Live
Azurisky
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 21/08/16 22:03
Editado: 10/01/17 17:33
Gênero(s): Terror ou Horror
Avaliação: 9.4
Tempo de Leitura: 11min a 15min
Apreciadores: 6
Comentários: 4
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Palavras: 1827
[Texto Divulgado] ""
Não recomendado para menores de dezoito anos
Capítulo Único Live

Final de manhã, último tempo e, como sempre, risadinhas e comentários nada discretos de alunos bobocas. Tudo como sempre fora desde o início do semestre. Rotina me cansa mais do que piadas de mal gosto e por essa razão hoje eu decidi, enfim, mudar as coisas. Não vou dizer que acontecerá algo realmente especial para não criar expectativa…

Enfim a aula acabou. Arrumei minhas coisas bem devagar para que todos os idiotas despreocupados fossem na frente. Odiaria ter que caminhar lado a lado dos mesmos. Já é mais do que suficiente ter que respirar o mesmo ar. Quando saí, o que vi não me surpreendeu. Como eu esperava, pessoas exaltadas conversavam e debatiam assustadas e curiosas. O motivo? A faculdade estava repleta de papeis com os seguintes dizeres: “Hoje as onze horas visitem esse site. Algo colossal está para acontecer”. Ignorei-os completamente e segui meu caminho até a biblioteca. Tinha coisas importantes – e rotineiras – para fazer.

Permaneci lá estudando até anoitecer. Como sempre, saí pelo portão norte, caminhei vinte minutos e cheguei até a estação de metrô. Lá esperei alguns minutos e, depois de pegar a condução, cheguei em casa em meia hora. Cumprimentei meu hamster e me joguei no sofá.

— Que merda de rotina. — Suspirei cansado de tudo.

Bem, ficar no sofá não ia mudar nada. Então me levantei e, depois de tomar banho fui organizar algumas coisas. Chequei e-mails, assisti vídeos, lavei a louça de semanas e fui verificar a corrente dos prisioneiros. Tudo certo, como sempre. Olhares em pânico, ossos sacolejando de medo… O de sempre.

— Estou cansado disso também. — Chutei o que estava mais perto de mim.

Saí do quarto e fui até a sala. Liguei a TV e procurei entre os canais qualquer coisa boa para ver.

— Que horas devem ser? Hum… Oito e vinte. Acho que eu vou apressar a live. Não tem nada para fazer mesmo.

Voltei ao quarto onde os dois prisioneiros estavam, pus a máscara e acendi a luz. Nesse momento ambos gritaram com as mãos em seus olhos. Sorri. Ignorei-os choramingando e implorando e liguei o computador. Li algumas notícias e sem enrolar iniciei a live. Como esperado, ninguém estava online naquela hora. Fiquei meio chateado. Bem, não é como se isso fosse me impedir. Eu queria fazer algo diferente. Ter pessoas assistindo só tornaria a atividade mais divertida. Repentinamente duas pessoas visualizaram. Me empolguei. Apareci na câmera e dei um tchau. Fui ler os comentários e, como esperava, eram bem bobocas.

“Qual foi, mongolão? Que porra é isso?”

“Comprou essa máscara em qual lojinha de 1,99? Kkkkkk”

— Mais do mesmo. — bufei irritado.

Levantei da cadeira e posicionei a câmera de modo que focasse nos dois “rapazes” acorrentados. Nesse momento já tinha dez pessoas. Olhei de relance os comentários:

“Que porra é essa?”

“Mano, isso tá n tá com uma cara boa”

“Caralho, ces n tão vendo que é fake? Bando de otário kkkkk”

Ignorei, caminhei até o armário e o abri. Estava confuso com qual ferramenta iria escolher. Já sei! Voltei ao computador, liguei o áudio e perguntei:

— Qual vocês preferem? — Após pronunciar, os dois prisioneiros tentaram gritar por socorro.

Mutei novamente e levei a câmera até o armário.

“Agulha! Enfia no cu desses retardados uhsuahsuhasus”

“Esse chicote de cacos aí”

“Agulha! Agulha! Agulha!”

Mais de trinta pessoas online. Bem, a maioria pediu agulha então foi o que eu peguei. Pus a câmera no seu lugar de início e direcionei-me até o rapaz mais assustado. O cara tremia tanto que seu maxilar fazia barulho. Oh, quase me esqueci! Preciso desmutar para isso ser divertido.

— Feito. Agora é a parte mais divertida da live. Espero que aproveitem. Para sugestões deixem comentários!

Fui até o rapaz e abaixei. Apenas isso fez o pobre mijar-se de medo.

— Eu realmente não entendo o porquê de todo esse temor. Juro para vocês — olhei para a câmera — que nada fiz desde que os capturei. Bem, na verdade, para tal eu precisei dar uma ou duas pauladas na cabeça, mas tirando isso… nenhuma violência. Até preparei o rango deles. — Ri. — Bem, isso aqui foram eles que escolheram, meu caro. Inicialmente vou usar como eu quiser, mas fique tranquilo que hora ou outra vou realizar um pedido.

O rapaz chorava a ponto de seus olhos transbordarem. O outro permanecia calado no canto. Era o mais velho e o mais resistente. Ainda tentava libertar-se das correntes — mesmo seu pulso estando em carne viva após inúmeras tentativas de quebra-las.

— Bem, estou enrolando demais, não é mesmo? — Fui até as costas do homem e girei um registro de modo que apertasse as correntes impedindo os movimentos do mesmo.

Claro, tudo naquele quarto fora milimetricamente planejado para minha diversão. Foram momentos divertidos fazer o planejamento de tudo, comprar as ferramentas e tudo mais. Deixei os pensamentos de lado e tornei a ficar de frente para o jovem nu.

— Talvez eu devesse tê-los dado banho… que fedor! Urgh. — Peguei o celular do bolso e entrei na live apenas como telespectador. Assim ficaria mais fácil ver os comentários.

“Manoooo que loucura”

“Aposto que ele vai furar o cara todinho”

“Alguém sabe se isso é marketing pra algum filme de terror?”

Pus o celular no bolso e dei início a diversão. Abaixei, peguei um pano que estava no chão – meio com nojo, visto que o mesmo tinha cheiro de urina – e pus na boca da vítima. O rapaz se tremia com todas as suas forças. Podia ver que o mesmo tentava a todo custo vomitar.

— Bem, quer um conselho? Melhor você se conformar. — Com a mão direita segurei a pálpebra inferior do rapaz e com a esquerda enfiei a agulha de modo que a mesma atravessasse o outro lado. Repeti o processo com o outro olho e parei para admirar a obra de arte. Peguei o celular e li os comentários.

“CARALHOOOOO, MANO, TA MUITO REAL ISSO NA BOA”

“Gente, isso não ta legal. Melhor ligar para a polícia”

“Ah, vai tomar no cu. Sai daqui se tu não aguenta, virjão”

Eu não esperava que fosse ter tanta admiração. Esperava, na verdade, que fossem todos odiar ou sentir repulsa. Enfim, guardei o celular. Cada mão segurou uma agulha e repentinamente arranquei-as. O rapaz já não tinha forças para chorar ou implorar.

— Gente, isso está muito básico, não é? O cara nem sangrou! Não queria apressar a diversão, mas isso está bem entediante!

Fui até o armário e peguei um machado. Aquele era especial. Importado, pesado e, principalmente, afiadíssimo. Provei seu poder de corte desfazendo com facilidade a pele da mão do rapaz. Cortou facilmente assemelhando-se ao corte de uma faca em um bolo. Quase tive um orgasmo.

— Finalmente sangue! — Fiz um corte circulando o pulso. Após, com as duas mãos abaixei a pele. — Parece uma luva! — Gargalhei. — Aposto que vocês estão invejando esse lindinho aqui. — Disse mencionando o machado.

“Mano… Sem palavras”

“ligando pra polícia em 3, 2, 1”

Mais de trezentas pessoas online. Notei uma instabilidade na minha conexão. Bem, certamente era a polícia agindo, mas eles não iam conseguir me descobrir tão fácil.

— Bem, infelizmente, você vai morrer rápido. Eu realmente não queria que fosse, mas eu não sou do tipo que gosta de brincar muito.

Fui até o armário e peguei outra corrente. Amarrei-a na outra e ergui com força os braços do homem quase desacordado. Tendo feito isso, rodeei seu corpo com o machado em sua carne cortando de cima para baixo. Era uma linda visão de sangue escorrendo.

— O que estão achando? Lindo, não é?! — Disse orgulhoso. — Vamos acabar com o sofrimento dele logo. Posicionei-me atrás de seu corpo moribundo, apontei o machado na altura de sua cabeça e, sem demora, desferi golpes de força mediana em seu crânio.

Não precisava muito esforço. Sua lâmina era tão poderosa que até fios de cabelo eram cortados durante. Fui até a mesa do computador, peguei a câmera e mostrei o que tinha feito. Pedaços de ossos e sangue com cérebro caiam da cabeça do falecido. Mais de mil pessoas online. Quem diria? Eu não esperava tanto.

— Estão gostando? Eu sei que sim. No fundo todo mundo que está assistindo queria poder fazer isso, mas lhes falta coragem. — Ri debochando. — Eu não esqueci de você! — Olhei para o rapaz ainda vivo no outro canto.

Em seus olhos não havia mais nenhum vestígio de resistência. Parece que a cena o fez despertar e conformar-se que não havia saída. Caminhei até ele e o livrei da corrente que o prendia na parede. Permanecia preso, contudo, pois suas mãos e pés estavam algemadas.

— Vá até seu amigo e coma seus restos. — Disse entediado enquanto colocava a câmera sobre o armário. O homem me olhou chocado. Seu olhar expressava confusão e medo. — Ah, não me faz repetir.

O homem engoliu seco. Após alguns segundos, com dificuldade pôs-se de pé. Caminhou devagar. Eu podia ver seu suor escorrendo. Ele olhou para os restos do outro e teve ânsia de vômito. Confesso que senti um pouco de pena. Ele fechou os olhos, segurou os braços do falecido e lentamente se aproximava.

— Argh, que demora! — Impaciente desferi um golpe no rosto bonitinho. Sangue jorrou na parede.

O homem caiu completamente sem forças, embora vivo, no chão. Agonizava tentando impedir o sangue de se esvair completamente de seu rosto. Peguei-o pelo pé e o arrastei até o canto que estava no início. Amarrei suas pernas e girei outro registro dependurando, então, seu corpo. Debatia-se amedrontado implorando para deixar-lhe vivo. Seu sangue pingava como uma torneira.

— Bem, acho que termina aqui. — Olhei o número de pessoas online e ri. — Uau, mais de mil pessoas! Me sinto famoso! — Gargalhei. — Como presente, deixarei a live acontecer até que o rapaz morra, ou até que interceptem-me. Vejo vocês qualquer dia desses! — Já estava a ponto de sair quando vi comentários surgirem com uma velocidade incrível.

“Ei, responde a gente!

“Cara, isso é sério? Não pode ser…”

“Mano, melhor teaser ever! Me surpreendo com o marketing desses caras”

“vou ver esse filme nem que eu me prostitua pra ganhar dinheiro! Uhasauhshua”

— Ok, o que querem saber? — Li os comentários em busca de perguntas interessantes no meio daquela enxurrada de bobocas. — Oh, sim. Bem, eles dois não são pessoas que eu odeie ou coisa assim. Na verdade nem conheço os nomes. — sorri — Escolhi-os aleatoriamente. Andando na rua a noite.

“Vai deixar ele vivo?”

“O que vai fazer depois?”

— Como eu disse, vou deixar ele pendurado aí até que alguém apareça. Será que ele vai ter a sorte de sobreviver? — Ri alto. — Bem, como eu sei que a polícia já está tentando descobrir meu paradeiro, vou fazer o que fiz da última vez. Sair do país, recomeçar uma nova vida e, quem sabe, me divertir assim de novo. — Pus a mão direita ao lado da boca e cochichei — Dica para vocês, queridos oficiais. — Ri debochando. — Bem, é isso! Até a próxima, pessoal!

Saí do quarto, arrumei uma mala com roupas e saí com a gaiola do meu hamster em mãos.

— Vida nova! — Suspirei renovado.

❖❖❖
Notas de Rodapé

#AcademiaCarnificina

Agora sou Soberana "Çatanica"? qqqqqqqqqqq

Agradecinentos ao Daniel, pela capa e a quem porventura leu até aqui. Até a próxima!

PS: Erros propositais nas frases entre aspas que simulam chat na internet.

Apreciadores (6)
Comentários (4)
Comentário Favorito
Postado 21/08/16 22:45

SATÃ! SATÃ! SATÃ! SATÃ!

Nossa, o que foi isso, Jovem Poder? Acaso decidiu escancar as portas da DW para os incautos da Academia?! Que texto maravilhoso temos aqui, pelo sangue do Anticristo!

Senti-me imediatamente transportadopara dentro da obra, na pele de um dos telespectadores desta live diabolicamente magistral, observando a tudo com o mesmo sorriso psicopata do protagonista deste show de horrores! Satanás, a narrativa e os detalhamentos (tanto do cenário, quanto dos diálogos e principalmente da carnificina em si) foram absolutamente perfeitos!

Outro ponto muito positivo foi mostrar o lado do personagem principal em relação a tudo o que viria a acontecer e o que estava ocorrendo... Pelo Inferno, o desgraçado tem um carisma dos diabos! Pobres seres humanos ao se depararem com alguém sem qualquer empatia (ou ao menos um nível que o impeça de fazer o que queria... Fazer o que lhe dava prazer...). Os maiores monstros do mundo sempre serão humanos. Sempre.

Outra coisa que me agradou demais foi a sua preocupação (de praxe, por sinal) em tornar tudo muito verossímel com explicações robustas e, ao mesmo tempo, sucintas. É o tipo de monstruosidade que poderia ser cometida na vida real com toda a certeza de modo idêntico ou pior. Aliás, o mais escabroso é que sua obra de certa forma é verídica, pois quantas e quantas "Lives" temos ocorrendo desde que esse (i)mundo existe? Com ou sem câmeras, testemunhas, sofisticação e planejamento... A carnificina continua.

Todo dia. Toda hora.

Pqp, que foda! Poderia falar sobre este texto por um bom tempo! Mas creio que a senhorita me entendeu. Estou "all fired up" com essa leitura! Sério, a senhorita foi MUITO do Mal aqui! Depois fala de mim...

Foi de longe sua obra mais doentia até agora euma das melhores, com toda a certeza! Eu humilde e grandemente lhe congratulo e agradeço por tecer mais uma obra de sucesso e qualidade acima da média (e como eu poderia esperar menos de tão doentio Jovem Poder?!)!!!

Atenciosamente,

O ser que estava olhando a Live esperando as agulhas serem enfiadas no ânus e no pênis dos infelizes, Diablair.

Postado 22/08/16 10:04

Por que eu achei tanta graça quando ele disse que ia sair do país?

Ah é!

Por que ele é como o Zodíaco

JAMAIS FORA ENCONTRADO MWAHAHAHA

Parei...

Está incrível foi um dos mais incríveis de psicopatia que eu já li

Parabéns Azuri gatinha-banana

Postado 22/08/16 20:10

Obrigada de verdade, Gabiiiii <33

Postado 28/09/16 12:26

Quase não li o texto inteiro. Mas, forcei-me a ler. Motivos? Pois bem, o primeiro é que foi escrito por você, Joi. O segundo, por que eu não sou tão virjona assim -q Tenho meu lado macabro também e o forcei a aparecer pra ler essa obra horrosamente estupenda.

Seu texto me lembrou de um filme que eu vi, que o cara fazia barbaridades enquanto mantinha a stream ligada. Foi um dos filmes mais legais e cheio de surpresas que eu já vi; o mesmo vale para o seu texto.

Eu li cada palavra com um tesão que eu não consigo explicar de uma forma clara; só sei que sentia-me cada vez mais faminta pelo que contexto e acontecimentos futuros. E, bom, confesso que estava saboreando cada linha que você descrevera. É impossível não sentir certo prazer ao ler teus textos, eles são simplesmente fantásticos.

Postado 28/09/16 14:34

Viii <3 <3 <3

Anwww, obg por ter lido <3 Particularmente gostei muito de ter escrito hehehe. Nossa, obg pelos elogios, mas agradeço mesmo por ter lido <3

E que bom que te agradou <3 <3 OBG <3

Postado 10/10/16 22:34

Ajoelho-me perante ti, ó mestre (que não é mais mestre)

Já disse no feedback do Torneio, mas torno a dizer: Senti-me totalmente enganada! Eu pensei que a criatura “normal” seria a vítima ou sei lá o que, e não o assassino psicopata e sinistro. Gostei muito de ser enganada, sério!

Queria ressaltar, antes de tudo, que sou um pouco mais doente que o Diab, pois não me senti na pele do telespectador, mas sim, na do protagonista divo! Acho que me senti assim por causa da tortura dos olhos. Não sei se você sabe, mas tenho certa fissuração por olhos... É uma coisa sinistra e quando o assassino pegou as agulhas e começou a tortura pelos olhos, eu quase pulei da cadeira de tanta felicidade. (Sorry vítimas, mas olhos são olhos... E eu sou um ser estranho, então.)

Onde eu acho um machado assim? Sério, preciso urgentemente de uma preciosidade dessas, pois não sou um ser que vive apenas de facas! Embora tenha feito maior fama com elas, machados e foices também existem em minha macabra e preciosa coleção. Por favor, se conseguir entrar em contato com o carinha, pergunta onde ele arrumou e me fala! (Acho que já estou viajando muito, né? Desculpa.)

Todo o seu texto beira o real, mas essa parte... “No fundo todo mundo que está assistindo queria poder fazer isso, mas lhes falta coragem.” Achei a mais pura das verdades. Tem muita gente que sonha em fazer essas coisas, mas nunca arrumam coragem, para a sorte de muitos.

Sobre esse personagem, aposto que ele recebe pedidos de casamento diariamente. A criatura é tão diva e elegante e faz tudo com tanta classe, dedicação e amor que acho impossível não ter mulheres e homens aos seus pés.

Ok, acho que já devaneei muito, né? Vou parar por aqui! Parabéns pela Live, e espero que você deixe o seu lado Dark aparecer mais vezes aqui no site! U_U

Postado 12/10/16 11:35

Que massa! Tu captou a essência "elegante" do carinha hahaha. Queria ter feito isso e tava preocupada que ninguém ia reparar xD

Nossa, você pare, hem. Eu não sei responder comentário assim T-T.

Me perdoa, mas sério, muito obrigada por ter lido e por cada palavra aqui. De verdade <3

<3 <3 <3