Águas Profundas (Em Andamento)
Esfinge
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 18/06/22 15:54
Editado: 19/06/22 21:22
Qtd. de Capítulos: 19
Cap. Postado: 18/06/22 17:44
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 7min a 10min
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Águas Profundas
Capítulo 9 Capítulo 9

Na sala de Raiden, o mesmo estava furioso.

− Eu saio por um dia para caçar e vocês ficam para serem caçados aqui dentro, embaixo do nosso teto! Vocês são um bando de inúteis e se Cael morreu foi por pensar somente com a cabeça do seu pau.

Ele foi até os responsáveis pela guarda e distribuiu socos e chutes.

− Ainda deixaram ele fugir!

Os homens baixaram a cabeça esperando o líder acalmar sua fúria.

Raiden caminhou até a mesa de bebidas e pegou uma garrafa, bebendo direto do bico e depois jogando-a no chão.

O pássaro dragão-do-abismo era raro, ele tinha visto apenas ilustrações sobre eles nos livros, mas era fácil de reconhecê-lo pelas escamas que imitavam penas e a cauda em forma de lança. Sua especialidade eram ataques noturnos, pois seu corpo podia se transformar em sombras. O que facilitou sua fuga.

−Reforcem a vigilância e coloque uma barreira nas celas, composta por quatro pontas, cada guarda fará um selo e ela só poderá ser removida se os quatro se unirem − Raiden orientou − E por hipótese alguma tirem aquele ômega loiro da cela.

− Sim senhor. − Os homens se retiraram.

Katsuo, seu braço direito, estava sentado perdido em pensamentos, na sua frente estava o mapa do continente mostrando cada região. Alfinetes destacavam desenhos em alguns pontos.

− Eu me pergunto até onde essa besta sabe dos nossos planos. Essas criaturas são ardilosas e algumas delas podem até mesmo roubar rostos humanos. — Katsuo expressou sua preocupação.

− Eu pensei o mesmo. − Raiden olhou pela janela a escuridão da noite. − Não sabemos quanto tempo ela esteve aqui dentro. Por isso, vamos adiantar nossos planos. É perigoso ficarmos aqui, agora que elas sabem nossa localização.

Raiden caminhou até a mesa e ficou o punhal numa região específica.

Katsuo olhou para a região onde ele estava apontando. Ficava na divisa do continente e próximo onde o rio se encontrava com o mar. Eram milhares e milhares de quilômetros de selva, rios e pântanos.

− Achei que fosse deixar essa missão por último, quando ganhássemos dinheiro suficiente. Vamos precisar de muitos homens e equipamentos, fora os custos da viagem.

− Isso é o de menos, tenho minhas economias. Veja isso como um investimento. Essa região possui bestas de alto nível e até mesmo com sangue nobre. Dizem também que é muito rica em metais preciosos e ervas mágicas que só nascem lá. As bestas correram com todos os humanos que tentaram garimpar a região. Além de lucramos com a caça, podemos ser donos de toda a terra.

− E as tribos que vivem lá? Elas também são problemáticas e defendem essas bestas.

Raiden sorriu.

− Humanos são fáceis de matar. Vamos por etapa. Primeiro matamos a besta que está no topo da hierarquia.

Katsuo franziu o cenho e olhou para a besta desenhada no rio. Ela era uma besta real, que os antigos diziam ser de uma espécie que vivia milhares de anos na região.

− Você quer apostar nessa criatura de cara?

− Se usarmos a nossa nova isca, não terá risco.

− Mas não temos nenhum ômega dessa região.

− Segundo o informante que eu mandei para coletar dados, existe um templo em uma dessas tribos, lá é onde nascem a grande maioria dos destinados a estas bestas. Nós passamos lá primeiro. − Raiden pegou um frasco com pílulas vermelhas. − Usaremos os ômegas que estão aqui igualmente. Quanto mais feromônios ômega, melhor. Ela virá direto para nós.

− Tudo bem, você quem manda. Cuidarei dos preparativos.

− Vamos levantar acampamento o quanto antes.

Katsuo assentiu e levantou-se se despedindo.

• ────── ✾ ────── •

Aydan estava esperando em uma das salas da mansão, o criado tinha lhe trazido até ali e fechado a porta. Ele nem se preocupou em averiguar se ela estava trancada. Raiden sabia que não existia a possibilidade de ele fugir deixando seus irmãos para trás. Aydan caminhou pela sala que parecia ser para estudos. Nas paredes existiam cabeças de animais e também peles, deixando o ômega ainda mais anojado. “Ele mandou me trazer até aqui de propósito". Raiden parecia ser um caçador a muito tempo, sabe se lá quantas bestas tinham morrido pelas mãos dele. Ele foi até a estante mais próxima lendo os títulos “As bestas mais perigosas existentes” “As bestas e sua reprodução”. Parecia que ele tinha pensado naquele plano louco muito bem. Aydan foi para uma outra repartição descobrindo alguns instrumentos musicais. Uma Guqin estava apoiada na parede, chamando sua atenção. Aquele instrumento era de um tom mais claro e era entalhada com ornamentos dourados. Ele passou os dedos pelas cordas e percebeu algo escrito na madeira.

“A música é o caminho que liberta a alma.”

−Você se interessa por música? – a voz de Raiden o assustou.

Aydan o viu escorado na porta.

− Não. Estou somente olhando. – Ele mentiu. Não queria que aquele demônio soubesse nada sobre ele, muito menos seus hobbies.

− Entendi...sabe, esses instrumentos também são meus troféus. Esse na sua mão deve ter pertencido a alguma besta, ou seu companheiro. Não me lembro de todos que matei.

Aydan estremeceu tocando o Guqin, imaginando o final de seu dono. Talvez, assim como ele, o antigo dono havia tocado em momentos felizes. “Quantas vidas esse maldito planeja destruir?”

− Você deve ter ficado feliz com a visita dessa besta. Um ponto para vocês. − Raiden mudou de assunto.

Aydan o olhou sério, seu rosto não mostrava essa satisfação.

− Sem uma palavra? Tudo bem. − Raiden pegou um frasco na roupa e se aproximou dele. − Eu consegui converter a droga em pílulas. Você deseja testar?

− Isso é uma ordem?

− Não. Eu te darei a escolha de tomá-la ou não. − Ele puxou Aydan pela cintura e falou perto de seu rosto. − Sabe, hoje eu fiquei extremamente estressado, então eu quero me divertir…você escolhe se vai querer estar lúcido para essa noite.

Aydan o encarou com ódio, sua vontade era ter algum poder para matá-lo, ali e agora. Ele olhou para o frasco pensando. Da última vez, pelo menos ele não tinha nenhuma lembrança. Se houvesse uma forma de anestesiar seu corpo, melhor.

− Eu escolho tomar. −Ele tentou pegar o frasco, mas Raiden pegou sua mão.

− Ok, mas antes eu quero tomar um banho e comer alguma coisa.

Aydan mordeu os lábios. “Desgraçado”

Raiden o levou até a sala de jantar, mostrando a casa e o jardim por onde passavam, como se ele fosse uma visita. Aydan nunca tinha visto tanto luxo e riqueza. Todavia, ele jamais escolheria viver ali, mesmo por todo dinheiro do mundo.

Na hora de comer, toda a fome tinha ido embora. A presença daquele homem lhe dava inúmeras sensações de desgosto.

Raiden, por outro lado, estava curioso sobre o ômega. Era óbvio que ele o odiava toda vez que os olhos de Esmeralda caiam sobre ele. A razão do interesse naquele ômega tinha inúmeras possibilidades. A primeira era que Raiden era um caçador que sempre gostou de possuir, seja lá o que quer que ele desejasse, a segunda era aquela ligação com as bestas, ele sempre teve prazer de caçá-las e domar aquele instinto animalesco. E por último − inveja. As bestas possuíam parceiros nascidos especialmente para elas, um parceiro forte que lhe daria herdeiros. Raiden analisou o ômega a sua frente. “E se… existisse tal possibilidade?” no mundo da cultivação nada era impossível. Ele teria que falar com seu curandeiro sobre isso.

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Comentários (1)
Postado 19/06/22 03:19

Me recuso a gostar do Raiden, e estou me controlando para não associar ele ao Sérgio de pintura noturna KKK. Obrigada por essa maravilhosa obra, quero mais <3

Postado 19/06/22 19:54

Agora vc me pegou...qual deles será o pior?