Definitivamente
FockMeKaty
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 06/08/17 16:32
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 21min a 28min
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Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Olá queridos leitores, estou com um novo projeto que é está One Shot sobre Pana, eu estava a muito tempo querendo escreve-la, porém, andei ocupada por muito tempo, mas ela está ai.

Ela por enquanto é uma One Shot, caso eu tenha um feedback positivo, poderei adaptar a uma Fanfic ou short fic.

Criticas sempre bem-vindas, sendo elas boas ou ruins.

Espero que gostem, desculpem qualquer erro ortográfico e boa leitura.

Capítulo Único Definitivamente

Exausta seria palavra congruente para descrever qual era a sensação de Paola naquele momento, estava exausta de seu trabalho no restaurante, exausta de seu trabalho na emissora e principalmente, exausta com tudo o que lhe rodeava. A única coisa que ainda lhe prendia ao mundo em que vivemos era Francesca, sua pequena filha de apenas cinco anos.

Figurava-se que tudo precisava de sua opinião, tudo que estivesse envolvida e se por acaso desse algo errado, evidentemente o problema seria seu. Já não bastava as reclamações e a culpabilidade, havia um dos maiores problemas que ela gostaria de poder ter o controle, evitá-lo, um sentimento, o amor. Por muito tempo acreditou ser apenas uma paixão transitória, porém, a cada dia que passava, a cada olhada banda, crescia um por cento desse sentimento e ele possuía um nome, Ana Paula Padrão.

A ânsia de permanecer prostrada em sua cama era grande, todavia necessitava se levantar e seguir a sua rotina, mais uma vez. Francesca já gritava aos quatro cantos possíveis para que Paola levantasse e a ajudasse a se arrumar para ir a escola, já que passava da hora de estar pronta. Aos berros os saltos acima do corpo da mãe, a mesma a estapeava na vã tentativa de anima-lá. Francesca já havia percebido o afastamento de Carosella de seu cotidiano, a pequena já não possuía muitos amigos e a única pessoa próxima que poderia lhe dar companhia, havia se afastado.

— Mamá acorde, precisa me ajudar a ir a escola. — Esbravejava repetitivamente a menor e sua mãe apenas vedava os ouvidos para não a incomodar. — Mamá por favor, levante.

— Já estou levantando Francesca, pare de me sacudir. — Repreendeu a filha que no mesmo instante, parou o que estava fazendo. — Que horas tem?

— No sé, estou atrasada mamá. — Respondeu-a.

Com uma vasta falta de força de vontade, se levantou e com a companhia de sua filha, se direcionaram até a cozinha. Ao olhar no relógio pendurado na extremidade da parede, acima da geladeira, constatou que já eram seis e trinta e sete. O desespero lhe tomou conta, Francesca precisava entrar as sete e ela estava mais que atrasada, colocou uma panela mediana no fogo baixo e depositou três ovos dentro da mesma, correu para o quarto da menor e já adiantando a maior parte do processo semanal, separou as vestimentas para a pequena, com a velocidade regular colocou a banheira para encher e novamente, desceu para preparar o desjejum. Cortou dois pedações de um dos pães de linhaça e o molhou em manteiga derretida e os empratou. Esperou mais dois minutos que pareciam horas, retirou os ovos da água e os descascou, cortando-os no meio, temperou com sal a gosto e tomilho. Paola nunca fora de utilizar espremedores de sucos, porém, tudo tem uma primeira vez. Jogou duas laranjas das quais já se encontravam cortadas na geladeira e com um pouco de água e açúcar, finalizou o suco.

— Por que não me acordou? — Perguntou Carosella, estava notório seu tom de irritação. A mais nova enrolou uma mecha de fio loiro em um dos dedos e criou a coragem para responder.

— Você ficaria brava.

— Mas Francesca, eu já lhe disse que quando houver necessidade, você pode me acordar. — Colocou o prato na mesa, bem próximo da menor, que sem ponderar, puxou uma colher para começar a comer. — Não demore, ainda tem de tomar um banho.

— Sí mamá. — Frustrada respondeu Francesca. — Mamá. — Chamou Paola, mas a mesma já tinha virado e ido em direção ao quarto. Francesca não queria atrapalhar sua mãe para dizer o que estava sentindo, receio era a palavra correta, não arriscaria.

Carosella encostou a palma da mão sobre a água da banheira e pode perceber que a mesma já estava em uma boa temperatura, colocou os produtos que usaria para banhar Francesca ao lado e voltou para a cozinha. A menor já havia comido tudo que sua mãe havia colocado no prato, o suco estava pela metade, pois a mesma dizia estar satisfeita: — Vamos tomar banho? — A pequena acenou positivamente e estendeu sua mão para que Paola a segurasse, e a mesma a pegou em seus braços. — Assim que voltar do arturito, quer me acompanhar até o programa? — Parecia que Carosella havia predigo o que sua filha estava pensando, fora como um acoplamento, uma conexão ou possa ter sido apenas um vínculo entre mãe e filha.

— A tia princesa vai estar lá? — Referia-se ao único nome do qual fazia o coração de Paola bater com veracidade.

— Claro que sim Fran, sempre estará lá. — Ajudou a pequena e se despir e coloca-lá na banheira. — Toda vez que ela lembra de você, diz que sente saudades.

— Ela disse que iria vir me ver, mas nunca vem.

— Ela anda muito ocupada Fran, assim como eu. Mas hoje, ela irá ficar muito feliz em te ver. — Carosella preferiu mudar o rumo do assunto, o afastamento para com sua filha lhe fazia sentir culpada e o de Ana Paula também, ela tinha medo de se comprometer, era errado, seus sentimentos eram errados, esses eram os pensamentos de Paola, mas ela precisava alterá-los. — E como anda na escola? Está tudo ok?

— Está.

— Hum, então vamos se arrumar rápido para poder te levar até ela?

Apenas um aceno positivo foi necessário.

Após colocar o uniforme da escola, e Paola trocar sua roupa de dormir, ambas foram em direção ao veículo. Como sempre Francesca se sentou no banco de trás e sem o aviso prévio de sua mãe colocou o cinto e deixou sua mochila de lado.

— Mamá, você promete que depois que voltar do "Restorante" você me leva no programa?

— Você anda muito desconfiada Fran.

Sem muita demora, Paola chegou ao seu destino, despediu-se com um beijo molhado e demorado na bochecha de sua filha e a desejou um ótimo dia de aula, ao tomar o rumo ao arturito, seus pensamentos foram tomados por uma certa morena, que ultimamente andava vagando pela sua consciência a muito tempo. Estacionou o veículo e cumprimentando poucos se dirigiu a cozinha do restaurante.

— Não me digam que ainda conversam? Galera, galera são sete e trinta e oito. — Exclamou irritada apontando o relógio acima da porta. — Aqui é um restaurante e não um jogo de sinuca, vamos, vamos, trabalhem.

A chef ficou no restaurante auxiliando seus cozinheiros e funcionários até dar o horário de ir para a emissora, como sua filha sempre era pega pela sua babá na escola, poupou seu tempo em fazer duas viagens e foi direto para casa. Entrou as pressas e foi direto ao quarto, trocou de roupa rapidamente e foi até a babá e Francesca. Sua filha ainda estava de uniforme, não se irritou, pois não havia avisado que Francesca iria sair com ela a babá e sua filha, tinha apenas cinco anos. Dispensou a funcionária e mais um vez, ambas foram a emissora com o mesmo propósito, encontrar-se com a tia princesa

Paola estava com pouca dificuldade em manobrar o carro no estacionamento da emissora, pois a mesma estava cheia, eram uma das primeiras vezes em que a mesma chegara atrasada em seu trabalho, a passos largos correu com Francesca até seu camarim e lá estava suas assistentes para ajudá-la a colocar o figurino e a maquiagem. Podemos dizer que Carosella se atrasou o dobro que teria se Francesca não estivesse lá, as duas assistentes deram muito mais atenção a pequena, ao invés de ajudar Paola a se vestir, faltavam quinze minutos para o início das gravações e todos já estavam em seus devidos lugares, menos Paola, que corria pelos corredores da emissora com Francesca nas mãos. A pequena ficaria atrás das câmeras, como aconteceu uma vez quando Ana Paula levou seu sobrinho para conhecer os bastidores.

Assim que avistaram Carosella chegando, acompanhada de sua filha foi um desastre, todos que estavam em seus lugares saíram para cumprimentá-la e ver a pequena.

— Então resolveu trazer essa mini chef. — Indagou Fogaça apertando o pequeno nariz de Francesca. — Atrasada em Paola.

— Cuida em Fogaça. — Ambos riram, Ana Paula apareceu de supetão atrás de Paola o que fez a Argentina pular com o susto. E seu coração bater ainda mais forte ao ver quem era. — Que susto Ana Paula.

— Tia princesa. — Foi a vez da menor falar, essa pequena voz, a única que poderia fazer Ana Paula desviar o olhar dos belos pares de avelãs de Carosella. Seria ludíbrio dizer, que os sentimentos de Paola, não seriam recíprocos. Mas ela não precisava saber disso.

— Fran, como está? — Arrancou a menor dos braços de Paola, sem ao menos pedir. — Olha o tempão que não te vejo.

— Você que não quis me ver, eu te convidei um zilhão, muitas vezes pra me ver. — Gesticulou as pequenas mãozinhas que eram chamadas de pernas de frango por Ana Paula. Todos ao redor riam com a simpatia de Francesca. — Você bem que podia ir me visitar hoje.

— Se sua mãe deixar é claro. — Por míseros segundos, as órbitas se encontraram. Para Paola, aquele tipo de contato era uma tortura, olhá-la nos olhos lhe causava um mal-estar. Para Ana Paula era um tipo de comunicado, eram através desses pequenos atos que acreditava, que um dia, Paola poderia entender o que havia por trás daqueles olhares.

— Está dizendo que eu te proíbo de ir até minha casa Ana Paula? — Indignada questionou Carosella, desta vez sem olhar nos fundos dos olhos de sua amada.

— Espero que tenha entendido errado. — Ambas sorriram.

— Sua mãe parou de lhe dar aulas de ironia?— Perguntou Padrão recebendo um pequeno tapa de Paola no ombro.

O diretor foi pedir para que todos voltassem ao lugar, Paola se despediu de sua filha e deu as coordenadas de onde ficar e do que não fazer ainda no colo de Ana, como a menor já conhecia uma das assessoras do programa, correu para o lado da mesma. Padrão olhou no fundo dos olhos da Argentina o que fez a mesma, desviar o olhar imediatamente e ir para o local de início. Poderia se dizer que durante toda a gravação, Padrão, mesmo que por poucos segundos, não dissuadia o olhar a Paola, e a argentina havia percebido e estava criando um pequeno e agradável incomodo. Com o término do programa, Francesca estava contente, correu para o colo da mãe, que ainda não havia saído do seu lugar. Aos abraços apanhou sua filha em seus braços, a pequena, sempre ficara envergonhada com Jacquin por perto, e hoje não seria diferente. Um dos atos que demonstrava seu nervosismo, era o enrolar de uma mecha de milhares de seus fios loiros no dedo. Carregou a menor até a porta que dividia o estúdio, dos corredores da emissora, e lá, na curva da porta, Ana Paula retirava seus saltos.

— Tem certeza que vai tirar os saltos? A Fran vai ficar muito maior que você.

— Deixou de ser cozinheira para virar humorista agora Paola?

Paola se surpreendeu com algo que Padrão não era muito próxima, a ironia: — Irônica Ana Paula?

— Muito tempo perto de você. — Não o suficiente, era o que queria completar.

— Tia, você vai me visitar agora? — Perguntou mais uma vez a loirinha, estendendo os braços para ir ao colo de Ana Paula. — Você prometeu.

— Sim Fran, tudo bem Paola? — A argentina deu de ombros. — Eu trouxe o meu carro.

— Deixe-o aqui, mas tarde te trago para buscar. — E as três caminharam até o veículo de Carosella, como sempre Francesca atrás e ao lado de Paola, Ana Paula.

O percurso foi calmo, a chef não gostava de correr com o carro quando sua filha estivesse presente, se fosse em outros tempos, a velocidade passaria de cinquenta por hora. Padrão foi a primeira a descer, logo após Francesca que já estava mais contente do que o normal, não parava de gesticular e tagarelar.

— Fran, você tem atividades de escola? — A menor negou com um sorriso sapeca. — Vamos, não ouse mentir.

— A tia princesa está aqui, e eu não quero fazer.

— Francesca, eu e a Ana podemos te ajudar, mas você precisa fazer. — Caminharam até a sala de estar e se sentaram em cadeiras intercaladas, já que Francesca iria sentar no meio para com a ajuda das mulheres, terminasse as atividades rapidamente. A menor voltou apressada, com duas folhas em mãos e alguns lápis e como dito, sentou-se entre as mulheres e suspirou profundamente. — Então, qual a tua lição?

— Animais da noturnos.

— Animais da noturnos? — Questionou Paola sorrindo. — Animais noturnos Fran, o que tem que fazer?

— No sé.

— No sabe?

— No.

— O que sua professora disse que era para fazer? — Perguntou Ana.

— Para pintar os desenhos e escrever os nomes em baixo.

— Então ela disse o que tinha que fazer. — Questionou mais uma vez Carosella. — Preste atenção Francesca. — A menor acenou. — Qual o nome desse primeiro desenho?

— Corujá.

— Coruja e não corujá. — Corrigiu Ana Paula em um tom engraçado, fazendo com que Francesca gargalhasse. — Então escreva, qual é a primeira letra?

— Cê.

Paola durante todo o ensinamento não disse mais nada, apenas observava a interação entre sua filha e a mulher desejada, a cada sorriso, a cada correção de Padrão, fazia com que o coração da argentina palpitasse cada vez mais. Francesca já havia escrito o nome de todos os desenhos, com alguns erros, mas completou a atividade. Agora era o momento em que ela mais gostava, colorir. Paola exclamou que iria preparar algo para comerem e Ana Paula se prontificou em ajudá-la, recebendo em troca um sorriso singelo da chef.

— O que irá fazer? — Perguntou Paola.

— No sé, tem alguma ideia? — Ana Paula deu de ombros fazendo com que Paola sorrisse. — Vou fazer então, um polvo com feijão mandioquinha com aÏoli e uma rabanada de brioche com creme inglês e confit de laranja Kikan ok?

— Paola, eu só entendi laranja. — Ambas gargalharam.

A argentina demorou aproximadamente uma hora e alguns minutos para terminar o jantar, Francesca estava se distraindo com Ana Paula na sala, a mesma trocou a ideia de ajudar Carosella assim que ouviu o menu da noite, essas eram uma das especialidades de Paola. Preparou a mesa para os três e serviu os pratos antes de chamá-las. Sua filha correu para sentar na cadeira, a mesma alegava estar quase morrendo de fome.

— Espero que esteja ao paladar. — Disse ao sentar-se de frente para Francesca e Padrão.

— Se for o conceito, já está ótimo.

Após alguns minutos de conversa, a menor apontou para uma garrafa de vinho sobre a mesa e disse: — Eu quero tomar.

— E eu quero que você termine seu jantar. — Repreendeu Paola.

— Isso não é coisa de criança beber Fran. — Disse Padrão.

— Mas yo no sou criança.

— Ah é, então é uma adulta? — Brincou a jornalista, colocando os talheres dentro do prato. Já havia terminado a refeição.

— Sou mocinha. — Respondeu convicta tirando risadas de Paola e Padrão.

— Mamá?

— Sí.

— Posso faltar a aula amanhã?

— Por que Fran? — Perguntou Carosella recolhendo os três pratos da mesa.

— Yo só no quero ir. — Apenas disse.

Paola respirou fundo, pensou em todas as possibilidades e permitiu que a pequena faltasse, levantou para que levasse os pratos para a pia e Ana Paula se propôs em ajudá-la a lavar, porém, Paola disse que estava muito cansada que lavaria no dia seguinte. Francesca dizia estar com sono e com a ajuda de Ana Paula colocaram ela para dormir, Padrão disse que iria ao banheiro, essa seria uma ótima oportunidade para que Paola conversasse com sua filha.

— Fran, está tudo bem? Você anda muito quieta. — Perguntou a cobrindo com a pequena coberta de seda e em seguida, o cobertor do filme Frozen, que a pequena tanto gostava. — Eu sei que não tenho mantido a promessa, sé que había dito que sempre ficaríamos juntas, mas a mamá não anda muy bien esses dias. Amanhã você irá falta na escola. — A pequena acenou positivamente. — Amanhã vamos nos divertir.

Apenas um beijo foi necessário para as desculpas entrarem em contato, para as desculpas serem aceitas e tudo que estava fora do lugar voltasse para o local de origem, como narizes quebrados são consertados, choros cessados e machucados curados. Carosella se sentia tão mal quanto a filha, ao lembrar que não estava lhe dando atenção suficiente, se viu naqueles sete anos de idade, no qual seu pai não era presente e sua mãe trabalhava para colocar alimento em casa. Não queria que sua filha passasse aquilo que ela havia passado, ela dizia que Francesca precisava saber lidar com as frustrações, porém, o que Paola havia passado quando jovem não se comparavam aos conceitos que ela definia como frustrações e sim com sofrimento, um grande sofrimento para uma vida tão pequena.

Ana Paula se encontrava sentada em um dos sofás da chef, mantinha os olhos fechados e a serenidade em sua feição, Carosella viu que ali era o seu momento, ela não aguentaria segurar aquilo por mais um dia, uma hora ou se quer um segundo. A bonança que Padrão possuía fizera que a argentina acreditasse que aquele seria o melhor momento para as revelações e os segredos não contados. Sentou-se ao lado da mesma e olhou em seus — mesmo fechados — olhos. Acredite em si mesma Paola.

Padrão os abriu em uma grande vagarosidade e de imediato, os encontrou com os de Paola, que a devorava com apenas um piscar, olhou para os lábios entre abertos da chef e eles gritavam o seu nome. Por sua vez, Carosella buscou as mãos de Ana Paula, que repousavam em sua coxa, as tomando para si. Padrão que por um segundo desviou o olhar para sua mão, repentinamente começou a soar frio, o que ela tanto desejava — assim como Paola — estava prestes a acontecer. Carosella procurava os olhos da jornalista que não queria a encarar, ansiedade era o que definia Padrão. As carícias não tinham intervalos, mas em uma morosidade eram feitos, Paola queria aproveitar cada milésimo que poderia dar um fim no mesmo instante. Finalmente as órbitas novamente se encontraram, e aquele olhar, fora como uma permissão para que pudessem seguir o rumo que ambas estavam tomando. A mão que acariciava a de Ana Paula, vagarosamente foi ao encontro ao rosto de Padrão, que no subitamente vedou seus olhos e aguardou o que tanto esperava.

Paola olhou cada detalhe do rosto da companheira antes de aproximar seus rostos, batalha em busca de dominância não seria a palavra correta para retratar aquele beijo, elas estavam se conhecendo, querendo entender o caminho uma da outra, a lentidão fazia parte do conhecimento, assim como a paciência que ambas tiveram para revelar uma a outra o sentimento tão bem resguardado. Paola queria chorar e concomitantemente continuar a beijar Ana Paula, as línguas se entrelaçavam e desentrelaçavam, procuravam não seguir o paradigma, queria criar, trilhar o caminho, criar novas lembranças e desenhar o futuro, mas antes, o ar foi necessário. Separaram-se com pequenos beijos e mordidas, Carosella fora a primeira a abrir os olhos, enquanto Padrão os mantinha fechado, digerindo o que acabara de acontecer. A argentina passou seu polegar em um dos olhos da jornalista que feito o ato, os abriu. Ana Paula carregou a mão de Paola até sua boca, a beijando inúmeras vezes.

O silêncio se fazia presente, assim como era possível gerar uma comunicação com apenas olhares, risos e beijos.

— Ana. — Limitou a dizer mais palavras.

— Paola. — As duas sorriram. — Preciso voltar, está tarde.

O sorriso da argentina se desfez no mesmo instante: — Eu te levo até seu carro.

Ambas levantaram e Carosella apanhou a chave do veículo guiando novamente, Padrão até sua garagem. O silêncio não foi uma boa escolha para o percurso de volta a emissora, Padrão estava incomodada e Paola preocupada, não sabia o que iria acontecer daqui pra frente, e os seus pensamentos não eram um dos melhores. Ficara feliz ao saber que Padrão tinha reciprocidade em um dos sentimentos que Paola queria distancia, mas também acreditava ser mais uma má fé de seu subconsciente, a ilusão, tão evitada por Carosella.

Assim que o veículo parou, o desespero de não saber o que fazer tomou conta de ambas, Ana Paula não sabia se a abraçava, beijava ou apenas diria até logo. Por longos segundos inertes ficaram, mas como Paola sempre fora uma mulher de atitude resolveu se despedir não da forma que gostaria.

— Até logo Ana. — Beijou a bochecha mais próxima de Padrão.

— Até amanhã Paola.

E assim Ana Paula deixou o carro e mais uma vez, Carosella perdida em seus pensamentos, o tão evitado durante tanto tempo. Ana Paula Padrão.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Espero que tenham gostado, desculpem novamente qualquer erro ortográfico.

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