Arco e flecha (Em Andamento)
Nayara Cristine
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 11/09/17 10:42
Editado: 07/12/17 22:44
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 07/12/17 01:45
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 9min a 13min
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[Texto Divulgado] "Um Pouco de Mim" Nascendo com o peso de uma grande responsabilidade que passaria na sua vida, junto com a paz sendo limitada á tanto trabalho à se fazer.
Não recomendado para menores de dezoito anos
Arco e flecha
Notas de Cabeçalho

Eu voltei só agora pq não sabia que a academia tinha voltado desde aquela manutenção. Fiquem com esse capítulo cheio de amor n

Espero que vocês gostem, qualquer dúvida me gritem

A FORMATAÇÃO BUGOU, ME DESCULPEM

Capítulo I O que me move nas perdições...

Capítulo I - O que me move nas perdições de um infinito que não me pertence

Tudo parecia tranquilo naquele dia. Era uma manhã chuvosa do jeito que eu gosto, o café estava quente e muito forte, assim como os biscoitos que havia feito no dia anterior, ainda que estivessem meio doces com canela e chocolate. O que me intrigava era que precisava ir ao médico, aquela consulta de rotina que me sufocava aos poucos. Como membro da equipe nacional de arco e flecha é necessário fazer esses exames e consultas rotineiras, mesmo que eu não gostasse nem um pouco de tal. Sentia que alguma coisa estava estranha e que meu organismo não estava completamente bem, no fim sabia que algo estava incorreta, pois havia errado um alvo fácil em um treino.

Tentei não pensar que estava doente, acabei por tomar um paracetamol aqui na enxaqueca, um remédio para enjoo ali; tudo isso ia tardando o que viria a saber dali a pouco. E acreditem, foi a maior injustiça que a vida pode me fazer.

Sabe, eu era um rapaz bom, tinha um emprego legal, afinal era esportista. Ganhava razoavelmente bem, claro que não tão bem quanto jogadores de futebol — mas quem em sã consciência se importa com eles?

A questão era que vivi toda a minha vida engolindo sapos, devorando cada pão que o diabo amassou com o rabo para no futuro olhar para trás e ver todos aqueles que me fizerem mal de alguma forma tendo o cu fodido com areia pela vida.

A por favor, não me façam essas caras espantadas como se nunca tivessem ouvindo um palavrão, como se nunca tivessem ouvido algumas palavras impróprias.

Guardei por muito tempo tudo que queria falar e essas palavras apenas faziam com que na minha garganta se formasse um bolo, e que no meu estômago uma gastrite nervosa filha de uma puta tomasse conta.

Então vão a merda seus moralistas de meia pataca. Estou pouco me lixando para aquilo que esperam de mim agora, afinal vocês terão aquilo que jamais ansiaram: a minha extrema genialidade.

E não me venham com mais Jackson e nem muito menos Jackson, vou refluxar na cara dessa sociedade odiosa cada maldito sapo que me fizeram engolir, vou esfregar e esfolar a cara dela com cada maldito pão amassado pelo diabo que tentaram me fazer comer e se não for suficiente, vou enfiar goela abaixo todas as palavras que um dia euzinho aqui precisei mastigar.

Agora vocês estão satisfeitos?

Agora que deixei bem claro que não vou me curvar a qualquer moralista que se imponha — isso inclui o juiz que provavelmente vai ignorar essas palavras. Mas um dia ou outro vocês terão que me ouvir, e vai ser da forma que eu quero.

Assim, eu estava esperando que o ciclo da vida fizesse seu maldito e desgraçado papel e que cada filho da puta que um dia ousou me humilhar agora tivesse seu cu, sua vida e seus malditos desejos sendo engolidos — que eles sofressem por serem esses miseráveis e que me vissem com todo meu sucesso, glória e glamour e repensassem nas merdas que fizeram para mim.

Mas esse tal ciclo universal não funcionou muito bem não, na verdade acredito que talvez ele até tenha funcionado, mas na época eu não consegui ver o que de fato era meu destino afinal. Cego pelos meus medos e anseios, preso por aquilo que acreditei ser real, pelos meus sonhos e por aquilo que me disseram que era o que aconteceria comigo, segui rumo a um tal futuro que me foi retirado.

Dirigi calmamente para o consultório médico. Percebam como sempre fui exemplar. Até mesmo as leis de trânsito que duvido muito que vocês respeitam eu respeitava. Sinais, faixas de pedestres e a caralhada toda que creio eu, hoje não me serve de merda alguma.

Cheguei no consultório e uma moça loira — obviamente de farmácia — me atendeu e me fez assinar toda aquela papelada, de fato estava com meus exames em mãos e deveria mesmo assinar se não quisesse ter de pagar para a consulta — vejam bem, eu era da equipe olímpica e possuía minhas regalias.

Depois de assinar umas três folhas diferentes e ter que aguentar a tal atendente sorridente. Era como se aquele sorriso fosse acolhedor, ou como se com ele eu pedisse seu número de telefone para depois ter algo fora do consultório. Iludida a coitadinha com suas sardas escondidas com aquele pó barato que cheirava a pele de gente velha e pobre. Tudo que fiz – única e exclusivamente para fingir que era um bom moço, por que naquela época eu o era –, foi sorrir de volta e me sentar mantendo os olhos longe dos dela, evitando dar qualquer esperança com meus contatos visuais.

Precisei ficar ali, preso naquela sala enquanto era cercado por gente que nunca havia visto na vida. Vez ou outra respondia algumas perguntas da enxerida que insistiu em sentar do meu lado, essa que perguntava sobre minha vida pessoal e não parava de falar nem um minuto sequer da sua.

Rezei para Vecna¹ dar-lhes sua fúria.

Contudo logo quando a senhora chegou na parte que falava dos netos e de seus respectivos sucessos profissionais eu fui chamado pelo médico para ser atendido, sorri e pedi desculpas a enxerida e segui ainda rezando mentalmente para que todos os deuses caóticos do pandemônio viessem na família dessa mal-amada e mostrassem suas respectivas glórias.

O doutor Francesco é um bom médico, um daqueles que você bate o olho e manja que gosta da profissão. Dava para ver, ele olhava para os pacientes como eu olhava para meu arco e pelos deuses, esse é o maior amor que se pode encontrar enquanto busca por algo ou enquanto se faz algo.

Francesco pediu meus exames e me examinou fazendo perguntas claras e objetivas.

Perguntou-me se sentia náuseas, tonturas e dores de cabeça. Eu disse que não, porque mesmo que eu sentisse, tomava qualquer remediozinho e passava, mas não contaria isso a ele, afinal como um bom esportista que sou tenho que manter todo e qualquer tipo de medição controlada pelo médico da confederação da esportiva, ou seja, ninguém poderia saber dos meus deslizes e automedicação.

Eu disse que faria questão de contar cada detalhe, pois bem, vou contar.

Francesco sabia que eu estava mentindo era óbvio por suas caretas e arqueadas de sobrancelha, mas como bom orgulhoso que sou não daria meu braço a torcer nem que a vaca tussa.

Ele me perguntou mais uma vez, dessa vez com a voz alguns tons mais baixos me fazendo crer que estava de fato preocupado comigo — bom, pelo menos esse era seu objetivo. O que não funcionou comigo já que eu era um bom entendedor da psique humana. Ele tentou, mesmo que isso fosse complexo e exaustivo tirar os sintomas de mim.

Comecei a me irritar já que Francesco não me liberaria até que eu tivesse confirmado tudo que ele já sabia – eu o conhecia a anos e podia ler cada uma de suas expressões. Acabei meio a contragosto falando. Pronto, confesso, contei o que estava acontecendo.

Falei tudo, cada coisa estranha que me acontecia. Confirmei suas dúvidas e esse acabou me internando para exames.

Fiquei internado contra minha vontade, deixo claro essa parte.

Os exames que havia feito não eram suficientes, então Francesco me prendeu naquele maldito cubículo que chamam de quarto hospitalar enquanto anotava minha rotina a partir dali. Tudo sendo feito contra a minha vontade, mas como iriam avisar o capitão do time de arco e flecha, acabei cedendo.

Foi um dia cheio e cansativo. Entra na máquina para fazer tomografia, toma injeção na veia, sai da máquina, exame de sangue, descansa, dorme; mais exames e estes eu nem conhecia.

No final do dia, com uma carranca meio tristonha e meio fora do comum para Francesco eu tive o ponto final da minha vida pacata e comum como um cidadão de bem.

Tumor no cérebro.

Não tinha cirurgia.

Não haviam remédios que o fizessem parar de crescer, estes apenas que amenizavam as dores.

Dois anos de vida se eu tivesse sorte.

Foi aí que tudo desandou.

Eu estava morrendo, saca?

Morrendo, com os dias contados e mesmo que eu quisesse, mesmo se me tratasse não existia outro fim para mim.

Caixão aos vinte e poucos.

Justo eu que acreditava que iria voltar para a maldita cidadezinha de onde sai e olhar todos aqueles malditos filhos da puta que me humilharam e maltratam e iria simplesmente ver a vida foder o cu deles com areia, mas não, Pelor certamente me rogou uma praga e eu estava morrendo.

A vida não é justa.

E esse foi o seu erro.

O erro que custou toda a minha sanidade e talvez a alma de algumas pessoas que nem deveriam existir. Claro isso na minha concepção; mas eu queria mais era que tudo se explodisse em meio ao caos.

E foi o que fiz, não foi?

Tive uma certeza ao sair do hospital depois de meditar por longos dois dias: eu ia para a vala, mas ia levar um monte comigo.

Comecei meus planos ali mesmo, enquanto caminhava até meu carro com as receitas dos remédios e as datas certas para ir no hospital fazer o tal tratamento. Sabia exatamente como agir e por Bane², tinha motivos de sobra para agir.

Mandei toda e qualquer moralidade, decência e qualquer caralho que me mandavam ter e seguir, e calculei cada maldito passo que precisava dar para levar à vala cada um que um dia me fez algum mal.

Foi aí que o caos se instaurou.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Notas

¹ Vecna é um deus de dungeons e dragons. É a divindade dos mortos vivos.

² Bane é um deus de dungeons e dragons. Considerado o patrono do ódio, do medo e da tirania.

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