Cacique Xamã Iorubá
Maria Vitoria
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 17/08/17 14:30
Avaliação: 9.9
Tempo de Leitura: 5min a 7min
Apreciadores: 5
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Palavras: 885
[Texto Divulgado] "Os Coelhos Tristes" Querida! veja os coelhos tristes! Tão brancos e tão pretos e tão cinzas! Todos eles são coelhos e todos nós somos coelhos, somos tristes e somos brancos e cinzas e marrons e rajados.
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho
Capítulo Único Cacique Xamã Iorubá

- Índios. Índios e seus tambores barulhentos. Vê? Ou melhor, ouve?

- Não ouço nada.

- É engraçado. Os índios passam em cima da sua caixa d'água, tocando seus tambores e fazendo seus rituais. Como você não consegue ouvir isso?

- Você está chapada. Muito chapada.

- Será que você consegue conversar com eles? Falar pra eles tocarem seus tambores um pouco mais baixo? Preciso dormir.

- Mais a gente não ia transar?

- Iamos?

- Sim, você disse.

- Quando isso? Antes ou depois dos índios fazerem a dança da chuva?

- Meu, para com essa brisa. Poxa vida, eu peguei até esse consolo aqui...

- HA HA HA HA HA... Isso não é um consolo sexual em formato de pinto, isso é um cacique da tribo xamã, olha só pra ele, todo vermelho e corpudo. Um grande e belo cacique xamã iorubá. HA HA HA HA...

- Sério, porque você sempre faz isso?

- Isso o que?

- Por que você sempre estraga tudo entre a gente?

- Mas não existe a gente. Existe o nós aqui e agora. Eu, você, os índios na sua caixa d’água e claro, seus dois amigos acasalando naquele colchão nojento no chão na sua sala.

- Eu tava aqui de boa fazendo minhas coisas, levando minha vida. De repende você aparece na minha porta, no meio da noite, com a maior cara lavada e me diz, “Eai, blz? Eu tava passando aqui por perto e resolvi dar uma passada aqui pra te ver.” Você é tão falsa que não sabe nem mentir. Você mora à uma hora de distancia da minha casa, Vick. Por que você faz isso comigo?

- Eu estava mesmo aqui por perto, eu só não queria ir pra casa agora, então resolvi dar uma passada por aqui pra gente trocar uma ideia.

- Esse que é o problema.

- O quê? A gente trocar uma ideia?

- Não. Você sempre some da minha vida. Sem mais nem menos. Uma hora você tá aqui na outra quando eu pisco você já se foi. E eu fico sem saber como você tá ou quando você volta. Sempre fico tentando saber aonde é que você se esconde e com quem você esta. Então do nada você resurge deus sabe lá da onde, no meio da noite, na porta da minha casa, com esse seu olhar de cafajeste e esse seu sorriso insuportável e finge que nada aconteceu, que nunca foi embora nem nada. Como você pode ser tão fria e fazer isso sempre comigo?

- Meu senhor que exagero, Cristina. Até parece que eu to sempre viajando pra outros continentes e sempre esqueço de mandar um cartão postal com algum monumento histórico de cada cidade. Calma lá mulher, vamos relaxar...

- Eu te odeio sabia?

- Me conte algo que eu já não saiba ou que eu não ouça ao menos de três a quatro vezes por semana de alguma garota.

- Você tá namorando alguém?

- Bom, até quarenta minutos atrás quando eu desliguei o telefone eu estava.

- Como é o nome dela?

- A da semana se chama Letícia. E a do final de semana se chama Suzana.

- Você tá me dizendo que tá com duas namoradas?

- Se for isso que você esta me perguntando, sim.

- E elas sabem dessa patifaria?

- Por acaso o seu namorado sabe que você esta louca pra dar pra mim?

- É diferente.

- Diferente por quê?

- Traição por traição todos nós vamos para o inferno.

- Vamos mudar de assunto.

- Tudo bem, mas antes deixa eu terminar de fumar esse baseado.

“Buga Buga...” Fazia os índios com seus tambores de pele de veado amarrados com cipó. O cheiro de Eight no ar do quarto se misturava ao cheiro de mofo do colchão esburacado, das cobertas finas e geladas e das paredes com infiltração.

- Calma, vai devagar... minha buceta não é brinquedo não.

- Eu nunca comi ninguém usando um cacique.

- Isso não é um cacique, isso é um consolo.

- Parece um cacique xamã iorubá.

- Cala a boca. Você vai ou não vai terminar de me comer?

- Talvez.

- Não vem com essa de talvez. Me come logo.

- Eu não vou conseguir com todos esses índios aqui olhando pra gente, todos pelados com seus bagos murchos e roxos.

- Porra sério mesmo que você ainda tá chapada desse jeito? Faz mais de quatro horas que você fumou aquele beck. Por falar nisso, cadê o restante do chá que você comprou? me deu uma vontade de dar uns tragos agora.

- HA HA HA HA... Acabou!

- Como acabou? O Diego comprou uma bucha de cinco.

- Exatamente. Eu fumei a bucha do Diego toda. HA HA HA HA HA...

- Você é inacreditável, sabia?

- A gente ainda pode transar no pelo?

Uma alta e longa gargalhada se fez dentro daquela pequena casa no meio da favela. Um cachorro latiu raivoso enquanto perseguia um gato que caçava um rato. Diego e Julia gemiam sem pudor em cima de um colchão velho e encardido jogado no meio da sala. Cristina abriu as pernas, retirou o consolo e o grudou na cabeceira da cama. A coisa vermelha ficou lá, ereta me encarando, esperando que eu fracasse-se também. Fui com os dedos, ou melhor, no pelo. Aquela noite eu não fracassei. Não fui derrotada. Os índios não venceram a guerra e as baratas que transavam dentro da lata de açúcar em cima do balcão da cozinha da casa de Cristina iriam proliferar e dominar o mundo. Sim, elas iram.

❖❖❖
Notas de Rodapé
Apreciadores (5)
Comentários (5)
Postado 23/08/17 15:15

Moça, pode confessar, você roubou um pouco da bucha do Diego para escrever essa história, não é mesmo? Não precisa confirmar, sabemos a resposta. Eu e os índios detectamos mentiras no ar (se bem que foram os índios que contaram pra mim, mas shhh, é segredo, se isso for revelado um vulcão entra em erupção!).

Sério, essa foi uma das melhores histórias brisadas que já li! Só fiquei um pouco perdida no começo tentando identificar quem eram os personagens, mas nada que um baseado aqui e ali não resolv--- cof cof. Mas a Dona Vick estava tão séria a respeito dos índios que fico me perguntando se de fato eles não estavam lá...

Se não há em cada lugar e OLHA ATRÁS DE VOCÊ E PAAAM!

Agora, eu concordo com uma coisa: as baratas realmente vão dominar o mundo, e se continuarmos subestimando elas, esse futuro está mais perto do que imaginamos... Credo.

Ótima história, moça, super criativa e interativa com o leitor. Só dou a dica de dar uma revisada por conta de alguns errinhos de digitação, mas fora isso está muito bom. Parabéns ♡

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Postado 28/08/17 14:04

kkkkkkk Eu nunca estive tão xapada como aquele dia, foi tudo tão real... Os indios estavam lá fazendo a dança da chuva.

Obrigada pelas dicas e pelo comentário Tia, fico feliz que tenha disponibilizado um tempo para comentar está brisa kkkkk

Postado 23/08/17 19:36

Gente, como isso é possível? Eu estou com a Pami. Acho que você pegou um pouco da bucha do Diego sem que percebessem. Eu até confirmaria com os índios, mas os coitados estão meio desesperados, já estão fazendo a dança da chuva a umas meia hora e até agora a única coisa que caiu do céu foi um pedaço de bolo de chocolate meio mastigado.

Minha teoria é de que os índios realmente estavam lá. A outra mana é que fumou muito e não conseguiu ver nada. É a única explicação lógica! É impossível não ver um Cacique Xamã Iorubá. kkkkkkkkkkkkk

Esse foi um dos melhores textos que eu já li em tempos. Parabéns!

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Postado 28/08/17 14:05

Se a mana tivesse fumado junto comigo ela tinha percebido os indios que batucavam na caixa d'água dela kkkkkk

Obrigada por seus comentários sempre generosos, Flá!

Postado 27/11/17 06:39

SHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! SATANÁS ME DESTROÇE! QUE OBRA INSANA E DELICIOSA DOS INFERNOS FOI ESSA?! SHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHSHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Me pareceu um relato verídico que uma certa pessoa brisada aqui da Sta... Digo, do site viveria e contaria, lembrei e imaginei o conto como se passando com ela (insira emojis de lua negra com cara pervertida aqui).

Realmente, uma obra muito divertida e instigante como há tempos eu não era agraciado de ler! Muitíssimo obrigado por compartilhar algo tão criativo, engraçado e provocante conosco e parabéns por mitar tanto, Srta Vitória!

Atenciosamente,

Um ser que também vê e ouve coisas estranhas mesmo sem estar brisado, Diablair.

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Postado 03/01/18 02:41

SE EU JÁ VI ALGO MAIS CRIATIVO E QUE ME CAUSASSE ENTUSIAMO NESSE SITE? Duvido.

Parabéns por esta história maravilhosaaaa. Somos todos Vicky. Sou muito Vicky. Infelizmente, ou felizmente, não sei, os índios que decidam.

Postado 08/02/18 11:45

Criatividade 100%. Foi uma das obras mais divertidas que li e a mais insana também. Gosto de ler contos assim, onde a narrativa segue engraçada, sem ser forçada. Isso é muito bom! Mas ainda acho que alguém roubou a bucha do Diego ein! rs

Parabéns ❤

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