Noventa dias
Sorelly
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 29/08/16 21:46
Avaliação: 9.76
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 6
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Palavras: 706
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Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Hi bunnies ♡

Primeiro texto pro Dramatical World que é um desafio meu e da minha gemada (vulgo Flávia). Espero que vocês gostem.

Dedicado à Flávia ♡

Capítulo Único Noventa dias

Os barulhos daquela máquina continuavam sendo assustadores, mas o silêncio que se estendia naquela tarde era mais doloroso e inquietante. Quantos dias haviam se passado? Pelas contas mentais de Diego quase noventa dias sem dormir direito, alternados entre pesadelos e sonhos apreensivos, sendo sempre acordado pela mínima mudança de ritmo daqueles barulhos incessantes.

– Você se lembra de quando nos conhecemos? Há exatamente noventa dias que completamos seis anos juntos. Era o início de verão, mas contrariando a estação o dia estava frio. Lembro-me de tê-la visto andando encolhida em seu casaco, distraída, tentando colocar o cachecol e logo em seguida trombando comigo. Por obra do destino ou uma simples coincidência iríamos trabalhar juntos; você se encarregaria da parte jurídica enquanto eu com a parte jornalística.

– Sim, eu me lembro desse encontro, como poderia esquecer? Foi um dos dias mais embaraçosos! – a voz soou baixa, porém divertida, fazendo Diego olhar para a mulher sentada no outro lado da cama.

– Você estava linda. E realmente agora posso confirmar que você se parece mais com o inverno apesar de odiá-lo. Sua pele é muito branca e sempre foi gelada mesmo nos dias quentes, até seu temperamento é meio frio.

– E você se parece com o verão – a mulher rebateu, sorrindo logo em seguida – Você certamente percebeu, não é mesmo? Você se parece com o verão, intenso e poderoso, mas o odeia, enquanto eu me assemelho ao inverno, odiando-o mais que tudo. Meio que nos completamos.

As risadas preencheram o local antes melancólico, um riso verdadeiro que há tempos não era ouvido naquele quarto. Uma paz inundou o coração de Diego até o mesmo começar a se contorcer levemente e deixar que as lágrimas seguissem o seu percurso natural.

– Eu sinto sua falta, céus, como eu sinto a sua falta, Alice!

– Está tudo bem, meu amor. Nós vamos ficar bem. – Ao terminar de ouvir, Diego sentiu a mão de Alice sobre a sua, entrelaçando seus dedos. – Eu te amo, nunca se esqueça ou duvide disso.

– Prometa que irá acordar, por favor, prometa que voltará para mim.

Antes que algo mais pudesse ser dito, uma mulher entrou no quarto com seu habitual uniforme branco, suspirando e logo sorrindo de maneira fraca. – Senhor, está na hora de ir.

Diego olhou para o lado com algum resquício de esperança, mas a cama estava vazia. Os barulhos continuavam incessantes, mas não havia nada conectado a eles.

– Isso é tão injusto... – murmurou consigo mesmo, enquanto se permitia cair no chão, ajoelhado e debruçado sobre a cama.

Há exatos noventa dias que sua vida mudou drasticamente. Foi em uma chuva de verão que um bêbado perdeu o controle e se chocou com força o suficiente para arremessar o motorista do outro carro. Não havia explicações e muito menos perdão. Quando Diego recebeu a ligação ao anoitecer avisando sobre o acidente de sua esposa, correu o mais rápido que pode indo em direção ao seu carro e se dirigindo até o hospital.

Mas nada pode fazer. O motorista bêbado havia morrido e a vítima entrou em coma. Durante os três meses que se seguiram Diego ficou ao lado da esposa, presenciando a cada minuto sua vida indo aos poucos. Ele não havia tido chance de dizer a Alice o quanto a amava naquele dia, sequer teve chance de viver o suficiente ao lado dela; ele havia sido privado de se despedir.

E aquilo machucou, deixando um hematoma perpétuo em seu coração.

Diego nunca mais poderia abraçar sua amada, tocá-la ou sentir seu perfume embriagá-lo nas noites tórridas que passariam juntos. Não poderia mais observá-la cantando ou sorrindo. Não poderia mais vê-la pessoalmente.

Porque Alice nunca acordou.

Todo o seu sofrimento, seu ódio e sua amargura estavam presentes em cada lágrima derramada naquele momento, entretanto, nada daquilo traria Alice de volta aos seus braços.

Foi no verão que Diego havia conhecido Alice, aquela que lhe traria os melhores momentos de sua vida, e foi também no verão onde a perdeu para sempre. Há noventa dias que um irresponsável cruzou o seu caminho, marcando-o pela tragédia e levando consigo uma vida inocente depois de três meses; deixando para trás uma vida que sobreviveu para suportar a dor de ver sua felicidade caindo sem vida como as folhas do outono.

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Apreciadores (6)
Comentários (4)
Comentário Favorito
Postado 20/10/16 09:43

Pão, esse texto tá incrível! Como já falei várias vezes você tem talento para o drama e não deveria achar ruim que a maioria das suas obras o são.

É impossível ao ler o texto não se sentir perdendo alguém quando todas as características que regem a moça levam a conclusão inevitável que ela já não está mais e a perda, a ausência, nos amarga, não sabemos lidar com o fato de não termos mais quem tanto gostamos ao nosso lado isso se dá por nós apegarmoa, assim como quem lê teus textos se apega aos personagens e ao desenrolar da história.

Parabéns pelo ótimo texto! ^^

Postado 20/10/16 20:25

Pior é que você vai perdendo um pouco de cada pessoa quando lê textos dramáticos, porque não há como não assimilar, não relembrar... Não há como fugir.

Muito obrigada, Gio ♡

Postado 29/08/16 22:09

Minha Gema já começa o nosso desafio lacrando! Gosto assim! u_u

Esse texto é maravilhoso... E ficou ainda melhor agora.

Vamo que vamo, Geminha!

Postado 29/08/16 22:16

PESSOAS COMO VOCÊ DEVERIAM ;---;

sniff ;--------; que lindo ;--------;

sua malvada ;-------;

Postado 28/02/17 21:36

Eu não preciso dizer nada... A senhorita sabe....

Atenciosamente,

Um ser que sabe como é, Diablair.