Horror Na Colina
Íris Danielli
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 24/10/16 19:45
Editado: 24/10/16 19:53
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 22min a 30min
Apreciadores: 5
Comentários: 0
Total de Visualizações: 475
Usuários que Visualizaram: 16
Palavras: 3652
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso de Halloween" No Concurso Oficial de Halloween da Academia de Contos, apoiado pela DarkSide Books, convidamos os participantes a escreverem textos no estilo "creepypasta", ou seja, obras detalhadas de terror escritas com o objetivo de assustar os leitores e deixá-los se perguntando o que é real e o que é ficção na história. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de doze anos
Capítulo Único Horror Na Colina

Eu me chamo Catarina Johanson, quero contar algo que aconteceu comigo, na verdade, eu mesma não tenho certeza do que aconteceu, foi tudo tão....real, mas... confuso.

Tudo aconteceu à poucos meses atrás, era Outubro, e eu iria passar alguns dias na Colina Woodyside junto do meu melhor amigo Austin. O Halloween se aproximava e toda a cidade terminava de aprontar tudo, os parques eram temáticos e as casas também, menos uma. A do meu avô Many. Não é realmente uma casa, e sim uma mansão. A mansão é assustadora, e há um clima negativo ali, todos dizem isso, quem diria que ela é bem pior do que todos imaginavam.

No decorrer da semana tudo ocorreu bem, mas tudo realmente começou na véspera do Halloween. Eu e o Austin passamos o dia fora, na cidade vendo as crianças brincarem, ao anoitecer voltamos para a colina, e ficamos no café da minha avó, Nora.

— Tomem muito cuidado queridos – ela diz beijando minha testa e logo a do Austin.

— Senhora Nora, por que temos que ficar sozinhos na casa? Ela é assustadora. – o Austin diz abraçando seus próprios braços.

— Temos de ir viajar, vocês sabem, não saiam de casa após a 00:00, sabem das lendas da colina.

— Tudo bem – sorrio.

Ela pega sua bolsa e saímos do café, após trancar, ela nos entrega a chave da mansão e se despede mais uma vez.

— Vamos para a mansão do terror? – o Austin diz esticando sua mão para mim.

— Sim,vamos – seguro sua mão e começamos a andar.

Ao chegar na mansão, destranco a grande porta, fazendo um grande barulho.

— É impressão minha ou ela fica mais assustadora no Halloween. – o Austin pergunta logo depois que entramos.

— Ela é mais assustadora quando só há duas pessoas nela – digo tirando meu casaco e indo para a cozinha.

Faço algo para comermos enquanto o Austin colocava um filme qualquer.

— Maratona de filmes de terror dos anos 70, 80 e 90, o que acha? Poltergeist, A Hora do Pesadelo e O Exorcista. – ele sorri.

— Melhor que muitos de hoje em dia. Melhor maratona. – dou de ombros me sentando no grande sofá.

Passamos parte do tempo comentando o filme, tudo estava bem, até o grande relogio da sala tocar, indicando que era meia-noite. Nesse momento um arrepio percorreu meu corpo, a sala esfriou de um momento ao outro, e o clima se tornou mais pesado.

— Sentiu isso? – pergunto sentando mais próxima a ele.

— Senti....eu acho. Vou pegar cobertores lá em cima – ele diz se levantando e vai até a escada em passos rápidos.

Fico sentada abraçando minhas pernas, sentindo frio e medo ao mesmo tempo.

— É psicológico Catarina. – digo a mim mesma.

— CATARINA! – o Austin grita e me levanto do sofá num pulo.

— Austin?! – digo seu nome alto.

— CAT! VEM CÁ !– ele grita expressando que estava nervoso.

Corro em direção a escada e a subo rápido, sentia meu coração palpitar a cada passo, e ao chegar no primeiro andar parei, procurando ele.

— Aus, onde você esta? – pergunto andando lentamente para o quarto dele.

Ouvi uma risada ali perto, mas não era do Austin, e sim de uma criança.

— Você está me assustando. – digo abraçando meus braços.

Começo a andar um pouco mais, sentindo meu coração bater forte mais uma vez. A risada soou de novo, só que mais perto, para ser precisa, bem atrás de mim. Me virei bruscamente dando de cara com o Austin, que estava bem próximo a mim.

— Droga Austin – grito chutando sua perna.

— Qual é Catarina! – ele reclama de dor.

Respiro fundo colocando minhas mãos em meu rosto, tentando não chorar.

— Ei, o que foi? – ele tira minhas mãos do meu rosto.

— Me assustou Austin, como estava fazendo aquela risada de criança? Sabe que me assusto fácil – reclamo o encarando séria.

— Mas Cat, eu não fiz risada de criança. Eu iria te assustar, mas achei melhor não.

— Não brinque comigo. – reclamo ao sentir um arrepio de medo.

— Eu não brincaria.... Mas, vamos voltar lá para baixo.

Ele pega os lençóis em cima da cama e descemos para a sala mais uma vez. O estranho foi que a TV chiava, e não passava mais o filme.

— Ótimo, agora a televisão não funciona. – o Austin vai até ela e mexe em alguns cabos.

Após um tempinho a TV finalmente voltou a funcionar, e voltamos a assistir. Mas algo ainda me alfinetava, a sala continuava fria e estranha, e o Austin me irritava puxando o meu cabelo.

— Pare de puxar meu cabelo Austin, isso irrita. – Digo puxando seu braço que estava em volta dos meus ombros.

— Eu não puxei seu cabelo. – ele diz sério.

— Ah não, foi um fantasma. – digo rindo.

De um momento ao outro, ouvimos um trovão assustador, que de algum modo ecoou pela casa.

— Agora eu estou com medo, isso não é bom.

Depois que eu disse isso duas janelas foram abertas de um jeito brutal, me fazendo saltar para mais perto do Austin.

— Acalme-se Catarina. Sua avó não deve ter fechado direito, por isso abriram, está chovendo lá fora. – ele diz se levantando e indo em direção à uma das janelas.

Faço o mesmo que ele, só que indo até a janela que fica mais distante. Antes de fecha-la observei lá fora, e não vi nada a mais do que um tempo escuro e chuvoso.

— C-Cat. – o Aus diz baixo e me viro lentamente, vendo ele apontar para o pé da escada.

Havia 'alguém' ali, uma figura estranha ao pé da escadaria. Se balançava de um modo agonizante, e batia suas mãos no chão, sem parar.

— Olá? – pergunto.

— Cat, não. – o Austin diz baixo e ignoro chegando um pouco perto.

Estiquei um pouco minha mão, levando-a em direção a figura horrenda ao pé da escada. No momento em que toquei seu ombro tudo ficou em silêncio, e ele ou ela já não batia suas mãos no chão.

— Sally? – uma voz grossa soou curiosa.

— E-eu me chamo Catarina. – gaguejo e acabo recuando um pouco.

— O que está fazendo com ele? Sally? Não gosta mais de mim? – sua voz ficava cada vez mais curiosa e sinistra.

— Esse é o Austin. Quem é você?

Após perguntar isso, a tal pessoa começa a se virar lentamente e no automático recuo cerca de 3 ou 4 passos.

— Meu amor. – ela diz.

Agora, era possível ver o rosto dela. Era algo horrendo e inexplicável. Naquele momento senti um enjôo forte, seu rosto era deformado e pálido, como se tivessem batido nele até a....morte, seus olhos eram escuros e cheios de tristeza.

— Cat, por favor – o Austin diz baixo e sinto ele segurar minha mão.

— Você. – a figura aponta para o Austin.– o que faz com ele Sally?

Sinto o Austin me puxar para trás aos poucos.

—Você está com ele? Me trai com....ele?

— Acho que está enganado. – o Austin ri nervoso.

— Cale a boca – o homem diz esticando sua mão, apontando para ele.

Como num passe de mágica, a figura bizarra aponta para a parede e o Austin é jogado brutalmente. Naquele momento fiquei sem saber o que fazer. A figura andava em minha direção, enquanto eu recuava atravessando a grande sala, e ele cada vez mais ficava mais assustador.

— O que você quer ? – pergunto sentindo a parede em minhas costas.

Não tinha mais para onde ir, o Austin estava preso, e parecia estar sendo sufocado.

— Quero que me ame Sally.... Assim tudo vai voltar a ser como era. – uma risada macabra ecoa pela casa.

Ele se vira em direção ao Austin, e só assim ele aparenta voltar a respirar normalmente.

— Então você gosta dele....esse humano insolente. – e diz e segura o rosto do Austin. – Já sei o que podemos fazer – ele ri mais uma vez.

— Por favor, não o machuque – peço.

O Austin estava parado, seus olhos fixos no monstro horrendo a sua frente. Quando de um momento ao outro o tal monstro sumiu, e o Austin foi ao chão, como um boneco de pano. Naquele momento corri em sua direção me ajoelhando ao seu lado, sua pele estava pálida, seus olhos arregalados e fixos em algum lugar.

— Austin....acorde – o chamo.

Eu já não sabia o que fazer, sua pele estava fria e quase sem....vida.

– Sally. – ele diz com a voz estranha.

Naquele momento tudo ficou mais sinistro. O Austin não pode ter me chamado de Sally. Devagar ele voltou a se mexer, mas algo não estava certo, de um momento ao outro sua roupa começou a mudar, sua camisa começou a se transformar em uma camisa de mangas longas ainda branca, e sua calça de frio agora era uma social.

Senti algo atrás de mim, como se estivessem me puxando, ao olhar para trás avisto duas crianças, que mantinham suas cabeças baixas.

— Ei! Me soltem – reclamo puxando minhas mãos.

— Tudo bem crianças, podem soltar ela. – ele diz e as crianças somem, de um momento ao outro.

Agora, o Austin vestia um paletó estranho e meio rasgado, uma gravata borboleta também rasgada, sem contar que todo o conjunto era listrado, branco e preto, algo que o Austin nunca usaria. Seus olhos não eram mais verdes, e sim um castanho bem escuro, sua altura já não era a mesma, estava maior, e bem mais pálido. Não era mais o Austin.

— Você não é o Austin. – digo encarando seus olhos escuros.

— Claro que não sou ele – ele ri. – Posso fazer de tudo para que me ame.

— O que você fez com o Austin?!

— Não se preocupe, ele ainda está aqui, só está.... Escondido. – ele ri vindo até mim.

— Não se aproxime..... O que é você?

— Como posso dizer.... Um espirito, entidade, monstro...ou será melhor...Fantasma. – zomba.

— Qual seu nome?

— ....Pode me chamar de Austin, gostei do nome.

— Você não é o Austin, nunca vai ser.

— Então me chame de Toby.

Senti algo em minha perna, como uma forte mão agarrando meu tornozelo, que em segundos arranhava minha perna, a machucando. Num ato rápido me puxaram e senti meu corpo bater com força no chão, minha cabeça doía, e tudo parecia girar, em pouco tempo senti meu corpo ir ao chão, e tudo ficou preto.

(...)

Minha cabeça latejava, e eu não conseguia identificar onde estava, era um lugar escuro, estava amarrada em uma cadeira, acompanhada de um instrumental.

— Ainda bem que acordou. – a voz do...Toby soa próximo a mim.

E em pouco tempo luzes se acendem, deixando visível uma grande mesa à minha frente, como as dos filmes. E logo do outro lado dela estava o Toby.

— Olá Sally – ele se levanta andando até mim.

— Eu já disse que não sou a Sally, seu louco psicopata! – grito tentando soltar minhas mãos.

— Você não se cansa de fugir de mim não é... – ele ri – o que está tocando? Conhece? – ele pergunta e o volume da musica aumenta.

— Mozart, sinfonia 40, quem não conhece? – digo o fuzilando com o olhar.

— A Sally gostava de escutar Mozart, sua avó mostrou a ela o que era música.

— Minha avó? O que está dizendo?

— Seus avós nos ajudaram quando morremos.

— Está tornando tudo mais confuso.

— Ah tudo bem, conheça os meus amigos, estão curiosos atrás de você. Quem sabe assim aceita o seu destino.

— Meu destino? Vá ao inferno! – grito.

— Já estou nele. – ele sorri e passa por uma grande porta.

Após isso meus braços foram soltos, levanto-me num salto, só assim percebendo que estava com um vestido branco e longo.

— Como... – falo comigo mesma.

Um telefone começa a tocar, e começo a seguir, passando por uma grande porta. Havia um telefone antigo em cima de uma pequena mesa, em passos rápidos vou até ele e o atendo.

— Catarina ? – uma voz nervosa dizia ao outro lado.

— Vovó?

— Cat, preste atenção no que vou dizer. Há um modo disso acabar. Vá ao sótão, tenha cuidado, ache o punhal do seu avô, apenas assim tudo vai acabar. Um sacrifício terá que ser feito, mas tudo irá ficar bem. – sua voz era baixa, como se ela sussurrasse para que ninguém ouvisse.

Naquele momento minha barriga gelou, e meu coração acelerou, acompanhado de uma lágrima.

— Vovó, eu estou com medo.

— Ele se alimenta do seu medo Cat....seja forte.... Faça pelo Austin. – ela diz rápido e assim o telefone fica mudo.

— Como sabe do Austin? – falo sozinha.

— Mamãe? – uma voz de criança soa atrás de mim.

Devagar olho para trás, logo depois dou um salto para trás num susto. Havia um garotinho e uma garotinha ali, eram pequenos, seus cabelos eram negros e bagunçados, havia sangue em suas roupas rasgadas, mas o pior de tudo... No lugar dos seus olhos haviam botões de costura preto.

— Não se assuste mamãe, viemos ajudar você. – elas vem até mim devagar, esticando suas pequenas mãos.

— O que houve com vocês? Onde estão os seus....olhos?

— A senhora sabe....o papai enlouqueceu. – dizem em uníssono.

— O que ele fez?

— Vamos mostrar, venha conosco mamãe. – eles andam até mim mais uma vez.

Suas pequenas mãos seguram as minhas, um de cada lado, e senti meu coração apertar um pouco. Devagar, começaram a andar, me guiando para uma das portas do longo corredor. Quando já estávamos perto, a porta se abriu sozinha e através dela haviam muitas pessoas de costas.

— Não tenha medo, todos só querem ajudar. – eles dizem e olho para a frente, engolindo a seco.

Logo à nossa frente havia uma cadeira de balanço antiga, e as crianças me guiaram até ela, e ao me sentar, percebo as pessoas que estavam sentadas. Todos tinham o rosto deformado, sejam cortes, marcas de costura, ou....botões no lugar dos olhos, todos tinham uma cicatriz.

— Mamãe, só você pode nos salvar – as crianças dizem e todos vem ate mim.

Um frio intenso encheu a sala, todos estavam juntos ao redor de mim, estava começando a sentir um desespero por estar em um lugar tão 'fechado', e todos me encaravam, seus rostos demonstravam tristeza e sofrimento.

— Por favor se afastem.... – digo tentando respirar – estou... Ficando sem ar.

Aos poucos todos foram se afastando, menos dois deles.

— Sally. Você vai nos ajudar não é?

Seus rostos eram tristes e cansados, assim como os dos outros, sua pele estava...verde e cheia de cortes, algo horrendo e desumano. Algo que só um monstro faria.

— O que houve com vocês? – pergunto.

— O senhor Toby fez isso por raiva....a senhora havia deixado ele, tudo culpa sua. – diz o menor deles.

— Eu não sou a Sally.

— Mas olhe! É igual a ela – apontam para um quadro atrás de mim.

E só assim vejo uma mulher no quadro... Igual a mim, seu cabelo estava mais arrumado que o meu no momento, mas usavamos o mesmo vestido elegante, e nossos rostos são iguais, os minimos detalhes.

— Não pode ser....

— A senhora Nora amava a Sally, sempre estavam juntas, até o Toby voltar das profundezas.

— Senhora Nora? Minha avó?

— Ela nos ajudou junto do senhor Many, mas não conseguiram conter o Toby. Mas você pode. – os gêmeos dizem ainda em uníssono, sempre juntos.

— O Austin...o que houve com ele? – pergunto sentindo um aperto no coração, ao citar seu nome.

— Parte dele está morto mamãe, mas se matar o papai, haverá um modo de ficarem juntos... Para sempre.

Eu sentia um enjôo forte, meus olhos se encheram de lagrimas insistentes que eu não podia conter.

— Isso não pode estar acontecendo. – digo fechando meus olhos e sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Não posso fazer isso, nem ao menos sei como. – digo baixo, contendo o choro.

— Nós sabemos como. – uma garotinha pequena, de pele morena e bonita diz se aproximando. – terá de se sacrificar por todos, só assim, tudo vai acabar bem. – ela toca meu rosto, e só assim percebo pontos ao redor de sua boca.

Havia algo dentro de mim que gritava para sair correndo e deixar todos alí, mas havia algo que dizia que não havia outra saída. Foi naquele momento em que admiti a mim mesma que estava disposta.

— Tudo bem, faço o que for preciso. – digo me levantando.

Todos sorriram, não consegui saber se havia felicidade ou maldade em seu olhar. Mas após aquilo levaram-me para uma sala ali próximo. Nela havia uma cadeira, aonde fiquei sentada. Os gêmeos me acompanhavam a todo momento, enquanto os outros me fuzilavam com o olhar. Foi quando um deles entrou na sala. Ele vestia um roupa rasgada. Seu rosto era totalmente deformado e havia sangue fresco ali. Ele carregava o punhal do meu avô em suas mãos, e após chegar perto de mim, ele o segura com as duas mãos.

— Parte de você irá morrer agora. Mas parte está ligada ao Toby. – ele diz em voz alta, e logo depois sinto-o enterrar o punhal em meu peito.

Não me recordo muito bem daquele momento, mas ainda sinto a dor insuportável. Não era apenas uma facada no peito, e sim muitas coisas ao mesmo tempo. Sentia meu olhos serem arrancados, minha pele era rasgada e costurada de pouco a pouco, numa tortura sem fim. Tudo doía, e eu já não aguentava mais.

Foi quando de um momento ao outro tudo voltou ao normal, a dor já não era tão intensa, e minha vista não estava mais embaçada, mas tudo havia mudado, eu podia sentir.

— Agora, deverá ir até ele. Mostre-o a verdade, e tudo ficará bem. – ele coloca a faca em minhas mãos.

Levantei-me devagar enquanto todos observavam, arrastei minha perna machucada até que eu chegasse a porta, e a abri sentindo uma forte corrente de frio.

— Toby? Onde esta? – pergunto fechando a porta e começando a andar, sem saber aonde ir.

Não houve resposta, então desci a escada parando em uma grande sala, com quadros antigos.

— Você é um covarde! – grito.

Uma risada horrenda ecoou a sala, e o Toby apareceu ainda no corpo do Austin, sorrindo maldosamente.

— O que você disse?

— Você é um covarde. – repito segurando o punhal com força.

— Amor? O que houve com você. – ele segura meu rosto. – seus olhos.... Não são seus olhos!! – ele grita e sou jogada no chão com força

— Foi por isso. – digo me sentando. – foi por causa da sua brutalidade que o deixei.

— O que?! Você me ama, assim como ama os nossos filhos.

— Você os matou Toby! – grito.

— Foi tudo por você Sally. Por você.

Aos poucos fui me levantando, sentindo a dor insuportável de novo. Agora eu sabia o que a Sally passava. Ele matou seus filhos e torturou à todos que apareciam, dizendo que era por amor.... Mas nunca foi.

— Eu te amo Sally, e para sempre vou amar. Não sei o que aqueles monstros te contaram, mas eu te amo.

— Você é o único monstro aqui Toby, só ama a si mesmo. Você ama sua própria insanidade.

— Não é verdade, eu amo você. E se algo te acontece....tudo está acabado. Você é quem importa.

— Deixe o Austin ir – ordeno.

— O garoto boboca? Ainda pensa nele? – ele olha para mim com raiva – você ainda ama ele! – ele grita e um trovão soa lá fora.

— Eu sempre amei ele. E nunca irei te amar. – digo apontando o punhal para ele.

— Não pode me matar com esse punhal ridículo, todos sabem. – ele ri.

— Eu sei. Mas tem um modo.

— Que seria?

Devagar apontei o punhal para mim mesma, era o que deveria acontecer. O Toby só existia por causa da ligação que existe entre ele e à Sally...ou entre ele e eu.

Num ato rápido, cravo o punhal em meu peito, fazendo uma explosão estranha acontecer.

— Você não pode ter feito isso....nosso amor é maior que tudo – ele diz caindo de joelhos.

— Não há amor, e nunca haverá – digo baixo sentindo o sangue escorrer em minha boca.

Não posso descrever o que houve em seguida. Os olhos do...Austin ficaram brancos, e algo começou a passar através dele, a mesma figura que estava ao pé dá escada começou a surgir, seu rosto era mais elástico, e sangue jorrava de sua boca, mas o Austin estava parado, não expressava dor ou coisa do tipo, apenas seus olhos continuavam brancos. Em um momento o Toby estava agarrado ao Austin, como se fugisse da própria morte. A porta foi aberta com força, e as entidades que antes estavam junto de mim e das crianças entraram na sala, indo em direção ao Toby com um olhar insano, todos o arrastaram para outro lugar, e apenas foi possível ouvir gritos de horror.

Eu ainda sentia a dor insuportável, mesmo assim arrastei-me até o Austin, segurando sua mão.

— Estarei sempre aqui, junto de você – sussurro.

Tudo começou a ficar escuro, e a dor se estendia mais e mais. Até que tudo ficou escuro e sem fim.

Mas uma luz se acendeu, e tudo voltou a ter cor de um momento ao outro. Eu já não estava mais na sala, e sim no jardim da vovó, podia sentir o vento bater em meu rosto, e o cantar dos passarinhos.

— Ainda bem que acordou. – vejo o Austin à minha frente e ele me ajuda a levantar.

— O que houve? Eu não deveria estar morta? – pergunto com uma mão na cabeça.

— Todos que morrem na casa, ficam presos à casa, pela eternidade – ele fica de frente para mim e toca meu rosto.

— Você morreu?

— Quando matou o Toby ele levou consigo o resto de vida que havia em mim . Sim, estou morto.

— Mas, o que aconteceu com ele?

— Ele não suportou ver a morte do amor de sua vida, os outros mostraram a ele tudo o que sentiram quando ele os deformou.

— O que acontece agora Austin? – toco seu rosto encarando seus lindos olhos.

— Vamos passar a eternidade juntos Catarina.

— Juntos...para sempre? – pergunto baixo.

— Para sempre. – ele sorri e beija minha testa.

Talvez seja difícil acreditar que tudo isso realmente aconteceu, acho que eu não iria acreditar também. Aposto que tem algumas duvidas em relação a tudo o que aconteceu, mas terei de deixar muitas questões em branco, nem sempre a verdade tem que ser revelada.

Pesso que tome cuidado no Halloween, os espíritos andam à solta nesse dia. Ah, se ouvir falar da colina Woodyside nunca se aproxime dela, o mal não está apenas na mansão.

❖❖❖
Notas de Rodapé

E com isso finalizo a históra, desejo com todo o meu coração que vocês tenham gostado.

Aliás, também espero que tenham percebido as diversas referências que fiz ao decorrer da história. E não posso deixar de pedir desculpas caso encontrem algum erro ortográfico que acidentalmente fugiu da minha vista enquanto corrigia.

Um feliz Halloween!!!

Apreciadores (5)
Comentários (0) Ninguém comentou este texto ainda. Seja o primeiro a deixar um comentário!