Sutileza (Em Andamento)
Endora
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 04/10/21 18:07
Editado: 03/12/21 23:48
Gênero(s): Drama Romântico
Qtd. de Capítulos: 10
Cap. Postado: 06/11/21 11:32
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 10min a 13min
Apreciadores: 1
Comentários: 1
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Palavras: 1667
[Texto Divulgado] "What your reason" Todas as coisas possuem uma razão de ser, um destino predestinado. Algumas razoes podem ser belas, outras são terríveis.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Sutileza
Notas de Cabeçalho

Era pra ter publicado ontem, desculpem ser essa desmemoriada kkkkk

Em breve responderei os comentários acumulados. Boa leitura!

Capítulo Sexto Castigo

— Antonio! Conheci a mulher com quem vou me casar! — declarou Gianfrancesco, entusiasmado, a invadir o quarto do primo e largar o próprio peso sobre a cama do rapaz, que estava de pé, esvaziando seu guarda-roupas em nome da estranha satisfação de voltar a enchê-lo, rearranjando casacos e camisas.

— Já? Quem se casa com essa idade são as moças. E saia daí, está amassando minhas camisas.

— Ao diabo com a minha idade, é só um número que muda com o tempo — levantou-se agilmente e se sentou numa cadeira.

— É filha de quem, esta moça aí? De boa família, eu suponho.

— Boa família, boa família… você parece meu pai falando. Ninguém imaginaria que tem os mesmos dezoito que eu. Que importa a família? Eu não vou dormir com os pais dela.

— Mas, moço, você não sabe que se casar com uma mulher é se casar com o dinheiro, os problemas, e a família que ela tem? Tudo isso vem junto.

— A família que ela tem, vejamos… tem uma filhinha adorável.

— Uma mãe solteira?! Você quer jogar o nome da nossa família na lama?

— Que me importa o nome da nossa família? Como você é raso! Eu nem sei porque compartilho meus assuntos com você.

— O nome da nossa família me é muito importante. É o meu nome também, Gianfrancesco, e eu não o quero envolvido num escândalo.

— Ela não é daqui. Eu posso sumir com ela e não envergonhar vocês todos. Melhor assim? E pare de falar tão alto, papai pode ouvir e surtar. E ela não é mãe solteira. É uma viúva muito respeitável.

— Ah, uma viúva. Por que não disse logo? Viúva é outra coisa. Conheci viuvinhas lindas, de 20, 22 anos. Ela ainda veste luto?

— Não, faz quatro anos que ele morreu.

— Então foi com ela que você passou a noite do festival? — perguntou, permitindo que seus lábios se curvassem num sorriso maldoso.

— Foi.

— Fez um bom trabalho enganando meu tio.

Gianfrancesco riu.

— Agora entendo porque tenho ido ao bordel sozinho ultimamente. Estava começando a me preocupar com você.

— Com ela eu não preciso das moças do bordel, ela vale por quatro ou cinco delas. Certo, talvez três. Você não imagina o que ela é nesses momentos. Eu tenho um retrato dela. Veja como é bonita — tirou do bolso a fotografia, cujas arestas já começavam a ficar desgastadas, de tanto estar ali, em contato com o suor do rapaz, atritando com o tecido a cada movimento.

— Tão velha…

— É, é mais velha que mamãe. Mas o que tem isso? Tem muita moça da minha idade que se casa com homem da idade dela, e ninguém diz nada.

— Você tem certeza do que está fazendo?

— Eu tenho! Eu a adoro, sou louco por ela.

— Você disse que... já a conhece em sentido bíblico, é?

— E como conheço! — admitiu, com ar atrevido, muito habituado a discutir com o primo suas aventuras sexuais, tendendo sempre a realçar certos detalhes e abafar outros.

— Me conte como se conheceram — pediu, deixando suas roupas de lado para sentar-se por um momento e dar atenção ao primo.

— Você se lembra dos saltimbancos?

— Sim.

— Era uma peça muito bem produzida na realidade, e ela interpretava dois papéis.

— Então esta senhora é uma artista. Isso justifica sua paixão.

— Da plateia já estava encantado. Ela nua no palco…

— Sem pudor nenhum?

— Nenhum. E que corpo, meu amigo, que corpo! Eu fui ao camarim depois, e ela estava se vestindo. Permitiu que eu a possuísse ali mesmo, ela nem se preocupou em saber meu nome.

Apesar de ter pedido domínio de voz ao primo, ele mesmo, entusiasmado, não se controlava. Sendo acompanhada pelo movimento buliçoso das mãos, sua voz soava tão alto que podia ser — e era — ouvida por todo o corredor, assim como nos quartos à direita e à esquerda daquele onde se encontrava.

— Me parece uma mulher vulgar.

— Não é, não. É muito distinta, muito fina. Teve um passado… incomum às senhoras da classe dela, mas não fica atrás de nenhuma.

— Que classe? A artística?

— Não, não. A arte é só um hobbie para ela. Ela é uma mulher rica, como nós.

— E que passado é esse?

— Ela… — hesitou por um momento. Apesar das diferenças, o primo e ele eram confidentes. Assim mesmo, não sabia se era certo contar a ele um segredo que não lhe pertencia. Mas disse, por fim, abaixando a voz, mas não tanto que não pudesse ser ouvido por alguém com a orelha encostada na porta: — Ela foi prostituta até se casar.

— Prostituta?

— Num bordel em Par… — sua fala foi cortada pela porta sendo aberta inesperadamente. O pai do jovem entrou, estupefato e furioso.

— O que foi que você disse?

— Você estava ouvindo detrás da porta?! — Gianfrancesco perguntou, exaltado, e sentiu na face o peso da mão forte do pai.

— Não fale comigo como se eu fosse seu irmão!

— Me deixe em paz! Quem o senhor pensa que é pra ouvir atrás da porta?

— Eu penso que sou seu pai e seus atos me dizem respeito. Você vai me explicar que história é essa de prostituta.

— Eu não vou explicar nada! Sou dono da minha vida!

— Não enquanto viver às custas do meu dinheiro!

— Pois então eu vou embora e o senhor nunca mais precisa me ver. Eu a amo e vou me casar com ela.

O homem colérico pegou o filho pelo colarinho, e depois de uns safanões a mais, arrastou-o para fora do quarto e pelos corredores da enorme casa.

— Eu prefiro te ver morto a te ver casado com uma meretriz! Prefiro te ver morto!

— O que está acontecendo? — perguntou a doce tia de Gianfrancesco, em choque.

— Este idiota enfiou na cabeça que vai se casar com uma mulher de vida fácil!

— Eu me caso com quem quiser!

— Nunca!

O rapazinho gritou pela mãe, esperava que ela fosse seu último recurso, sua intercessora. Mas a mulher ouviu do marido um "não se meta!" intimidador, e recuou sem dizer qualquer palavra. De todo modo, quando compreendesse, mais tarde a situação, concordaria plenamente com a atitude do marido.

— Tire as mãos de mim! Se me quer fora de casa, eu posso ir sozinho!

O pai não respondeu a isso e continuou a arrastar o filho pelo jardim. Forçou o garoto para dentro de um Oldsmobile azul petróleo, e só voltou a falar com o automóvel em movimento.

— Eu vou te colocar onde você possa criar juízo. Se eu te soltar, você corre pro meio das pernas daquela vagabunda. Não na minha família! Não aceito que você dê esse tipo de exemplo ao seu irmão mais novo.

— Mas que exemplo? Ele ainda acha que o que diferencia homens e mulheres é a roupa. O senhor está sendo totalmente ridículo.

— Cale a boca antes que eu o mate.

— Você não pode me tratar assim, pai! Eu não sou mais criança. Mereço o mesmo respeito que qualquer outro homem.

— Ainda não, mas vai merecer até mais.

— O que quer dizer com isso? — Gianfrancesco não obteve resposta e desistiu de argumentar.

A viagem durou horas. O jovem pegou no sono e quando acordou, o céu começava a ganhar claridade para o nascimento de um novo dia. Seu pai não estava no carro. Ele ergueu-se um pouco para olhar pela janela. Viu-se diante de uma enorme construção medieval, toda de pedra, no alto de uma colina. O Sr. Di Stefano estava na porta conversando com um homem que trajava longas vestes marrons. Ele não precisava de mais nenhuma dica para perceber a intenção de seu genitor. Quis sair correndo, mas não sabia para onde ir. Nem sequer sabia onde estava. Ficou apenas ali sentado, esperando seu destino. Saiu do carro e entrou no mosteiro sem resistência, quando seu pai ordenou que o fizesse.

Antes que a porta se fechasse, Gianfrancesco olhou para o pai com um ar ressentido. O Sr. Di Stefano não sabia, mas aquela era a última vez que veria o rosto do filho.

— Então, se apaixonou pela mulher errada? — Perguntou o gentil franciscano. Caminhavam lado a lado por um longo corredor.

— Amar é pecado?

— É o principal mandamento de Deus. Mas a luxúria, meu filho, isso sim é um pecado.

— Meu amor por ela é puro. Eu quero me casar com ela. Que importância tem o passado? Jesus não perdoou aquela Maria Madalena?

— Perdoou.

— Ele não poderia perdoar esta também?

— O nome dela é Maria Madalena?

— Sim, é. Qual a chance de eu sair daqui? Eu não posso ficar, não tenho vocação. Eu sou mais útil para a Igreja livre pelo mundo, para me casar e ter meus filhos, e criá-los todos na nossa boa fé católica. O senhor me compreende, não é?

— Compreendo. De qualquer forma isso não pode ser forçado. Você pode ir embora quando quiser, meu rapaz. Vá encontrar sua Maria Madalena. Mas vai precisar de dinheiro para chegar até ela, eu suponho.

— Bastante dinheiro, ela vive na Inglaterra.

— Você aqui tem trabalho, teto e comida. Quer ficar conosco até conseguir o bastante? — Gianfrancesco sorriu e abraçou o monge.

— Desde o princípio achei que o senhor seria um bom amigo.

A primeira noite foi difícil, a segunda foi ainda pior. As paredes de pedra eram frias e úmidas no quarto pequeno e escuro que emprestaram a Gianfrancesco. O lugar todo, por ser alto, era frio à noite, por mais que fosse verão. O pobre colchão de palha era intolerável comparado às camas de príncipe em que havia dormido a vida toda. A comida era simples e o trabalho pesado para suas mãos macias de poeta. Seu único prazer, tinha-o à noite, em seu quarto singelamente decorado com aquela pequena fotografia de Diana, sucumbindo diante da tentação de luxúria que as memórias daquela mulher lhe traziam.

Ficou três meses ali, enfrentando esta rotina que já não mais lhe parecia tão má. Quando foi a hora de partir, vestiu orgulhoso as roupas de menino rico com que chegara até ali, caminhou triunfante até a cidadezinha mais próxima, e gastou a primeira parte de seu dinheiro numa passagem de trem para Roma.

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Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 17/11/21 17:54

Com trinta diabos, o Gian realmente não precisa de ninguém pra fazer merda com ele, afinal ele faz isso sozinho! Na hora que ele começou a falar sobre, logo parei a leitura e coloquei a mão sobre os olhos, temendo que o pior viesse a acontecer. E realmente aconteceu! Que desastre, que desastre! Em três meses muitas coisas podem acontecer... Já consigo imaginar o pior cenário possível quando ele retornar.

PRECISO SABER O QUE ACONTECE, PELA DEUSA!!!!

Obrigada por compartilhar conosco mais um capítulo incrível dessa obra que se tornou o motivo do meu surto diário.

​Parabéns, Endora ♥

Postado 17/11/21 19:34

Receber esse comentário me lembrou de que eu tinha esquecido de postar na sexta kkkk preciso tomar vergonha na minha cara.

Essa foi só a primeira de 100 merdas que ele praticará nessa história kkkkkkkkk se prepare.

Obrigada por acompanhar (e perdoe o meu desleixo kkkkkk)

Beijo!