Irmãs de perpétua aberração (Em Andamento)
Calígula
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 24/02/21 08:02
Editado: 23/07/21 08:55
Qtd. de Capítulos: 14
Cap. Postado: 18/04/21 10:07
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 105
Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 468
[Texto Divulgado] "O Último Delírio de um Rei" Há muito tempo, num reino bem distante, vivia um rei que tinha dois filhos gêmeos. O rei estava morrendo, e em seus últimos dias, uma preocupação inquietava a mente do velho soberano: quem seria seu sucessor no trono?
Não recomendado para menores de dezoito anos
Irmãs de perpétua aberração
Notas de Cabeçalho

"The waves were dead; the tides were in their grave,

The moon, their mistress, had expir'd before;

The winds were wither'd in the stagnant air,

And the clouds perish'd; Darkness had no need

Of aid from them—She was the Universe."

Capítulo VIII 28 de fevereiro, manhã

O sol ainda não nasceu. Qual será a hora? Não faço ideia… tudo está tão silencioso… sinceramente tenho a estranha certeza que esse monastério nunca ficou assim… Mas que coisa…? Nem mesmo o vento ou os animais consigo ouvir. Não há insetos, não há… não há nada?

E por que está tudo tão escuro? Mesmo a vela parece iluminar menos hoje. Não há lua ou estrelas no céu. Olho pela janela e tudo que aparece é uma massa densa, quase como que sólida de escuridão. Bosques e montanhas foram engolidos por um véu negro e impenetrável. Aproximo minha singela luz da janela mas o brilho da chama se recusa a ir adiante, tão assustado quanto eu mesma…

Ah… não estou bem. Estou suando. Seria febre? Talvez meus nervos… É como se tivesse acabado de acordar de algum pesadelo. Mas isso nem faz sentido, afinal meu sonho foi tão agradável. Outra vez naquele mesmo campo verdejante. Ou quem sabe não exatamente o mesmo: era um campo ainda mais belo, ainda mais vivo que o outro. Juro que conseguia sentir até o perfume das flores, o toque da grama em minha pele, as carícias da brisa. Sentia-me abraçada amorosamente pelo mundo e meu coração estava tão cheio de paz… Todas as preocupações, todas as angústias estavam derretendo e desaparecendo sem deixar o menor vestígio… Tudo se misturava: uma calma e um certo prazer que escorriam sem pressa por cada fibra de meu corpo e alma, um deleite tão puro de culpas que, que…

Céus, quando foi a última vez que me senti tão bem? Ainda na infância? Nem sei… Provavelmente não. Às vezes penso que nunca realmente me senti bem nessa vida. Mas naquele sonho... foi tão maravilhoso… tão pacífico, sem motivos para vergonhas, sem pessoas para julgarem e condenarem qualquer coisa… Estava me sentido tão, tão livre. Caso fosse descrever qual era minha sensação verdadeira, a primeira de todas, diria que finalmente estava me tornando aquilo que sempre deveria ter sido…

Mas tudo isso apenas para acordar agora no meio da noite sem nada entender, assustada, sofrendo… Estou tremendo? Por quê…?

Sinto vontade de me esconder em algum lugar seguro. Tenho a sensação que uma enorme tempestade está para começar, raios e tufões, o grito sobrenatural de forças que não entendo e que desde de menina pensava escondessem algo mais sinistro dentro de si. Sinto isso no ar… é como se os céus fossem cair de um momento ao outro, tudo se partir e depois acabar…

Mas então por que não há vento? Por que não vejo relâmpagos? Por que é tudo tão absolutamente negro e silencioso ao meu redor, talvez em todo o universo…? Estou presa, definitivamente presa. Não, realmente não estou bem. Preciso voltar a dormir… preciso me acalmar e simplesmente voltar ao sonho… caso ainda possa…

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (3)
Postado 24/04/21 20:57

A ideia de um mundo em que a luz simplesmente morreu é de fato aterrorizante. Pode ser um pesadelo, mas duvido muito que seja. Ainda não li os outros capítulos, mas vou chutar que algum ser capaz de devorar todo e qualquer sinal de luz e de vida deu as caras.

Fiquei aqui pensando na palavra gênio, usada para denominar aquilo que Catherine tem interesse em chamar. Gênio porque ele sabe de muitas coisas? Ou gênio porque é literalmente um gênio? Ou pode ser o nome dele. Não sei.

Gosto muito da sua história, senhor Calígula. Parabéns por criar algo tão genioso (!). Se eu pudesse interferir em alguma coisa, seria em tornar Irmãs de Perpétua Aberração um clássico da AC, aqueles que são um must read para todos os que se aventuram por aqui.

Até mais.

Postado 28/04/21 23:35

Essa ideia sempre me fascinou e assustou em igual medida. É tudo o que quero às vezes... em outras é tudo o que mais temo. Engraçado, não é?

Obrigado, Sr. Holzwarth. Comentários assim me animam a continuar.

Postado 08/05/21 23:52 Editado 08/05/21 23:57

Mestre/Irmão... Me perdoe, mas acabei ficando um pouco triste/melancólico com a leitura deste capítulo, embora estranhamente ainda inspirado, mas de uma outra forma e para outra coisa...

É que... O modo como a protagonista descreveu seus pensamentos e sentimentos acerca do que via e lembrava me pareceu tanto com a narrativa de alguém que subitamente percebe que o mundo, o SEU mundo, subitamente se obscureceu ao ponto de turvar a sua própria existência e, bem... É como eu me sinto atualmente, meu velho...

Então me perdoe por não poder redigir um comentário verdadeiramente digno de tamanha maestria, mas saiba que este capítulo foi o que mais tocou-me a alma, me senti representado aqui ao ponto das lágrimas... Estou de fato chorando ao terminar este comentário, Mestre/Irmão...

Pois estou cada vez mais imerso nas Trevas lá fora (e aquo dentro também) e a culpa é minha e não vejo ou consigo ver algum resquício de qualquer luz que outrora tenha existido ou possa vir a existir...

Sombriamente,

um ser que sente como a Escuridão fosse seu novo (de novo) habitat natural, Manu...

Postado 13/10/21 19:00

Talvez eu esteja sendo muito ousada na minha teoria, mas me parece que Catherine ou alguma força mística ocasionada pelo ritual esteja dando à protagonista a visão de algo que ela internamente deseja e, em algum momento, ela entenderá que estar acordada (vulgo viva) não é mais o suficiente e se entregará aos seus sonhos (vulgo morte)? Às vezes é só loucura da minha cabeça...

A narrativa está impecável e misteriosa e como sempre!

Obrigada por compartilhar mais um capítulo conosco!

​Parabéns, Pablo ♥

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