Superficialidade
Lumière
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 15/07/17 14:07
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 4
Comentários: 3
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Palavras: 298
[Texto Divulgado] "Já que é pra mudar" Estaria fadado a viver em desalma Era o que eu pensava Um fantasma almadiçoado a vagar em multidões Que meu rosto para os outros não teria sequer feições
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Superficialidade

— Você não pode ficar aí para sempre, Taís!

A menina suspirou. Chacoalhou os cabelos roxos e respirou fundo. Seu macacão cinza possuía uma mancha na região do abdômen. Maldito seja o barbudo que derrubou cerveja nela. A jaqueta de couro tão desgastada quanto seus coturnos castanhos escuros estava pendida pelos ombros.

— Taís, eu juro que vou chamar o dono do bar e pedir para que ele te expulse daí. Você tem sete segundos para sair — disse, novamente, a voz de sua melhor amiga, Elisa, uma loira baixinha de personalidade forte.

Taís olhou para cima, recostada contra a porta suja do banheiro feminino. Enxugou as lágrimas e finalmente, abriu a porta do banheiro.

— O que acontece contigo? Saiu da mesa sem falar nada, correndo — a voz de Elisa ficou macia, de repente, enquanto ela refazia uma trança no cabelo.

— Ah, Eli — a garota coçou a cabeça sem jeito — desespero. Não sei.

— Desespero do que, menina?

— Você não entenderia.

— Me faça entender.

— Medo.

— Você não está ficando muito especifica.

— Ah. Medo, Elisa. Que os restos de nossas vidas sejam assim. Sentadas num bar vazio, com gente vazia, em uma cidade que consegue ser tão superficial quanto às pessoas que moram nela. Falando de homens vazios que se importam com mais nada além de jogos vazios e cerveja. Nessa vidinha de quem não liga pra nada, a não ser nossos cabelos hidratados, onde nossa maior preocupação é saber se nosso perfil no instagram tem uma palheta de cores maneira. Estou exausta, Elisa, não sei quanta superficialidade posso aguentar.

Silêncio.

— Taís, duas coisas. Seu cabelo está ressecado e você só está assim porque viu dois filmes franceses ontem, o que é muito, para o meu gosto. Três. Nunca mais te deixo misturar tequila com cerveja.

Silêncio.

— É. Tem razão. Mais um shot?

❖❖❖
Apreciadores (4)
Comentários (3)
Postado 11/09/17 20:58 Editado 12/09/17 00:33

Eu amei este conto do começo ao fim! Quando estava lendo o início, pensei que a Taís ia começar a se lamentar por causa de algum garoto que lhe mandou uma mensagem inesperada, partindo assim, seu coração (eu definitivamente preciso deixar os clichês de lado). Jamais passou pela minha cabeça que a garota poderia fazer a famosa filosofia de bêbado no banheiro. Tudo é simplesmente perfeito aqui, desde as falas até o alívio cômico no final.

Enfim, quem nunca correu pro banheiro de um bar, pensou sobre um assunto turbulento e chorou amargamente? Simplesmente fantastico. Parabéns pela obra!

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Postado 11/09/17 22:48

Eu comecei achando que seria algo típico, uma conversa cheia de lamentações e frustrações. Talvez uma triste rejeição ou algo assim. Acabei me surpreendendo com o rumo que o texto tomou. Gostei bastante disso. Esse final é perfeito!

Parabéns!

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Postado 09/01/18 22:31

HAHAHA, eu dei risada com isso! Me identifiquei demais.

Você: bêbada, longe dos amigos, e aí uns sortudo sentam do seu lado e tu despenca com um monte de ideias e filosofias.

E o que eles fazem? O mais fácil, óbvio. Colocam a culpa na bebida e te dizem pra ir curtir a noite.

É mais fácil não pensar.

Adorei! Parabéns.