Moletom vermelho, mãos quentes e dentes de leão
Lovely
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 15/06/22 17:41
Gênero(s): Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 3
Comentários: 1
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Palavras: 291
Este texto foi escrito para o concurso "2ª Edição: Junho do Amor — Já estava escrito" “O destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase.” (E na mesma palavra — Paulo Leminski) Ver mais sobre o concurso!
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Moletom vermelho, mãos quentes e dentes de leão

Isso não era para ser sobre você.

Quando comecei a trabalhar nesse texto, meu cérebro automaticamente sussurrou seu nome. Depois de muitas idas e voltas por ideias sem sentindo decidi aceitar a sugestão. Posso ser simplória e utilizar as minhas próximas 300 palavras para citar como consegui dar um novo sentido a minha vida, mas eu sou boa em criar não em mentir.

Sempre me perguntei se víamos as coisas pela mesma lente e, se sim, como nossa estação final poderia ser aquela? Hoje percebo que eu precisava trocar de vagão. A tua falta me tornou uma observadora ávida, a tua volta me deu esperanças perigosas. Me esforcei na tentativa de amarrar e unir nosso futuro, só que o escoteiro era você, nunca aprendi a dar nós fortes.

Minhas memórias são repletas de momentos que, quando fecho meus olhos, consigo visualizar nitidamente. Posso lembrar da primeira vez que entrou na sala usando o nosso moletom, posso sentir suas mãos entrelaçadas as minhas enquanto eu roubava o calor corporal do meu sol particular, posso sussurrar os milhares de pedidos feitos com os dentes de leão secos que trazia para mim. Lembrar é a minha tortura predileta.

Acho, honestamente, que deveria te odiar, mas escrevendo esse texto entendo o porquê não consigo. Eu não teria chegado até aqui se não fosse por você ter percorrido esse trajeto comigo, me trouxe a um lugar que naquele momento eu não teria conseguido chegar sozinha.

Se o destino é algo inventado por não suportarmos o fato de que tudo o que acontece é acidental, você é meu acidente favorito. Podes não ser o amor da minha vida, mas você foi o amor nas medidas perfeitas para o nosso breve infinito.

Obrigado por ficar e ir embora.

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Postado 19/06/22 16:06

Inevitavelmente me identifiquei com o primeiro parágrafo — e não teve não quero que me impedisse de pensar coisas: elas vieram sem serem convidadas.

A saudade nem sempre é algo inteiramente ruim ou inteiramente bom, e acho que Moletom Vermelho narra isso muito bem. É uma saudade agridoce, que sente falta dos bons momentos e lamenta o que foi deixado para trás, o que acabou; mas que, ao mesmo tempo, sorri ao lembrar do que aconteceu. A antítese na última frase, ao meu ver, sumariza muito bem essa questão. Sempre que as pessoas aparecem em nossas vidas e se vão em seguida, elas nunca se vão de verdade; elas deixam conosco uma parte delas, e isso é impossível esquecer.

É um texto muito bonito, com certeza. Sra. Lovely, muito obrigado pela reflexão que me proporcionou!