Fragmentos Amarelados de um Amor Extinto
Carol
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 24/06/21 19:46
Editado: 25/06/21 20:23
Gênero(s): Drama Romântico
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 6
Comentários: 3
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Palavras: 669
Este texto foi escrito para o concurso "Amor à Moda Antiga" Escreva uma carta que fale sobre amor, seja romântica ou não. Ela deve ser endereçada a alguém (real ou imaginário) e você pode falar sobre que quiser nesta carta desde que seja sobre amor! Ver mais sobre o concurso!
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

boa noite, senhores.

essa foi o texto mais rápido que escrevi em todo esse ano e fico feliz de, no meio da loucura de artigos e trabalho, ter conseguido escrever para esse concurso cheirosinhu, com algo obviamente baseado na minha vida porque sou dessas.

boa leitura!

Capítulo Único Fragmentos Amarelados de um Amor Extinto

É estranho pensar sobre você ou lhe escrever, porque eu já não te amo mais. Mas eu te amei, amei mais do que era possível para um ser humano entender ou descrever. Não sei se essa memória ainda existe em sua mente: era um dia muito frio de agosto quando nos conhecemos — no sentido literal e no figurado também. Éramos desconhecidas que por ordem do destino se tornaram conhecidas, depois amigas, melhores amigas, então a paixão enlouquecedora uma da outra, aí melhores amigas de novo, amigas, conhecidas, para então nos tornarmos o que somos hoje: quase desconhecidas.

No início, eu sabia que havia perigo, mas o sentimento de euforia, talvez até de adrenalina correndo pelo corpo, me dizia que podíamos ser algo bom. E nós fomos mais do que algo “bom”, fomos estupendas e horríveis em muito pouco tempo. Às vezes tenho a impressão que os últimos cinco anos foram uma invenção da minha mente conturbada e isso realmente dói, mas não me arrependo de nenhum segundo que passamos juntas; mesmo aqueles que me fizeram querer me rasgar ao meio.

Eu era jovem, com muitos sonhos e problemas dentro da mesma cabeça: mortes, doenças, faculdade, trabalho, poemas mal escritos, sentimentos intensos, tristeza sufocante, picos de felicidade e um monte de confusão. E você não se importava com isso; pela primeira vez eu havia encontrado alguém que, na minha cabeça, entendia e aceitava quem eu era — ainda que alguns momentos fosse sufocante me ter.

As brincadeiras em forma de cantadas se transformaram em um sentimento estranho, o coração palpitando como se fosse sair pela boca cada vez que pensava no som da sua voz. Me lembro de ter um melhor amigo na época que me viu chorando horrores por você — sim, loucura, já que eu estou terminando a faculdade —, e quando eu contei, a única coisa que ele conseguiu me dizer é “ela tem sorte por te ter”; o que eu ainda não entendia na época era que eu mesma é que não compreendi a sorte que era me ter.

Não foi um amor quieto, nem perto disso. Foi alucinante, quente e extremamente perturbado. Idas e vindas, travesseiros no amanhecer encharcados de lágrimas, pedidos de desculpas e raiva logo em seguida, vidros quebrados pelo chão, fúria gritada aos quatro ventos; mas, ao mesmo tempo, um companheirismo indescritível, um desejo gigante pela felicidade de outra pessoa. Fomos o que minha mãe chamava de “amor épico”, se nunca mais me apaixonar, pelo menos tive um para contar a alguém quando for velha.

O fim foi como se alguém mutilasse meu corpo inteiro. Meses de tentativas falhas em ter o que éramos no início, até entender que o que eu precisava realmente fazer era te deixar ir. E quando fiz, doeu, noites desejando que o teto desabasse sobre a minha cabeça, um sentimento desesperador de não saber mais como viver. Mas quer saber? Eu estou aqui. Entendi que a felicidade não são picos como tinha com você, encontrei o que eu tanto procurei dentro de mim mesma; e, olha só que ironia, mesmo com a mesma confusão de problemas e sonhos, posso encher a boca para dizer que eu finalmente aprendi me amar e que sou feliz, sem depender de ninguém.

Às vezes isso me assusta, na real. Foi um processo tão meu e tão diferente de tudo o que eu havia vivido que parece loucura, mas eu não dependo mais de conversar com você pra me sentir bem, ou de me apegar a memórias passadas; sendo sincera, eu já nem penso mais em você, como provavelmente você também não pensa mais em mim.

Ainda assim, eu queria dizer que amei o nosso amor, amei a tua presença enquanto a tive e amo o que a tua partida me ensinou: antes de amar qualquer um, eu preciso me amar como se não houvesse um amanhã ou outro alguém. E também desejo o mesmo que há anos atrás: que apesar das dores, você também encontre a felicidade.

Adeus, querida.

Com carinho, seu amor extinto.

❖❖❖
Notas de Rodapé

como diria minha tia, "os finais não são tão ruins quanto parecem a primeira vista, é só a gente que enxerga torto".

desejo realmente esse sentimento de superação pra todo mundo <3

Apreciadores (6)
Comentários (3)
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Postado 24/06/21 20:39 Editado 25/06/21 03:10

Srta Carol, não me seria possível tecer um comentário minimamente digno da verdadeira avalanche de pensamentos e, sobretudo, de sentimentos que irrompeu de/em mim desde o início até o final desta maravilhosa, intensa e mais que grata leitura...

Ao mesmo tempo, eu igualmente poderia (e, confesso, desejei profundamente em um primeiro momento) deixar um feedback imenso só tentando expressar o quanto cada parágrafo me impactou. Mas, isso também me soou inoportuno e, igualmente, aquém do que a senhorita merecia "ouvir" de mim por compartilhar uma mensagem tão bonita e tão cheia de significado (especialmente para mim).

Então, com humildes desculpas, deixo tão somente os meus mais profundos agradecimentos e congratulações por narrar algo tão fantástico com tamanha maestria, intensidade e riqueza emocional, pois testemunhar a jornada memorável deste amor épico me foi um verdadeiro e inegável deleite!

Desejo de coração toda a boa sorte no concurso para a senhorita e, aproveitando o ensejo (caso eu não tenha dito antes), seja muito bem vinda à Academia de Contos!

Respeitosamente,

um ser torto, Diablair.

Postado 25/06/21 20:28

Caramba, eu definitivamente não esperava um comentário desse, muito menos da vossa querida pessoa! Na verdade, estou retornando para a Academia aos poucos, depois de longos cinco anos de hiatus da plataforma, e fico muito feliz que você tenha lido meu simples texto, com palavras tão triviais.

Fico feliz que tenha lhe tocado com meu texto, espero te ver sempre por aqui. Obrigada, de coração.

Postado 05/07/21 23:56

Querida Carol,

Amores selvagens são difíceis de viver e de esquecer, te dão toda a energia e vitalidade que você nunca pensou que seu corpo fosse capaz de suportar, e quando se acabam... Suas energias se vão junto, mas calma, nem tudo está perdido, as forças se renovam, o coração uma hora para de doer, o canto dos pássaros deixa de ser ardido e o dia, tem cheiro de novidade.

Uma hora, isso cicatriza, as lembranças não serão doloridas e a pessoa consequentemente pode abrir seu coração a novas experiências, novos amores e novos poemas!

Senti falta de um destinatário no seu texto, mas sua escrita com certeza é impecável, ortografia praticamente perfeita e invejável! Parabéns por esta linda obra, triste, real, vinda de dentro das entranhas de mulheres que se amam, fiquei curiosa para saber qual é a visão da outra... O que ela pensa sobre tudo isso, e o que sente... Em um mundo ideal, esta obra tem uma continuação das boas! Hehehe

Muito obrigada por participar de meu humilde concurso, sua obra é cheia de graça!

Com carinho,

Uma sobrevivente de um amor tempestuoso, que encontrou um mar calmo e nem precisou remar tanto,

Seis.

Postado 10/07/21 00:53

Que carta mais sincera e perfeita!!~~

Quando eu era mais jovem não entendi esses sentimentos afetuosos que temos por um amante e fala sem valor que deveriamos nos amar primeiro e blablabla, mas essas frases, posso dizer, clichês só começam a ter peço com a experiência de viver e sua obra trás exatamente isso para mim.

Eu amei a mensagem do texto, a forma como narrou toda essa vivencia e o sentimento que veio após a tormenta. Simplesmente adorável!

Eu agradeço por ter compartilhadop sua obra e por ter me dado a honra de ter sua obra participando do concurso desse ano! Eu amei muito~~

Assinado uma pequena vampira, <3