Siga-me Romeu
Francislaine O A
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 27/01/17 10:12
Gênero(s): Drama Romântico
Tags: Suicídio
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 6min
Apreciadores: 2
Comentários: 2
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Palavras: 779
[Texto Divulgado] "Por trás da janela" E se a sua imaginação se confundisse com a realidade?
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Um pequeno texto com pensamentos rápidos

Outro achado nas minhas pastas perdidas do pc

Capítulo Único Siga-me Romeu

Estamos em guerra.

Em um conflito sem sentido.

Dois povos com culturas totalmente diferentes.

Um amor proibido a beira da morte...

- Sinto muito, mas é tarde demais...

Tarde demais não é resposta.

Pensei que nossa promessa fosse para sempre.

Eu preciso levá-lo comigo, você me prometeu seu coração.

Lutei por você e assim que sou recompensada. Sendo rasgada em pedaços.

Seu coração se perdeu nessa escuridão, sua alma se corrompeu. E eu...?

Pensei que, mesmo depois de tudo que passamos, ainda poderia salvar uma parte de você que um dia conheceu o amor.

Apenas me enganei...

Dessa vez estou perdendo.

Estou te perdendo...

Sei que preciso olhar para frente e correr. Salvar ao menos minha pele e meu sangue desses monstros conhecidos como seres humanos.

Mas ainda não acredito que você resolveu se unir a eles para me destruir.

Vendeu-se por uma falsa liberdade. Agora é tarde demais para mudar.

Esta foi a sua escolha, abandone essa vida dupla que te corrói por dentro e me consome também. Senão iremos ambos perecer.

Suas cicatrizes são provas de seu erro e de nossas lutas. E, por mais que eu queira negar, me sinto mais próxima a você.

A única luz que vi no escuro, que estendeu a mão para mim dando-me força para lutar e sobreviver nesse mundo selvagem.

Naquele dia eu apenas desejei sempre estar lá para você e perto de você.

Mas essa mesma mão que me acolheu, está me deixando para a morte...

Veja as feridas que causou em minha pele e depois me deixou aqui a sangrar.

Graças a você, encontro-me em um baile, onde minha companhia é a morte e a música expressa sofrimento, dor, angustia e abandono...

Não irei cair sozinha. Levarei-te comigo a todo custo.

- Julie, direi apenas mais uma vez. Saia de perto de mim. É tarde demais para mim e para você. Não quero ter que matá-la. – suas palavras não correspondiam a suas ações. Diz para que eu me afastar, mas ainda me deseja. Não quer me matar, porém deixa-me a beira da morte. – Somos incompatíveis desde o início. Tentamos cruzar destinos paralelos. Somos como dois pontos que se repelem ao se aproximarem.

- Talvez tenha razão, Romeu. – expressei um pequeno sorriso. – Talvez sem mim você consiga voltar a si. Recupere sua sanidade... Talvez eu seja o seu mal. Mas só há um pequeno problema... Ambos estamos condenados a nos afogar nesse mar de discórdia. Porque estamos amarrados pelo destino. Duas almas opostas, vidas paralelas que se cruzaram em meio a essa guerra. Pertencíamos a mundos diferentes desde o começo, criamos nosso mundo para fugir dos conflitos que não começamos...

- Como Romeu e Julieta que se apaixonaram e morreram por amor. Esse se tornou nosso destino. – ele me interrompeu, completando a linha de raciocínio. – Estamos em guerra, somos inimigos amantes. Estamos fadados ao sofrimento até que a morte nos cubra com sua compaixão.

- Então iremos junto para um mundo onde não exista ninguém para nos separar. Onde a guerra não tenha chegado. – retomei a palavra. – Você não sabe o quanto te odeio por não conseguir passar um dia sequer sem pensar em você e sofrer com a dor de tê-lo tão perto e não poder tocá-lo. Apenas lhe peço um último beijo e tudo estará acabado.

Mesmo hesitante meu Romeu se aproximou de mim e de meu corpo já fraco por tantos ferimentos. As poucas forças que ainda me restavam, eu as gastava falando com meu amado. Sabia que aquele era o fim da guerra para mim. Não precisaria mais sofrer, nem veria inocentes morrerem, nem amores como o nosso sendo destruído por motivos humanos.

Senti os lábios de Romeu sobre os meus, selando nosso ultimo beijo. Naquele momento nada mais importava.

- Irei logo após de você, querido. – interrompi o beijo, aproveitando-me da sua proximidade para apunhalá-lo na altura de sua costela, com uma lamina banhada por uma camada de veneno. – Agora poderemos ficar juntos, não é?

Sua resposta foi apenas um sorriso que aos poucos foi se perdendo a medida que o veneno se mistura com seu sangue e seus sentidos se perdessem.

Minhas forças não duraram muito depois disso, senti meus olhos pesarem, dando-me ao luxo de deitar-me ao lado daquele homem que sofreu tanto quanto eu. A escuridão me cobriu com seu manto e finalmente pude dizer adeus a esse mundo.

O que os outros diriam ao encontrar dois corpos inimigos juntos realmente não me importa. Talvez se lembrem de uma história semelhante e coloque um fim nessa guerra. Talvez continuem até se destruírem... Nada disso me convém.

Eu estava fora da guerra e ao lado da pessoa que amava. Meu mundo começava naquele instante. Após a minha morte...

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Apreciadores (2)
Comentários (2)
Postado 29/01/17 04:54

Lindo, terrível, essas suas palavras, assim como a própria obra "Romeu e Julieta" parecem transcender qualquer tempo, é, o amor é um campo de batalhas, a vida é um campo de batalhas, ou nós batalhamos, ou nos deixamos consumir. Maravilhoso!

Postado 29/01/17 10:24

Uma eterna batalha cheias de quedas. Até que não sejamos mais capazes de levantar, seguiremos sendo machucados.

Sim, é bem triste se pararmos pra pensar nisso por muito tempo

Postado 15/09/17 22:02

Aquela deliciosa tragédia que todo grande fã de Shakespeare gosta. Por mais triste que seja ver ambos se destruindo por suas ideologias; por mais cruel que seja saber que existem amores que só podem ficar juntos depois da morte; por mais devastador que seja necessário um fim para existir um começo, ainda assim, resta-me ver a beleza nestas palavras tão trágicas.

Parabéns pela obra!

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Postado 09/02/18 16:09

Obrigada <3

E fico feliz que tenha lhe agradado

Poucas palavras para descrever uma bela tragédia