Vermelho
Calígula
Tipo: Lírico
Postado: 11/09/21 00:18
Gênero(s): Poema
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 2
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Palavras: 293
[Texto Divulgado] "O Último Delírio de um Rei" Há muito tempo, num reino bem distante, vivia um rei que tinha dois filhos gêmeos. O rei estava morrendo, e em seus últimos dias, uma preocupação inquietava a mente do velho soberano: quem seria seu sucessor no trono?
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

E o Juiz ainda dança, e dança, e dança.

Capítulo Único Vermelho

Há um ninho de demônios em minhas entranhas.

Eles não me devoram, não me machucam;

apenas permanecem, sangue de meu sangue,

rubros e decaídos e patéticos —

sombras anêmicas sobre o terreno da própria fraqueza,

resquícios de derrotas inapagáveis,

alma e espírito da resignação.

Vejo-os quando meus olhos tombam para dentro —

sempre e sempre, marionete quebrada que sou, corpo despedaçado.

Amo-os como filhos que nunca nasceram,

adoro-os como só posso adorar aquilo que nunca ousou existir.

Meu prazer é sentir seus coraçõezinhos de ódio bater,

pulsar junto ao meu feito de ódios tão maiores;

meu mundo é ouvir suas risadas de repúdio e desprezo,

e unir a elas meus lamentos de angústias,

meus prantos constituídos em rancor e fel,

meu veneno destinado a tudo, assassino apenas de mim.

***

Certa feita fui acometido de um delírio.

Eram desertos vermelhos e céus ainda mais vermelhos;

uma areia empapada de qualquer coisa fétida e borbulhante.

Eu afundava naquela areia, satisfeito ou quase —

afundava como gostaria de afundar na própria carne podre do mundo,

devorar e violar a terra como a terra devora e viola, e ainda mais:

fantasma e carrasco e Deus daquele lugar horrível;

de todos os lugares, todos horríveis.

Mas não estava sozinho naquele inferno.

No horizonte permanecia um homem, tão pálido, tão inexplicável;

seu rosto era como rocha e sal, seu sorriso a pedra assassina dos abismos.

Vi em sua pele os restos das peles de todos os homens,

tiras esfoladas de todos que haviam lutado, todos que haviam perdido;

vi um rio de sangue fluindo de seus olhos tão cruéis e alegres,

e vi que esse rio se expandia, que era infinito —

que me afogaria e afogaria tudo enquanto eu e tudo imploraríamos para nos afogar.

Naquele sonho morri.

Naquele sonho fui feliz.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (2)
Postado 12/09/21 11:24

Ohhhh~~~~~~~~~

Não sei bem o que pensar, mas penso que gire entorno do ódio guarda fundo de todos que bem provável vá um dia destruir tudo...? (Desculpe o delírio)

Eu gostei muito dessa narrativa e o quando de alguma forma posso me encontrar morrendo de receio de sonhar com esse deserto vermelho ou encontrar nas noites estranhas se homem pálido e inexpressivel... Hahhahahahhahahhaahah!

Mas o que mais e intrigou em sua obra foram os demônios, seriam pensamentos maldosos sobre tudo ou uma metáfora para sonhos? Eu não sei, mas ao imaginar um ninho deles, todos juntinhos uns ao outros e por cima uns dos outros, seus corpinhos pequenos emitindo várias falas todos juntos... Baita vontade de pisar em cima.

(Desculpe os devaneios)

Agradeço muito por ter compartilhado sua obra, eu amei toda! Ficou muito legal, mesmo que eu possa não ter pego ainda a ideia de tudo... EU ADOREI!!~

Assinado uma pequena vampira para lá de doida, <3

Postado 24/09/21 08:38 Editado 24/09/21 08:40

Para sempre, serás meu Mestre/Irmão, meu velho...

Para sempre Mestre que me inspirou desde o início tímido na escrita, todavia absolutamente inspirado e impulsionado por ti, pois tuas obras me foram, me são e serão o norte ea pedra angular.

E para sempre meu Irmão, por tudo o mais.

Tudo.

Imensa gratidão por me relembrar tão maneira tão requintada e perfeita de onde vim e para onde/como regressar, ainda que seja uma última vez.

Imensa gratidão por existir, meu velho.

Respeitosamente,

Um homem que se afoga e afoga e aflga e afoga e afoga e se afogará para sempre enquanto os demônios ovacionam e escarnecem do lado de dentro, Manoel.