Sonhando acordada (Em Andamento)
Handress4
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 19/09/21 13:41
Editado: 22/09/21 20:48
Gênero(s): Romântico
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 19/09/21 13:41
Avaliação: 9.6
Tempo de Leitura: 20min a 27min
Apreciadores: 3
Comentários: 4
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Palavras: 3300
[Texto Divulgado] "Deusa Solidão" Sinopse
Livre para todos os públicos
Sonhando acordada
Notas de Cabeçalho

Olá, tudo bem com você? Sou nova por aqui e quero compartilhar com você "Sonhando acordada."

Meu maior objetivo é aquecer o coração de quem ler. Sabe aqueles livros que lemos enquanto tomamos um café num dia chuvoso, em baixo das cobertas? Ou então em um lugar tranquilo e bonito ao ar livre? É esse. Bom, espero que goste, são 18 capítulos, boa leitura.

Capítulo 1 Um orgulho

Bianca chega em casa depois de uma longa manhã procurando um emprego e tira seus sapatos em frente à porta, quer evitar uma briga com sua irmã que, pelo horário, havia acabado de limpar a casa. É tudo muito simples, porém muito limpa e organizada, pois a mãe amorosamente ensina as filhas a prezar pela limpeza.

A vida delas certamente seria mais fácil se pudessem contar com o pai, porém ele foi embora de casa quando as meninas ainda eram crianças, e nunca mais se teve notícia dele. Apesar disso, Bianca se considera sortuda por ter uma mãe que, sozinha, trabalha duro como diarista para trazer o sustento e consegue criar as filhas de forma decente.

Porém a mãe descobriu que está com câncer no estômago. Por isso, quando Bianca não está na rua à procura de emprego, está no hospital com ela, mas a falta de recursos fez com que descobrissem tarde demais a gravidade do problema. A doença está avançada, e sua mãe já usa lenços na cabeça e o corpo está magro e fraco.

Cansada dos problemas, Bianca entra no quarto que divide com sua irmã e se olha no espelho, perguntando-se Por que eu? Por que não consigo emprego?

Olha seus cabelos cacheados e volumosos, sua pele negra e torce para que os motivos não sejam esses. Acho que nunca vou conseguir, reflete. Ela sabe que não deve pensar dessa maneira, porém se classifica como alguém tão azarada, que ser pessimista é inevitável. Depois de um longo suspiro na frente do espelho, joga-se na cama de colchão velho e fino, desabando em lágrimas.

Por que a vida insiste em soterrar seus sonhos? Por que não pode simplesmente viver em paz? Logo ela, que não tem preguiça de lutar, sonhar e voar tão alto, por que não consegue sair do chão?

Apesar de todas as dificuldades que enfrenta desde seu nascimento, Bianca se recusa a ser conformista. Não importa quão pobre seja e quantos desafios ela tenha enfrentado. Sempre soube qual é o seu dom e se recusa a desistir de seu maior sonho: tornar-se uma Chef da alta gastronomia.

Todos os melhores momentos de que se tem lembrança se passaram na humilde cozinha de sua casa. Em sua infância, vivia rodeando sua mãe, excelente cozinheira, para vê-la preparar as refeições da família. A cada prato simples, mas bem temperado, aprendeu a magia dos ingredientes.

Quando já estava um pouco maior, começou a assistir na televisão programas que ensinavam a cozinhar pratos maravilhosos. Embora não tivesse aqueles ingredientes, prestava toda atenção no preparo e anotava em seu pequeno caderno cada dica que os Chefs davam. Foi em um desses programas que se apaixonou pela culinária francesa. Assim decidiu que esse seria seu destino: estudar culinária na França, mais precisamente em Paris.

Dona Ruth, apesar de todos os perrengues que enfrentava, nunca foi capaz de cortar as asas dos sonhos de suas filhas, então comprou parcelado um livro de gramática francesa com um CD para aprender pronúncias e um dicionário para Bianca, que desembrulhou os presentes em lágrimas. Desde então, ela passa horas debruçada fascinada com o novo idioma. A dedicação de sua filha compensa cada faxina extra que a mãe tem que arranjar para poder pagar por aqueles livros.

Voe alto, minha menina, ela pensava enquanto observava a filha lendo. Voe alto e não deixe ninguém cortar as suas asas.

Naquele dia, depois de ter finalmente conseguido uma entrevista de emprego, Bia tem a sensação de que não foi muito bem. Após entrar em casa com cuidado para não a sujar, ela vai direto para a geladeira; passou a manhã toda sem comer nada e a geladeira está vazia, tem somente um pouco de feijão que sobrou da janta e uma garrafa de água. Ela abre o armário e vê pouquíssimas coisas. Em seguida, vai até o quarto da mãe e para na porta, percebendo que ela aparentemente está dormindo. Entretanto, quando se vira para sair, escuta a voz de sua mãe:

— Bia? Filha, chegue mais perto de sua mãe... Sente-se aqui.

Bianca a obedece.

— Eu tenho pensado muito em você ultimamente. Pensa que eu não percebo sua luta para conseguir um trabalho?

— Está muito difícil, mãe. Não entendo por que as empresas não me contratam.

— Cidade pequena e pobre como a nossa... os empregos estão em falta, mas não desista. Dentro do guarda-roupas tem um pote, você pode me alcançar, filha?

Prontamente, ela faz o que sua mãe pediu. A mulher abre o pote, pega uma nota de 10 reais e entrega a Bianca:

— Essa nota é a última de todas as minhas economias. Pegue-a e vá até a venda mais próxima e compre algo pra a gente comer hoje.

Bianca pega aquela nota com receio. Sabe que, se gastar os últimos 10 reais da mãe, amanhã continuarão sem ter o que comer em casa. Ela precisa fazer esse dinheiro render. Sai de casa com esse dilema.

Ela sobe o morro que leva até a venda e uma pequena estufa com várias coxinhas sobre o balcão chama sua atenção. O cheiro daquelas pequenas delícias chega a ser um insulto para sua fome tão crescente. Pensa em comer uma coxinha daquelas com um refrigerante bem gelado. Sua boca saliva, mas se vira para sair dali, pois não tem o suficiente para comprar três.

Foi então que surgiu uma ideia: em seu caderno de receitas tem um passo a passo de como fazer coxinhas, também sabe que em casa tem meio pacote de farinha e alguns temperos, e logo nota que ela apenas precisa comprar os ingredientes para o recheio. Assim ela faz e volta para casa empolgada.

Ao chegar, sua irmã, Bruna, questiona:

— O que você comprou pra gente comer hoje?

— Na verdade, comprei algo que matará nossa fome não só hoje, mas nos próximos dias também.

— É mesmo? Deixa eu ver o que é essa coisa milagrosa, que eu estou morrendo de fome — diz a caçula, enquanto revira a sacola. — Mas só tem coisa crua aqui!

— Exatamente. Nós não vamos comer, vamos preparar algo que nos fará ganhar dinheiro. Vou precisar de sua ajuda, venha até a cozinha.

Emburrada e irritada com a empolgação de Bia, Bruna a acompanha, contrariada, até a pequena cozinha.

— Preste bastante atenção, que o preparo é simples, mas exige cuidado. Vá lavar suas mãos.

— Mas eu quero comer, não cozinhar.

— Não seja preguiçosa! Temos que lutar pelo que queremos e o que eu quero é comer amanhã também e não só hoje. Agora faça o que eu falei. Não podemos demorar porque a mãe também precisa comer para tomar os remédios.

Sob o olhar indiferente da irmã, Bia segue o preparo das coxinhas com total dedicação, modelando cada uma como se fosse uma obra de arte única. No fim, o rendimento não foi muito, pois tinham poucos ingredientes, mas foi o suficiente para começar as vendas.

Délicieux! — exclama Bia, ao provar uma pequena coxinha de teste que dividiu com sua irmã.

— O que quer dizer isso? — pergunta ela.

— "Deliciosa", em francês.

— E é assim mesmo que se pronuncia?

Oui!* É assim mesmo que se pronuncia.

As duas continuam colocando as coxinhas, uma a uma, dentro de dois pequenos potes plásticos que usarão para vendê-las, já que não têm uma caixa de isopor.

Assim se passa uma semana e Bianca e sua irmã tentam sustentar a casa com a venda de coxinhas. Isso logo faz a situação melhorar um pouco, mas o armário continua vazio.

O tão sonhado emprego não aparece, levando Bianca à conclusão de que não encontrará nenhuma oportunidade se continuar naquela cidade. Com muito esforço, ela junta dinheiro para uma passagem de ônibus e arruma sua mochila velha, ainda dos tempos do colégio, decidida a conquistar uma vida melhor para sua família. Em seguida se despede de sua mãe, e depois de orientar sua irmã sobre como cuidar da mãe e do preparo das coxinhas, vai embora.

Como não tem muito dinheiro, ela caminha várias quadras em direção à rodoviária da cidade. No guichê escolheu uma das maiores cidades do país e comprou a passagem. Feliz da vida, e com o coração cheio de esperança, entra no ônibus. No meio do caminho faz planos para quando chegar em seu destino.

Horas depois ela chega na rodoviária, muito maior do que a da cidade de onde veio. Com sua mochila nas costas e seu tênis velho, caminha pelas ruas e observa a cidade; não está acostumada a ver prédios tão grandes e tantas pessoas.

Hora de começar a minha busca. Mas por onde devo começar? Este lugar é imenso, nunca vi nada igual..., pensa ela, com um longo suspiro.

A sua maior vontade é trabalhar em um restaurante, por isso parou em vários. Sente-se muito mal depois de receber tantos "nãos" e olhares de reprovação que vinha de cima a baixo. Percebe que aquele lugar é tão horrível quanto a sua cidade natal. Logo a fome começa a incomodar mais uma vez, já que não come nada desde quando saiu de casa.

Quando chega em uma grande calçada de uma praça, cheia de pessoas indo e vindo, percebe que a indiferença é comum naquele lugar. Logo escuta um som de violão e vê um rapaz tocando e cantando; um chapéu está no chão e algumas pessoas param para assisti-lo e deixar algum trocado. Bianca gosta muito do que escuta, aproxima-se do rapaz e se enfia no meio das poucas pessoas que estão em volta.

Observa as roupas dele, que usa um moletom preto batido e uma calça jeans rasgada, e nota que também parece ser pobre. Apesar disso, sua aparência é bem cuidada, seus cabelos compridos até os ombros são ondulados e têm um tom castanho-claro e, para completar, um cavanhaque bem aparado.

Quando Bianca se cansa, senta-se num canto no chão. As pessoas se dispersam e o rapaz faz uma pausa, é quando repara que ela o está observando e abre um sorriso carismático:

— Ei, moça! De onde você é?

— Sou de Novo Triunfo — responde, surpresa pela pergunta repentina.

Ele parece saber onde fica e balança a cabeça:

— Estou indo almoçar agora, quer ir comigo?

— Eu gostaria... — responde Bia, sentindo o estômago roncar pela simples menção da palavra "almoçar". — Mas não tenho dinheiro.

— Sem problema — diz ele, animado. — Minha mãe tem um restaurante aqui perto. Não é tão grande, mas você pode almoçar lá como minha convidada. Que tal?

— Seria maravilhoso. Tem certeza de que não vou atrapalhar?

— Claro que tenho! Eu me chamo José, qual é o seu nome?

— Bianca.

— Bianca, eu toco neste local todos os dias pra fazer uma renda extra. E você, o que faz aqui?

— Estou procurando emprego. Minha cidade natal é pequena, nunca consegui nada por lá e tenho a esperança de conseguir aqui.

— Em que área quer trabalhar?

— Eu adoraria trabalhar em um restaurante. Amo cozinhar, mas não tenho experiência na carteira, então ninguém me contrata. Sabe de algum lugar que poderia me aceitar?

— Bom... Minha mãe sempre precisa de ajudantes. Não sei se ela está contratando agora, mas não custa perguntar. Você parece uma boa pessoa, quem sabe ela não te dá essa oportunidade?

— Seria incrível!

— Beleza, então vamos pra lá.

Eles chegam no restaurante e almoçam juntos. É realmente um restaurante muito simples e humilde, mas a comida é deliciosa. Aquele rapaz gentil que conheceu há poucos minutos já ocupa um lugar no coração de Bianca, por ser a primeira pessoa a lhe estender a mão em sua nova jornada. Mal ela sabe que não é a primeira pessoa ajudada por José, que com seu bom coração sempre faz o possível para prestar algum auxílio para as pessoas que são pobres, como ele e a mãe.

Ela almoça pensativa, insegura em pedir um emprego, pois já recebeu tantas portas na cara que acha que vai receber novamente. Pensa nas roupas que está usando, as quais são bem gastas, velhas, principalmente seus tênis, e não acha que a mãe de José a contratará nestas condições.

O rapaz percebe a insegurança e toma iniciativa:

— Mãe, está aqui é a Bianca. Acabei de conhecê-la na praça Osvaldo XV, ela está procurando um trabalho. A senhora está precisando de uma ajudante, não é?

Bia leva um susto com as palavras dele.

— Ah, estou sim. — A mulher parece se interessar e se senta à mesma mesa. — Já trabalhou em um restaurante?

— Não, senhora... — responde, de cabeça baixa e a balançando. — Mas eu sei cozinhar.

— Que ótimo. Podemos fazer um teste? Preciso de uma auxiliar de cozinha.

Bianca levanta a cabeça na hora, sorrindo.

— Claro! Pode ser agora?

— Pode, sim. — A mulher se levanta da cadeira, rodeia o balcão, pega um jaleco e entrega a Bianca. — Vou te mostrar a cozinha, venha comigo.

A moça pega o jaleco e veste antes de seguir Joana. Quando chega à porta, olha para trás em direção às mesas para agradecer a José, mas não o vê mais.

A cozinha é pequena e limpa, revestida por azulejos brancos, com um fogão industrial de 6 bocas e um depurador logo acima, além de uma pia, armário de parede e tudo mais o que uma cozinha precisa.

— Eu preciso de alguém para cortar legumes, carnes, cortar e organizar temperos, e também para deixar tudo limpo. Amanhã vou fazer arroz, feijão, batata frita e bife à milanesa. Gostaria que você pegasse todos os ingredientes e deixasse tudo pronto para mim.

Joana sai da cozinha sem falar mais nada, deixando Bianca sozinha de propósito para ver como ela irá se virar. Ela sabe muito bem preparar o bife à milanesa graças aos poucos almoços especiais que conseguiam fazer com o bônus de fim de ano que as patroas pagavam para sua mãe, ou quando ganhavam doações.

Ela começa a vasculhar o local, entretanto não tem noção da quantidade que ela irá precisar nem como deixá-los dispostos. Depois decide começar pelas batatas, descasca e corta várias em palitos, em seguida deixa dentro da geladeira, de molho na água. Percebe que a carne está congelada e se preocupa com a possibilidade de não conseguir descongelar a tempo. Coloca o feijão de molho e, por fim, deixa todos os temperos cortados esperando para serem usados. Ufa, espero que tudo isso seja suficiente.

Joana entra na cozinha, vê a moça lavando a louça com todo o resto pronto e gosta.

— Então, Bianca, acha que dá conta?

— Sim, claro! Como eu fui? — questiona, esperançosa e com um sorriso.

— Eu gostei muito, você é bastante proativa. Só temos um problema: eu não vou conseguir te pagar muito, não conseguirei pagar sequer um salário mínimo ou te registrar em carteira. Você aceitaria mesmo nestas condições?

— Claro que sim. Eu estou há tanto tempo procurando por um emprego, que nem me importo com isso.

— Que ótimo, então você pode começar amanhã. Começamos lá pelas 10 horas da manhã. Pode vir nesse horário?

— Posso, sim.

— Então até amanhã!

— Até amanhã... — responde baixinho, timidamente.

Até. Amanhã. Duas palavras que são como um balde de água fria sobre a sua empolgação. Isso porque ela não fazia a menor ideia de onde ficaria até que o amanhã chegasse.

Bianca sai do restaurante feliz por ter conseguido um emprego e morrendo de vontade de contar a sua mãe, o problema é que não tem para onde ir nem dinheiro para pagar um quarto, e isso a entristece. Sem rumo, caminha por aquelas ruas escuras e frias pelo soprar do vento noturno e chega novamente na praça Osvaldo XV, depois senta num banco, convencida de que terá que passar a noite ali mesmo, e deita-se com sua cabeça apoiada em na mochila.

É acordada na manhã seguinte por José, chacoalhando-a:

— Bianca! Você passou a noite neste banco?

Ainda zonza de sono, ela se senta enquanto balança a cabeça em movimento afirmativo.

— Por que não contou para minha mãe que você não tem para onde ir?

Ela finalmente consegue enxergar o rosto dele com nitidez. Ele está com o violão pendurado nas costas através de uma faixa.

— Você não pode ficar dormindo na rua. Minha mãe me contou que você aceitou o emprego. Quando for trabalhar, peça a ela uma ajuda, está bem? Eu vou começar o meu expediente aqui.

Quando Bianca chega no restaurante, dona Joana está conversando com algumas pessoas e a pede para ir direto para a cozinha.

O que eu faço agora? Eu já fiz tudo ontem... Acho melhor eu colocar o feijão para cozinhar e... Ver se a carne descongelou e temperar. Eu não posso fazer nada que deixe Joana com vontade de me despedir.

No final do expediente, Bia arruma coragem e pede a Joana algum lugar para dormir e ganha permissão para ocupar um quartinho nos fundos, local onde guardam mercadorias. Embora quisessem oferecer a Bianca um lugar melhor em sua casa, eles também passam seus dias apertados financeiramente e dividem um pequeno apartamento perto dali, que definitivamente não comporta mais uma pessoa.

Nada disso importa para Bia, que já fica feliz por ter um teto sobre sua cabeça e a possibilidade de dormir aquecida no pequeno colchão arranjado para ela.

Esses foram os primeiros dias de Bianca na cidade grande e assim completaram-se vários meses. Ela manda religiosamente quase todo o dinheiro que ganha para sua mãe, guardando consigo o mínimo necessário para sua subsistência. Apesar de tudo, sente-se muito feliz; para ela, trabalhar em um restaurante é um pontapé inicial para realizar seu sonho de ser Chef de cozinha, sonho do qual nunca se esqueceu.

Adormecido, sim. Extinto, nunca! Jamais deixaria que cortassem suas asas, como sua querida mãe a ensinou.

— Um dia eu ainda vou para França. Ah... — Suspira — Mon rêve.*

Perto de completar cinco meses de muito trabalho, Bianca cantarola uma pequena canção em francês, que está tentando decorar para aprender o idioma, enquanto esfrega com um pano a bancada de trabalho.

"Tourne, tourne, petit moulin,

Frappent, frappent, petites mains,

Vole, vole, petit oiseau

Nage, nage, poisson dans l'eau..."*

Sua singela melodia é interrompida pelo chamado de dona Joana, dizendo que alguém a aguarda no telefone. Enquanto ouve as palavras da pessoa do outro lado da linha, Bia sente o corpo amolecer e deixa cair o telefone, levando as mãos até a cabeça.

Percebendo o olhar de choque, sua patroa pega o telefone do chão, onde alguém continua falando.

— Alô? Alô? Bianca?

— Aqui é Joana, amiga dela. O que aconteceu?

— Boa tarde, senhora Joana. Aqui é o hospital municipal da cidade de Novo Triunfo. Acabo de informar à senhorita Bianca que, infelizmente, após complicações com o tratamento, a mãe dela não resistiu... Lamentamos muito.

Tomada pela tristeza de ver o sofrimento de Bianca, Joana abaixa-se ao lado dela, que agora já está de joelhos no chão em um choro compulsivo, e a abraça forte sem dizer uma só palavra. Sua experiência de vida lhe ensinou que palavras não ajudam em um momento como esse, mas um abraço... isso, sim, pode dar forças para suportar uma perda tão grande e irreparável.

Bianca arruma suas coisas e volta para sua cidade, terá de realizar o funeral da sua mãe, pois não há ninguém com quem possa contar. Após longas horas de uma viagem deprimente, que só conseguiu aguentar por causa da presença consoladora de Joana e José, que não só lhe ofereceram companhia, como o dinheiro necessário para as despesas, ela chega a Novo Triunfo.

Como se não bastasse tanto sofrimento, descobre da pior maneira que sua irmã abandonou sua mãe meses antes para ir embora com um namorado.

O enterro ocorre com somente algumas poucas pessoas presentes e Bianca é a última a sair. Antes de deixar o local, passa os dedos pela cruz de madeira cravada na terra e depois em seu coração.

Eu te prometo, mãe, eu não vou desistir. Este mundo cruel não vai cortar minhas asas, e eu ainda serei seu orgulho, esteja onde estiver.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (4)
Postado 19/09/21 23:39

Que tristeza~~

Adorei sua obra!! Mal posso esperar pelos próximos capítulos!!

O que acontecerá com nossa protagonista? A ingrata da irmã voltará? Só nos próximos capítulos...

Agradeço por compartilhar sua obra, eu adorei!! Por favor, continuei postando e seja muito bem-vinda!!

Assinado uma pequena vampira, <3

Postado 19/09/21 23:44

Que bom que gostou! Pretendo postar um capítulo por dia, obrigada por ler.

Postado 20/09/21 16:52

Meu Deus...

Bianca é uma batalhadora, e eu estou muito emocionada com toda a garra dela.

O mundo é um lugar horrível, julgando as pessoas por sua aparência. Mas fico feliz que Bianca conseguiu um trabalho.

E essa irmã? Quero matar ela agora mesmo, tendo abandonado a mãe assim...

É emocionante o modo como a mãe dela comprou o livro de francês e disse para a filha não desistir de seus sonhos!

E Bianca não vai desistir!

Estou amando essa história e aguardo ansiosamente pelos próximos capítulos!

Seja muito bem-vinda a Academia de Contos <3

Postado 20/09/21 19:22

Oi, obrigada por ler! Sim, ela é do tipo que nunca desiste. Obrigada pela recepção calorosa S2

Postado 20/09/21 18:37

Olá Handressa! Seja Bem Vinda à Academia de Contos! É maravilhoso e emocionante ver que você já chegou nos entregando este romance tão real... Eu vivi as mesmas situações que a Bianca nem sei mais quantas vezes em looping, você nos faz - mesmo aqueles que não sabem o que é - sentir na pele todos os sofrimentos, batalhas e sentimentos da Bianca... Sua obra está super bem escrita e apesar de extensa, não é nada cansativa a leitura vai correndo intensa, cheguei até a suar... E já estou ansiosa pelos próximos capítulos! Espero que ela continue persistindo, sonhando e buscando sua vida, ela merece! Sua obra é apaixonante!

Mais uma vez parabéns e muito obrigada por compartilhar conosco a sua obra! <3

Postado 20/09/21 19:23

Oi, obrigada pela leitura e pela recepção tão calorosa, confesso que pensei que ninguém fosse ler rsrs...

Postado 22/09/21 00:52

Parabéns pelo texto. Continue postando os capítulos...

Postado 22/09/21 01:49

Obrigada sr. Belmiro.