Acampamento
Francisco
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 20/09/16 19:17
Editado: 20/09/16 19:29
Gênero(s): Comédia Cotidiano Drama
Avaliação: 9.85
Tempo de Leitura: 7min a 10min
Apreciadores: 5
Comentários: 3
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Palavras: 1242
[Texto Divulgado] "réquiem for me" estou me dirigindo a várias pessoas nesta passagem. todas elas de mãos dadas comigo no espelho. 
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Olá a todos,

eis, portanto, esse texto que enche-me de orgulho por tê-lo escrito. Isso se deve ao fato desse texto ser dedicado à minha doce e linda namorada, a Michele, que sempre se agrada com o que eu ecrevo.

A sua reação certamente é muito válida para que eu continue escrevendo e espero que esse te agrade também, amor! =D

E se isso não bastasse, esse texto é o de número 50 que posto na AC. Ora, é uma grande satisfação ter esse espaço para compartilhar meus textos e ouvir o relato dos leitores em como reagiram ao lê-los.

Dito isso, encerro meu papo dizendo que estou muito feliz com o caminho percorrido até aqui, na companhia da Michele e de todos os leitores. Boa leitura!

Capítulo Único Acampamento

A previsão do tempo, felizmente, tinha errado miseravelmente e o dia estava lindo, com sol forte, temperatura agradável e sem vento. Assim, o casal, Francisco e Michele, decidiu dar continuidade ao seu plano de acampar nas margens do rio Turvo durante o final de semana.

— Vai ser legal, né, Miche?!

— Vai sim!

Com o porta-malas cheio de roupas, barraca e utensílios de higiene pessoal e de cozinha, o casal pegou a estrada para dirigir-se até o local do acampamento. Alguns quilômetros foram feitos, quando Michele perguntou:

— Mor, fechaste a torneira da pia do banheiro?

— Hehehe. Pareces o pai com essas perguntas. Claro que fechei.

— Mesmo?

— Pior que acho que não fechei não, amor.

Assim, o carro é manobrado sobre a pista e o casal volta para casa para conferir a torneira e, de quebra, a boca do fogão. Com isso, a viagem que era pra ser de apenas vinte minutos se estendeu por quase uma hora. No entanto, nada disso abalou o ânimo do casal, que assim que chegou às margens do rio Turvo encontrou um lugar apropriado e seguro, armou a barraca e sentou-se sob a sobra de uma grande árvore para descansar.

— Achas que aqui é um lugar bom, Chico?

— Acho que sim, Miche. O lugar é limpo, tem grama no chão, conseguimos chegar com o carro até perto. Tem bastante gente que vem acampar aqui. Não sei como conseguimos lugar, inclusive.

— Verdade. Tivemos sorte. E aqui é bem legal mesmo. O rio está logo aí e vem um ventinho bem refrescante.

Com a cuia indo e voltando, o casal ficou bem à vontade naquele espaço que parecia ser deles. No meio da tarde, caminharam entre as árvores para procurar pedaços de madeiras que poderiam ser queimados em fogueiras para manter o lugar aquecido e iluminado, além de fornecer calor o suficiente para aquecer a água e preparar a janta. Com a lenha separada, sentaram-se na beira do rio para molhar os pés e conversarem sossegados sobre os mais variados assuntos. Bebiam um chimarrão amargo e comiam bergamotas que tinham trazido de casa. Estavam muito animados, a ponto de não parar de sorrir por um instante que fosse. Ao entardecer, começaram os preparativos para a noite e, assim, acenderam as fogueiras. A janta seria bife acebolado com pão e a carne, portanto, precisava ser temperada com a luz do dia.

— Quer que eu tempere os bifes, Chico?

— Pode ser. Eu descasco as cebolas, por enquanto.

— Certo. Tu pegaste a pimenta?

— Sim, tá aqui.

— E o alho?

— Tá aqui, olha. Já está até picado.

— Muito bom, amor. E o sal, tu pegaste?

— Claro, né, amor?! Achas que sou tão avoado assim?

— Hehehe, tá bom, desculpe. E por que tu não estás cortando as cebolas?

— É que as esqueci em casa, hehe.

— Ai, mor! Tu és sempre assim: vive no mundo da lua!

— Eu não vi as cebolas lá em casa, aí não lembrei.

— Elas estavam entre os bifes e os temperos, numa sacola branca. Como não viste?

— Eram cebolas na sacola? Que coisa, hehe. Pensei que fosse qualquer outra coisa.

— Iam ser o que se não as cebolas? Os pães? Tu pegaste o pão, né?!

— Pior, os pães...

— Ai, Chico! Tu és muito estabanado!

O casal obrigou-se a comer os bifes sem nenhum acompanhamento, o que, de fato, não foi nenhum sacrifico; a carne era de boa qualidade e estava bem temperada e frita. Após a refeição, com a noite já estabelecida, o casal sentou-se em torno de uma das fogueiras e Francisco puxou um saco de marshmallows de dentro de suas coisas, o que deixou Michele muito feliz; ela sempre adorou o doce, ainda mais assados na fogueira. Ambos ficaram por algumas horas conversando e se divertindo com histórias de terror — as quais estavam mais, na verdade, para comédias das mais engraçadas.

O tempo passou e decidiram que o melhor a fazer eram encerrar a noite e ir dormir. Já estavam cansados e a noite estava cada vez mais escura, devido as nuvens que encobriam a lua. Em instantes, as fogueiras estavam apagadas e ambos no interior da barraca, onde começaram a conversar novamente.

— Miche, acho que vi um relâmpago.

— Mesmo? Será que não eram os faróis dos carros que passam lá na rodovia?

— Pode ser, pode ser. Mas enfim, que escuro que está agora, né?

— Aham, não dá pra ver nada.

— Deixa que vou grudar em ti para te proteger.

— Isso, amor, vem, me abraça e me protege dessa noite escura.

De repente, um forte estrondo é escutado. Luzes começam a percorrer o céu, iluminando todo o local. As árvores, até então em silêncio, começaram emitir sons devido ao vento. Com a escuridão da noite, o casal não percebeu que uma forte tempestade se aproximou e que agora estava prestes a desabar sobre suas cabeças.

— Mor? E essa chuva?

— Eu não sei, Miche. A previsão dizia que choveria durante o dia, mas nada de temporal.

— Hoje, estava muito quente mesmo, ou seja, um temporal não é nada de anormal.

— Com certeza. Mas a previsão não deveria mudar tanto. Olha o que ela dizia hoje de manhã.

— Mas, Chico! Tu olhaste para Caxias do Sul. Tu tinhas que ter olhado para cá!

— Putz, é verdade. Enganei-me!

— Vamos embora, que senão o rio vai nos levar embora!

— Não é para tanto, moreco.

— Olha essa chuva, Chico! Está muito forte! Certamente o rio vai aumentar de nível.

— O rio é grande. Tem que chover e muito para ele subir de nível.

— Ah!! Chico! O rio já chegou aqui! Ele está molhando os meus pés!

— Acalma-te, mor. Isso é a chuva.

— Como “chuva”? Tu não fechaste a barraca direito quando entraste?

— Fechei, fechei, amor. Acalma-te. É que eu acabei me confundindo e peguei a barraca que está furada por engano.

— O quê? Ah, mas tu és um cabeção, hein, Chico! Vamos embora daqui!

Assim, o casal saiu debaixo de muita chuva e jogou todas as suas coisas, de qualquer maneira, dentro do carro. Estavam completamente encharcados e rumando para casa, sentindo-se frustrado por não terem conseguido acampar. A chuva os acompanhou por cerca de dez minutos e, quando chegaram em casa, o céu estava novamente estrelado.

— Dava para ter ficado lá, Miche.

— Com aquela chuva? O rio ia nos levar embora. E se eu tivesse visto na previsão que era pra ter temporal, eu não iria, tal como fizeram todos os outros que não estavam lá.

— Desculpa, amor. Eu olhei errado.

— Hoje te superaste, Chico! Esqueceste metade da comida em casa, pegaste a barraca errada, olhaste a previsão do tempo lá pra Caxias...

— Ah, Miche. Foi sem querer. Tu sabes que sou bem estabanado.

— Estabanadão!

— Hahaha, verdade. Mas foi legal hoje. Preparamos a barraca, fizemos nossa comida, contamo-nos histórias trevosas que nos faziam rir...

— Assamos marshmallows...

— Isso aí. Na próxima a gente faz tudo certo.

— Faz tu tudo certo. Eu sempre faço.

— Tá bom, Miche. Tá bom. Na próxima vez vai ser mais legal ainda.

— Hehehe, está bem, seu bobão. Mas que não se repita!

Francisco e Michele encharcados rumaram para o banho, onde se aqueceram e puderam colocar roupas secas. Após, organizaram o carro e guardaram todos os apetrechos de acampamento em seus lugares. Por fim, voltaram a deitar, grudadinhos, e a conversar. O sentimento era de uma leve frustração por não terem passado a noite toda no local, mas estavam radiantes por terem tido um dia muito agradável, em que ambos puderam desfrutar do aconchego das suas companhias com muita felicidade.

❖❖❖
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Postado 21/09/16 09:09

Rapaaz, que texto foi esse? Me deixou de queixo caído. Perfeito, perfeito! Noss, alguém destaca isso, porque o site inteiro precisa ler essa obra. Incrível!

Foi uma comédia maravilhosa! Muito agradável de ler, e, em nenhum momento, teve aquela piada forçada. Não. Você utilizou das situações cotidianas, que são simples, mas suficientes pra nos fazer rir. Além disso, sua escrita é simples, é gostosa, o que faz o texto fluir lindamente.

Oloko, você é do Sul! Percebi pelo "chimarrão" e pela "bergamota". (aliás, acho que algumas pessoas podem não identificar qual é a fruta. talvez seja melhor você colocar a "tradução" nas notas) Gostei! Não sei se foi proposital, mas isso deu um ar mais humano à obra. Digo, muitos textos são escritos de modo que qualquer pessoa possa compreendê-los. Mas, com essas expressões, você traz o regionalismo, que é uma característica humana, ninguém pode negar isso. Todos nós usamos gírias, mesmo sem perceber. Isso deixou o texto bem mais real <3

MDS, CHICO MELHOR PESSOA, SOCORR (eu to morrrendo de rir, sério!) Me lembrou muito meu ex, que também era um mega esquecido, mas, sei lá, eu me diverti com o Chico (se bem que, acho, eu ficaria estressada se isso realmente acontecesse comigo).

Bem, mesmo dando tudo errado, deu pra sentir que o amor deles não vai terminar. Foi uma crônica bem leve, daquelas que a gente lê bem de manhãzinha mesmo, pra já começar o dia bem, sabe? Gostei muito, de verdade! Tô apaixonada por esse texto, apenas! <33333

Meus mais sinceros parabéns. Essa obra ficou fantástica!

Postado 21/09/16 10:14

Hahaha, gostei da sugestão! Alguém destaque esse texto! Hehehe.

Ah, muito obrigado por todos os elogios. Fico feliz que a minha comédia tenha feito rir, que minha escrita tenha feito a leitura fluir. Saber disso é muito gratificante e fico feliz que você tenha me dado essa oportunidade =D.

Sim, sou gaúcho, aliás, eu e a Michele somos gaúchos, dos que comem bergamota, cacetinho e costela e bebem chimarrão e mate, hehehe. Foi proposital sim. Esse texto é dedicado a minha namorada, então não poderia escrever de uma forma diferente da qual nos comunicamos. É como você disse: deixa o texto bem mais real.

Sobre a "tradução" de bergamota, eu não fá-la-ei, pois, certa vez, escutei algo interessante do Jô Soares. Ele dizia que não fazia questão de explicar a suas piadas, pois queria que as pessoas fizessem essa pesquisa por si mesma e, assim, descobrissem tudo que envolvia aquela piada e, consequentemente, ampliasse seus conhecimentos. Ao saber disso, eu achei muito bom esse jeito de contar história, pois quebrei em mim um entrave que eu tinha, que era de evitar de escrever coisas que pessoas não entederiam. Agora eu as escrevo e vejo que minha criatividade me leva a lugares mais distantes. Só que não é só maravilhas escrever sem se preocupar se a pessoa entende ou não, pois eu quero que meus textos sejam lidos. Então, para que isso ocorra, eu tenho que escrever textos muito bons, que causem vontade do leitor os ler sem mesmo entender trechos dele e que os motive a pesquisar sobre esses trechos. Nossa, é um grande desafio escrever dessa maneira, mas, se der certo, eu estarei escrevendo textos geniais, hehe.

E nossa, acho que foi a frase mais sábia que já na minha vida: "MDS, CHICO MELHOR PESSOA, SOCORR". Não tem como concordar mais, haha. Olha, lhe garanto, você ficaria estressada, com certeza, mas por pouco tempo, pois o Chico é muito sereno e muito alto astral. Logo você ia estar bem de novo, hehehe.

Ah, e o amor deles é um amor genuíno. Já passou por muita coisa, mas eles continuam cada vez mais ligados. Que legal saber que você conseguiu perceber isso na leitura do texto =D.

Novamente, fico muito feliz em saber que esse texto lhe fez bem, que lhe inspirou a começar o dia sorrido.

Muito, mas muito obrigado por esse comentário extremamente elaborado e que me motiva a escrever cada vez mais. Obrigado por apontar o que você mais gostou e o que você entendeu do texto. Até o próximo!

Postado 21/09/16 14:03

HahahahaI O melhor do Chico para um grande momento, parabéns pelos 50 textos que venham muito mais com a comicidade já conhecida tua.

P.S.: Pam vai ficar chateada de você ter esquecido ela.

Postado 21/09/16 14:08

Heheeheh. Só podia ser uma comédia, hehe. Que coisa mais boa de escrever e tentar arrancar a gargalhada de alguém.

Muito obrigado pelo carinhoso comentário, Gio!

E não entendi a relação com a Pam, hehe.

Postado 21/09/16 14:10

Esqueceste os pães kkkk

Postado 21/09/16 14:19

hahahaha, porra, hahahaah

Postado 24/09/16 20:06

Que coisa mais bonitinha <3

Postado 25/09/16 13:22

Hehehe. Muito bonita mesmo =)

Obrigado, Julih.