Deusa Solidão
Renato Franklyn
Tipo: Lírico
Postado: 13/10/21 20:57
Editado: 13/10/21 21:16
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 46seg a 1min
Apreciadores: 3
Comentários: 3
Total de Visualizações: 61
Usuários que Visualizaram: 4
Palavras: 125
[Texto Divulgado] "O Último Delírio de um Rei" Há muito tempo, num reino bem distante, vivia um rei que tinha dois filhos gêmeos. O rei estava morrendo, e em seus últimos dias, uma preocupação inquietava a mente do velho soberano: quem seria seu sucessor no trono?
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Deusa Solidão

Solidão, que me traz amiúde várias de minhas incertezas

Meus erros vêm com ela, como se bagagem

Minhas lembranças felizes vêm de saudade

Numa pequeníssima mala de mão.

Solidão, tu que és deusa,

Mortal e imortal,

Que conduz os infelizes ao penhasco

Para que fitem o desespero enclausurado,

Guardado na escuridão.

Solidão, única parceira dos moribundos.

Solidão,

Faceira,

Demente,

Odiada,

Amada.

Solidão, que nos oferece tanto...

Mas que vemos tão pouco;

Injustiçada.

Solidão, amiga do silêncio e das vozes retidas

Senhoria dos nossos pensamentos, desejos e saudades

Solidão, que não se descreve em um só tempo

É imutável presença, ao mesmo que é transeunte

A cada fração de sentimento.

Solidão, tu que és parte da vida:

A pior parte de mim,

A minha melhor amiga.

❖❖❖
Apreciadores (3)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 19/10/21 14:09

Enquanto lia o poema, imaginei um homem e uma mulher dançando. Ambos de longas capas pretas, como se fossem duas personificações da morte. Ao mesmo tempo que da solidão.

E nossa, eu achei isso tão lindo! Porque tenho mania de achar as coisas melancólicas bonitas...

Gostei especialmente da parte que diz que a solidão conduz os infelizes ao penhasco... Isso soa tão triste, porém tão poético!

Adorei poder fazer essa leitura <3

Um grande abraço <3

Postado 19/10/21 19:41

Pirmeiramente, ouça esta música: https://www.youtube.com/watch?v=6Xov1hYYs3E

Se trata de um casal, vejo-os como duas faces de solidão, mesmo dentro de um matrimônio. O homem, sozinho e perdido com os pecados do mundo; a mulher, sozinha pelo abandono do marido, sozinha pela rotina maçante de ser dona de casa, sozinha por ter seu conto de fadas desfeito ao longo dos anos. Então, num dia, ele chega e muda tudo. Para mim, a solidão é um casal esperando um ponto de ignição, um pequeno ponto de mudança.

Sobre a melancolia ser algo belo, disponho da mesma mania. Amo a tragicidade (obviamente, não quando acontece comigo kkkkk), mas há uma beleza intrínseca na tragédia. Vejo que a vida como uma tragédia com momentos felizes.

A solidão nos conduz a fintar o desespero, geralmente um penhasco tão profundo que causa o medo de cair e, ao mesmo tempo, uma estranha vontade de mergulhá-la.

Postado 13/10/21 21:27

Cara... wow.

Adorei como o poema trás essa dualidade do sentimento, às vezes tão essencial, e ao mesmo tempo, tão simplesmente mal. Não dá, realmente, para descrever essa deusa de uma forma só, e o poema nos traz e faz sentir justamente esse misto de emoções, que não tenho como definir. As palavras fluem no peito; para mim, não tem coisa melhor que uma obra emocionante, e não diria nada menos desta aqui!

Postado 14/10/21 23:28

A solidão é como uma moeda e sua duas faces sempre serão nossa eterna contradição. Amei a melancolia envolta de lirismo que se derrama pelos versos. É um poema deleitável que, aos solitários, soa como uma ode que sobe como um incenso a sua companheira e deusa, a Solidão.

Obrigada por compartilhar essa obra conosco!

Parabéns, Renato ♥