Plástico
6 de Janeiro
Tipo: Lírico
Postado: 18/12/16 03:34
Gênero(s): Crítica Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 5
Comentários: 2
Total de Visualizações: 246
Usuários que Visualizaram: 8
Palavras: 265
[Texto Divulgado] "Eu" Hora de desfazer algumas imagens mal construidas sobre mim.
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Plástico

Todo mundo é de plástico

Em suas faces sorridentes pelo nosso feed

E até os que estão tristes

São todos plastificados

Com seus discursos decorados

E seus movimentos calibrados

São todos plastificados

Enquanto olham para a paisagem

São todos plastificados

Não vivem o momento intensamente

Preferem congelá-lo,

Antes que ele se acabe

São todos plastificados

Cheios de si

Cheios de nada

São todos bem adestrados

E até os que falam alto

Esses sim, são os mais treinados

E, sim, são todos de plástico

Com as cantadas baratas

E o amor entorpecido

São todos de plástico,

Só pensam em ouvir,

Quando necessitam do próprio ouvido

São todos de plástico,

Excluem seus filhos, mulheres e maridos

Daquele plano de fundo tão bonito,

Só para sair bem na foto, ao lado do Cristo

São todos tão rasos

Tão estáticos

Tão maquinalmente bem resolvidos

E como podemos querer ser daquele jeito

Que nos mostram superficialmente?

É que, nós somos de plástico.

Eu sou de plástico.

A mais plastificada de todas,

Por diversas vezes menti no meu discurso,

Pedi perdão por esquecer de alguém,

Que nem sequer importa,

Falei que amava, só pra não passar em branco

Quando eu mesma sabia,

Que eu mal importava.

Eu sou a mais plastificada,

Que escrevo tanto sobre todo esse sistema brilhante

Quando eu queria destruir tudo

Que pode ser ligado na tomada

Eu sou a mais plastificada,

Eu sou a mais treinada,

Eu sou a mais hipócrita,

Eu sou a mais falsa,

Sou a mais covarde,

Sou a mais maquinalmente movimentada,

Eu sou a pior pecadora,

Eu sou a mais cheia de nada.

❖❖❖
Notas de Rodapé

E vocês, belos seres humanamente maquinários, novamente, obrigada.

Apreciadores (5)
Comentários (2)
Postado 20/02/17 21:37

Para tudo! Como eu pude ver Petite Meller na capa, ler seu texto que, diga-se de passagem, está arrasador (desculpe, foi a melhor palavra depois de "lacrador" que consegui encontrar, e ainda continua informal ;^;), ler suas notas finais e me deliciar com o título de "bela ser humanamente maquinária" e não comentar? Pode me bater, se quiser, e estou batendo os dedos no teclado porque é uma alternativa mais saudável e auto-preservativa -q

Amada, acho que agora entendi por quê não consegui encontrar as palavras certas para montar um comentário da quando li pela primeira vez e apreciei: não há o que dizer, porque tudo o que eu poderia dizer está expresso no texto. Todos os pensamentos sobre a vida plastificada, as fotos usadas como forma de emonstrar superioridade em vez de recordações, a hipocrisia e a conformação com a situação social que estamos vivendo.. céus, tudo está ali, letrinha por letrinha arranjada de forma a expressar os pensamentos que deixamos no fundo da mente por sabermos que, caso comecemos essa discussão, não há como negar a realidade ou sugerir uma forma de mudar o pensamento da maioria da massa.

Só me resta então parabenizá-la pela coragem de escrever e expor um texto desses, de forma estupenda, devo dizer <3 eu queria essa sua fluidez, moça: uma vez lendo, não é possível deixá-lo pela metade.

Postado 20/02/17 23:38

Ah, que coisa linda, é tão bom ler essas palavras e pensar que alguém entendeu e entende e sofre e vê essas coisas. ISSO É TÃO BLACK MIRROR! Obrigada, de verdade, fico muito feliz por ver que você gostou tanto!

Postado 26/02/17 20:59

Satan... Esta autora não pode ser mesmo real. Deve ser do mesmo plástico que compõe os deuses...

Depois de um comentário tão excelso e completo quanto o da Srta Tháibuki, eu nada mais tenho a dizer, exceto que faço minhas as palavras dela em gênero, número e grau. A obra que a senhorita gentilmente compartilhou conhod foi de uma primazia excepcional, um verdadeiro rolo compressor de realidade na face estupefata de quem tiver o prazer e o privilégio de ler.

Bravíssimo, senhorita! Bravíssimo!

Atenciosamente,

Um ser feito com PET, Diablair.

Postado 26/02/17 22:44

Obrigada do fundo do meu coraçãozinho empoeirado que foi jogado num baú velho de brinquedos!