Dia 29 (Terminado)
Ana Luz
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 14/08/16 15:41
Editado: 07/02/20 22:40
Qtd. de Capítulos: 2
Cap. Postado: 14/08/16 15:41
Cap. Editado: 28/12/16 23:20
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 12min a 16min
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Palavras: 1948
[Texto Divulgado] "Liberdade da tua Voz" Quando algo tão belo cai em nossas redes, o certo é soltar.
Livre para todos os públicos
Dia 29
Capítulo 1 Dia 29

Morgana

Hoje estava completando um longo, árduo, tortuoso e sem fim, mês que eu não via Gus. Por que, caralhos, eu fui me apaixonar logo pela droga de um escritor europeu? Pra ele ter que me largar aqui sempre que lança a droga de um livro? Eu não sei sobreviver apenas de ligações. Não sei, mesmo.

Pode já ter completado cinco anos que estamos juntos, com muitos altos e baixos, lógico, mas isso não quer dizer que eu não sinta a falta dele depois de um longo período de tempo.

Sei que por um ou dois dias ele ficará na Irlanda. Eu sempre quis ir para a Irlanda, maldito. Okay, ele me convidou para ir junto, mas eu tenho que trabalhar, dinheiro não cai do céu.

Para completar, mamãe decidiu que a vida de Vickie, minha irmã mais velha, era perfeita. Já que era casada, tinha um ótimo emprego, um marido excelente e, para completar, estava grávida de seu primeiro filho.

Não é só porquê após, apenas dois anos de namoro e ela se casou que eu tenha que fazer o mesmo. Não é só porquê se passaram cinco anos e ele nunca tocou nesse assunto que eu tenho que falar. Não é só porquê eu quero muito que vou importunar Gus para isso. Mesmo que minha consciência maligna esteja me tentando sobre isso. Ainda bem que a consciência boazinha está contendo-a.

Hoje havíamos ido até a casa de mamãe para receber a notícia de que Vickie está grávida.

Ela foi a última a chegar. Mamãe ficou decepcionadíssima por Wendel, seu marido, não estar junto.

– Preferi eu dar a notícia sozinha, já que estaríamos apenas entre mulheres – falou com um sorriso brilhante no rosto. O qual não saiu de seu rosto em nenhum momento. E, claro, eu esqueci de agradecer por ela me lembrar que estava sem o meu macho. Obrigada, Vickie, nem estou carente mesmo.

Iríamos beber o maldito chá da tarde, que me fazia lembrar dos malditos costumes ingleses, que, por um acaso, era do meu maldito namorado. Só estava o xingando de uma forma não amorosa porquê ele não havia me ligado no dia anterior, como era de praxe e por Vickie falar toda animada de como Wendel estava quando mamãe perguntou.

A única que estava entediada e brincava com o chá em vez de prestar atenção em Vickie, era Alice, minha irmã mais nova. Pois é, sou a irmã do meio, e, geralmente, isso é um porre. Mas não vamos discutir sobre isso, agora.

Quando mamãe repreendeu Alice por ela ter deixado um pouco de chá cair da toalha de mesa, ela bufou impaciente e reclamou que Vickie não calava a boca. Como já era comum Alice falar tudo na lata, mamãe apenas revirou os olhos e tentou voltar a conversar com Vickie. Mas como a boa irmã mais velha e com a alma mais bondosa da família, após papai, ela perguntou se Alice queria contar alguma coisa.

– Nada que Sra. Newman se orgulhe – falou desinteressada, agora brincando com o esmalte de suas unhas.

– Fale mesmo assim. Não está saindo com ninguém? Ainda trabalha no estúdio de tatuagem? Como vai a faculdade?

E é nesse momento que eu agradeço a Deus por Sra. Newman já ter engolido o chá quando Alice fala:

– Tranquei a faculdade.

– Por quê? – Alice fez careta.

– Não era bem o que eu esperava, talvez continue daqui um tempo. – E bebeu seu chá, que já deveria estar amargo de tão doce.

Então, para irritar um pouco mais nossa mãe, falou que estava pensando em morar com um amigo em vez de voltar para casa ao sair dos dormitórios da faculdade. Mamãe ficou branca e tentou tirar algo dela, como: “vocês pretendem se casar?”, “quando vou conhecê-lo?”, “ele é igual a você?”. Eu entendi o que ela quis dizer com igual a você. Ela queria saber se ele também era um “perdido” como Alice. Cheio de tatuagens, orelhas furadas que larga a faculdade sem mais nem menos. Mas, provavelmente, não era. Para Alice ir morar com ele, ele deve ser um cara de bem e sem nenhum envolvimento romântico ou sexual com ela, já que ela não quer se apegar a ninguém desse jeito cedo demais.

Percebi Vickie desconfortável e, em sua cabecinha de nova mamãe número um, ela procurava um assunto para abordar e acabar com a discussão entre Sra. Newman e sua filha antes mesmo de começar.

– Como está Gus, Morgana?

Ótimo, perfeito. Sobrou pra mim. De novo.

– Bem, eu acho, não nos falamos hoje ainda. – Dei de ombros. – Já está terminando essa viagem de divulgação, acho que volta em menos de duas semanas. – Infelizmente. Mas não vou acrescentar isso para ela, muito menos na frente de Brooke Newman, que logo começaria a falar mal dele pelo simples fato de não ver uma maldita aliança em meu dedo. Se ela soubesse que ele já me convidou para morar com ele, ela surtaria ainda mais.

– Ele já passou aonde?

Tentei me lembrar com clareza, tomei um pouco de meu chá antes de falar:

– Pelo que me lembro, Londres, Liverpool e mais algumas pelo Reino Unido. Agora ele está na Irlanda, Dublin se não me engano.

Logo nossa mãe voltou a focar em Victoria quando eu desconversei sobre casamento. Alice e eu ficamos encarregadas de retirar as coisas do chá e ela me perguntou o que eu estava achando da gravidez.

– De se esperar, ela não é a filha perfeita? Então, só faltava o filho. – Alice se sentou na bancada e passou a pentear o cabelo com as mãos. Esse novo corte de cabelo dela ainda era recente. A franja ainda era a mesma, mas o comprimento do cabelo havia mudado.

– E de minha faculdade? – questionou parecendo distraída, mas eu sei que estava bem focada no que quer que eu respondesse.

– Bem, ninguém pode te forçar a cursar algo que não queria. Você nem queria entrar na faculdade, para começo de conversa. Acho que você tem que fazer o que te faz feliz, não só para agradar alguém.

E foi a vez dela perguntar sobre mim. Eu e Gus para ser mais precisa.

– Muito torturante, ele está tão longe.

Alice riu e após acabar com o ataque de risos, falou:

– Achei que fosse falar do relacionamento, não da distância. – Revirei os olhos sorrindo sem mostrar os dentes. – Por que não foi junto? Você me disse que ele te convidou. – Olhou-me repreensora e segurei a vontade de rir. Mesmo ela tendo uma aparência ameaçadora, ela é um doce de pessoa e não me assusta com esses olhares. Não mais, já me acostumei com essa cara feia que ela faz.

– Tenho que trabalhar, acha que ganho dinheiro como?

– Pedisse férias. – Deu de ombros. – Tudo pelo amor e viajar para vários lugares. – Ri.

– Interesseira – acusei-a e joguei o pano de louça nela que revidou.

– Viajar é cultura, não me venha com essa. Só iria aproveitar uma oportunidade. – Fez biquinho e cruzou os braços. – E podia me levar junto. – Balancei a cabeça em negativa. Alice não tem jeito mesmo.

– Vai ir morar com seu amigo, mesmo?

– Nem tenta desconversar, isso não funciona comigo – declarou. – Podia fazer uma surpresa pra ele. Imagina, você chegar lá do nada e então vocês se abraçam e beijam e fornicam a vontade. – Ri, não, melhor, eu gargalhei com essa frase de Alice que tentou não rir junto.

Fomos para meu apertado e aconchegante cubículo que eu chamo de lar naquela noite. Ela queria manter distância da colega de quarto e usou a desculpa de precisar conversar comigo para ir junto e passar a noite no meu apartamento. Ela até não reclamou quando fui atender a ligação de Gus, como sempre faz, para eu não mandá-la embora.

– Bom dia, raio de sol. – Sorri ao escutar sua voz. O que a saudade não faz com as pessoas.

– Boa noite, Sr. Reviere. – Ele riu fraco do outro lado e então suspirou.

– Queria ver você falando meu sobrenome, sua boca fica tão provocativa. – Ri junto com ele em seguida.

– Fazer o que se estou abandonada aqui, largada aos cachorros. – Fez barulho de negação por conta de meu drama.

– Te convidei para vir... – Suspirei.

– Eu sei, mas já falamos sobre isso.

Estirei-me sobre a cama após fechar a porta do quarto. Alice não precisava ver eu fazendo drama e sendo manhosa por não o ter aqui.

– Gus.

– Huh?

– 'Tô com saudade.

Podia imaginar ele abrindo um sorriso nesse momento.

– Não mais do que eu, Curly.

– Nem vem, você sabe quem ganha essa discussão. Eu que sinto e acabou. – Riu.

– Você sempre ganha, não posso ganhar desta vez?

– Hmmm. – Fingi pensar. – Não. Eu não ganharia nada daí.

– Huh, podemos discutir isso. – Sorri.

– Podia voltar logo – sugeri com uma voz manhosa que ele sempre acha graça.

– Você podia vir aqui. – Foi a vez dele de sugerir. – Vou passar em Paris, daqui uns dias, romântico, não? Você iria gostar.

– Eu vou ver o que posso fazer – disse, mesmo sabendo que seria quase impossível.

– Morg.

– Huh?

– Não vai vir, não é mesmo?

Consegui sentir o tom de decepção dele ao falar. Como eu queria estar com ele nesse momento para lhe abraçar e acariciar os cabelos para fazê-lo se sentir melhor...

– Vou tentar ir – falei sentindo minha vontade de conseguir ir, maior.

Perguntou como estavam as coisas e eu perguntei como estava sendo a divulgação de seu livro. Falou que havia encontrado um antigo amigo e disse que o mesmo lhe acompanharia até Paris.

– Sabe sua proposta sobre morar com você?

– Aquela que você negou? Sei. – Ri de sua manha. Veja só, eu não sou a única manhosa dessa relação.

– Talvez eu aceita se você perguntar de novo, porque eu não vou mais conseguir me afastar de você quando estivermos juntos de novo.

– Então vou te propor outra vez, mas se você negar de novo, eu juro que vou fazer greve. – Gargalhei e fiquei de bruços na cama, remexendo os pés no ar.

– Greve de quê?

– Huh, de tudo. – Abafei uma risada.

– Se você fazer eu também vou. – Riu.

– Acho que não funciona desse jeito.

– Vou fazer funcionar – declarei.

Alice bate em minha portar anunciando que a pizza que pediu já havia chegado.

– Minha irmã pediu pizza, espero que seja de queijo. – Riu baixo. – Tenho que desligar agora. – Soltei um muxoxo.

– Ligo amanhã e que você já saiba se vai vir até Paris.

– Amanhã a gente vê isso.

– Curly?

– Huh.

– Eu te amo. – Sorri.

– Também te amo, Gus.

Então, eu tive que desligar e seguir até a sala para comer pizza com Alice. Ela questionou sobre o que conversamos e achou muito fofo ele insistir para que eu vá até Paris com ele. Mas logo bolou um plano mirabolante dizendo que eu deveria ir antes.

– Mas ele não está em Paris ainda. – Sorriu travessa.

– Isso mesmo. – Franzi o cenho. – Ele 'tá em Dublin, não é? – Concordo. – Então vá até lá.

– Por quê? Tudo bem que eu queira ir, mas... por quê? – Revirou os olhos.

– Casamento.

– Que?

– Ca-sa-men-to.

– Entendi a palavra, não entendi o porquê dela.

– Quando duas pessoas se amam muito...

– Alice, não enrola.

– Você. Ele. Dublin. Dia 29. Pedido.

– Era pra fazer sentindo?

– Você também, hein? Use seus neurônios, Morgana. Esse é um ano bissexto e todo ano bissexto, no dia 29 de Fevereiro na Irlanda, os homens não podem negar um pedido de casamento.

Silêncio.

– Está propondo que eu o peça em casamento?

– Sim, ué. Direitos iguais, as mulheres podem pedir o homem em casamento. Sem contar que ele é lerdo demais e vocês são muito fofos juntos.

Foi assim que eu, influênciada acima de tudo pela minha carência, decidi ir até a Irlanda rezando para todos os deuses que conheço para conseguir chegar até o dia 29.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Terá apenas dois capítulos. É uma narrativa como se fosse um conto, só que dividido em duas partes. Espero que tenha gostado até aqui :3

Apreciadores (3)
Comentários (1)
Postado 14/08/16 16:48

Oi! Gostei da proposta, bem interessante. Isso é verdade? Aqui no Brasil, é o contrário: dizem que casar dia 29/02 dá azar. Pelo menos, foi o que meus amigos (que casaram nesse dia) ouviram.

Bem, gostei da história. Interessante, e essa parte do incômodo com a irmã dá um toque de realidade. Não ficou tipo aquelas histórias melosas, em que tudo é perfeito. Uma escrita leve, o texto fluiu e eu terminei o capítulo rapidinho. Só achei que tinham algumas redundâncias, mas nada que uma boa revisada não conserte.

Parabéns pelo capítulo! Lerei o próximos, vamos ver no que essa história vai dar.

Postado 15/08/16 19:49

Acho que foram padres que criaram isso de homens não poder recusarem e serem amaldiçoados se o fizessem, pois haviam muitas mulheres solteiras que os homens não queria e era pra resolver esse problema. Já faz tempo que pesquisei sobre, então deve ter algo diferente se for procurar, pois não lembro de tudo agora.

Eu escrevi essa história para um concurso e por isso não revisei depois de publicá-la no site, postei agora e achei que não deveria mudá-la (ainda), arrumei uns erros de português e tal, mas deixei a história igual ao outro site que postei. Algum dia eu arrumo tudo direitinho e deixo menos... repetitivo.

Muito obrigada, espero que goste do próximo capítulo :3

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