Vingança
Alien
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 01/10/16 15:24
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 13min a 17min
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Palavras: 2148
[Texto Divulgado] "A noiva" Com uma taça em mãos e olhar voraz, se flagrava confortável por não ter alguém ao seu lado prometendo o que não é capaz de cumprir. Observava a concentração do pianista, as velas agora já derretidas na bancada e o sorriso que iluminava o belo rosto da noiva.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Aviso: Drogas, estupro, sexo.

Boa leitura!

Capítulo Único Vingança

Cresci amparada por aquele viés literário espalhafatoso que dizia que a vingança era um prato que se comia frio.

Não que eu ligasse em dar troco por qualquer coisinha, essas paradas bobas aí, mas sempre achei interessante a experiência fazer alguém provar do próprio veneno. Eu pelo menos, provo do meu todas as manhãs e nunca me aconteceu nada (...)

Estou viva, afinal;

Mas a história não começa bem assim.

Eu tinha um pai, uma mãe, um padrasto, um gato leal (o Leni), e um irmão de criação que não tinha nada de irmão pra mim. O Andrew me dava medo desde menina, para ser franca. Quieto e grosso, para ele eu costumava ser como a poeira dos cantos. Ele me enxergava, achava feia, não gostava, mas deixava lá e ponto. Até aquela maldita noite de verão.

Nossa família estava reunida à mesa de jantar, jantando pizza, bebendo refrigerante, e fingindo que tínhamos um lar feliz. Eu dividia minha pizza com Leni, que comia feliz aos meus pés. Minha mãe e meu padrasto conversavam alegres; alheios totalmente ao silêncio pesado que pairava entre eu e Andrew. De manhã, havíamos gritado um com o outro. Ele chutara Leni para fora de seu quarto e eu havia o reprendido, o que o irritara.

Os dois adultos não faziam ideia de nada. Portanto saíram para um karaoke assim que terminaram a refeição. Enquanto eu e Andrew partimos cada um para nossos quartos. Não tranquei a porta naquela noite, porque jamais imaginara o que estava para acontecer.

Andrew chamou pelo menos cinco de seus amigos para nossa casa. Todos esquisitos como ele, e três eu podia jurar que pertenciam a alguma gangue. Eram todos muito magros e esguios, falando alto e soltando piadas ácidas entre si.

Quando ouvi as batidas junto de risadinhas, eu relutei em abrir a porta. Mas não queria deixar o clima ainda mais pesado do que já estava. Abri e dei de cara com dois garotos. Um era loiro quase careca e o menos magrelo dos cinco. O que estava ao lado dele, tinha o cabelo na altura dos ombros, castanho, ondulado e oleoso. Vestiam camisetas largas e sorriam maldosos.

Sem nem que eu me desse conta, os dois já haviam entrado em meu quarto e enquanto o loiro chegava perto de mim, o de cabelo nojento fechava a porta. Ele me agarrou, beijando-me a força e segurando meus braços. Tentei me soltar a todo custo, me debatendo e tentando empurrá-lo sem sucesso. Mordi então sua lingua com força e tão rápido ele se afastou, gritei e levei um forte tapa na cara.

Os dois me obrigaram a ficar quieta, me ameaçando e me batendo. Do quarto eu ouvia Andrew e os outros três fazendo folia na sala com o videogame.

Eles me forçaram a tirar a roupa e o loiro me estuprou enquanto o de cabelo castanho cuidava da porta.

Quando o loiro parou, foi a fez do outro.

Só me restava chorar e murmurar, os vendo arrumar a roupa como se nada tivesse acontecido e fugir. Me ameaçaram, a mim, ao meu gato, e aos meus amigos. Eu sentia nojo e queria um banho, mas me recusei a sair do quarto naquela noite e dar de cara com os dois.

Quando acordei na manhã seguinte, eu estava perdida. Minha mãe e meu padrasto já haviam acordado e ido ao mercado. De novo eu ficara sozinha com Andrew.

Me tranquei no banheiro e fiquei deitada na banheira. Ouvia meu irmão de criação gritar e esmurrar a porta, mas era como se isso acontecesse em outro lugar. Em um estado lastimável de catatonia, devo ter ficado por pelo menos uma hora dentro do banheiro.

Saí vestindo uma regata e um moletom, com a toalha no cabelo. Da mesa da cozinha, Andrew me olhava com ódio, enquanto bebericava uma xícara de café. Olheiras roxas circulavam seus olhos escuros. A pele pálida e o cabelo preto lhe davam um ar sinistro e fantasmagórico. Eu não parei para olhar quando ele falou comigo.

-Tem só um banheiro comunitário nessa casa, sua inútil!

Entrei no meu quarto e fechei a porta, desatando o nó da toalha, e começando a pentear o cabelo. Andrew invadiu o quarto de repente e parou a minha frente, com raiva.

-Você não tem educação? -Cruzou os braços.

O garoto era três anos mais velho que eu. Amava bancar o superior por isso, mas naquele dia eu me encontrava vulnerável demais para aguentar os showzinhos mal-humorados dele. Respondi num fio de voz.

-Desculpe, Andrew. Agora deixa eu me arrumar.

Embasbacado com a minha reação anormal - em outros tempos eu teria rebatido tudo -, ficou me encarando e então se aproximou.

-Você tá doente?

Ele fez menção de colocar a mão na minha testa e eu a empurrei no mesmo instante. Fazendo-o recuar.

-Tá mais esquisita que o normal - murmurou.

-Você é esquisito. Agora sai, por favor....

Eu já estva a beira do choro e falara mais baixo que na outra vez. Me fitando, ele esperou até que meus olhos se enchessem de lágrimas para abrir a boca e falar algo.

Mas não saiu som algum. Apenas o olhar perdido, de alguém que não fazia a menor ideia do que fazer.

Os dois haviam me dado ordens de nao contar a ninguém para o meu próprio bem. Só que isso era algo que eu não poderia guardar simplesmente.

Andrew se mexia sem parar, nervoso. Provavelmente esperando para que eu lhe dissesse algo. Sofendo os efeitos colaterais de seus vícios, que só seus pais não enxergavam que ele tinha. De repente parou do nada e agarrou meu braço esquerdo.

-Fala algo, garota!

-Saaa-sai daqui... - murmurei.

-Me conta logo sua maluca, por que tá chorando? Foi por que eu te xinguei?

Não desistia fácil.

-Não! Agora sério, me deixa sozinha.

Larguei a escova e me joguei no chão. Deitando no piso frio que não tinha cheiro de nada e nem de ninguém. O que só alarmou mais o garoto.

-O que aconteceu, Carolina? Fala! Não vou contar pra sua mãe se você fez alguma merda, não dessa vez, mas fala!

Parou ao pé da cama e entãao deitou do meu lado no chão. Estávamos tão próximos que eu podia ver melhor o cansaço que estampava seu rosto. Os lábios rachados expeliam um denso ar quente de respiração acelarada. Cheirando a café.

Seus olhar parecia exprimir preocupção sincera. O que deu margem para que eu começasse a chorar alto e soluçar.

Meio sem jeito, ele tirou meu cabelo do rosto e começou a pedir que eu me acalmasse. E lhe contasse o que havia acontecido.

-Foi... foi tudo culpa sua! -acusei.

Ele estaquou na mesma hora, confuso.

-O quê? Como assim?

-Ontem... seus dois amigos... eles... eles vieram aqui... e... e...

Nunca consegui terminar a frase. A única pessoa que a ouviria, já parecia ter entendido tudo. Cerrando os punhos e fazendo a frieza dominar seu olhar.

-O Jona e o Matt?

-Eu... um era loiro e...

-Eu sei. Vou dar um jeito neles. Eles a forçaram, né? Isso não ficar assim. Filhos da puta. Me disseram que estavam no banheiro.... não notei nada porque estava muito... - um lampejo de realidade acendeu no rosto dele, o fazendo perceber com quem falava e então estalar a língua. - não importa.

Chapado. Ele ia dizer chapado.

Chorei mais. Eu não o culpava realmente, ele apenas fora um babaca como sempre e isso havia acontecido como uma fatalidade. Naquela manhã ele me abraçou até que eu me sentisse melhor para levantar e fazer minhas coisas. Quando nossos pais chegaram, eu já colocara o lençol pra lavar e saira rumo a uma farmácia distante para comprar uma pílula. A engoli com força, torcendo para que todo aquele drama se encerrasse ali. Eu queria urgentemente esquecer aquilo.

Andrew fingia que eu não existia com mais frequência depois do acontecido. Não falava uma palavra pra mim, mas também não trazia mais nenhum amigo marginal pra casa. Parecia mais perturbado que o normal, desconfortável até. Eu fingia para minha mãe e para minhas amigas que só estava meio desanimada por causa do vestibular. Só que eu me sentia perdida e triste por dentro, e foi quando eu tomei uma decisão.

Roubei a droga que Andrew escondia em um bolso discreto na mochila, enquanto ele tomava banho. Mas não deu meia-hora e ele já batia na porta do meu quarto. Abri e ele entrou furioso, batendo atrás de si. Sem camisa e com o cabelo molhado.

-Aonde tá? Eu sei que você pegou!

Me encolhi.

-Você tem mais uma. Me deixa ficar com essa, por favor! - Lhe implorei.

Cravando o olhar no meu, ele bufou.

-É a primeira e a última. Mas você tem até semana que vem pra me pagar. E tem que ficar de bico fechado.

Assenti.

-Obrigada.

Então eu tirei o comprimido do bolso e engoli. Ele me observou atentamente, até correr para fora do quarto para provavlmente pegar um para si também.

Eram duas da tarde e os nossos pais estavam no trabalho. Quando Andrew voltou, eu já sentia algo diferente. E vi nos olhos dele a vontade insana de se sentir da mesma forma. Sentando ao pé da cama, ele se virou para me encarar.

-Pra ficar mais leve? - perguntou baixo.

-Sim.

Ele subiu e engatinhou até perto de mim. Dessa vez além de baixo, falando rouco.

-Hum...

Não sei o que me deu naquela hora. Talvez eu já estivesse bem chapada.

Agarrei Andrew pelo pescoço e o beijei. O choque ante a minha própria atitude não foi tanto quanto ao fato de ele corresponder imediatamente. Nós compartilhávamos de um beijo intenso e lascivo, e ele logo levou uma das mãos por dentro da minha blusa e a outra a minha bunda.

Nos afastamos por falta de ar, aproveitando para despirmo-nos da cintura pra cima. Ele imediatamente voltou toda a sua atenção para os meus seios, mordiscando-os e massageando enquanto eu tateava a sua cintura procurando abrir o zíper de sua calça.

Voltou a me beijar furiosamente e logo livrou-se de sua roupa de baixo, tirando a minha em seguida também. Eu mordia o lábio enquanto ele revirava algo na gaveta ao lado da cama, sabendo o que encontraria ali. Eu não era virgem já algum tempo e havia namorado um cara por alguns meses.

Mas uns três segundos antes dele me penetrar, eu tive um surto.

Flashes borrados da maldita noite invadiram minha mente e eu torci o rosto em horror. Andrew me olhava paralizado enquanto eu me controlava para tentar fazer aquilo passar.

-Você... você quer que eu pare?

Sim, eu queria. Mas eu também queria Andrew e ainda mais, esquecer aquela maldita noite.

-Não! -Rosnei.

Rolei por cima dele e o beijei, passando as mãos pelo seu abdomem. Mas antes que realmente fizéssemos, olhei bem no fundo daqueles olhos escuros e bonitos e os guardei: era com eles que eu estava.

Nossos quadris se chocavam um contra o outro de forma quase desesperadora. Trocávamos beijos rápidos, puxavamos cabelo.

Aquilo era diferente de tudo que eu já havia feito. Sempre restrita de vergonha.

Andrew inverteu as posições e ergueu a minha perna esquerda para continuar os movimentos. Àquela altura, eu já gemia alto e sem pudor algum.

Cheguei ao clímax sentindo ele mordiScar meu pescoço e dar mais algumas algumas estocadas até gozar também.

Ambos ofengantes, eu nem me dei por si quando caí no sono. Acordei com ele me chacoalhando.

-Eles chegaram! Se veste!

Me arremessou as minhas roupas enquanto terminava de se vestir e saiu do meu quarto. Sem pressa, vesti minhas roupas íntimas e ainda meio grogue, deitei de volta e inalei o cheiro que estava impregnado no travesseiro. Era o xampu dele.

Depois daquele dia as coisas ficaram um pouco diferentes. Nossos pais trabalhavam o dia todo, então ambos tínhamos as tardes livres. E vivíamos trocando amassos pelos cantos, às vezes até palavras de amor - o que me surpreendera muito, vindo dele. Todos os dias, pelo menos carícias furtivas. Era um vício novo que passamos a compartilhar. Eu não aguentava muito tempo sem Andrew e ele era carinhoso e gentil comigo, muitas vezes falando o quanto tinha raiva de si mesmo por aquela noite.

Só que de repente coisas estranhas começaram a acontecer.

Andrew andava tenso e triste, eu lhe perguntava e ele não respondia, só enrolava.

E o comportamento dele perpetuou por pelo menos uma semana, até que numa tarde, viaturas da polícia cercaram a casa.

Eu não sabia o que fazer, estava amendrotada e perdida em meio a todo aquele caos e agentes que invadiam a casa. E o que eles procuravam não era drogas, era o Andrew. O garoto saiu saiu de seu quarto com as mãos para cima com uma expressão de derrota. Um agente o algemou enquanto outro gritava em voz alta.

-O SENHOR ESTÁ PRESO PELO HOMICIDIO DE MATTEW PATRICK JOHNSON E DE JONATHAN RUDOLPH LEVINE!

❖❖❖
Notas de Rodapé

xD

Apreciadores (4)
Comentários (2)
Comentário Favorito
Postado 01/10/16 22:16 Editado 01/10/16 22:20

A senhorita fez uma estreia deveras perturbadora na Academia de Contos, o que em muito me apetece... Satã, que obra maravilhosa temos aqui! A carga emocional é densa, caótica e implacável, submergindo o leitor em uma torrente narrativa fluida e potente.

O drama e a tragédia que se desenvolveram em diversas aspectos são de fato o ponto mais alto deste conto, uma verdadeira espiral descendente e decadente com uma pausa feita de entrega, remissão e, por fim, derradeira ruína. Simplesmente MAGNÍFICO! Gostei bastante de como conduziu sua criação, Srta Aline! O final deixou um gosto amargo e ao mesmo tempo com um toque de "quero mais/epílogo", o que de forma alguma desmerece a obra.

Bravíssimo! Bravíssimo!

Espero ver mais obras suas aqui!

Atenciosamente,

Um ser chapado no Vazio e no Mal, Diablair.

Postado 02/10/16 00:51

Eu fico feliz de verdade que tenha gostado! Muitíssimo obrigada pelos elogios! :D

Tive receio de postar justamente pelas cenas fortes e pela escrita turbulenta. Mas que bom que agradou, já que é algo que eu realmente adoro escrever.

Planejo postar outros e até tive ideia para um conto voltado ao Andrew, mas ainda não sei.

Vai ver sim! Kkk.

Postado 01/10/16 23:03

Estou aqui a me perguntar o foi que eu acabei de ler! Quando o Diab (ser do comentário de cima) me falou desse texto, eu não esperava algo assim.

Eu nem ao menos vi o tempo passar enquanto lia e quando cheguei ao final, não consegui acreditar que já tinha acabado. Foi impressionante como a leitura foi rápida e satisfatória.

Como o Moço ali de cima já falou, esse final deixou um gostinho de "quero mais" muito bom! Isso meio que me agradou muito.

Foi realmente uma estreia incrível! Parabéns!

Postado 02/10/16 00:59

Oh, agradeça a ele por mim!

Eu não ia parar nesse trecho. Mas quando eu escrevi a fala, pareceu que era o melhor a fazer.

Talvez saia um conto 2 do Andrew.

Obrigada por comentar e que bom que gostou! :)

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