Vigias Noturnos
6 de Janeiro
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 28/04/17 17:55
Editado: 28/04/17 18:11
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
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Palavras: 682
[Texto Divulgado] "A conversa mórbida " A relação entre uma grandeza física e aquela que existe dentro de cada um de nós, que nem sempre é suficiente para os caminhos a qual o vento da vida escolhe nos levar.
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Eles estão me observando. O tempo todo. Aonde?

Capítulo Único Vigias Noturnos

Venho lhe dizer o que há dentro de meu peito

Estou embrulhada por esta carne e ossos

Estão grampeados

Frouxos por cima de meu espírito

E impossíveis quereres.

Venho lhe dizer, se aproxime

Eu sou estereotipada de anjo

Que não sofre,

Que não fede,

Que nunca precisou ser forte

Com olhos verdes

E bochechas rosadas

E dentes delicados

Eu sou angelical,

Eu não sangro,

Eu não ganho,

Nada da miséria...

Então, qual a razão do ardor por detrás da língua?

É a dor,

A dor que me fez acreditar,

Que entre minhas engranagens,

Há uma que não quer rodar,

Há uma massa negra no lugar no meu coração,

Murchando dentro de meu tórax,

Me deixando sem respirar,

Me impede de respeitar,

Meu tempo.

Eu preciso crescer, mas eles estão lá,

Nas janelas,

Nos espelhos,

Nas vírgulas e nos finais das frases,

No silêncio dilarecerante,

Que cala os cachorros,

Que faz os cadeados clamarem meu nome

Em agudo,

Eu me faço acreditar,

Eu me faço rebobinar

Todos os acontecimentos.

Revirando os olhos

Enquanto os imagino sussurrar meu nome

Uivos de lobos

E miados de gatos

Gota de água,

Mancha de sangue,

Por dentro da camisa,

Estampado em minha face.

ELES ESTÃO LÁ!!!

ESTÃO ALI!

LÁ EM CIMA,

ATRÁS DAS PORTAS,

BEIJANDO MEUS PÉS...

Nos corredores,

Nos olhares que eu não compreendo,

Nos abraços que não são apertados,

Nas mãos que se encostam às minhas costelas,

Eu acredito, eu acredito, eu vejo, eu sinto

Eu penso...

São como murais de pré-escola

Rebocados de tinta branca

Pelo décimo sétimo ano consecutivo,

Áspero,

Espesso,

Rugoso,

Cheio de nomes,

Folhas,

Rostos,

Apenas fingindo que se apagam dali,

Mas basta chegar mais perto,

Que se observa que todos ainda permanecem firmes,

Colados à parede,

Inutilmente existindo,

Fazendo as minhas estruturas se abalarem

Fazendo meus dedos se auto roerem.

FAZENDO MEUS OLHOS CLAROS VIBRAREM,

Meus dentes amigáveis se travarem,

Meus braços finos se contorcerem,

ELES ESTÃO LÁ!

Estão aqui,

Dentro de mim,

Todos eles.

Anjos e demônios,

Dando as mãos

Brincando de roda,

Arremessando minhas veias

Nas fogueiras santas,

E nas verdadeiras lareiras do inferno.

Eles todos me vigiam

E eu não sei mais em quem confiar

Os anjos se acampam ao redor,

Apenas para acorbertar as pragas,

As pestes,

As desgraças,

Os demônios canibais comedores de espírito,

Ambos grupos me despiram.

E riram de meu corpo,

E do meu jogo,

E de minhas regras,

Eu não suporto as risadas afogadas em minha garganta,

Elas querem sair!

Mas estão acorrentadas:

Junto com a alma.

Anjos e demônios, clamo para que me li-ber-tem!

Jamais poderei agradar a qualquer um de vocês.

Eu sou meu próprio pecado.

E eu lido com esta verdade

Universal em minhas esferas internas

Que se esfarelam,

Os grãos azuis

Sobem para os olhos,

Fabricam o clamor matituno,

Eu choro o meu interior,

Estou limpando a casa hoje,

Para me livrar dos monstros:

Sejam eles louros ou vermelhos.

Quem sou eu?

A qual entidade eu pertenço?

Se eu me esqueço dos anjos, então eu sou o pior deles,

Se tento fugir de meus demônios,

Eles há muito, já se tatuaram em meu seio.

Não há mesmo uma escapatória.

Eu pertenço aos dois.

E eu estou aqui,

Gritando dentro deste casulo banal,

Pedindo para sair.

Eu sou o contraste,

A discrepância,

Eu sou apenas o pior do que há de melhor

Em meu ser rastejante;

Sou uma caricatura

Da pior e mais luminosa das criaturas:

Eu sou também o mais passional exagero.

Sou um blefe, uma auto alienação

Um equívoco,

Uma corrupção por meio de meus votos,

Sem talento algum,

Eu sou o dia a noite e tudo que há entre isso,

Eu posso varrer minhas lágrimas para longe,

Aonde a escuridão jamais as alncançarão,

Até eu me dar por conta,

De que as estrelas,

Por toda a história do maldito universo,

Pertencem apenas ao escuro

E à solidão

Assim como eu,

E meus terríveis vigias noturnos,

Que persistem

Batendo minha testa na mesa,

Até que eu me convença,

De que são eles que têm de me guiar,

Pelo resto do túnel,

Até o findar do meu respirar.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Eu tapo minha cabeça com o cobertor à noite, temo ver as sombras negras e temo ver as pessoas de branco, me oferecendo biscoitos, como a mulher da igreja disse que elas fariam quando a hora chegasse.

Me deixem em paz, tenho paranóias.

Obrigada.

Até hoje.

Até mesmo agora.

Apreciadores (7)
Comentários (4)
Postado 01/05/17 09:43

Nossa senhora, que luta interna intensa desse eu-lirico. Lembrou-me do Elliot do Mr. Robot, qu tenta expulsar de qualquer forma o seu mostro interno.

E aqui se vê muita intensidade. Nossa. Eu imaginei o eu-lirico puxando os próprios cabelos, desaperado, escrevendo essas palavras. Ele quer muito ser livre, sem medo do que suas pressões internas, submetidas por todas as influências de viver, lhes dizem pra fazer.

Muito bom! Parabéns!

Postado 03/05/17 15:36

Ufaaaaaa, cada vez que eu recebo um comentário desses, é como se uma tonelada sumisse dos meus ombros, fico muitíssimo feliz que tenha gostado, obrigada! <3

Postado 04/05/17 22:49

Fica difícil competir com alguém tão talentoso assim! Uau! Sem palavras para esse lírico. Pqp.

Postado 04/05/17 23:02

Aaaaaaaaa algo vindo de uma acadêmica tão maravilhosa, me faz até tremer, obrigada! <3

Postado 08/05/17 12:33

"Eu sou meu próprio pecado."

Você já havia me conquistado desde o início do poema, mas essa frase em particular me fez viajar por diversas teorias acerca de tudo que li. Cada reflexão me levou a um caminho "estranho e distorcido"... Como os rabiscos que foram citados, talvez.

Esse poema conseguiu definir bem o duplo tema proposto pelo Torneio Mórbido 2. Como o LEcrivain já falou, a luta interna é intensa. O desespero da personagem chega a ser palpável.

"Sou um blefe, uma auto alienação

Um equívoco,"

E eu sou um cosplay! Oi, prazer! O que acha de sermos amigos e brincarmos de roda com aquelas criaturinhas estranhas que estão se divertindo graças a nós? Vai ser interessante! (Ok, parei! Desculpa)

Parabéns!

Postado 08/05/17 20:59

Aaaaaa vamo, me chama que eu vou com muito amor! HAHAHAHA

Vamos ser mais que amigas, friends!

Obrigada pelo comentário do amor, mais uma vez <3

Postado 15/11/17 21:42

Tinha feito um comentário e ele foi puff pro inferno, take 2

Bem legal, tem uma mensagem bacana, é curioso para decifrar tudo que o eu-lírico sente e quer dizer. Curti c:

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