Prisão de Devaneios
Cria de Minerva
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 19/11/21 15:00
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 369
[Texto Divulgado] "Sutileza" Cumpriu sua missão e partiu, como se tivesse nascido apenas para salvá-las. Cheio de todas as faltas e falhas, havia até quem pudesse dizer que não valia nada, mas o bem que fez àquelas duas senhoras, ninguém jamais terá o direito de negar.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Prisão de Devaneios

Nunca estive presa antes.

Acho que estou no pior tipo de masmorra que qualquer ser humano pode ser condicionado a permanecer. As amarras cortam meus pulsos, as celas aprisionam sem deixar que quaisquer resquícios de luz aqueçam meu coração. As janelas fechadas me causam claustrofobia.

Mas como eu vim parar aqui?

A última coisa que me lembro é de estar em um julgamento. Mas não estava como acusada, não. Eu era juíza da suprema corte. Todos os dias, incessantemente, era responsável por decidir o futuro de jovens, adultos, idosos, mulheres, homens... tudo e todos que infringissem a lei, a minha lei. É um trabalho árduo e difícil, mas alguém precisa fazê-lo. A última pessoa que atendi chorava muito, se declarava culpada e, inclusive, se dispôs a assumir crimes que nem mesmo cometeu, na esperança que isso a trouxesse paz interior. Senti pena, confesso. Mas é preciso saber separar o pessoal do profissional, então simplesmente segui adiante com o processo.

Mas tinha algo naquela garota... algo que me incomodou. E acho que a resposta para meu problema atual estava ali, nos olhos dela. Olhos cinzas como a tormenta, o rosto molhado e vermelho devido ao choro. Os gritos ensurdecedores pedindo clemencia, mas ao mesmo tempo culposos e odiosos por si mesma.

Agora, aqui no chão frio eu me lembro dos detalhes. Do cabelo castanho claro em pequenos tufos e alguns espaços vagamente calvos, claramente caindo pelo estresse, pela culpa. A roupa singela, alguns diriam que até esquisita – contudo, aos meus olhos portava certo estilo e um reflexo da confusão interior da garota.

Foi quando caiu a ficha. Ali, na minha frente, estava refletido meu passado. O julgamento era meu. E eu me condenei a essa masmorra, depois de tantos anos condenando tantas pessoas que eu definitivamente declarava como culpadas, na verdade faziam uma imitação porca das características que eu mais repudiava em mim mesma. Nesse último julgamento finalmente aceitei essa repulsa, no fim das contas.

Até que a luz não faz falta. O lugar apertado faz jus ao meu coração. Até mesmo as algemas, elas nem apertam tanto assim; o sangue que sai das feridas jorra um vermelho vivo até bonito, para decorar o lugar.

Acho que mereço estar aqui.

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Postado 21/11/21 23:49

Nossa, que reviravolta. Bom, na minha concepção foi uma baita analogia ao que nós fazemos, julgamos os outros e talvez estejamos condenando a nós mesmos. É uma mensagem bem forte.

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