Guerra dos Celestiais (Em Andamento)
Romania Moscovio
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 28/03/17 14:39
Editado: 16/06/17 09:28
Qtd. de Capítulos: 13
Cap. Postado: 16/06/17 09:28
Avaliação: 9.88
Tempo de Leitura: 31min56seg
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Guerra dos Celestiais
Capítulo Treze "Conversando"

Os lábios da jovem demônio eram macios, assim como seus seios em contato com a pele de Lipotak. Mas nada seria melhor do que a boca daquele vampiro em seu pênis. O vampiro chupou com mais força e ele não pôde evitar morder o lábio inferior do demônio. Ela gemeu e lambeu o próprio sangue, sorrindo para ele. Os lábios dela foram substituídos por um de seus mamilos dentro da boca de Lipotak e ele fez o mesmo que o vampiro estava fazendo abaixo de sua cintura: chupou sem piedade. Ela gemeu e se remexeu, deixando-o ainda mais atrevido.

— Mais forte — exigiu o demônio, assim como havia feito a noite inteira. — Mais forte, amor.

— Se ele fizer isso com mais força, vai arrancar fora o seu mamilo.

Os olhos de Lipotak se abriram e ele ergueu a cabeça, olhando diretamente para sua irmã, parada na porta de seu quarto com a gárgula ao seu lado. Ele parecia desconfortável, já sua irmã parecia entediada.

— Querido, preciso que você tire o pau dele da sua boca e saia do quarto. — Apelathei olhou para Mária. — Você também.

Davey liberou o pênis de Lipotak dos lábios e olhou para Apelathei. Seus olhos vermelhos se arregalaram e ele começou a procurar por suas roupas, saindo do quarto apressadamente. Mária não queria ir, então, Lipotak gentilmente pediu que saísse.

— Não vou deixar você aqui com ela. Esta vaca está com uma gárgula!

— Minha queria, eu pedi educadamente que saísse, mas você não quer deixar isso fácil. — Lipotak se sentou e se afastou do toque de Mária. Segurou sua mão e deu um beijo nas costas. — Nem que seus seios fossem banhados em uísque ou sua boceta tivesse o gosto do paraíso, gosto que eu conheço, eu não escolheria você a minha irmã. Saia antes que eu perca qualquer futuro interesse por você, meu jovem e rebelde demônio.

Os olhos laranja de Mária fitaram enfurecidos os de Apelathei e ela se levantou abruptamente da cama, saindo do quarto sem levar as roupas.

— Vadia — sussurrou para Apelathei.

— Vagabunda — retrucou em alto e bom som.

— Do que você me chamou?

Apelathei nem perdeu seu tempo olhando para o demônio.

— Você é surda?

— Mária, saia! — esbravejou Lipotak, perdendo a paciência não apenas com Mária, mas com sua irmã também. — Apelathei, cala a porra da boca e não começa.

Mária sorriu e saiu do quarto triunfante por ter ouvido a bronca que Lipotak deu em Apelathei. Lançou um olhar extremamente pervertido sobre Killian e passou a língua pelo lábio inferior, mordendo-o em seguida e passando o polegar pelo mamilo esquerdo. Se Killian não tivesse segurado o braço de Apelathei, Mária estaria morta.

— Irmã! — Lipotak chamou sua atenção, dando tempo a Mária para sair do quanto de uma vez.

— Eu não fiz nada — disse. — Ainda — completou, lançando um olhar mortal sobre Killian e puxando grosseiramente seu braço do toque da gárgula.

...

Lipotak se levantou e começou a procurar calmamente por um robe. O desejo de Apelathei de socar o rosto do irmão cresceu significativamente. Ela odiou o demônio que estava no quarto de seu irmão, mas a raiva pela jovem ficou infinitamente maior quando ela olhou para Killian. Só de imaginar a gárgula tocando naquela demônio vadia, o sangue de Apelathei fervia. Seus olhos ficaram momentaneamente laranja e ela os tornou castanhos novamente antes que um deles percebesse.

— Que bom que está se divertindo — pronunciou, sentando-se na cômoda do quarto do irmão. — Aliás, eu estou me sentindo muito melhor, obrigada por se preocupar tanto comigo.

Viu quando Lipotak revirou os olhos para ela.

— Todos os seus dramas são dignos de Oscar, irmã. — Passou um dos braços pelo robe, depois o outro, mas não o fechou, deixando o demônio e a gárgula com uma visão (não tão desejada) de seu membro. — O que faz aqui? Achei que a esta hora, estariam transando loucamente ou se matando.

— A sua inteligentíssima irmã foi atrás de um anjo, invadiu a Fortaleza e quase foi morta novamente. Agora estamos aqui por um motivo que não me foi informado. Portanto, você não é o único infeliz com a visita surpresa — disse Killian, olhando diretamente nos olhos de Lipotak.

O olhar que Lipotak lançou sobre Apelathei era uma mistura de surpresa, raiva e indignação. Ele atravessou o quarto em dois passos e parou a frente da irmã, fulminando-a com o olhar; seus olhos de demônio expostos.

— O que merda você tem nessa sua cabeça, Apelathei?! — gritou, deixando Killian alerta. Apelathei permaneceu com o olhar sereno. — Você matou Gaurel?

— Para a sorte dele, não. Mas isso é apenas uma questão de tempo. Ele vai morrer. Vai morrer logo, mas não hoje — retrucou, fitando suas unhas. Inclinou a cabeça e encarou o irmão. — Por que toda essa preocupação com aquele monte de lixo? — Fitou perspicazmente o irmão. — Está transando com ele também?

Os olhos de Lipotak tornaram a ficar azuis e ele sorriu.

— Minha doce, maravilhosa e linda irmã, você precisa parar de falar tanta merda. — Colocou as mãos em concha no rosto de Apelathei. — Se eu colocar minhas mãos sobre Gaurel, quem vai matá-lo sou eu. Homem algum, seja humano, Descido ou Caído vai abrir as suas lindas pernas sem o seu consentimento. E o que tentar merece ser morto lenta, cruel e dolorosamente.

Ela colocou as mãos sobre as do irmão e sorriu gentilmente.

— Me engana que eu gosto. — Tirou as mãos de Lipotak de seu rosto e desceu da cômoda. — Eu arrancaria o real motivo de estar protegendo tanto Gaurel, mas não tenho tempo para isso no momento. Preciso que me fale algumas coisas sobre a bruxa que foi morta pelos Descidos.

— Tivah? Todas as informações possíveis sobre ela você arrancou de Sagara.

Apelathei revirou os olhos para a cara feia que Lipotak lhe mostrou. Saiu do quarto e o irmão e Killian lhe seguiram. Ela foi até a mesa de centro e pegou a garrafa de vodka que havia sobre a mesma. Achou um copo vazio e encheu metade. Virou como se fosse água garganta abaixo.

— O problema é que ela não sabe quem, especificamente, é o vampiro que engravidou Tivah. — Encheu o copo, virou-o novamente. — Eu quero saber quem é. E como você já transou com metade dos vampiros de NY, deve saber quem é ele.

Lipotak se sentou, cruzando as pernas e jogando um dos braços sobre as costas do sofá.

— Se isso não fosse verdade, eu ficaria extremamente ofendido, cretina.

Ela olhou para o irmão e sorriu.

— Pode, por favor, me dizer o nome dele? Eu só quero conversar.

Lipotak deu uma gargalhada alta.

— Me engana que eu gosto. Você não conversa com as pessoas, você bate nelas.

— Se isso não fosse verdade, eu ficaria extremamente ofendida, cretino.

Eles riram e Lipotak olhou para Killian, que os encarava com as sobrancelhas franzidas e uma cara hilária.

— Continuem — disse. — Isso é bizarro, mas é engraçado de ver.

— Não somos engraçados — protestou Lipotak.

— Somos demônios — completou Apelathei.

Killian riu.

— Vocês são exatamente como irmãos humanos. Sem tirar e nem por.

Lipotak colocou a língua para fora e fingiu enfiar o dedo na garganta.

— Eca, que nojo. Você não deveria comparar demônios a humanos. Nunca!

Apelathei estalou os dedos, trazendo de volta a atenção para si e encarando seriamente o irmão.

— Agora é sério, preciso mesmo do nome dele, Lipotak.

— Hamário. O nome dele é Hamário. Provavelmente está em uma das boates de Cassilius. — Olhou a irmã de cima a baixo e deu um sorriso. — Ele gosta das que usam vestidos colados. Coloque um e vai conseguir facilmente sua atenção.

Killian pigarreou e os irmãos o olharam. Ele não parecia feliz.

— O que foi?

— Vestido colado? Quer que ele veja você como...

— Como uma vadia? — questionou ela, erguendo as sobrancelhas e o encarando. — Era isso que ia dizer?

— É isso que quer ouvir? — retrucou.

— Não enquanto estou vestida. — Ela sorriu provocativamente. Se voltou para o irmão. — A gente pode ficar aqui até escurecer?

Lipotak deu de ombros.

— Você quem sabe. Contanto que não transem na minha cama...

Ela mostrou o dedo do meio. Ainda não havia amanhecido, portanto, eles tinham bastante tempo para esperar.

...

— Que porra de vestido é esse? — vociferou Killian, olhando Apelathei de cima a baixo.

Apelathei olhou novamente para o espelho, analisando o vestido que usava. Preto e justo, ele tinha as laterais abertas em tiras horizontalmente. Ela usava também botas pretas com saltos de ferro. Os cabelos presos em uma trança francesa. A maquiagem estava carregada. Olhos escuros esfumados e um batom matte tão roxo que parecia quase preto. Sabia que estava com a aparência do tipo de garota que os vampiros mais gostavam: “maluca, gótica e suicida.”

— O que tem de errado?

— Para começar, parece que você está sem calcinha.

Apelathei sorriu.

— E eu estou. — Passou a mão pela lateral do corpo. — Não posso usar calcinha com um vestido que é aberto dos lados.

Killian enfiou as mais dentro dos próprios cabelos e os puxou, tentando se acalmar.

— Certo. Então nós não vamos.

— Está com ciúmes por causa de um vestido?

Ele ficou instantaneamente vermelho e Apelathei reprimiu uma gargalhada.

— Não! Só que desse jeito, dentro dessa... — Ele apontou para o vestido — coisa, você não vai chamar a atenção de apenas um vampiro, mas de todos os vampiros de NY.

— Isso soa como ciúmes para mim — disse Lipotak, tragando o cigarro eletrônico que tinha nas mãos. — Muito ciúme.

— Eu. Não. Estou. Com. Ciúmes!

— E eu não vou dar para trás agora. Você mesmo disse que eu quase morri, portanto, voltar atrás depois de quase ter morrido não é sequer uma possibilidade. — Ela passou de leve o dedo por cima do rímel. — Ainda preciso achar a desgraçada que tentou me matar com uma tuberculose.

— Não era tuberculose — disse Lipotak.

— Eu não perguntei nada, porra! — Ela o fulminou com o olhar e ele riu descaradamente.

Killian parecia raivoso.

— Eu não vou sair com você dentro desse pedaço de pano que você chama de vestido.

Apelathei olhou para Lipotak e ele a olhou de volta com uma expressão que dizia “vá em frente. Acabe com ele.” Eles sorriram um para o outro. Ela olhou para Killian.

— Claro. Você tem duas opções: você pode me deixar ir sozinha para que eu faça alguma merda e acabe queimando uma boate inteira por “acidente” ou eu posso ir sem vestido e sem roupa nenhuma.

— Mas nós também temos a terceira opção: você cala a boca e deixa-a usar o que der vontade. Só porque você come a minha irmã ocasionalmente, não significa que seja namorado ou dono dela — disse Lipotak.

Killian encarou os dois irmãos demônios que conspiravam descaradamente contra ele e fez a coisa mais inteligente que poderia: não disse nada. Já que Apelathei queria usar... Não conseguia chamar aquela coisa minúscula de vestido. Já que ela queria usá-lo, tudo bem, mas se algum demônio, bruxo ou vampiro sequer chegasse perto dela, ele... O que ele faria? Killian não era dono dela, nem seu namorado ele era. Não estava no direito de dizer o que ela poderia ou não vestir. E sabia que quanto mais dissesse que achava ruim, mais ela o provocaria com isso. É isso que demônio fazem: ludibriam mentes e corpos fracos, fazendo-os pensar que estão no controle, mas os enganando miseravelmente.

O que Killian não queria admitir era que estava mesmo com ciúmes. Não queria ninguém olhando para o corpo de Apelathei. Nunca! Guardou toda a sua raiva e sorriu, concordando que ela não só poderia ir com aquele... vestido, como também deveria. Com certeza chamaria a atenção do vampiro que queria.

Apelathei estava se divertindo imensamente com a dor de cotovelo de Killian, mas não tinha tempo para aproveitar e desfrutar da sensação de saber que lhe causava ciúmes. Queria um vampiro e se fosse necessário, invadiria todas as boates, tocas ou que porra fosse necessário atrás dele.

...

— Eu não acredito que você tem uma Ferrari — disse Killian, olhando-a virar a chave nos dedos.

Ela sorriu para ele e lhe deu uma piscadela.

— Eu vivo nessa porra de mundo há milhões e milhões de anos. Achou mesmo que eu ficaria andando de Mercedes o resto da existência? — Ela destravou as portas e eles entraram. Ligou o carro e começou a dirigir. — E essas histórias de pacto com o Diabo existem mesmo. Deveria fazer um. Pode pedir um prédio em Dubai. Mas isso vai depender de quanto vale a sua alma.

Killian deu risada.

— Está de brincadeira comigo, não é?

— É obvio. Por que o Diabo iria querer a sua alma se ele pode simplesmente esperar você morrer?

Os olhos de Apelathei foram ficando laranja, mas Killian notou que as veias pretas não apareceram. Ela sorriu docemente para ele.

— Como eu estou? — perguntou, ainda sorrindo.

— Diferente — foi sincero. — Pare mais... inocente. Como faz isso? Tirar as veias ou deixar os olhos castanhos?

— Ah, é um processo chato e longo. — Ela acelerou, passando um sinal vermelho e quase atropelando um casal. — Quando eu caí na Terra, meus olhos eram laranja, depois de uns dez mil anos, começaram a perder a cor alaranjada e ficaram castanhos escuros. Aí eu notei que poderia controlá-los. Laranja ou castanho quando eu quero.

Havia outra coisa que Killian queria saber.

— Por que laranja?

— É a cor das chamas do inferno.

— Está dizendo que o inferno é mesmo quente? — Apelathei deu uma gargalhada.

— Claro que não! Até onde Lúcifer me disse, lá é frio, mas tem fogo. Mas ainda assim é congelante. Já pensou em neve caindo e chamas ardendo, mas apenas o frio devastador e imensurável? É o inferno.

Em poucos minutos — e graças à velocidade imprudente de Apelathei — eles chegaram à boate mais badalada de Cassilius. Apelathei sorriu para o segurança, que encarou Killian com um olhar quase mortal e deixou-os entrar, passando na frente de dezenas de humanos impacientes — que não fazem (à grande maioria) ideia do que os aguarda portas adentro. O som alto de How Deep Is Your Love do Calvin Harris ecoava pela sala enorme e cheia. Pessoas se esfregavam umas nas outras e vampiros bebiam o sangue de humanos bêbados e drogados demais para se importarem em estar em público. Apelathei odiava aquela anarquia que eram os vampiros e o cheiro de suor, sangue e espirro daquele lugar deixava-a com raiva.

— Como vamos achar esse vampiro no meio de dezenas ou centenas deles? — perguntou Killian com o tom de voz normal, sabendo que ela o ouviria bem. — Nós nem sabemos como ele é.

— Não preciso saber como ele é. Preciso apenas que me digam onde ele está. — Ela viu um vampiro olhando-a de maneira pervertida e sorriu docemente para ele, se aproximando. O vampiro já estava com as presas expostas e sangue em seu rosto. Provavelmente já havia matado alguém.

O vampiro não disse nada, apenas se aproximou do pescoço de Apelathei e tentou mordê-la. Ela o segurou pela garganta e o prensou contra a parede, surpreendendo-o. O demônio sorriu mais.

— Desculpe, querido. Eu estou reservada para Hamário. Sabe me dizer onde ele está?

O vampiro se sacudiu, tentando se afastar de Apelathei, mas em vão.

— Que porra! Me solta, sua vagabunda.

Apelathei apertou mais os dedos em volta da garganta do vampiro, fazendo suas unhas cravarem na pele dele e tirar sangue. Ela manteve o sorriso quase amigável.

— Não chame uma dama de vagabunda. — Ela apertou mais e o vampiro se retesou, arregalando os olhos. — E eu acho que o mínimo que você poderia fazer era me pagar uma bebida antes de tentar me beber. Agora... — começou, cravando cada vez mais fundo as unhas na garganta do vampiro — pode, por favor, me dizer onde eu acho Hamário? Tenho certeza de que ele será muito mais educado com uma dama. Diferente de você.

— Quarto 203. Último corredor! — disse o vampiro, começando a entrar em desespero. — Me solta!

Ela o soltou e seu corpo caiu no chão como um saco. Ele tossiu e a encarou como se ela fosse louca.

— Vocês, vadias do inferno, ficam cada vez mais loucas a cada dia. — Ele se levantou, completamente recomposto. — Acho que você se divertiria muito mais comigo do que com ele.

Ele se aproximou, tentando beijá-la e ela colocou o dedo indicador em seus lábios, colocando distância entre eles. Sorriu e tirou o dedo rápido, cortando o lábio do vampiro e tirando o sangue dele e o que já tinha em seus lábios.

— Deve ter dito a mesma coisa à humana que matou.

Ele sorriu, expondo as longas presas.

— Ela se divertiu.

Apelathei escondeu o nojo.

— Eu não duvido — disse enquanto se afastava.

Killian estava parado no mesmo lugar, com uma expressão de ódio puro no rosto. Se seu olhar fosse o sol, aquele vampiro estaria em chamas naquele momento. Apelathei pegou sua mão e o puxou para o meio da pista de dança, balançando letamente o corpo ao som de Cool Girl da Tove Lo. Seu corpo sempre tocando o de Killian e a raiva em seu rosto foi se esvaindo aos poucos. Ele não dançava, mas ela fazia questão de agitá-lo o máximo que conseguia.

— O que está fazendo? — perguntou, tentando disfarçar que estava começando a se divertir.

— Dançando com ou para o meu não-namorado.

— Não deveríamos estar indo trás de alguém?

— Ainda é cedo. Temos a noite inteira até que ele saia do quarto em que está. — Ela esfregou a bunda na virilha da gárgula. — E se ele for o tipo de vampiro que gosta de transar enquanto se alimenta, nós temos a noite inteira mesmo.

As mãos de Killian começaram a passear pelas coxas de Apelathei e ela sorriu. Não esperava muita resistência da gárgula e não a conseguiu. Eles dançaram pelo menos três musicas, fazendo insinuações com seus corpos. Promessas de coisas que fariam logo menos juntos. Movimentos que precisavam fazer e se não se controlassem, os fariam ainda na boate. Os lábios de Apelathei encontraram os de Killian e suas línguas começaram a dançar tanto quanto seus corpos. O gosto de Killian era inigualável e Apelathei poderia beijá-lo a noite inteira, sem se cansar. A ereção que sentiu de encontro a sua barriga deixou-a apenas mais atrevida. Desceu lentamente a mão em direção ao volume crescente, passando os dedos pelo abdômen definido e suculento de Killian...

— Droga... — murmurou, separando seus lábios e seu corpo do de Killian.

— O que foi?

— Já vai amanhecer. — Começou a andar e sabia que Killian a seguia de perto. Entrou no corredor que dava aos quartos e passou por pessoas meio mortas, completamente drogadas, bêbadas e mentalmente instáveis até chegar ao quarto número 203. Abriu a porta sem fazer qualquer cerimônia e o vampiro saiu de cima da humana de cabelos cor-de-rosa com um salto.

— Que porra é isso? Você não sabe bater? — protestou, cobrindo o pau com as mãos.

— Você é Hamário? — perguntou com a voz completamente calma, como se não tivesse pegado alguém transando.

— E quem é você? — questionou a cor-de-rosa.

Apelathei ainda olhava para o vampiro.

— Sou — respondeu. — O que você quer?

— Veste as roupas. Cassilius está furioso com você e quer te ver agora — mentiu.

O vampiro arregalou os olhos, claramente com medo.

— Merda — praguejou antes de começar a procurar suas roupas e se vestir. — Ele disse sobre o que era? — Colocou as calças.

— Claro. Que não, seu imbecil. Eu não dou ordens, eu as recebo. Estava prestes a ir transar e ele me aparecer com o gentil pedido “vai atrás de Hamário e manda ele vir falar comigo agora se quiser continuar vivo!” como se eu fosse a porra de um pombo correio.

Hamário se vestiu em uma velocidade inumana e saiu do quarto junto com Apelathei, deixando a humana sozinha e nua à própria sorte. Eles percorreram todo o corredor e passaram pelas pessoas como se elas não fossem nada. O vampiro virou uma entrada, indo em direção ao escritório de Cassilius, mas Apelathei segurou seu braço. Ele a olhou, confuso.

— Ele está lá fora — disse, certificando-se de soar convincente. Ele pareceu não acreditar. — Mas é claro, você pode ir atrás dele em um lugar em que ele não está e deixá-lo mais irritado com você do que já está.

O vampiro a seguiu para a saída de emergência sinalizada no canto. Ao invés de encontrar Cassilius, encontrou uma gárgula encostada em uma Ferrari preta. Deu um passo para trás e bateu no peito de Apelathei. Olhou-a perplexo e viu os olhos dela ganharem pequenas veias pretas embaixo das pálpebras inferiores. Ela sorriu sombriamente para ele e acertou sua cabeça na parede de tijolos. A mancha de seu sangue ficou espalhada na parede como arte abstrata e seu corpo caiu, inerte.

— Nunca confie em estranhos — disse.

...

O vampiro acordou algum tempo depois. Apelathei estava claramente entediada, olhando para as próprias unhas. Killian estava recostado no outro canto da parede. Hamário se mexeu e sua mão foi parar em uma área exposta pela luz do sol. O som da sua pele queimando era meio nojento e ele gritou de dor e surpresa.

— Finalmente — disse Apelathei, arrumando a postura. — Sério mesmo que por causa de uma fraturinha no cérebro você apagou por quase duas horas?

— V-você é uma ânsia — gaguejou Hamário, encarando Apelathei desesperado.

— Grande observação da sua parte. — Ela se levantou e caminhou até o vampiro; agarrou-o pela gola da camisa e o fez ficar de joelhos. O som do salto de ferro dela entrando na carne dele e quebrando parte da tíbia ecoou pela sala aberta. Ele gritou. Ela segurou com força sua mandíbula e ergueu sua cabeça ao máximo, deixando-o imóvel. — Vamos jogar um pequeno jogo. — Ela esticou a cabeça de Hamário e deixou parte do seu rosto exposto a luz do sol. A carne do vampiro começou a queimar e a fumegar e ele gritou, tentando se afastar do sol. — Eu vou te fazer algumas perguntas e você vai ser bem sincero comigo ou eu vou ficar um pouco zangada e fazer churrasco com a sua linda e pálida carne, entendeu?

— Sim! Sim! — gritou desesperado. — Por favor, tira o meu rosto do sol. Tira!

— Ainda bem que você chama isso de “conversar”, não é? — murmurou Killian, olhando Apelathei torturar o vampiro.

Ela afastou o rosto de Hamário do sol ele respirou aliviado, sentindo sua carne sendo restaurada. O osso zigomático estava exposto, mas logo foi recoberto de carne.

— Estamos conversando — disse Apelathei com um sorrisinho zombeteiro. — Quando foi que você engravidou Tivah? — perguntou a Hamário.

O vampiro se virou — o máximo que pôde — para ela com os olhos arregalados. Apelathei lhe lançou um olhar de aviso e ele engoliu em seco.

— Ela disse que eu a engravidei, mas isso não é possível!

— Bom... — começou o demônio, tocando o próprio queixo com o indicador. — Segundo ela, tanto é, como você o fez. E eu comecei uma guerra por causa da morte dela. Mas eu acho que você já sabe disso.

— Todos achavam que você estava morta — murmurou Hamário.

— Todos, quem?

— Os... Os vampiros. Todos.

— E quem foi que disse isso a vocês? — questionou Killian.

— Cassilius. Ele disse que você estava morta. Disse que Gaurel matou você.

Apelathei se conteve para não gritar.

— Quando foi que ele disse isso? — indagou com a mandíbula travada.

— Há uma semana, mais ou menos, eu acho.

Ela e Killian se entreolharam e ligaram os pontos rapidamente. A raiva de Apelathei estava transparente em seu rosto. Não era tão obvio para ela antes, mas depois daquela informação, ficou fácil demais. Muito fácil.

— Você e a bruxa tinham um relacionamento estável? — Killian perguntou a Hamário, mas seus olhos estavam focados em Apelathei.

— Não. Ela nunca nem tinha falado comigo antes. As bruxas do clã de Sagara se acham superiores a todos.

— Então como foi que você a engravidou, esperto? — Apelathei quase gritou.

— Ela apareceu uma noite lá na boate, tomamos uma bebida juntos e depois transamos. Nunca mais a vi depois daquela noite. Depois soube que ela havia sido sequestrada e morta.

Apelathei retirou o solto de dentro da carne de Hamário e segurou seus ombros, ajudando-o a ficar de pé.

— Obrigada, querido. Você me disse exatamente o que eu queria saber. — Ela passou as mãos pelos ombros dele, ajeitando sua camisa. — Vai manter esta nossa conversa em segredo?

Ele fez que sim com a cabeça freneticamente.

— Sim, sim. É claro. Ninguém precisa saber. Eu prometo ficar de boca fechada.

Ela sorriu, ainda arrumando a roupa do vampiro.

— Eu queria poder acreditar em você.

Com uma velocidade impressionante, Apelathei segurou o pescoço do vampiro e quebrou o osso da sua coluna cervical, fazendo o som de ‘track’ e o corpo dele caiu inclinado em sua direção. Ela o empurrou e ele caiu exatamente onde o sol batia. Em instantes, todo o corpo do vampiro começou a pegar fogo e em poucos minutos ele estaria morto de verdade, transformado em cinzas. Ela olhou para Killian e ele a olhava de volta impassivelmente. Ao menos ela foi bondosa em matá-lo antes de matá-lo de verdade.

Killian foi até a porta e a abriu, dando passagem para Apelathei. Os dois saíram.

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