Este não é um poema sobre amor
Giordano
Tipo: Lírico
Postado: 25/08/16 00:00
Gênero(s): Poema
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 2min a 3min
Apreciadores: 13
Comentários: 3
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Palavras: 384
[Texto Divulgado] "Sem história " Esse é um conto bem ao contrário e entendedores entenderão as entrelinhas dele
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Este não é um poema sobre amor

Lembras quando sequer nos conhecíamos

E eu olhava desconfiado,

Por cima do ombro, meio desengonçado,

Só pra ver se tu olhavas para mim?

Lembras que eu fingia desapego,

Que era extremamente fechado,

Que aparentava querer falar com seu ninguém,

Que vivia a sós com minhas particularidades

Longe de quaisquer inseguranças

Da pura e nada amigável realidade.

Lembras que quando alguém saia

Eu mudava de cadeira

E acabava bem ao lado teu,

“Fica mais perto do quadro”, eu dizia,

Você ria,

Eu ganhava meu dia.

.

Lembro de ficar meio sem graça,

Aqui entre nós, como sempre me acho ser,

Mas, daí, observo você sempre rir de minhas piadas

E, por aquele segundinho, mudo de opinião,

Fácil assim, por que não?

Lembro de ficarmos bem mais amigos,

Lembro de trocarmos sorrisos,

Alguns momentos de euforia,

Outros de profunda desavença,

Mas sempre um abraço de “bom dia”.

Lembro de rir só por que tu rias,

Lembro de ter falado uma vez do teu perfume

Para ter uma desculpa para inspirar profundo,

Fazia um bem, de lembrar o sentimento,

Mesmo sem tua presença ainda me inundo.

Recordo que nos gostávamos

E tínhamos um carinho extremo um com o outro,

Os outros brincavam que deveríamos namorar,

Eu ria, envergonhado por dentro, e te dava o aval,

Sempre aparentando concordar com tua decisão

De que “não, só amigos.”.

Até o dia que deixaste de responder isso...

Foi quando percebi que também rias desengonçada

E se privava do que sentias internamente.

Daí por diante foi só o tempo

Para que eu superasse minha insegurança,

Para que superasses tua inconstância

E para que pudéssemos conversar sobre o assunto,

Para que pudéssemos rir da falta de assunto

E perceber que toda temerosidade era passageira,

Que não tardava para a verdade derradeira,

Não havia contradições,

A resposta era simples e curta,

Entendíamo-nos como ninguém,

Estávamos aquém dos melodramas

O presente era nosso para desfrutar.

E tudo era verdade,

Um mar de rosas,

Um campo de cerejeiras.

Era,

Até o dia que foste embora,

Até o dia em que o mar salinizou,

As rosas empalideceram-se

E a sujeira no quintal,

Provida da cerejeira,

Não mais justificava sua beleza.

.

Este não é um poema sobre amor,

Este é um adeus que se alongou

Por sentimentos

E versos diversos,

Ternos, mas imersos

Numa profunda melancolia

Do recordar.

❖❖❖
Apreciadores (13)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 25/08/16 00:49

Eu não sei bem o motivo, mas eu tava querendo chorar um pouquinho porque seu poema me fez relembrar momentos que jurei esquecer e não trazer mais à tona. Todavia, olha como o destino é irônico; simples palavras, demasiados sentimentos e lembranças emergindo do esquecimento. É tudo um aglomerado de emoções que eu me permito aventurar.

Esse poema, em especial, é lindo e quase o meu preferido. Quando você me mandou aquele trecho sinceramente não podia estar mais ansiosa. Porque é um poema seu, e um poema seu sobre amor (seja quais direções forem seguidas) não se pode ignorar; é uma lei poética.

Aqui não se encontra aquele drama da partida, é um clichê básico, mas que descrito de um modo tão invejável que sua beleza aumentou em demasia. Oras, é aquela famosa "amizade colorida". Aquele amor que nasce de uma amizade, que demora-se tempos até firmar-se. Que demora anos para superar sentimentos negativos.

Para no fim, um outro alguém se encarregar de não dar certo.

Esse não é de fato um poema de amor, é de um adeus que se eternizou em versos e poemas; de um amor que não se acabou, mas se arruinou. E essa última estrofe, em especial, é a minha favorita. Esse ênfase no título é espetacular, e continuo dizendo que você é meu poeta preferido.

Porque você transforma o clichê em original, os sentimentos em poemas aclamados, a realidade em música. Você nos torna um pouco mais sensível... Um pouco mais poeta a cada dia.

Parabéns ♡

Postado 27/08/16 21:31

Cada palavra encheu meu coração de nostalgia. Realmente perdi todo o comentário depois de ler essas palavras tão lindas, então, saiba que este não é o melhor comentário que tu vai ler, mas é o melhor que eu posso fazer, rs.

Gosto da forma como você consegue colocar tanto sentimento nas palavras e trazer à tona lembranças que nós acabamos esquecendo. A grande maioria já teve um romance assim e poder relembrar um sentimento bom, mesmo que o fim não tenha sido perfeito, é realmente agradável. Mergulhar em lembranças nem sempre é ruim, às vezes, elas nos fazem visualizar o que éramos e o que somos agora.

A quebra de expectativa é outro ponto fundamental, pois, apesar do título resumir o poema como um todo, o leitor espera ler uma história de amor. E, quando se aproxima das últimas duas estrofes, ele cai na realidade da poesia. Mesmo que o final não seja um "Feliz Para Sempre", fiquei torcendo para o poema não terminar.

Ler cada palavra escrita por ti, é desfrutar do trabalho de um verdadeiro poeta. Isso é um ponto primordial, pois tocar na alma do leitor é algo que poucos fazem.

Parabéns pelo texto incrível, Gio. E obrigada por não escrever um poema sobre amor, mas sim, sobre algo que já aconteceu com a grande maioria de nós ♡

Postado 01/06/19 12:53

Mein gott, que profundidade, que sinceridade. Poucas vezes uma obra chegou tão fundo ao meu coração, a lugares que deixei trancado por inumeros juramentos de que nunca viveria isso de novo.

Poucas vezes me identifiquei tanto com uma obra tao completa e tao triste ao mesmo tempo.