Little Bird (Em Andamento)
Ana Luz
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 28/12/16 23:35
Editado: 07/02/20 23:52
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 07/02/20 23:52
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 23min a 31min
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Palavras: 3778
[Texto Divulgado] "Brasas" As brasas chiavam embaixo de suas solas enquanto o fogo consumia sua forma.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Little Bird
Capítulo 3 Três

Skyler

Após muitas promessas de que ganharia chocolate, aceitei que Blair e Lola escolhessem que o que era para eu vestir e até passarem maquiagem na minha cara. Deram-me para pôr uma blusa regata larga e que era de um tecido fino, minha calça preta colada e minha camisa verde de botões que deixei as mangas erguidas até os cotovelos. Blair procurava por saltos enquanto Lola passava uma sombra em meus olhos.

– Salto não – pedi. Lola apenas concordou dizendo que nós dois éramos quase da mesma altura. Passou um batom rosa claro na minha boca e logo Blair chegou com meus cuturnos pretos. Enquanto as duas mexiam no meu cabelo tentando decidir como deixá-lo eu fiquei jogando um daqueles joguinhos inúteis e viciantes que meu celular proporciona. Já havia passado do meu recorde quando escutei o interfone tocar.

Levantei-me enquanto deixei as duas discutirem e peguei o envelope com a minha carta em cima do criado-mudo. Segui até o interfone e ao descobrir que era Hans, falei que já estava descendo com a voz mais baixa.

– Por que está sussurrando?

– Pros duendes não me verem saindo. – Escutei ele rir do outro lado. – Já estou indo. – Então sai de fininho de dentro do apartamento e estava esperando o elevador quando escutei por uma das duas chamando meu nome. Suspirei aliviada ao estar a salvo dentro das portas metálicas do elevador.

Olhei-me no espelho do elevador e tentei dar um jeito no meu cabelo. Não obtive muito sucesso e as portas já havia se aberto. Enquanto abria a porta de dentro eu consegui ver Hans perto da porta de entrada. Quando nós dois estávamos entre as portas, só consegui sorrir envergonhada enquanto ele me observava.

– Você está linda – disse com um sorriso de canto extremamente lindo. Agradeci sentindo meu rosto ficar quente e disse:

– Elas já devem ter percebido que eu sai, vamos logo. – Pegou minha mão e abriu a porta para nós dois sairmos. Arrepiei-me de início com o clima mais gelado e enquanto ele nos guiava até seu carro, eu me deixei observar seu corpo. Quer dizer, roupas.

Usava calça jeans não muito justa, mas o suficiente pra perceber que eu quero pegar muito na bunda dele. Uma jaqueta preta e uma camiseta azul escura. E sem barba. Droga! Cade a barba? Já no conforto incrivelmente cheiroso que era o carro dele, eu me atrevi a perguntar:

– Por que fez a barba? – questionei enquanto fechava o cinto. Ele riu e ligou o carro.

– Andy veio atrás de mim com um barbeador e só desistiu quando tirou parte dela. Tive que fazer o resto. – Olhou de canto para mim. – Ele ficou dizendo que você preferia caras depilados e sei lá mais o que.

– Mas ele sabe que gosto de barbas – reclamei baixinho brincando com minhas chaves.

– Então já sei porquê ele queria tanto que eu tirasse a barba – comentou. Então me lembrei da minha carta para ele e tirei-a do bolso onde estava junto de meu celular.

– Só quando eu não estiver mais junto – declarei desdobrando o envelope e colocando-o perto da marcha. Ele olhou para o envelope e mordeu o lábio.

– Você deveria ter me dado só no final então, porquê agora eu to com uma puta curiosidade. – Ri.

– Não teria graça. Além do mais, você tem que sofrer um pouquinho. Porque os gnomos ficaram me enchendo quando descobriram que eu tinha um encontro. – Percebi ele sorrir. – Elas ficaram planejando milhares de roupas e penteados e me subornaram com chocolate.

– Bem, pelo menos elas esconderam parcialmente as sardas.

– Isso foi eu, elas queriam que eu viesse de vestido ou saia.

– Curtos?

– Minúsculos, porque elas acham que temos o mesmo tamanho. – Revirei os olhos. Ele suspirou e murmurou baixinho.

– Você faz com que eu me sinta um adolescente punheteiro outra vez. – Ri e ele não conseguiu conter um sorriso.

– E para onde vamos? – Já havia começado a me sentir impaciente por não saber para onde íamos.

– Só precisa saber que é um clichê. – Bufei com mais intensidade que o necessário para ele ver o quanto estava impaciente, mas ele apenas riu disso. – E se eu falar que tem chocolate? – Olhou-me com o canto do olho. – Você fica menos impaciente?

– Faz apenas eu ficar mais ainda – sussurrei e não consegui conter minha vontade de rir assim como ele. Eu não reconhecia o caminho que ele tomava, não que eu fosse expert em direções ou qualquer coisa do tipo, mas eu conheço os caminhos que eu uso na cidade. Quando ele estacionou, não tive muito tempo para observar em volta e ele logo estava abrindo minha porta.

Ajudou-me a sair e eu olhei para o lado enquanto ele abria a porta de trás para pegar algo. Haviam outros carros estacionados, não muitos, mas tinha alguns. Uns casais dentro do carro, outros sobre o capô e alguns escorados na cerca que havia ali. Observei a vista percebendo que ele havia me trazido para o Mirante. Sorri boba observando a cidade iluminada e só parei ao escutar a porta ser fechada. Segurava uma caixa térmica e um cobertor.

– Não achei em lugar nenhum aquelas cestas de piquenique, vai ter que se contentar com essa. – Concordei com a cabeça sorrindo. Ofereci-me para levar o cobertor e ele voltou a pegar minha mão. – Aqui em cima é clichê, mas não vamos ficar aqui. – Conduziu-me até a cerca e então passou pro outro lado, fiz o mesmo e ele pediu para eu ter cuidado enquanto descia.

A montanha era ingrime, mas não tanto nessa parte. Apenas murmurei em agradecimento por nenhuma das smurfetis ter me convencido a vir de saltos. Paramos em uma parte do Mirante que é plana e mais baixa, não tinha a mesma vista da cidade e só depois de ele me apontar o estádio de futebol consegui perceber que a cidade não era para ser a vista.

– Andy falou que gostava, mesmo que agora eu não esteja mais tão confiante sobre o que quer que ele fale... – Deu de ombros.

– Isso eu gosto – disse e então ele largou a caixa térmica pegando o cobertor de mim e colocando o no chão.

– Primeiro as damas – falou divertido gesticulando para o cobertor. Gargalhei antes de aceitar sua mão para subir em cima do cobertor. Sentei-me e ele logo ocupou um lugar ao meu lado. Abriu a caixa térmica e disse: – Não consegui pensar em nada que não fosse sanduíche para trazer, esse clichê funciona muito mais em filmes. – Rimos.

Conversamos, torcemos para times opostos, comemos e bebemos. Havia afirmado que ele pretendia me embebedar por ter trazido cerveja, mas ele apenas disse “teria que ser algo mais forte que cerveja para isso” e disse que na fraternidade não tem outra coisa.

– É uma espécie de confissão que está comigo só porquê não para de beber? – Riu.

– Deixo para eles a cerveja, apenas não queria trazer água hoje. – Estreitei os olhos e cruzei os braços, murmurei algo como “me aguarde”, mas ele não tirou o sorriso do rosto.

Consegui fazer a proeza de passar a mão na cara e borrar o batom, Lola me mataria se soubesse disso. Após ele rir de mim e eu me juntar a ele, Hans me ajudou a limpar o borrado da minha cara. Então ele confessou baixinho.

– Queria estar fazendo o contrário. – E olhou nos meus olhos sorrindo de canto.

– Borrar mais? – questionei e ele concordou. Franzi o cenho. – Isso... ah! – Ele riu e me chamou de lerdinha. – É a sua mãe. – Dei-lhe um tapa de menininha, por que não queria machucá-lo de verdade, mas me rendi e comecei a rir com ele.

– Quer chocolate? – perguntou se afastando, inclinou-se até a caixa térmica e tirou de lá um pote. Concordei e ele abriu revelando morangos coberto de chocolate. Começamos a dar morangos um para o outro como se fossemos um casal muito fofo, e realmente pareceria se não ficássemos sujando um ao outro ou afastando o morango na última hora.

– É o último. – Revelou e aproximou-o de minha boca. Não a abri. – Abre a boca – pediu e neguei. Sorriu torto e segurou meu rosto apertando minhas bochechas fazendo um biquinho. – Olha o aviãozinho – disse com uma voz infantil que me fez rir e com ele não foi diferente. Começamos uma espécie de lutinha, ele tentando me fazer abrir a boca e eu desviando do morango. Até que ele conseguiu ficar sobre mim, isso tudo com ele usando apenas uma mão, e tentou novamente abrir minha boca. – Olha que se não abrir eu quem vai comer – ameaçou sorrindo e eu ri. Sujou minha boca com o chocolate e eu apenas lambi-o. – O chocolate você quer, né lerdinha.

– Lerdo é você. – Então o desgraçado conseguiu colocar o morango em minha boca. Comecei a mastigá-lo tentando não rir de ele comemorar e em seguida tentando não agarrá-lo quando lambeu os dedos sujos de chocolate. Deitou-se ao meu lado se escorando no cotovelo e permaneceu com aquele sorrisinho torto lindo enquanto me observava. – O que foi? – Desviou o olhar do meu e mordeu o lábio.

– Deveria ter escondido melhor suas sardas. – Passou um dedo pela lateral de meu pescoço e por meu colo até chegar a blusa que usava.

– Apareço de burca da próxima vez.

– Só se escondesse os olhos também – disse sério.

– Você tá muito tarado, to achando que só quer o meu corpo. – Riu.

– Culpa das suas sardas, tenho certeza que já falei isso.

– Ninguém mandou ter tara por sardas – reclamei.

– Eu nem sabia que tinha até você dizer “no corpo inteiro” – acusou-me sério e só consegui rir sem graça sentindo meu rosto ficar quente. – Na verdade, acho que nesse momento, eu só tive certeza. Por que você não tem ideia do tipo de pensamento pervertido que eu tive quando te vi.

– Deixa de ser pervertido – reclamei cobrindo o rosto com as mãos. Escutei ele rir baixo e em seguida senti um beijo, quente, molhado e que só me deixou com gostinho de quero mais, em meu pescoço. Suspirei baixinho e percebi que ele também o fez, beijou novamente um pouco mais a baixo e nesse momento eu já havia descoberto meu rosto. Deu uma leve mordida que me causou cócegas e nós dois acabamos por rir. Com ele tão próximo de mim desse jeito, consegui sentir perfeitamente seu perfume, que eu só tive vontade de cheirar mais ainda.

Homem cheiroso e homem com barba me ganham fácil, agora junta os dois. Tudo bem, ele não tá mais com barba, mas nem que eu o obrigue ele vai deixá-la crescer outra vez.

– Você é cheirosa. – Passou o nariz por meu pescoço. – Nem tá com tanto cheiro de cerveja, dessa vez. – Ri e por seus lábios estarem perto de meu pescoço, senti que ele sorriu. Beijou meu pescoço novamente e reprimi um gemido ao sentir ele sugar a pele.

– Não percebeu que eu sou muito branca? Vai demorar pra caralho pra sair. – Riu e mordeu a região do chupão. – Canibal – reclamei baixinho segurando a vontade de rir. Distribuiu beijos por meu pescoço até meu maxilar onde o mordeu de leve.

– Você é saborosa demais, não dá pra resistir. – Beijou novamente meu maxilar mais próximo do queixo.

– Mesmo assim, não precisa ficar me mordendo. – Agora seus olhos estavam nos meus, seu nariz roçava no meu. Sorri ao perceber que seus olhos sorriam. Estava pronta para fechar meus olhos e para me entregar de corpo e alma a esse beijo que está por vir. Mas parece que o desgraçado gosta de prolongar demais esse tipo de momento só para me ver agoniada.

Sua boca roçou na minha e eu iria me inclinar na sua direção para começar logo com o beijo, mas talvez eu tenha sido óbvia demais e isso fez ele desviar e morder meu lábio inferior. Sugou-o, mordiscou e lambeu. Tentei recuar a vontade de gemer, mas não obtive muito sucesso.

Beijou de leve minha boca e tenho certeza que se não fosse eu segurando seu rosto com as duas mãos e inclinando meu rosto na sua direção, ele teria prolongado ainda mais. Assim que comecei a mover minha boca na sua ele veio mais para cima de mim e começou a dominar o beijo. Segurou meu rosto com uma mão e se apoiou com a outra no chão. Acariciava de leve meu rosto enquanto eu dava puxões em seu cabelo por ter meus dedos embrenhados nele.

Pensei que ele fosse embromar, mas foi ele quem adentrou a língua em minha boca. Cada vez mais o beijo parecia ficar mais intenso, algo que achei que não fosse possível. Deixei que uma de minhas mãos acariciasse seu maxilar e cortei o beijo. Tentei tomar folego, antes que ele voltasse a me beijar. O que teria acontecido se eu não tivesse falado:

– Falta uma coisa. – Ele abriu os olhos e franziu o cenho, encarou-me e aguardando uma resposta.

– O que? – perguntou meio sem folego.

– A barba. – Ele riu e eu não fiz diferente. Beijou minha boca de leve.

– Culpe Andrew por isso. – E recomeçou o beijo. Percorri minha mão, que antes estava em seu rosto, por seu braço e logo em seguida por seu peito fazendo com que parasse apenas em suas costas e por dentro da jaqueta. Sua mão percorreu a lateral de meu corpo até parar em minha coxa, onde ele a apertou forte. Faria com que ele ficasse entre minhas pernas, já que estou com uma perna entre as suas e ele com uma entre as minhas, mas ele me parou e falou meio ofegante: – Já tá difícil o suficiente desse jeito, não complica mais pra mim. – Ri abafado e voltei a lhe beijar.

Eu ficaria a noite inteira nesse amasso se ele quisesse. E até faria coisinhas à mais se ele quisesse também. Mas ele não quis nem um e nem outro.

Parou de me beijar, com uma maldita mordida no meu lábio que só me deixou querendo mais, e se deitou ao meu lado. Apoiei-me no cotovelo e olhei em seus olhos. Ele fitava o céu e antes que comentasse alguma coisa, ele perguntou:

– Sabia que aquela é a Ursa Maior? – Olho para o céu e tento distinguir uma estrela da outra, falhando miseravelmente.

– Sério? Qual? – Escutei ele rir baixinho e o encaro. Ele ainda está olhando para o céu e me aproximo mais para ser possível morder seu maxilar.

– Não entendo nada de astrologia.

– Astronomia – corrijo.

– Anatomia. – Franzo o cenho e rio. Ele sorriu torto e dobrou um braço passando-o por baixo de sua cabeça. – O que?

– Você só pode tá tirando uma com a minha cara – reclamo.

– Lógico que sim, eu entendo de anatomia. – Balanço a cabeça em negativa. – Só se mentiram pra mim – falou desviando o olhar, com uma cara séria. Não consegui segurar o riso por tanto tempo como ele.

– Hans – chamo-o. Ele vira o rosto para mim, ainda com um sorriso torto nos lábios. – Sua boca tá toda rosa.

– A sua também.

– Por isso não gosto de batom – sussurro. Inclino-me na sua direção outra vez e lhe dou um selinho.

– Você só provoca – acusou-me. – Agora. – Levou a mão ao bolso. – Vou ler sua carta. – Tirou de dentro o envelope em que havia posto a carta.

– Não é justo. Eu vou ficar com vergonha – reclamei.

– Sabia que ia escrever muito putaria. – Fez barulho de negação com a boca e rimos em seguida. – Também não acho justo isso. Você vai ver minha reação ao ler, mas eu não vi a sua. Só que eu estou curioso demais para esperar.

– Hans – reclamei, mas ele me cortou.

– É isso ou eu ficar tarando você. – Arqueei as sobrancelhas, sugestiva. – Não me dê ideias – murmurou me fazendo rir. Comecei a depositar leves beijos em sua boca e ele não demorou a transformar em um beijo intenso. Escuto o barulho do envelope se amassar quando ele segura meu rosto ainda segurando a carta.

Segurei em sua jaqueta e comecei a puxá-lo na minha direção, mas assim que ele estava quase que completamente sobre mim, afastou-se abruptamente sentando-se e dizendo:

– Agora eu vou ler a carta. – Bufei e me sentei ao seu lado, cruzando os braços.

– Não te beijo mais, também.

– Talvez eu tenha duvid...

– Não lê em voz alta – reclamo fazendo bico e isso o faz rir. E ele recomeça a leitura, ainda em voz alta, para meu desespero.

“Talvez eu tenha duvidado um pouquinho sobre você escrever cartas para mim. Afinal, você estava bêbado e ainda acho que é estranho escrever em pleno século XXI.

A primeira coisa que quero dizer é: sim, você foi um grande babaca ao falar que uma das minha melhores amigas é incrivelmente gostosa (mesmo que você tenha concertado depois). Então é bom não ficar achando que vai ser fácil me conquistar sexta. Isso se eu decidir ir, não fique achando que eu já sabia que iria o tempo inteiro.

– Não sei porquê. – Interrompeu-se. – Mas acho que você sabia o tempo inteiro que iria vir. – Senti meu rosto começar a ficar quente.

– Eu não quero comentários de sua parte – murmurei.

Se eu, em algum momento tivesse pensado em receber alguma carta, nunca teria pensado que teria tanta pervertisse como você pôs. A culpa não é das minhas sardas. Quem é que tem atração por sardas? Tudo bem, não vou te julgar, até por que, tem gente que sente atração pôr pés (gente não, homens, eu vi numa pesquisa, não tente me contestar e o número ainda é grande pra caralho). Eu não entendo o porquê, pés são apenas pés, assim como sardas são apenas sardas. (Okay, podem existir umas crianças extremamente fofas e bochechudas que tem sardas. Mas são crianças, e as sardas são fofas e mordíveis, não tem como alguém ter tara por sardas).

Continuando...

Quero te confessar que, talvez, seja muito mais fácil me conquistar do que você esteja pensando. Não por eu ser inocente e facilmente enganada por palavras bonitas (embora uma parte minha seja), mas, sim, porquê eu amo me apaixonar. Isso é algo que você tem que saber sobre mim. Assim como eu me vestir de mendiga, dispensar maquiagem, ter dias que eu não penteio o cabelo (é, eu não penteei aquele dia), que eu posso quebrar o nariz de alguém (eu teria chutado as bolas dele, mas você ficou na frente) e que eu sei beber melhor que você (tudo bem que você não estava bêbado como Andy na festa, mas ele bebeu mais copos no beer pong).

– Em minha defesa, ele não deixou tempo para eu pegar alguns dos copos que era para eu beber. – Ri e ele revirou os olhos. – Não queira competir comigo.

– Não queira você competir comigo.

Odeio parágrafos longos, então...

Novo parágrafo.

Eu posso ser fofa e mulherzinha em alguns dias (cinco de cada mês e todo mês, infelizmente). Posso até pentear o cabelo, usar maquiagem e roupas que não são de mendigo nesses ou em outros dias (bêbada)(o que é difícil). Poderia ser outros dias também (chocolate compra qualquer coisa de mim, belgo então...)

– Quer chocolate? É isso? – Senti meu rosto quente e ele riu. – Te dou chocolate – falou e se inclinou na minha direção para beijar e morder minha bochecha.

– Canibal – grunhi massageando minha bochecha dolorida.

– Nem foi tão forte – defendeu-se. Mostro a língua e ele ri. Derrubou-me no chão me fazendo soltar um gritinho, rimos juntos e ele logo se pôs sobre mim. – Quem mostra a língua pede beijo. – E começou a aproximar seu rosto do meu.

– Eu disse que não te beijo mais – reclamei desviando o rosto. Ele riu abafado e mordeu minha outra bochecha. Dei outro gritinho. – Babaca – grunhi.

– Você tá dando uns gritinho muito de mulherzinha – zombou me fazendo revirar os olhos. Beijou meu pescoço e logo subiu para minha orelha. Ah não! Na orelha é sacanagem. Chupou o lóbulo e mordi o lábio para não deixar qualquer som sair. Isso é jogo sujo! Respirei fundo e antes que ele prosseguisse eu perguntei:

– Não vai continuar a ler? – Murmurou alguma coisa que não entendi e se afastou. Sentou-se outra vez e eu fiz o mesmo. Pegou a carta e procurou onde havia parado para continuar.

Acho que vou beijar você sexta. (Se eu for. Lógico)

Ele riu e me fitou, apenas revirei os olhos tentando não me afetar ao sentir minhas bochechas quentes. Mandei ele continuar a ler logo antes que eu tirasse a carta dele.

Não por que meus elfos particulares estão me condenando (por não ter te beijado na festa) e atormentando (Por acharem que eu não superei meu ex-namorado)(Em minha defesa, eu amo moletons e que culpa eu tenho que ele me emprestou e nunca pediu de volta? Nenhuma. Exato. Achado não é roubado e quem perdeu foi relaxado). Do jeito que elas falam é como se eu tivesse solteira a anos e ao mesmo tempo tivesse terminado o relacionamento a dias, no máximo uma semana e estivesse na fossa ainda (Não pergunte, nem eu entendo elas e olha que sou mulher).

Também não é por que eu to carente (não que eu esteja, por que eu não tô).

Mas sim porquê (e aproveite muito esse momento para seu ego, por que eu não vou falar de novo, muito menos em voz alta) eu achei (nunca mais, nem em voz alta) você (eu falei sério) muito (muito sério) babaca (tá, é mentira, achei gostoso. Agora nunca mais e eu vou negar se alguém perguntar).

Ele me encarou sorrindo divertido e eu tenho certeza que meu rosto deve ser uma mistura de vermelho com mais vermelho e algumas sardas em cima pra completar.

– Você.

– Não.

– Me.

– Vou te bater.

– Acha.

– Babaca.

– Gostoso.

– Nunca disse isso.

– Eu tenho a prova. – Mostrou a carta.

– Nego tudo, não escrevi uma palavra se quer. – Cruzo os braços. Ele sorri e colocou meu cabelo para trás da orelha.

– Também te acho muito gostosa. – Bufei e desviei o olhar. Ele riu baixo e senti ele se aproximar enquanto segurava meus cabelos logo acima da nuca e me fazia virar o rosto para ele. Uniu seus lábios aos meus, mantendo-os unidos em um selinho demorado. Até ele começar a mordiscar meus lábios e me deixar na vontade. Por que, assim que eu não estava mais ligando para o fato de ele me beijar após falar que ele não iria, o desgraçado parou de me beijar.

– Babaca – xinguei-o. Ele sorriu sem mostrar os dentes e voltou a ler a carta.

E eu não sei mais o que escrever.

Acho que teria mais conteúdo se eu escrevesse depois de sexta (não que eu já tenha decidido).

Já sei, vou ir sexta (decidi só agora. Pra você foi só um parágrafo, mas não pense que escrevi tudo junto na mesma hora).

Até sexta.

E não pense que é tão fácil virar o pai dos meus filhos.

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