela aparecia atrás de um ramalhete de girassóis, deixando apenas visível uma moita de cabelos aparentemente castanho claro em forma de cachos volumosos. Seguindo o padrão da foto com o fio vermelho, nesta imagem tudo era preto e branco, tirando as pétalas das flores solares. Esse foi o motivo pelo qual passei a chamá-la de Srta. Flor do Sol, quando ganhamos mais intimidade e cuja alcunha ela se apropriou para o seu próprio perfil — também porque ela achou que seria mais interessante se não tivéssemos conhecimento dos nomes verdadeiros uma da outra.

[09/09/2019, 22:47h] Eu: Hey, tudo bem?

[09/09/2019, 22:47h] Eu: Desculpe chegar dessa maneira…

[09/09/2019, 22:47h] Eu: Mas eu queria saber se poderia fazer uma fanart da sua última foto com os girassóis

[09/09/2019, 22:47h] Eu: Vai ser em aquarela e eu vou te dar todos os devidos créditos pelo trabalho

Foram as mensagens que mandei.

Não era exagero ao dizer que já era uma grande fã do seu trabalho antes, então ao obter uma resposta incrivelmente simpática e doce ficou claro que aquele era apenas início da nossa relação. Após ganhar seu follow, algumas curtidas trocadas evoluíram para discussões amigáveis sobre meu particular gosto por livros, quando postei nos stories uma foto da minha estante recém montada e arrumada. Foi assim que descobri que tínhamos gostos bem semelhantes, desde o literário como Poe, Stephen King, Zafón e Agatha Christie até o musical com Bach, Gorillaz, Frank Sinatra e Twenty One Pilots.

Da nossa amizade um sentimento até então desconhecido começou a tomar conta de mim, que outrora era totalmente desinteressada sobre qualquer tema amoroso, mas que agora dependia em grande parte da sua atenção. Se isso era saudável, eu sinceramente não sei. Mas, ao mesmo tempo em que me fazia querer arrancar meus cabelos tingidos de lilás fio por fio, também me fazia querer observar a lua todas as noites e segredar-lhe poesias melodramáticas sobre as maravilhas de amar.

Pelo amor da Deusa, isso soa clichê, não? Bem, as vezes a gente tem que se expor ao ridículo.

— O que eu faço, Plutão? Vamos lá, compartilhe um pouco da sua imensurável sabedoria comigo! — Zombei, alisando seu pelo negro e encarando as burcas esmeraldinas que ele trazia no olhar. Não vem ao caso, porém quando o adotei fiquei tentada a chamá-lo de Salém, entretanto o universo de Poe já havia me capturado muito antes que o de Sabrina pudesse me enfeitiçar. Ele miou de forma sapiente, ronronando quando cocei atrás de sua orelha direita, onde claramente residia seu ponto fraco. — Talvez eu só deva esquecer tudo e-

Como se fosse roteirizado por algum escritor de romance teen, a vibração do celular que ainda se encontrava em minhas mãos puxou para si toda a atenção, me rendendo um começo de taquicardia quando entendi sobre o que se tratava.

[29/05/20, 01:39h] Srta. Sunflower: Hey, dama da noite…

[29/05/20, 01:39h] Srta. Sunflower: Ainda acordada?

Dama da noite…

Não importa quantas vezes ela me importunava com esse apelido - ao qual fui presenteada poucos dias após dar-lhe o seu - ele ainda era capaz de provocar arrepios fugazes em toda minha coluna. Nas suas palavras, ela gostava de me comparar com a planta noturna pela nossa peculiaridade de “funcionar bem” durante a noite. Apenas sob o brilho do firmamento vocês ousam florescer, soa meio místico na verdade, era sua explicação.

[29/05/20, 01:40h] Srta. Sunflower: Desculpa a demora para responder…

[29/05/20, 01:40h] Srta. Sunflower: Faculdade, família e mudança estão cobrando seu preço.

[29/05/20, 01:40h] Srta. Sunflower: Mas eu vim me redimir com uma pequena surpresa e homenagem.

[29/05/20, 01:41h] Srta. Sunflower: {imagem}

Quase deixei o aparelho cair quando abri o arquivo, pois em minha frente a menina apareceu segurando uma pequena lâmpada projetor planetária como se tivesse uma galáxia inteira nas palmas das mãos. Seu cabelo caia em frente ao rosto, preservando seu anonimato e me trazendo um calor confortável ao peito. Minhas mãos comicharam novamente em expectativa de algum dia poder oferecer-lhe um cafuné.

[29/05/20, 01:42h] Srta. Sunflower: Quero saber sua opinião antes de eu postar…

[29/05/20, 01:42h] Srta. Sunflower: ‘kay?

[29/05/20, 01:43h] Eu: Uau…

[29/05/20, 01:43h] Eu: Se me der licença, acho que eu acabei de ter uma epifania de criatividade

[29/05/20, 01:43h] Eu: Sou incapaz de descrever o quão perfeito está! Você não cansa de me surpreender?

[29/05/20, 01:43h] Eu: Eu preciso pintar isso… Se importa?

Pulei para o chão numa certa pressa com uma ideia martelando em mente. Porém ao entrar, depositei Plutão com toda delicadeza sobre o sofá amarelo canário que havia comprado numa venda de móveis usados. Sem mentira ou exagero: era horroroso e eu o odiava com vigor, mas deitar nele era como jogar seu corpo contra uma nuvem de tão macio. E isso era o único detalhe que me impedia de atear-lhe fogo.

Joguei meus fones de ouvido para o bichano brincar, conhecia aquele gato bem o suficiente para saber que ele se tornaria extremamente manhoso ao mínimo sinal de eu estar ocupada.

[29/05/20, 01:44h] Srta. Sunflower: Assim você me deixa mal acostumada…

[29/05/20, 01:44h] Srta. Sunflower: Vou ficar esperando um desenho a cada foto que posto :’)

[29/05/20, 01:44h] Eu: Eu prefiro te acostumar mal de outro jeito, na verdade…

[29/05/20, 01:44h] Eu: Se é que me entende…

Um sorriso se precipitou, cortando meu rosto sem ser chamado. Era esse o seu poder agindo sobre mim sem o menor esforço da sua parte.

[29/05/20, 01:44h] Srta. Sunflower: E de que jeito é esse, em?

[29/05/20, 01:45h] Srta. Sunflower: ( ͡° ͜ʖ ͡°)

[29/05/20, 01:45h] Eu: Beeeem, você sabe…

[29/05/20, 01:45h] Eu: Pensei em café na cama, enquanto maratonamos Sherlock e tomamos aquela água suja com ervas secas que você gosta…

[29/05/20, 01:45h] Srta. Sunflower: Quebra de expectativa

[29/05/20, 01:45h] Srta. Sunflower: Você me desconfigurou hahaha

[29/05/20, 01:45h] Srta. Sunflower: Fiquei tentada a aceitar ATÉ você falar mal do meu chá

[29/05/20, 01:46h] Eu: Ah! Então é disso que você chama aquela tipo de bebida intragável?

Rindo, eu mal me lembrava da solidão que outrora me preencheu.

Adentrei meu quarto a passos rápidos, indo direto em direção a gaveta onde guardava meus cadernos de rascunho, apanhando um do tamanho A3. Não tinha espaço para ter uma escrivaninha ou qualquer mesa no espaço dominado e dividido pela minha cama e cômoda, então o único lugar que eu usava para desenhar era o balcão da cozinha.

[29/05/20, 01:46h] Srta. Sunflower: Pois olha o block como vem!

[29/05/20, 01:48h] Eu: Sejamos sinceras, você não vive sem mim :)

[29/05/20, 01:48h] Srta. Sunflower: Me abstenho de comentários

[29/05/20, 01:48h] Srta. Sunflower: Mas mudando de assunto…

[29/05/20, 01:48h] Srta. Sunflower: Estou escrevendo um novo artigo para a faculdade

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Minha orientadora está com expectativa de publicá-lo numa revista estudantil e no site da própria faculdade :P

[29/05/20, 01:48h] Eu: Ah eles crescem tão rápido :’)

[29/05/20, 01:48h] Eu: Me sinto uma mãe orgulhosa

[29/05/20, 01:48h] Eu: será sobre o que?

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Loooonga história

[29/05/20, 01:48h] Eu: Esse é seu dia de sorte, pois tenho a madrugada toda só a seu dispor

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Mas que cavalheira

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Nesse caso, vou preparar um delicioso chá e volto em 6 minutos

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Na verdade, 10 minutos

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: Acabei de notar que vou ter que colher as ervas no jardim

[29/05/20, 01:48h] Eu: “Delicioso” hahahah

[29/05/20, 01:48h] Eu: Você sempre tem as melhores piadas

[29/05/20, 01:49h] Srta. Sunflower: >:|

Uma curiosidade engraçada sobre ela, aparentemente Srta. Flor do Sol tinha uma politica rígida de nunca dirigir qualquer linguagem chula para mim. Acho que o motivo era um leve complexo de ser mais velha que eu, tipo ser o mal exemplo. Então emojis bravinhos eram seu escape para não me mandar tomar bem no olho do meu cu. Pobrezinha, mal sabia ela que eu conseguia muito bem ser a caralha do meu próprio fodendo mal exemplo.

Andei despreocupadamente para recuperar meu chocolate-não-mais-tão-quente da varanda, sendo surpreendida quando em seu lugar achei uma gororoba grossa que poderia ser confundida com um pudim de chocolate de micro-ondas mal feito.

— Pois é... Sinto muito mãe, mas a vida me obrigou a recorrer ao café… — Murmurei para mim mesma ao chegar na cozinha, largando o caderno no balcão, jogando a nojenta meleca doce na pia e colocando água para ferver.

E enquanto esperava, abri novamente a imagem que ela havia me mandado mais cedo, pois já tinha um protótipo de ideia.

Agarrei o caderno, puxando um desconfortável banquinho de plástico de bar para sentar — não tenho ideia de onde exatamente o havia arrumado, só sabia que se eu comprasse uma mesa e cadeiras de verdade teria de escolher quem iria para fora: pia, fogão ou geladeira. Jogando meu celular ali ao lado, esperei por seu sinal para voltarmos a papear.

Concentrei-me na folha em branco, deixando minha mão correr ao ditar da ideia que praticamente me atropelara minutos mais cedo. Havia pensando em algo para mudar o padrão dos desenhos que eu fazia dela, por exemplo: a minha relação com as cores é recheada de significados e especificações, onde cada pessoa na minha visão tem uma palheta própria. Obviamente, a dela variava em tons quentes de amarelos e marrons terrosos. E por isso sempre pensei que tentar representá-la usando de tons álgidos seria praticamente blasfêmia. Porém, entretanto e todavia, desta vez eu não a estaria limitando as mesmas cores, mas misturando-as harmoniosamente com a minha própria palheta pessoal de tons frios que iam desde o azul e roxo até aos cinzas.

Em resumo da ópera, minha musa honraria sua alcunha ao referenciar Amaterasu e seu indescritível esplendor ao mesmo tempo em que trajaria o manto e a misticidade de Nyx.

[29/05/20, 02h] Srta. Sunflower: Voltei!

[29/05/20, 02h] Srta. Sunflower: Tá acordada ainda?

[29/05/20,02h] Eu: 1 minuto

[29/05/20, 02:01h] Eu: Tô passando um café

Digitei, pulando do banquinho ao notar que a água já atingira o ponto de ebulição. Com agilidade, lavei minha caneca favorita enquanto o café era passado, não tardando a enchê-lo com o conteúdo agora adoçado na medida exata.

[29/05/20,02:03h] Srta. Sunflower: Café a essa hora?

[29/05/20, 02:03h] Srta. Sunflower: Isso sim não vai te deixar dormir

[29/05/20, 02:03h] Eu: o café não precisa interferir

[29/05/20, 02:03h] Eu: eu já faço isso muito bem sozinha :P

[29/05/20, 02:04h] Eu: Mas voltando ao assunto, sobre o mesmo que era o artigo?

[29/05/20,02:04h] Srta. Sunflower: Ah sobre isso…

[29/05/20,02:04h] Srta. Sunflower: Será que eu posso te ligar?

[29/05/20,02:04h] Srta. Sunflower: Vai ser melhor conversar assim

Gosto de acreditar que o aumento significativo das pulsações do meu miocárdio foram culpa de um possível e futuro infarto e não do nervoso que eu senti por aquela simples pergunta. Quer dizer, eu estava claramente ignorando a bomba de adrenalina que havia sido solta em meu sistema e não, aquilo escorrendo pela minha coluna não eram gotas de suor. Essa garota não cansa nunca de tentar me fazer entrar em colapso?

[29/05/20, 02:04h] Eu: Tipo… Ligação em vídeo?

[29/05/20,02:05h] Srta. Sunflower: SIM!

[29/05/20,02:05h] Srta. Sunflower: Tem um filtro que eu gostaria de te mostrar hahah

Oh, minha santa Lilith!

Eu sei que parece uma cena totalmente desnecessária da minha parte, mas tente ver pelo meu ponto: nós NUNCA nos aventuramos a nem um tipo de conversa fora das mensagens de texto e isso sempre foi confortável para mim, afinal tinha um tempo convenientemente bom para poder pensar bem em como eu a responderia e as chances de gaguejar e me perder no raciocínio eram quase nulas. Em resumo da ópera, eu tinha poucas chances de me envergonhar assim.

[29/05/20,02:06h] Srta. Sunflower: Vou presumir que você desmaiou

[29/05/20,02:06h] Srta. Sunflower: Então como uma boa amiga estou ligando pra checar

Quando os ícones de atender e desligar apareceram na minha frente, minha alma já havia transcendido para outro plano espiritual, sobrando só meu corpo no piloto automático para aceitar a chamada. Mirando a câmera para o teto, todo o meu nervosismo deu lugar a uma crise de risos quando sua imagem chegou até mim. O filtro que ela queria usar em questão deixava seus olhos em tom de mel e boca amplificados ao ponto de esconder seus demais traços, além de ter ao redor do seu rosto totalmente adornado por pétalas de girassol com uma moita de cachos castanho-avermelhados escapando aqui e ali de fundo.

— Eai! — Ela puxou os i’s por um tempinho, o que acentuava o timbre da sua voz virtualmente modificado pelo filtro. Parecia muito que ela havia sugado um balão inteiro de gás hélio e eu não pude deixar de rir novamente, com um único pensamento em mente…

…Pela minha Deusa, eu com toda certeza amava essa garota.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Bem, é isso.

Espero que tenham gostado :)

Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 17/02/21 08:35 Editado 17/02/21 08:36

Confesso: só pelo fato de ser um(a) conhecedor(a)/apreciador(a) da Deusa, tens meu respeito e admiração, Sr(ta) Cavecchia! Seja muito bem vindo(a) a este antro maldito, espero sinceramente que consiga encontrar tudo o que busca neste lugar peculiar e possa se entreter e inspirar com o vasto acervo aqui existente da mesma forma que sua maravilhosa obra fez comigo!

Satã, ler este texto foi como uma facada lenta e dolorosa em meu peito, mas ao mesmo tempo um afago gentil e caloroso no músculo ferido e decomposto que ali bate e se debate...

(Tantas lembranças...)

Sua estreia no site se deu de um modo tão espetacular que honestamente me faltam palavras para descrever o quanto sua obra me deixou fascinado. Por Lúcifer, me identifiquei tanto com a protagonista e a situação que não pude deixar de sorrir (e também me entristecer) conforme a história seguia. Tudo foi narrado e descrito com tamanho detalhamento e sentimento que a leitura seguiu fluida, agradabilíssima e envolvendo minha mente e alma com deslumbramento e admiração!

Seu estilo narrativo é tão belo quanto inspirador e sua atenção/cuidado com os pequenos detalhes só fez enriquecer e agigantar esta obra incrível aos meus fascinados (e sutilmente entristecidos também) olhos, me foi impossível não compartilhar as emoções da protagonista...

Eu humilde e grandemente lhe parabenizo pela criação de um conto tão rico e tão deleitável, uma verdadeira aula sobre escrita e vivência afetiva que em muito me instigou, tanto para sorrir como para suspirar de um modo melancólico...

Muito obrigado por compartilhar conosco uma obra desta magnitude, Sr(ta) Cavecchia!

Atenciosamente,

um ser que também admira o céu e a ponte de estrelas de lá sempre estará, Diablair.